Publicado por: Wally | Sexta-feira, Julho 10, 2009

Um Faz de Conta que Acontece

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Quando o pai de Skeeter vendeu seu modesto hotel – que se transformaria em um bastante famoso – pediu ao novo proprietário que transformasse Skeeter, quando adulto, no gerente. Skeeter, porém, já na idade adulta, não passa de um empregado e ajudante. Quando ele precisa cuidar de seus sobrinhos por uma semana, descobre que, ao contar histórias de ninar, tudo que seus sobrinhos adicionam à história magicamente torna-se real.

Ano passado, o “queridíssimo” Adam Sandler (Eu os Declaro Marido e… Larry!) – comediante que nunca me convenceu, mas que já teve boas experiências no drama – lançou o degradante e vergonhoso “Zohan – O Agente Bom de Corte”, um filme tão rude e lotado de insinuações sexuais que incomodava ao invés de trazer a tona o humor. Pois bem, Sandler parece ter se dado conta do quanto seu último filme havia sido sujo, e decidiu abraçar – agora – uma afável e ordinária comédia da Disney. Um pedido de desculpas, talvez? De uma forma ou de outra, não funcionou. Seu filme infantil é quase tão descartável quanto o seu excessivamente adulto. “Um Faz de Conta que Acontece” tem os ingredientes certos para agradar o seu público alvo – e talvez o fará. Infelizmente, porém, ele limita-se ao óbvio e aos elementos cansados do gênero, repelindo qualquer audiência que não seja a totalmente alienada por Sandler. “Um Faz de Conta que Acontece” é o primeiro filme de sua produtora – Happy Madison – a ter uma censura livre. O longa é, de fato, uma fita infantil. E precisa ser encarada como tal. Mesmo com essa leve percepção, é difícil engolir boa parte do que nos é apresentado ao longo da metragem.

O roteiro do filme investe um pouco na idéia que havia sido utilizada no também fraco “Coração de Tinta” – que conta com realidade surgindo da fantasia. Em “Um Faz de Conta que Acontece” – em boa sacada – a fantasia nunca é exatamente fantasiosa. O que nasce das histórias contadas não foge do nosso mundo, e nasce em cima de coincidências e elementos verídicos. É uma pena que o limitado diretor – Adam Shankman (Hairspray – Em Busca da Fama) – não consiga fazer com que esta idéia ressoe. Shankman, alias, foi uma imensa decepção. Tudo bem que o cara havia feito os medíocres “Operação Babá” e “Doze é Demais 2”, mas vindo do exercício contundente que foi o musical energético de “Hairspray”, esperava-se mais. Shankman, porém, nunca parece fazer mais do que o necessário, assumindo o tom simplista e não quebrando o clima simplório da obra.

A película está recheada dos momentos “mágicos”, mas o único que realmente pode se adequar justificadamente ao termo é um comicamente inspirado que traz o personagem sendo inundado por uma chuva de balas coloridas. Nesta cena, o sorriso foi inevitável. Em quase todas as outras, porém, é o rangido dos dentes que parece assumir presença total. Tal rangido normalmente vem acompanhado das cenas que trazem Sandler em seu mais caricato e forçado – ele simplesmente não percebe o quanto ele é artificial. O coadjuvante, Russell Brand (hilário em “Ressaca de Amor”) é quem rouba todas as cenas em que surge. Pena que seus diálogos sejam tão mal escritos. Guy Pearce (Guerra ao Terror) e Keri Russell (O Som do Coração) não conseguem fazer muito com seus estereótipos. Mas, por outro lado, eles nem parecem tentar muito.

“Um Faz de Conta que Acontece” possui charme para a criançada, e um visual que cativa. E, se tivesse mantido a inocência e a pura simplicidade na sua abordagem com o público infantil, talvez teria sido eficiente. Isto, porém, nunca ocorre. Sandler almeja sujar quase todas as cenas que surge – ou com piadas forçadas, ou com sentimentalismo exacerbado. O filme, alias, tem todos os atos, cenas e clichês obrigatórios que poderíamos esperar. É uma obra em fórmula, e o tédio é um sentimento muito perigoso de ser extraído da tola experiência. Chame de implicância, criticismo ou ignorância. Mas no final, não tem como dar outro nome ao filme a não ser o de uma fracassada tentativa de Sandler em alienar os pequenos. Levando em conta o sucesso de seu filme, porém, ele parece ter conseguido. Lastimável, não?

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Bedtime Stories (2008)
Direção:
Adam Shankman
Roteiro: Matt Lopez, Tim Herlihy
Elenco: Adam Sandler, Keri Russell, Guy Pearce, Russell Brand, Richard Griffiths, Teresa Palmer, Lucy Lawless, Courtney Cox, Jonathan Morgan Heit, Laura Ann Kesling
(Comédia, 99 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.


Responses

  1. Lastimável também sem o menor talento como o Sandler seja tão grande em Hollywood. Só o PTA mesmo pra tirar algo daí.

    Abração!

  2. Ainda não vi, mas também não me puxa muito. Passou nas salas portuguesas sem grande sucesso.

    Abraço.

  3. Engraçado é que o Adam Sandler está protagonizando “Funny People”, que involuntariamente critica comédias discutíveis como essas que ele participa com certa frequência. Ah, a ironia…

  4. Como tantos outros Sandler é um comediante que muitas vezes escolhe filmes errados, mas já mostrou que pode ser engraçado como em “Afinado no Amor” e “Como se Fosse a Primeira Vez”.
    Esta nova tentativa parece ser um novo erro.

    Abraço

  5. UM DIA EU VEREI, MAS NUM FUTURO NÃO TÃO PRÓXIMO

  6. Ah, desta vez não mesmo, Wally. Sandler, ninguém merece.

  7. Acho que junto com cada filme lançado do Sandler, deveria vir junto o EMBRIAGADO DE AMOR, para as pessoas ao menos se lembrarem que esse cara consegue fazer algo que presta, quando exigido…

  8. Achei muito bobinho, até para crianças.

  9. Eu não gosto do Adam Sandler em filmes nesse estilo. Acho que ele sempre erra nessas escolhas. Pelo que li, no seu texto, esse “Um Faz de Conta que Acontece” foi outro equívoco….

  10. Este filme, espero para conferir numa “Sessão da Tarde” da vida. E espero que Adam Sandler ganhe crédito com “Funny People”, onde, pelo menos no trailer, ele parece estar BEM (?) rsrsrs.

  11. Nossa, acho q sou o único q gostei desse filme..rsrs..
    Abs! Diego!

  12. Eu fui mais boazinhoa na cotação, uma estrelinha à mais… Mas o filme realmente é muito descartável…

  13. O filme é legal mas realmente não é o que eu pensei que fosse,pois sao coisas mais chatas e mais bobas do que eu pensei que fosse pelas propagandas…mas é bom pra assistir quando nao se tem outra coisa para fazer…


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