Publicado por: Wally | Terça-feira, Novembro 27, 2007

Hairspray – Em Busca da Fama

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No ritmo de um sonho

jt.jpgNa cidade de Baltimore, Tracy Turnblad é uma garotinha otimista e cheia de vida. Encantanda com o Corny Collin’s Show, ela passa o tempo de aula contando os segundos para chegar em casa e assistir ao programa de música e dança. Quando a emissora decide realizar testes, a incomum e reconchucada Tracy dispara como favorita com sua maneira de dançar inovadora. Agora, sensação do programa, Tracy fará de tudo para acabar com o Dia Negro, fazendo com que que segregação termine e o programa, que separava os brancos dos negros (como o resto da sociedade) integre todos em um show apenas, mesmo que tenha que passar por cima dos conservadores.

nb.jpgVivo e cheio de energia, Hairspray é o novo musical hollywoodiano, mas dessa vez não conta histórias dramáticas sobre amor proibido, crimes de paixão e estrelas da música soul. Resgatando com precisão o verdadeiro espírito dos musicais de antigamente, é do típo de longa efficiente na proposta, contagiando e divertindo, satisfazendo e literalmente brilhando. Se Dreamgirls foi movido pela paixão do diretor pelo material, Hairspray ganha vida pelo seu alto astral intenso e seus personagens glamourosos. Baseado em filme de John Waters dos anos 80 e em musical da Broadway, é espirituoso, bem conduzido e homenagea muito bem os filmes de música e dança antigos vivos e audazes, mais especificamente, Cantando na Chuva, imbatível claro, mas fazendo menções dignas à sensações como Grease – Nos Tempos da Brilhantina e Cry-Baby.

mp.jpgO mais interessante de Hairspray é, porém, se revelar ao mesmo tempo entretenimento fantástico e um drama competente acerca da situação dos Estados Unidos nos anos 60, quando a segregação racial ainda era um conflito. O filme diverte a todas as idades e entrega lições valiosas sem cair no barato e no melodramático, com exceção de seu momento menos inspirado, durante uma paseata melancólica protagonizada por Queen Latifah, com uma canção pouco agradável. Fora esse momento porém, o filme é todo delirante e satisfatório. Os números musicais não só funcionam muito bem, mas empolgam, principalmente já que são personificados por um elenco contundente e afiado, todos resgatando muito bem o espírito audaz e louco daqueles anos de rebeldia.

ze.jpgNikky Blonsky é uma revelação. Na sua estréia, a garotinha carrega grande parte dos filmes nas costas com puro carisma e charme, sem contar sua extraordinária habilidade de cantar e cativar. Ao seu lado, John Travolta não faz feio e se redime de todas as bombas que fez recentemente (sim, estou falando de Motoqueiros Selvagens). Não é só pelo fato de estar travestido que o torna engraçado e divertido, mas Travolta cai bem no papel e funciona perfeitamente, entregando seus diálogos de uma forma que soam extremamente engraçados. Seu momento com Michelle Pfeiffer (brilhante), onde dispute o personagem de Christopher Walken, ao som de “Big, Blonde and Beautiful” funcionou genialmente, em possívelmente a melhor cena do filme.

ab.jpgAlias, me surpreendi muito com Shankman (diretor), que de filmes sofríveis como Doze é Demais 2 e Operação Babá chegou ao ponto de ser inspirado e competente na realização de Hairspray, que não só soa como cinema obrigatório, mas um pedaço sintilante de diversão, da qual poucos filmes de ação conseguem oferecer. Pode ter sido o visual magnífico que me deslumbrou, que inclui perfeito figurino, maquiagem e uma direção de arte fantástica ou talvez foi mesmo o elenco maravilhoso. Mas sei que, apesar de suas falhas (Shankman nem sempre se sai bem sucedido na narrativa), Hairspray não só me cativou e me seduziu por completo, mas permaneceu em minha memória como poucos filmes permanecem. Como musical, resgata o espírito esquecido, entretendo e se mantendo vivo a todo momento, com referências deliciosas e diálogos adequados e como cinema, peca somente em habituais faltas de criatividade por parte de Shankman com a câmera, mas nem por isso você resiste à tentação. Você simplesmente não consegue parar o ritmo.

[Hairspray, 2007] de Adam Shankman. com Nikki Blonsky, John Travolta, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken, Amanda Bynes, James Marsden, Queen Latifah, Zac Efron, Brittany Snow, Elijah Kelley e Allison Janey. [Musical, 117 minutos]

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Responses

  1. Wally, adorei esse filme. Como você mesmo disse é muito vivo e vibrante, tem personagens carismáticos, números musicais que contagiam e uma história com a qual todos podemos nos identificar.

    É um trabalho surpreendente do Adam Shankman e espero que tenha uma ótima jornada na temporada de premiações, porque merece demais.

  2. Adoro Hairspray. Fui cativado pelo elenco todo. Até mesmo Zach Efron, que não suportava por High School, se sai muito bem nesse filme.

  3. Adorei HAIRSPRAY, um dos melhores filmes do ano! Gostei muito do John Travolta e dessa menina que é bem melhor do que a Jennifer Hudson e não vai ganhar nada.

    Abs!

  4. Estou cada vez mais curioso para conferir, John TRavolta deve estar muito bacana!

  5. É o musical mais sincero desde Moulin Rouge! – Amor em Vermelho.
    Se Chicago, apesar do ótimo lado técnico, parecia frio e não muito empolgante (assim como Dramgirls), Hairspray é tudo aquilo que alguns musicais fracassados gostariam de ser – contagiante, engraçado e charmoso.
    O maior show do filme fica por parte do elenco, que faz um trabalho brilhante (adorei a caricatura proposital de Michele Pfeiffer e o hilário John Travolta, que merece uma indicação ao Oscar). Acho Nikki Blonsky a revelação do ano, e não é apenas mais uma voz linda como Jennifer Hudson no musical de Bill Condon.
    Sem falar é claro das ótimas músicas, em especial “You Can’t Stop The Beat”.

    NOTA: 8.5

  6. O que achei bem interessante nesse “Hairspray” foi justamente trazer essa energia dos filmes dos anos 80, mas com o mesmo espírito de produções clássicas do gênero. Não é como “Dreamgirls” e outros musicais recentes (nos quais o drama predomina), muitos deles bem artificiais. Enfim, melhor musical em muito tempo…

  7. Não sou muito fã de musicais, mas pelo comentario acho que vale pena conferir.

  8. […] comprado, filhotinho, ao início, criamos certa afeição por ele. E a dublagem de John Travolta (Hairspray – Em Busca da Fama) caiu bem. Mas Bolt não é o personagem chave aqui, e nem mesmo sua dona, apesar de serem o foco e […]


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