Publicado por: Wally | Segunda-feira, Julho 6, 2009

Força Policial

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A saga culminante de uma família de policiais de Nova Iorque. Quando dois policiais são mortos inexplicavelmente no que parece um crime de narcóticos, Ray Tierney começa a investigar o caso, esbarrando em feridas de corrupção que podem acabar incriminando sua própria família, quando seu irmão e cunhado surgem como peças principais em um jogo de corrupção e violência que resultou em mortes desnecessárias.

A trama de policiais corruptos, famílias metidas no mundo do crime e irmãos em impasse não é nada de novo. O enredo de Força Policial é, de fato, já um clichê. E o filme dirigido por Gavin O’ Connor é – além de excessivamente longo – cheio de inconsistências, passagens previsíveis, estereótipos já cansados e muitos elementos fora de lugar. O que evita que ele se torne um filme totalmente descartável é a segurança com a qual ele é dirigido por O’ Connor, que faz o possível para condensar os defeitos do roteiro o máximo possível. Além disso, o filme entrega um elenco consistente que consegue injetar intensidade e dramaticidade plausível ao território manjado de policiais e ladrões, culpa e redenção e a desestruturação de uma família diante das implicações criminosas dos homens que a compõe. E, neste aspecto, o filme ganha uma autenticidade ao trazer a tona os conflitos morais dos personagens de forma que convença. E, não só isso, mas consiga ecoar através dos desequilíbrios narrativos da fita, que acaba sendo recomendável.

O filme inicia-se com uma longa cena de créditos num jogo de futebol americano sendo jogado por times do departamento de polícia – um deles de Nova Iorque e que serão o foco do filme. No jogo, os familiares estão lá na arquibancada. É uma tentativa bem realizada de já denotar um tom para o filme, mesmo que não seja em nada original. Os policiais em embate e os familiares como testemunhas. Alegoria competente ao que ocorre pelo resto do filme. Depois disso, já somos introduzidos ao conflito e seguimos uma cena primorosa em forma de plano-sequência. Seguindo um dos personagens até a cena do crime, a direção é nervosa, a fotografia realista e a longa tomada é admirável. Os grandes elogios, portanto, param por aqui. O resto do filme não passa do correto e aceitável.

Os personagens são interessantes e na maior parte das vezes a trama consegue envolver, o problema é quando ela começa a se arrastar, grande parte graças à banalidade da história, que luta para encontrar uma personalidade e uma ressonância maior. As restrições da abordagem muito convencional também podem atrapalhar em momentos que pedem um nervosismo tão intenso quanto aquele demonstrado no plano-sequência. E é com essa falta de urgência e constante passagem por elementos batidos que o filme vai perdendo sua força e, se não fossem pelas boas atuações e os personagens, o interesse estaria completamente perdido. Além de uma decente atuação de Colin Farrell (O Sonho de Cassandra), o destaque é o desempenho do sempre inspirado e talentoso Edward Norton (O Incrível Hulk), que injeta uma humanidade essencial ao personagem, o tornando a peça central da trama e no foco dramático do filme. Jon Voight (24 Horas – A Redenção) surge de uma forma bem pretensiosa, mas não compromete. Já Noah Emmerich (Pecados Íntimos) está muito bem como o irmão que luta com seus demônios interiores e exteriores, lidando com a culpa e o câncer de sua esposa.

A trama previsível foi roteirizada pelo já “expert” do gênero, Joe Carnahan, que escreveu e dirigiu filmes como “A Última Cartada” e “Narc”, sendo o foco deste último o mundo criminal. O’ Connor co-escreveu. O texto alça vôo quando foca nas intimidades morais dos personagens, mas perde o fôlego ao se ligar demais nas engrenagens corruptas da polícia sempre cansativas. Como um filme do gênero, também era de se esperar mais cenas de ação. Quando as tem, ao menos são bem realizadas. Apesar de possuir certa cena no clímax que beira o ridículo pela condução desastrosa e por ser muito implausível, numa luta patética dentro de um bar. Mas a parte técnica não decepciona, incluindo boa edição e uma trilha sonora exemplar de Mark Isham. Elementos primordiais para deixar o ritmo do filme vivo mesmo quando a trama parece morta. Na sua totalidade, é um filme cheio dos equívocos, mas suas virtudes não devem ser totalmente ignoradas e elas garantem uma sessão digna, ao menos que seja abordada sem maiores compromissos. Afinal de contas, não é exatamente Scorsese.

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Pride and Glory (2008)
Direção:
Gavin O’Connor
Roteiro: Joe Carnahan, Gavin O’Connor, Robert Hopes
Elenco: Edward Norton, Colin Farrell, Jon Voight, Noah Emmerich, Jennifer Ehle, John Ortiz, Frank Grilo, Shea Whigham, Lake Bell, Manny Perez, Wayne Duvall
(Policial, 130 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.


Responses

  1. Nossa, agora que eu lembrei desse filme, irei ve-lo o mais rapido possivel!

  2. Eu não tenho mais paciência pra esse tipo de filme. A nao ser que seja do Scorsese ou do Mann. Ou em alguma série de tv bacana do pessoal de The Shield.

    Fora isso, dificil uma boa historia e narrativa interessante, ne?

    Abços!

  3. Olá Wally,

    Sou leitor do Cine Vita e sou cinéfilo de carteirinha. Eu estou mandando esse email porque estou trabalhando numa empresa que desenvolveu um portal sobre cinema – o Cinema Total (www.cinematotal.com). Um dos atrativos do site é que você cria uma página dentro do site, podendo escrever textos de blog e críticas de filmes. Então, gostaria de sugerir que você também passasse a publicar seus textos no Cinema Total – assim você também atinge o público que acessa o Cinema Total e não conhece o Cine Vita.

    Se você gostar do site, também peço que coloque um link para ele no Cine Vita.

    Se você quiser, me mande um email quando criar sua conta que eu verifico se está tudo ok.

    Um abraço,
    Marcos

  4. Sem nenhuma vontade de ver esse filme. Nem a presença de Norton me despertou interesse. Abraço

  5. Detestei o final desse filme, do início até a metade até q tava legal e interessante, mas o final tosco botou td a perder, valeu pelo elenco..nota 4.0!
    Abs! Diego!

  6. Todo mundo quer ser o Scorsa, por que será? :D

    Esperava um pouco mais do Farrel, aqui ele está abaixo de outros trabalhos recentes.

    Abs!

  7. Nã tenho nenhuma curiosidade pela temática desse filme, afinal a maioria dos longas do gênero lançados nos últimos anos me decepcionaram bastante. Talvez veja pelo Norton ou mesmo Emmerich, que para mim é um ator subestimado (muito bom saber que sua atuação é um dos destaques).

  8. Dois grandes atores, em um filme que parece ser bem meia-boca. Acho que não me arrisco…

    P.S.: há um bom tempo o Norton não faz nada realmente bom, não é? Cadê o ator de CLUBE DA LUTA e A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA?

  9. Ih, não sabia da participação de Carnahan. Mesmo sabendo disso – e agora sabendo que ele já foi promessa não cumprida -, esse filme simplesmente não parece interessante, apesar da presença de Norton e Voight.

  10. Eu gostei bastante de Força Policial, especialmente do Edward Norton, que tem uma consistência e regularidade impressionante em seus filmes…

  11. Veria o filme por causa da dupla principal (Edward e Colin) que parecem estar em “sintonia”. rsrs

  12. Assisti em DVD. Achei tão fraquinho…

  13. Não gostei muito também do filme, acho que o elenco me fez esperar mais do filme, e o memso elenco está como de costume bem, mas a história é fraca, e a propaganda que fizeram do filme sendo o “tropa de elite” da policia americana… propaganda enganoza rss

    Abraço!!!

  14. Naum gostei deste filme. Talvez tenha sido uma das piores sessões deste ano. O problema, para mim, foi justamente o roteiro. Previsível demais, quadrado demais.
    Dá para fazer uma boa trama policial com fortes contextos familiares sem ser Scorsese, como é o caso do James Gray em Os Donos da Noite. Este aí passou longe.
    Abraços.


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