Publicado por: Wally | Segunda-feira, Maio 26, 2008

O Som do Coração


Alma de poeta, olhos de vidro

Lyla e Louis se conhecem sob circumstâncias improváveis e ficam juntos para, no próximo dia, partirem por conta do acaso apesar do grande sentimentos que os envolve. Anos depois o jovem Evan, órfão que esconde um estranho impulso à música, foge para ir ao encontro de seus pais, confiante de que, usando sua música, eles conseguirão lhe escutar.

A natureza de “O Som do Coração” é o de ser uma fábula. Ou seja, para apreciá-lo de verdade, é preciso deixar todo o cinismo na porta. Porém, cinismo e senso crítico são coisas distantes, mesmo que relacionadas, e apesar de ter deixado meu cinismo à certa distância, não pude deixar de encarar o trabalho de Kristen Sheridan como um superficial, cujo olhar artifícial não faz jus ao seu espírito apaixonado. Cheio de sentimento, há momentos neste filme que chegam a ser contagiantes e alguns raros contundentes, pela força de sua emoção. É uma pena ter que constatar, com isso, que toda essa válida emoção ganhe contornos exagerados e superficiais sob a ótica de Sheridan, que prega o melodrama em overdose e no meio do caminho esquece que ao lado de sentimento tem que haver autênticidade, se não tudo se torna sentimentalismo forçado. E em muitos momentos do filme, senti exatamente isso.

É um conto de amor sobre duas pessoas apaixonadas separadas pelo destino e que se reencontram ouvindo o som de seus corações, bem como o de seus filho, que nem sabiam estar vivo. Um filme todo baseado no poder das emoções e na crença de que a força cósmica do amor e da música unem tudo. Bem irregular para todo o cinismo que ronda o dia a dia de hoje, mas isso só o torna mais necessário. Torna-se frustrante, então, constatar que em um filme que tinha tudo para funcionar e que envia uma mensagem tão bonita se perca completamente no superficialismo e na tolice, em uma execução não só decepcionante, mas intensamente maniqueísta, que muitas vezes ignora o próprio sentimento humano da audiência para fazer com que acreditemos mais no que vemos. O que Sheridan simplesmente não percebe é que, apesar do roteiro extremamente falho, o filme tinha uma alma e um senso poético. Por um olhar vidrado e artificial, mesmo que longe de frio, tudo torna se desperdiçado.

O roteiro é previsível, possui personagens esteriótipados e clichés irritantes, mas a seu favor, uma história bonita, que poderia ter funcionado independente dos defeitos, contanto que bem direcionada, narrada com intensidade e paixão, não sentimentalismo e exagero. Nesse roteiro, temos um personagem chamado “Wizard” que ajudou ainda mais meu crescente desgosto pelo filme. Não sei se é todo culpa do roteiro, ou se foi culpa de Robin Williams, que fez uma inspiração terrívelmente porca em Bono, que resultou em um personagem não só chato, mas problemático para a narrativa, que não ajuda em nada com suas escolhas equívocadas. Williams é, porém, um dos únicos do elenco que não agrada, pelo menos dos principais. Freddie Highmore está muito bem, apesar de exagerar nos sorrisos em momentos, enquanto Jonathan Rhys-Meyers e Keri Russell, ambos competentes, conseguem criar boa química e fazer pelo menos o sentimento entre eles acreditável e genuíno.

E como com certeza não poderia deixar de ser, a trilha do filme é muito boa, mesmo que a canção indicada ao Oscar, “Raise it Up”, seja um exagero só. Uma trilha que flui bem e agrada, dentro da medida certa e até encanta em momentos. Ou seja, quando Sheridan e o roteiro falham, temos o elenco e a trilha para preencherem o vácuo. Mas com certeza não é o suficiente para fazer o filme funcionar, que chega bem perto mas infelizmente sucumbe inteiramente para o esquecimento, mesmo com sua bela mensagem, graças à artificialidade do trabalho, que deixa uma impressão nada marcante e nem um pouco memorável na audiência. E visto as intenções da “fábula” não era para isso ter ocorrido. Então, mesmo que bonitinho, o efeito é logo desmanchado, deixando pouco impressão. Tudo por causa de uma lingüagem cinematográfica limitadíssima. O coração ta no lugar certo, a todo momento. Mas o bom senso, infelizmente e inconvenientemente, não está.

August Rush (2007)
Direção:
Kristen Sheridan
Roteiro: Nick Castle, James V. Hart, Paulo Castro (estória)
Elenco: Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys-Meyers, Terrence Howard, Robin Williams, William Sadler, Marian Seldes, Leon G. Thomas III
[Drama, 114 minutos]


Responses

  1. Eu até que gostei um pouco mais do filme, apesar de ser muito dramalhão mesmo.

    Abraço!

  2. Esse eu nem tinha conhecimento da existencia.

  3. Ah, “Raise It Up” não é uma canção exagerada.

    “O Som do Coração” é isso aí que você disse: um filme totalmente clichê, que parece uma novela mexicana. A diferença é que, comigo, o filme funcionou muito e eu adorei!

  4. como está rolando muitos comentários divididos… li coisas boas sobre esse filme e criticas negativas.. mesmo assim espero ve-lo…
    Hoenstamente, não acho que Robin Williams esteja fazendo boas escolhas nos seus ultimos filmes… porém espero não ter tanta raiva dele nesse aí…
    Pela sua critica, Wally, parece que vai muito de pessoa para pessoa.. vou asisit-lo com bom humor, pra cima, alegre.. talvez tenha uma opinião diferente da sua…
    abraços!!!

  5. Que triste essa nota. Vi o trailer e achei tão interessante. Agora desinteressei!

    =)

  6. Estou com esse filme aqui faz um tempão e ainda não vi! Mas acho Raise It Up, a canção que concorreu o Oscar, maravilhosa!

  7. Acredita que eu tenho ele baixado, mas até hoje não o vi? Ainda não tive paciência…

  8. É, Wally, não fosse o sempre simpático e competente Freddie Highmore, talvez eu nem tivesse deixado “O Som do Coração” levar uma estrelinha para casa.
    Desculpa o sumiço, voltei de viagem no domingo, depois de uma agradável semana de lazer!
    Abraço!

  9. Eai Wally, tdo bem??

    HASUDHSAUDHUSH!
    nao conhecia esse filme tb! mais nem me interessei nao!!

    passa lah!

  10. Provavelmente esse é o segundo pior filme que vi nesse ano entre as estréias no país (só perde para “O Olho do Mal”, claro). Realmente a falta de bom senso é impressionante, fiquei irritado com tanto clichê. Nem da trilha sonora gostei, para você ter uma idéia…

    Abraço!

  11. Agora eu fiquei com vontade de ver esse filme! Todo mundo (ou quase todo mundo) desceu a lenha! hehehe

  12. Assisti ao filme ontem e amei! Lindo!!!

  13. eu assisti o filme e achei lindo!
    nos passa uma sensacao de bem estar pois mesmo estando longe de alguem seja ele quem for algo ira sempre nos acompanhar seja uma musica ou ate mesmo os coracoes vão estar sempre ligados!
    apenas quem nao assistiu ou não entendeu para falar mal!

    obrigada!
    antes de criticar assista e entenda voce vai se emocionar!
    beijinhos

  14. o filme é muito legal quem nao gostou é porque esta com inveja porque nunca fez um filme e nem nunca vai fazer………….

  15. Esse filme é simplesmente sensacional!!!!

  16. Sou compositor de trilhas e tendo ouvido alguns comentarios de amigos, cheguei a conclusão que o filme teve resultados mais significativos entre os amantes da música pelo fato da trilha ser muito boa e chegar até a emocionar em alguns trechos, ja para o filme dou nota 7.

  17. bom eu gostaria de dizer que o filme e bem legal


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