Publicado por: Wally | Terça-feira, Junho 9, 2009

Guerra ao Terror

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Nas ruas de Iraque, um grupo de exército do esquadrão de bombas trilha caminhos e áreas perigosas à procura de bombas e explosivos, desarmando e evitando uma quebra de caos. É o que fazem quando, numa situação complicada, o Sargento Matt Thompson acaba sendo explodido. Com a chegada de um novo Sargento, os jovem soldados precisarão seguir a nova liderança mesmo com a personalidade arrogante e destemida do homem que parece ter nascido para o trabalho.

Guerra ao Terror” é o mais novo filme que decide rondar aquele tema já percorrido incansavelmente da atual guerra do Iraque e os soldados que ficaram presos no olho do furação deste inferno. Depois de um ano saturado de filmes cercando o tema, “Guerra ao Terror” chega para mostrar que ainda se trata de um tema que pode resultar em algo proveitoso. Originalmente chamado de “The Hurt Locker”, que se traduz para algo como “O Armário da Dor”, o roteiro muda o foco para outro típo de batalha: a do esquadrão de bombas que se arrisca a todo momento quando vidas são depositadas diante da habilidade de manterem a concentração e a inteligência, evitando que outro “boom” assole a já desgastante guerra americana. E o filme dirigido com habilidade por Kathryn Bigelow (K-19 – The Widowmaker) – e que ainda não conseguiu distribuição nos Estados Unidos – justifica sua existência. Mesmo que não traga nada de novo ao gênero, é uma obra que tem algo a dizer.

Da mesma forma que é uma pena o filme não ter conseguido uma distribuição definitiva nos Estados Unidos, é lamentável sua ida direto para as locadoras no Brasil, já que é claramente um filme expressivo e visualmente eficiente que mereceria ter sido visto nas telas grandes. Alias, “Guerra ao Terror” desponta e te envolve com um grande número de virtudes. Apoiado claramente na tensão habilmente construída por Bigelow, que constrói climas pesados quando seus soldados partem para o campo, o longa te envolve diante de cenas bem montadas e atmosféricas. A direção de Bigelow é nervosa, pesada e eficiente, trazendo urgência e até mesmo beleza ao drama de seus personagens quando menos esperamos. E o roteiro também possui válidos atributos. O roteirista Mark Boal, que já havia escrito uma história sobre temores psicológicos sofridos por soldados no belo “No Vale das Sombras” (que por sua vez foi roteirizado por Paul Haggis) constrói bem seus personagens e versa de uma forma bem admirável sobre – como um diálogo ao início já aponta –  “a guerra é uma droga”, e como ela modifica drasticamente a vida de seus soldados. Aqui então ele introduz um personagem que parece viver para sentir o êxtase e a adrenalina de desafiar a morte ao desarmar uma bomba.

O filme guarda semelhanças em seu discurso com o superior “Soldado Anônimo” que, lançado à quatro anos, retratava a Guerra do Golfo como um paralelo à Guerra do Iraque, mostrando jovens soldados que iam para a guerra diante da futilidade, e retornavam para casa transformados e transtornados. E, talvez por “Guerra ao Terror” bater tanto nesta mesma tecla, e realmente não conseguir ir além do drama de mostrar seus personagens emocionalmente e psicológicamente corrompidos, ele não consiga ser memorável. Possui valiosos momentos, cenas muito bem realizados e uma narrativa que funciona tanto quanto entretenimento quanto como um sólido drama. O porém é seu efeito que, tirando um fim especialmente poético, não revela força o suficiente para pairar sob sua cabeça da forma como o material poderia. O último ato, por exemplo, poderia ter sido melhor trabalhado. De qualquer forma, é uma falha que não pesa sob o resultado em si, que realmente é um dos mais recomendáveis sobre o tema atual.

Fotografado com um realismo importante e editado sem cair em armadilhas, o filme tem um bom ritmo que compensa seus longos (e desnecessários) 130 minutos, envolvidos em cenas de especial eficiência na hora de mostrar de uma forma bem crua o que se passa na zona de guerra que pouco é revelada nos filmes do gênero. Por colocar o combate de lado e dar preferência à tensão relevante de soldados que salvam ao invés de matar, desativando bombas, o filme encontra seu diferencial e até um pouco de ousadia. E ainda conta com participações no elenco bem interessantes de Guy Pearce (Atos que Desafiam a Morte) e, principalmente, Ralph Fiennes (O Leitor). Mas quem merece os elogios é Jeremy Renner (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford), que exibe uma força sincera e pungente por trás de sua atuação, realmente nos convencendo do seu personagem complexo. São detalhes importantes assim que fazem de “Guerra ao Terror” um valioso filme. É uma pena, portanto, que ele perca a força com detalhes tão mínimos e perca a chance de realmente nos assombrar. Mas o efeito só dura 130 minutos. A poesia não lhe segue para fora do filme. Em outras palavras, a impressão é mínima, ainda que eficiente.

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The Hurt Locker (2008)
Direção:
Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly, Christian Camargo
(Drama, 131 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras


Responses

  1. Tendo em vista que os gringos confiam nesse filme para chegar ao Oscar, é meio decepcionante ler que ele não ressoa, não dura depois da sessão. De qualquer modo, quero muito ver.

  2. Até então não tinha ouvido falar sobre este filme. Parece ser interessante, mesmo que aparente ter seus defeitos. Abraços, Wally.

  3. Gosto do tema e este filme está na minha lista para assistir.

    Abraço

  4. Pelo menos do cartaz eu gostei! =]

    • Gustavo, tenho lido ótimas críticas dele mesmo, mas dúvido muito que ele chegue ao Oscar. Recomendo o filme!

      Alyson, é bastante interessante, procure ver.

      Hugo, veja sim, vale a pena.

      Anderson, também gostei do cartaz.

  5. Fiquei um pouco surpreso com sua crítica, uma vez que só tinha visto elogios a esse longa até agora (que é considerado um possível candidato nas premiações americanas). Estou bem curioso para ver!

  6. Acho o filme brilhante! O melhor retrato da Guerra do Iraque até agora na minha opinião, tenso, envolvente e ao mesmo tempo poético. E Jeremy Renner está excepcional!
    Exista alguma possibilidade de esse filme conseguir algumas indicações ao próximo Oscar. Estou na torcida desde já.

    P.S.: acho Hurt Locker superior a Soldado Anônimo.

    • Vinícius, o filme é bastante valioso, mas não conseguiu me afetar tanto. Veja sim.

      Wallace, apesar de não achar brilhante e discordar em aspectos, concordo que é um filme com diversos méritos.

  7. Li comentários bem positívos sobre ele, mas pelo trailer deu para perceber que ele é mais do mesmo. Mas tenho curiosidade em vê-lo em breve. ;)

    • Mayara, eu não vi nada de refrescante no filme, mas é uma obra que merece ser reconhecida por ser bastante virtuosa.

  8. […] de Proyas. E a trilha sonora reserva um papel essêncial na composição. De Marco Beltrami (Guerra ao Terror), a trilha nunca se submete ao usual e cria arranjos sinistros e tensos que fazem jus a aura que o […]

  9. Veja só, se gostou de O FRANCO ATIRADOR,PLATOON,APOCALIPSE NOW,CARTAS DO VIETNAN, então meu bom homem, rápa fora desse lixo! O filme é escuro, com truques trêmulos de câmera, sem qq roteiro, parece um documentário, onde um cara de roupa de astronauta vai desativar bombas , é só isso, não tem roteiro, sem qq lapso de tensão e emoção.Tem coisa aí no Oscar, me fez lembrar o agrado ao BRIC com premio ao indiano recentemente etc Me arrastei pra ver até o fim esperando que algo aconteça, mas não , fica naquilo…um marasmo sem qq discussão.

  10. como fico feliz de não ver mais alguém só “babando” em cima do filme como todos os outros críticos. Achei um filme decepcionante, que tenta transformar americanos e soldados em “heróis” com uma missão honrada de salvar vidas?!? Péssima mensagem na minha opinião (amo mais a guerra do que o meu filho?), muito mais interessante os trabalhos de Clint Eastwood e até o já antigo “TrÊs Reis” para fazer propaganda anti-guerra. Algumas cenas de desarmamento de bomba são tensas mas sinceramente, Renner não me convenceu (ou a direção) com seu personagem. Não vi nada consistente em interpretar um maluco. Aliás, só vi incoerência, inclusive dos personagens de apoio em algumas ações em volta dele, principalmente na sequencia em que eles saem caçando sei lá o que nos becos… heróis de novo? foram os trÊs sozinhos? me parecia que pelo menos um deles ali não tinha o menor perfil de entrar naquela fria sozinho. A parte do garoto e da visita a casa ficou completamente confusa também. E sinceramente, o filme me soou tão ruim que não tenho vontade de assistir de novo pra tentar entender. Se alguém aí explicar eu até leio. E você não acreditava que ia chegar ao Oscar? Pois é, não apenas chegou como levou o OScar! o Oscar da guerra americana, por que por mais que tentem dizer q o filme é anti-guerra, nao consigo ver isso ali, e para os americanos já chegados me parece que valoriza ainda mais os “heróicos soldados americanos” em sacrificio nessa terra hostil em distante, promovendo a paz e ajudando até quem não quer ser ajudado! Haja paciência! Americano ficar babando até entendo mas o q os brasilerios viram nesse filme? Outra coisa, aquela câmera lenta nas balas caindo (matrix feelings) parecia que ia detonar alguma coisa no chão, que ia ter algum sentido, levar a algum lugar e…. não levou a nada…. alguém quer explicar essa proeza poética tb? ME desculpa, mas Biggellow foi apenas razoável e o filme em si tá mais pra perdido do que pra reomendado. Melhor filme do ano? Alguém realmente achava isso? ou só falam pra acompanhar os “cult” e gênios da moda? abraço e bom trabalho!


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