Publicado por: Wally | Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

A Morte Convida para Dançar

Depois de ter sobrevivido à um incidente trágico causado por um psicopata obsessivo, resultando na morte dos seus pais, Donna demorou mas, com a ajuda de família e amigos, aos poucos começa a superar seu trauma e decide, já no fim do seu último ano escolar, tentar comemorar e se deixar levar pelo dia mais agitado de sua vida: ‘prom night’, a festa definitiva do fim do colégio. Mas Donna é surpreendida e seus pesadelos voltam quando o psicopata que a marcou retorna atrás dela na tal festa agitada.

Mais uma infame refilmagem (que novidade!), “A Morte Convida para Dançar” tem apenas um diferencial: seu roteiro é “original”, e não adaptado do longa original de 1980 do qual, tecnicamente, roubou apenas o título. Isso não muda, porém, o fato de o filme ser um dos exemplos mais brutos e revoltantes da era “plástica” dos filmes de terror hollywoodianos. A parte técnica do filme é toda bonitinha. Belo orçamento, cenários bem feitos, jogo de luzes exemplar, fotografia sem ousadias mas tradicionalmente bonita e por aí vai. Estéticamente, “A Morte Convida para Dançar” é competente. Mas isso talvez seja o único aspecto do filme que possa realmente merecer elogios, visto que a obra tragicamente formuláica do diretor Nelson McCormick (cujo currículo esconde uma imensa grade de episódios para os mais diversos seriados, tendo aqui sua estréia num longa-metragem para cinema), aposta sempre no lugar comum.

O ínicio do filme é bastante promissor, nos colocando diante de um acontecimento verdadeiramente trágico e que nos instiga para descobrirmos quais serão as conseqüências deste. Depois disso, porém, vai tudo ladeira abaixo. Dos sonhos forçados da protagonista (um artifício incansávelmente usado em fitas do gênero para enganar a audiência para acreditar que trata-se da realidade) aos sustos fáceis, tudo aqui soa gratuito, convencional e fútil. Não ajuda quando diálogos não convencem e as expressões dos atores inexperientes se limitam à caras e bocas forçadas. É uma autênticidade nula que evita qualquer envolvimento sincero do espectador com os personagens e, conseqüêntemente, com a história em sí. E o elenco aqui é realmente muito, muito limitado.

Enquanto J.S. Cardone (O Pacto) tenta criar revira-voltas bobos com seu roteiro tolo, ao mesmo tempo em que se convence de ter injetado algo substâncial ao vilão da história, o diretor McCormick erra em tudo que toca. O vilão personificado por Johnathon Schaech (Tudo para Ficar com Ele) cai na inércia ao não possuir qualquer presença digna nas cenas supostamente “tensas”. O terror, sempre inexistente, se limita à alguns quilinhos de sangue sendo jorrados de um lado pro outro sem consistência enquanto o suspense, também transparente, não vem à tona nem mesmo quando o vilão está prestes à assassinar a protagonista. A verdade absoluta é que o filme é um que aparenta e sente completamente burocrático, não transmitindo qualquer emoção à sua audiência a não ser a impaciência, e isso é dizer muito quando se trata de um filme cuja duração é curtissíma a ponto de ser menos de uma hora e meia.

“A Morte Convida para Dançar” deixa, portanto, de ser um exercício de terror para se tornar um exercício de impaciência. Infelizmente, porém, não existe prêmio ao final para quem conquistar os 80 e poucos minutos de rebuscagem total, então o mais recomendável é tentar ao máximo evitar confronto direto com o longa, que apesar de ter emplacado a primeira colocação em seu fim de semana de estréia nos EUA, foi despencando drásticamente até ser merecidamente considerado um fracasso. É inexplicável, com isso, vermos que a onda de filmes do gênero, que não cessam em manter a mesma baixa qualidade, encontrou um ciclo vicioso interminável. Filmes pomposos, rasos e superficiais como este pretensioso slasher, que falha até mesmo como diversão “B”, deveriam ser mesmo engavetados nos ficheiros mais fundos do seu estúdio. Nunca trazidos à tona para enviar seus convites para dançar a dança da decadência cinematográfica.

Nota: 3,0

Prom Night (2008)
Direção:
Nelson McCormick
Roteiro: J.S. Cardone
Elenco: Brittany Snow, Scott Porter, Jessica Stroup, Dana Davis, Collins Pennie, Kelly Blatz, James Ransone, Brianne Davis, Kellan Lutz, Johnathon Schaech
(Terror, 88 minutos)


Responses

  1. Puxa, confesso que nunca escutei falar desse filme, Wally. Mas ultimamente estou evitando esse tipo de terror sem muito conteúdo, para quem sabe vê-los da TV algum dia sem maiores compromissos. Só por ser um remake já me deixa desconfiado, mas fiquei curioso pela presença do Scott Porter no elenco – ele está excelente em “Friday Night Lights”. Abraço!

  2. Wally, assim como Vinícius, nem sabia da existência deste filme. Tenho a mente aberta para filmes ruins, hahahahahaha, então é capaz que procure este. Ontem, por exemplo, conferi P2 – Sem Saída e, apesar de ser tenso, é bem discutível.

    Abraços!

  3. Confesso também que não tinha ouvido falar desse filme. A maioria dos filmes de terror que sairam esse ano foram terríveis. Quem sabe eu assista para fazer uma crítica. Adoro escrever sobre filmes ruins, você só consegue enxergar os defeitos…

    Abraços!

  4. Passei longe desse …

  5. A não ver, jamais. Não com tantas obras antigas e modernas substanciosas para ver.

  6. vixe depois de hairspray britany snow se enrola em prom night hehehe
    bjooooo

  7. Wally, posso dizer uma coisa engraçada? Me disseram que este filme era ótimo!!!!!!!!!!!!!!!!!! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

    E eu sabia que eu conhecia o nome do Nelson McCormick de algum lugar!!

  8. Hehehe! Poxa, mas convenhamos que o título nacional ficou bem legal. Abraços!

  9. Eu sou bastante cético quanto a reflimagens deste nível – sinceramente eu procuro ficar a quilômetros de distância. Ainda mais agora, que você me vacinou ;) Terror pra mim, a partir de hoje, só no patamar de “O Nevoeiro”… O filme de Daabont me deixou muuuuuito esnobe!
    Abraço!

  10. Achei esse filme demais principalmente por que o Collins Pennie é lindo e neste filme eli esta ainda melhor!

  11. […] 13) Dwayne Johnson (Agente 86) Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)* Jonathan Schaech (A Morte Convida para Dançar) Luke Goss (Hellboy II – O Exército […]


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