Publicado por: Wally | Quinta-feira, Julho 2, 2009

Autópsia de um Crime

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Ted Grey é um promissor e talentoso médico que, após formar, embarca em um programa renomado de patologia que o coloca frente a frente à elite. Metido em um grupo de médicos elitizados e jovens, Ted logo começa a perceber que as atividades dos jovens vão muito além da mera autópsia, levando a paixão por cadáveres além dos limites. Logo instigado pelos jogos psicológicos e macabros do grupo, Ted começa a perder o equilíbrio.

Um daqueles exercícios irrefutavelmente abstratos do gênero, “Autópsia de um Crime” é do típo de suspense que tinha em mãos tudo para ser um pequena pérola. Roteirizado pelos loucos escritores de “Adrenalina”, o filme assume um tom de filme-B assim que começa a intercalar sexo com violência em medidas pesadas, automaticamente remetendo ao cinema do exploitation que, enraizado no cinema trash, se traduz como a exploração de temas vulgares com certo grau de sensacionalismo e exagero. Filmes do sub-gênero costumam ser de produção com baixa qualidade, e o clima aplicado à “Autópsia de um Crime” segue esta direção, se assumindo como um filme do típo. Mas quando um filme assume esta postura, ele precisa abraça-la completamente, o que “Autópsia de um Crime” não faz. O longa parece ficar em cima do muro, se decidindo se apela para o mero exploitation ou se assume ambições maiores de se tornar um filme sério e com algo a dizer sobre a condição humana. O que você tem após esse desequilíbrio é um promissor mas derrapante projeto que simplesmente não consegue acertar em seu tom.

Quando “Autópsia de um Crime” não apela para as pretensões de ser denso e psicológico, falhando copiosamente, ele tem bastante a se aproveitar. Instigante de início e curioso ao desenrolar envolvente de sua narrativa, o filme te fisga e choca com a quantidade de sexo e violência que intercala em medidas nada convencionais. Então ao lado de um cadáver recém dissecado, um certo casal despe e transa loucamente. É a síntese do que o filme é até ele fugir do exploitation para se tornar um thriller sério. A partir daí, começamos a nos importar mais pelo personagem principal (que se limita graças à performance restringida de Milo Ventimiglia). Decente em seus limites, Ventimiglia (Rocky Balboa) falha ao entregar a consistência que o projeto requeria para fazer valer sua intenções sérias. Então é ai que esse ato da história começa a desandar, e só recupera o fôlego mesmo ao seu clímax, que possui alguns twists que realmente são inesperados.

Até seu desfecho, é um filme com sérios problemas de personalidade. Marc Schölermann (em sua estréia) acerta na estética, no estilo e na junção de sexo e gore, mas apela demais em momentos que podem incomodar e outros que soam simplesmente desnecessários. Na verdade, o filme é fortemente contra-indicado para todos que não se simpatizam por um enredo que envolva, sem pudor, altas dosagens de sensualidade e excessos de violência. E, mesmo que esteja dentro de suas intenções, “Autópsia de um Crime” pode soar gratuito diversamente com sua visual explícito. O roteiro, por sua vez, maneja deixar o clima bem guilty pleasure na maior parte do tempo, bem como “Adrenalina” foi um prazer de culpa. Então é uma pena que o filme tenha ingressado em caminhos pretensiosos quando se dava bem em sendo descomprometido, já que boa parte das sub-tramas não funcionam.

No todo, um filme que guarda dignos elementos, algumas ótimas cenas e boas (para não dizer perversas) intenções, mas que acaba esquivando fora de rumo quando seu roteiro se enrola em suas intenções e a condução começa a aspirar glória demais. É preciso assumir alguma identidade, e o filme não parece localizar a sua, preso entre o cinema da década e o dos vulgares anos 60 e 70, o auge do exploitation. Torna-se uma recomendação (frívola) para os apoiadores mais hardcore do subgênero, e para aqueles que, vez ou outra, gostam de conferir algo refrescante. Ainda que não seja exatamente bom, “Autópsia de um Crime” almeja ser um sopro novo ao gênero. Uma pena que tenha sido tão falho e tristemente perdido em suas implicações e impressões.

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Pathology (2008)
Direção:
Marc Schölermann
Roteiro: Mark Neveldine, Brian Taylor
Elenco: Milo Ventimiglia, Michael Weston, Alyssa Milano, Lauren Lee Smith, Johnny Whitworth, John de Lancie, Mei Melançon, Keir O’Donnell, Dan Callahan
(Suspense, 95 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.


Responses

  1. Odeio quando filmes que tem um certo potencial acabam sendo muito pretensiosos a ponto de prejudicar seu resultado. Parece ser o caso de “Autópsia de um Crime”, o qual quero conferir apenas por me interessar pelo tema (medicina, cadáveres, etc).

  2. Tenho pra ver esse, mas ainda ñ tive coragem!
    Minha listinha de filmes toscos tá enorme!
    Mas valeu, já deu pra ter uma idéia do dito cujo!
    Abs! Diego!

  3. Ouvi falar desse filme na época em que ele foi lançado, mas não tive muito interesse em conferir. Depois de ler seu texto, continuo me sentindo da mesma forma em relação ao filme.

  4. Recentemente escreve um resenha sobre o mesmo, que também não me agradou muito, é nada além de mais um filminho de terror.

  5. Porque é que ainda se fazem filmes destes?…

  6. Achava que seria razoável, mas além de tudo ainda é apelativo? Vou passar longe!

    Abraço!

  7. Esse tipo de filme realmente parece desnecessário…

  8. A deseducação continua nos caras que dão títulos aos filmes. Devia ser “necropsia”…

    • Vinícius, realmente isto irrita em filmes, e este aqui teria se dado bem melhor sem esta pretensão. Mas veja.

      Dewonny, não é nada obrigatório. Veja só quando tiver tempo.

      Kamila, não acredito que seja um filme do seu agrado.

      Cleber, ele até consegue ir um pouco além do gênero, mas se estaciona antes que chegar a algo memorável.

      Filipe, o filme é fraco, mas acho que tem alguns piores sendo feitos por aí.

      Bruno S., o filme é mesmo apelativo, no melhor (ou pior, dependendo) estilo exploitation.

      Bruno P., ele acaba sendo. Se não fosse por algumas derrapadas, teria sido ao menos assistível.

      Gustavo, não me fale…

  9. eu gostei bastante … nem leve, nem pesado, na medida … gostei do resultado …


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