Publicado por: Wally | Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Uma Mãe para Meu Bebê

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Uma mulher de carreira, Kate é bem sucedida e orgulhosa disso. Mas não consegue tirar da cabeça que talvez tenha envelhecido demais e perdido a vida. Sozinha e ainda escrava do mercado, Kate decide ter um bebê, apenas para descobrir que é estéril. À procura de qualquer meios para que possa ter um filho, surge Angie, uma mulher imatura e traiçoeira como uma provável barriga para carregar seu futuro filho.

Não gosto de criar muitas expectativas em cima de certos filmes por causa de experiências passadas inconvenientes. Porém, quando li sobre o projeto que reunia o talento da genial Tina Fey com a sagacidade de Amy Poehler (Horton e o Mundo dos Quem!), fiquei automaticamente vidrado. Fey saiu diretamente do “Saturday Night Live” (onde encontrou com Poehler anos depois) para escrever o roteiro delicioso de “Meninas Malvadas”, ainda atuando no trabalho. Recentemente, empolgou com sua nova e aclamada série cômica, onde também estrela e escreve: “30 Rock”. Mas, infelizmente, não notei o detalhe mais importante: “Uma Mãe para Meu Bebê” não se tratava de uma colaboração de Tina Fey, mas apenas continha seu talento à frente das câmeras. Obviamente, fiquei decepcionado e, ao fim do filme, aquela pequena insatisfação sobrevoou e me indignou. Até esse sentimento chegar, porém, é um projeto que diverte e já merece uma recomendação seja mesmo apenas pelas duas atrizes principais, muito divertidas. Ainda assim, o filme, apesar de destrambelhar diversamente, sendo atingido por raios hollywoodianos atordoantes, esconde alguns elementos que valem uma olhada.

A automática presença das duas atrizes conhecidas pelo talento de improvisação inevitavelmente ofereceu uma virtude a mais ao filme, ou várias, por esse motivo. A química entre ambas se garante e, sempre, podemos notar que certos diálogos (muito bons) pertencem exclusivamente a elas. Portanto, se o filme tivesse focado mais a relação entre ambas e não se comprometido a entrar em outras tramas descartáveis ao longo da sessão, poderia ter rendido muito mais. O problema é quando estamos nos divertindo e somos interrompidos pela convenção batendo à porta. O pior é que quando o usual começa, ele não tem fim enquanto o filme em si não conhece o seu. E, a partir disso, é toda uma descida ladeira abaixo. O fim previsível, as emoções manipuladas e a comédia que logo se transforma em melodrama, com direito a respostas simplistas a todas as situações problemáticas surgidas ao longo da duração.

Então a resposta para se apreciar ao filme é simplesmente estar leve e não levá-lo a serio, até mesmo quando ele está se lisonjeando. E, com as ilustres Fey e Poehler como companhia, não é tão difícil. É só se segurar ao que eles têm para entregar e esquecer dos excessos. E, quando digo excessos, falo especialmente da criatura personificada por Steve Martin (A Pântera Cor de Rosa), que tenta demais ser cômico e nunca consegue. Mas Greg Kinnear (Banquete do Amor), por outro lado, compensa, em mais uma daqueles suas atuações leves, soltas e simplesmente boas. Claro, seu personagem representa certo clichê disfarçado, mas ao menos ele garante reação às suas ações, ao contrário de Martin. Também vale elogiar uma elegante e bem cômica Sigourney Weaver (Wall•E), que compõe uma personagem que sempre quando aparece garante sorrisos ou risos e, em menor grau, Dax Shepard (Casamento em Dose Dupla), um ator cômico que vem se segurando razoavelmente.

Estruturado sob um elenco competente e com timing cômico esperto, “Uma Mãe para Meu Bebê” se sai vitorioso por eles, pelos diálogos ocasionalmente ótimos e pelo clima divertido e pop, cheio de referências e uma trilha sonora excelente, revivendo diversos estilos musicais. Como mencionei, sofre do usual deboche da Hollywood convencional do gênero e, sinceramente, é o que eu menos esperava ver em um filme com as politicamente incorretas e sempre originais Fey e Poehler. Mas, mais uma vez preciso aceitar que Fey apenas atuava. Espero poder ver logo mais um trabalho seu como roteirista nas telas ou, quem sabe, como diretora. “Uma Mãe para Meu Bebê” termina como esperaríamos, cai no simplista e não garante gargalhada. Mas, ao menos cria uma boa distância entre si mesmo e o lixo gradativamente mais poluente, fabricado cada vez mais excessivamente pela cidade dos sonhos. Não podemos nos dar ao luxo de sonhar quando o assunto é uma comédia leve e boba como esta, mas podemos sim nos confortar nas virtudes que possui e, se não oferece motivos para gargalhadas, ao menos entretém com risos e sorrisos. E, na verdade, isso já basta quando temos Zohan e Cia. batendo à porta.

Nota: 6,5

Baby Mama (2008)
Direção:
Michael McCullers
Roteiro: Michael McCullers
Elenco: Tina Fey, Amy Poehler, Greg Kinnear, Dax Shepard, Romany Malco, Sigourney Weaver, Steve Martin, Maura Tierney
(Comédia, 99 minutos)


Responses

  1. Não tenho muita vontade de asistir, nem pela Tina Fey, que aliás muita gente venera, mas para mim é só um rosto conhecido já que nunca assisti 30 Rock.

  2. Dpu 7,5 para o filme. Achei muuuuito simpático e sincero. Além de que adorei ver Tina e Amy juntas no cinema!!!

    Tem um desafio pra vc no Bit!

    Abraços!

  3. Acabei deixando esse filme escapar no último ano, até porque não encontrei em DVD por aqui e não também não lembrei de baixar, mas se aparecer na locadora, sem dúvida pegarei. Meu maior interesse, obviamente, é para a Fey e a Poehler. Abraço!

  4. Até me diverti com esse filme, Wally, mas a Tina Fey merece muito mais do que isso.

    Abs!

  5. Adoro Tina Fey e ela quem me faz ter vontade de assistir “Uma Mãe Para Meu Bebê”!

  6. Parece genérico demais para ser interessante, mas concordo, algum dia o cinema merecerá Fey com todo seu talento num filme de primeira.

    Cumps.

  7. quero mto ve-lo. sou viciado em 30 rock e mean girls é uma comedia bem feita…

  8. […] Comediante Amy Poehler (Uma Mãe para Meu Bebê) Anna Faris (A Casa das Coelinhas)* James Franco (Segurando as Pontas) Jim Carrey (Sim Senhor) […]

  9. […] Luta ♦ Robert Pattison & Cam Gigandet (Crepúsculo) Momento "WTF" ♦ Amy Poehler (Uma Mãe para Meu Bebê) – Na privada Canção de Filme ♦ "The Climb" de Miley Cyrus (Hannah Montanna – O […]

  10. […] o espírito do filme e para fazer o personagem funcionar de forma inteligente, temos Greg Kinnear (Uma Mãe para Meu Bebê) fazendo o que faz de melhor: a dramédia. E Kinnear está muito carismático, só não melhor que […]

  11. […] com um elenco estrelar na dublagem original, começando pela oportuna dublagem de Sigourney Weaver (Uma Mãe para Meu Bebê), passando pelas vozes divertidas de Matthew Broderick (Bee Movie – A História de uma Abelha), […]


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