Publicado por: Wally | Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

A Ilha da Imaginação

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Nim Rusoe mora numa ilha desconhecida e isolada com seu pai, Jack. Leitora assídua dos livros do herói Alex Rover, escrito por uma neurótica chamada Alexandra, Nim se vê numa aventura parecida ao se dar conta de que seu pai se meteu em uma enrascada quando saiu para navegar antes de uma grande tempestade. Sua última esperança agora reside no verdadeiro Alex Rover, aquele que se chama Alexandra e morre de medo de sair de casa.

Ao contrário do que sugere seu estúpido título nacional, “A Ilha da Imaginação” não tem nada de fantasioso, se limitando apenas a implicações sutis relacionadas, em grande parte, a animais. Esclarecido isso, é uma divertida aventura familiar, cujas virtudes entram em equilíbrio com os ocasionais defeitos de gênero. Segue à risco velhas fórmulas, mas ainda arruma lugar para algumas liberdades, exemplo da participação literal do alter-ego da personagem interpretada com leveza admirável por Jodie Foster (Valente). Cheia de entusiasmo, interpreta uma escritora insegura e sofrendo de síndromes não refletidas no herói de suas histórias. Essa relação entre criador e criação gera alguns alívios cômicos divertidos e, uma vez ou outra, até nos deixa pensativos sobre o próprio conceito que estabelece ao longo da jornada, sobre as relações contrastantes entre seu autor e sua criação. Nenhuma densidade, mas o bastante para oferecer ao filme um diferencial apropriado.

Para a criançada, será fácil se identificar com a adorável Abigail Breslin (Três Vezes Amor), sempre talentosa. Protagonizando todo o escapismo do filme, ela esbanja carisma e nos faz acreditar piamente na sua personagem, até mesmo quando esta cai nas garras de estereótipos incômodos. Interpretando a jovem aventureira Nim (que nomeia, adequadamente, o nome original), suas arriscadas tentativas em proteger sua ilha oferecem a diversão certa, principalmente para o público mirim, que ainda pode se deliciar com aqueles habituais animais companheiros típicos do gênero (felizmente, porém, nenhum deles fala). Gerard Butler (Encurralados), carismático, completa o elenco adequadamente. Os três bons atores elevam o nível do filme quando este parece cair demais no lugar comum e nos diálogos óbvios. Ou, até mesmo, nos momentos onde simplesmente perde o fôlego. Ainda assim, o filme se revela suficientemente agradável para manter nossa atenção, principalmente ao entregar uma parte estética bastante conquistadora.

As paisagens são colírios para os olhos, e a fotografia realça muito bem a iluminação contagiante da ilha paradisíaca. O visual em si da a entender, sempre, um tom mágico ao local, ainda que não exista nada disso. E isso é sempre bom, principalmente quanto se tem um bom compositor, ainda que a trilha não consiga sair do regular. Deparamos com certas mediocridades do roteiro e da própria direção sem ousadias (exceção de uma cena bem bolada que, realçando a imaginação da protagonista ao ler um livro, traz a ação até ela), mas o filme em si nunca perde o ar de contentamento, de leveza agradável e de diversão confortável. Por isso se torna, apesar dos momentos bobinhos e seqüências esquecíveis, uma sessão recomendável.

Para ser digerido como fast food e apreciado com certa falta de comprometimento, “A Ilha da Imaginação” é um filme essencialmente família. A vivacidade une-se ao ingênuo, que se une às virtudes interessantes cercando a personagem da escritora, que torna de uma forma equilibradamente prazerosa a sessão mais dinâmica e menos típica, mesmo que todos os tiques estejam lá para irritar. Não tem como fazer grandes obrigações. O fim chega e, ainda que saibamos que seja inevitável o final feliz (e necessário, claro), o filme “ousa” jogar ainda mais na cara do espectador ao transformar o feliz em fábula. Cai, portanto, naquele velho clichê do gênero que acha necessário aparar todas as pontas e transformar até o que não precisava em felicidade. Talvez seja o cínico em mim falando, mas existem limites. Felizmente, porém, “A Ilha da Imaginação” também tem seus méritos – como ao pontuar o fim da fábula com a magnífica “Beautiful Day” do U2 –  e merece uma espiada descompromissada, principalmente como uma simples sessão matiné no próprio conforto de casa.

Nota: 6,5

Nim’s Island (2008)
Direção:
Jennifer Flackett, Mark Levin
Roteiro: Joseph Kwong, Paula Mazur, Mark Levin, Jennifer Flackett, baseado em romance de Wendy Orr
Elenco: Abigail Breslin, Jodie Foster, Gerard Butler, Michael Carman, Maddison Joyce, Mark Brady, Christopher Baker
(Aventura, 96 minutos)


Responses

  1. Só de ver aquela dancinha da Jodie Foster, valeu o filme. Realmente o diferencial é a sua personagem, que nos faz meio que refletir em alguns momentos.

    Ainda que seja bem bobo, me divertiu um pouco, ainda que eu daria uma nota menor a que você deu. Daria 6,0.

    E como você mesmo disse, a paisagem é linda, um dos pontos altos do filme.

    Abração!

  2. Não é exatamente que eu não esteja interessado nesse filme, na verdade o elenco tem alguns nomes bem interessantes (Breslin principalmente), mas a trama parece ser muito bobinha e ultrapassada – sem falar que tenho *medo* de ver a Jodie Foster num papel desses – mesmo ela estando bem como comentado. Abraço!

  3. Assistiria esse filme por causa de Jodie Foster e Abigail Breslin ;)

  4. Wally, acho que vou dar uma chance ao filme. Pelo que dizem é uma aventurazinha que até se escapa. Melhor que porcarias como A Múmia: Tumba do Imperador Dragão. Ao menos é o que espero.

    Abs!

  5. Olá colega, estou criando um blog sobre cinema e gostaria de incluí-lo na minha lista de links. O endereço é http://thecinemaniaco.wordpress.com/. Depois me dê um retorno aprovando a inclusão de seu link e fazendo uma visita ao blog. Abs!

    Denis Torres

  6. É simpático, vai… Mas não consigo ver Jodie num papel como esse, juro!! A nota é 6,0.

    Gerald é gente fina, hahahahahaha!

    Abraços.

  7. Ainda não assisti esse aí, mas só espero uma aventurinha fraca. Nada mais.

    Abraço!

  8. Wally, ainda não vi, mas vejo pelo elenco, destacando a fofa Abigail Breslin e Jodie Foster, num papel raro de vê-la!

    Beijos! ;)

  9. Uai, pensei que fosse uma fantasia de aventura! Quando um filme nos engana logo no título, bom sinal não é – se bem que talvez tenha sido culpa dos que adaptaram o título original ao Português.
    Por Foster e Breslin, talvez algum dia dê uma alugada.

  10. hum, esse eu passo, não vi e nem pretendo ver …

  11. Achei extremamente chato. Uma pena ver a Jodie Foster jogando a carreira no lixo!

  12. Sinceramente, estou sem a miníma vontade de ver este filme. Mas quem sabe um dia né…

  13. Sei lá, realmente nunca me interessei por esse filme. O trailer me pareceu muito desinteressante e realmente assistiria apenas pela Abigail que dificulmente fez uma performance que chegasse aos pés que ela fez em Pequena Miss Sunshine. Talvez eu veja, mas por enquanto, estou com nenhuma vontade.

    Abraços!

  14. Não gostei desse filme. Achei tão bobo O_o
    O que resgata um pouco o longa é exatamente o que você valoriza no texto: o carisma do trio.

  15. Wally, nunca ouvi falar desse filme, e me surpreende a Jodie Foster num papel como esse, numa trama como essa.


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