Publicado por: Wally | Sábado, Agosto 15, 2009

O Corajoso Ratinho Despereaux

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“O Corajoso Ratinho Despereaux” começa como uma fábula e termina como um exercício frustrado. A animação, baseada em livro de Kate DiCamillo (Meu Melhor Amigo), tem seus charmes e inspirações, mas definha diante de uma narrativa frívola, personagens vagos e um senso de aventura inibido. Felizmente, porém, sua estética é encantadoramente bela, e nos fisga mesmo quando a história entra em devaneios maçantes. Apesar de ser uma obra animada digitalmente, a estética possui um tradicionalismo e uma luminosidade que não faz transparecer tal fato. A meticulosidade de cenários, elementos em tela e cores etéreas entregam à animação um clima especial. De fato, é tudo muito bem desenhado, e envolve pelo talento aqui realçado com dignidade. E o tradicionalismo elegante apenas o ajuda a se destacar do resto de animações produzidas anualmente, que buscam o extravaso digital.

O enredo da história é um deleite: Depois que um rato acidentalmente causa a morte da Rainha, o Rei entra em luto e bane todos os ratos da vila, que agora são forçados a viver na escuridão. Neste meio, surge Despereaux, um camundongo que desafia o povo de sua comunidade ao ser desafiador e em nada cauteloso. Ele é banido depois que faz amizade com a Princesa do castelo, e vai parar nos esgotos, onde encontra Roscuro, o rato que matou a Rainha. Juntos, planejam tirar a vila do luto e instaurar novamente a felicidade. É um conto afável e que ganha créditos a mais com a entrada da curiosa personagem de uma servente, criando um contraponto interessante. A questão é que, por mais charmosa que a história possa ser (e os livros devem ser ótimos), a narrativa não é. Os roteiristas não ousam e não fogem do usual ao contar a história. Por um lado, o tom maduro favorece, mas de outro, a falta de desenvoltura cansa.

Em parte, a culpa se deve aos diretores, Sam Fell (Por Água Abaixo) e Robert Stevenhagen (em sua estréia), que colocam a suntuosidade na estética mas não na condução. A magia está lá, mas ela raramente vem á tona. Então soa como se os elementos virtuosos da obra ficam presos sob camadas de descaso e preguiça. A obra pertencia anteriormente à Sylvain Chomet (As Bicicletas de Belleville), mas as idéias mais sombrias não agradaram ao estúdio. Os novos cineastas não isolam totalmente a idéia de uma abordagem menos “alegre”, e a animação muitas vezes agrada mesmo pelo caminho diferenciado que toma. Mas, de que adianta ousar em um aspecto se o usual for mantido em excesso em outro? O irregular acaba por se predominar, no final das contas.

A animação, que foi um fracasso de bilheteria, conta com um elenco estrelar na dublagem original, começando pela oportuna dublagem de Sigourney Weaver (Uma Mãe para Meu Bebê), passando pelas vozes divertidas de Matthew Broderick (Bee Movie – A História de uma Abelha), Dustin Hoffman (Kung Fu Panda), Kevin Kline (Três Vezes Amor), Wiliam H. Macy (A Fúria), Stanley Tucci (O Vigarista do Ano), Frank Langella (Frost/Nixon) e muitos outros nomes talentosos. Se fosse um filme em live-action com este mesmo elenco, teria sido a obra do ano! Mas aqui podemos nos deliciar apenas pelas vozes caracterizantes, e realmente inspiradas, que entregam ao projeto.

O consenso geral é que a animação fica realmente presa entre fábula e frustração. Os cineastas não foram totalmente felizes com suas escolhas e deixaram a animação vagar demais pelo desinteressante quando poderia estar a enriquecendo com os ricos elementos literários nas quais se baseia. Difícil também será conquistar o público infantil, que pode não entender o tom maduro ocasional e não ir na onda do clima tradicional. Mas depende inteiramente da aceitação quanto ao material, que por sua vez pode conter falhas mas não deixa de ter suas próprias reluzentes qualidades. O visual, como já foi dito, já é um prazer de se testemunhar. E os detalhes narrativos impressionam mais que a narrativa como um todo. A sugestão é a de que aborde a animação de forma descompromissada, e não falhe ao se concentrar apenas no que deixou a desejar, e aprecie o que de bom teve a entregar.

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The Tale of Despereaux (2008)
Direção:
Sam Fell, Robert Stevenhagen
Roteiro: Will McRobb, Gary Ross, Chris Viscardi, baseado em livro de Kate DiCamillo
Elenco: Sigourney Weaver, Matthew Broderick, Dustin Hoffman, Emma Watson, Tracey Ullman, Kevin Kline, William H. Macy, Stanley Tucci, Ciarán Hinds, Robbie Coltrane, Frances Conroy, Frank Langella, Richard Jenkins, Christopher Lloyd
(Animação, 93 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.

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Responses

  1. Hum, não vi esse ainda, bom saber que foi razoável! Nme vou ver então, pois eu já sou meia preguiçosa p/ animações!

  2. Hmm… parece animação de segunda.

  3. pensei que fosse pior. de certa forma, me surpreendeu. espero ve-lo novamente quando passar na TV paga.
    abraço :)

  4. Fiquei bem curioso por essa animação quando o primeir trailer foi divulgado, até porque o elenco é bem interessante e a história tendo como protagonista um rato chamou minha atenção após “Ratatouille” – pena que não correspondeu às expectativas…

  5. Como vc mesmo disse, é um exercício frustrante, aborrecedor. Visualmente, pelo menos, o longa é muito bom! De resto, nada se salva…

  6. Parece ser, pelo menos, uma animação bem feita visualmente. Verei sem muita pressa. ;)

  7. Eu adoro animações, por isso me arrependi muito de não ter conferido este filme no cinema. Parece ser muito legal!!!

  8. Assim. Não esperava uma animação à “Wall-E”, mas como tinha acabado de assistir ao filme de Stanton, fui ver “Desperaux” com o senso crítico lá em cima.
    Serviu de passatempo, mas achei fraquinho.
    Abraço!

  9. wally, eu achei esse filme tão mal feitinho… não sei por que, mas não me agradou em quase nada. Uma pena.

    Abs!

  10. Vi o filme com meus sobrinhos, e achei ligeiramente chato. No começo é bem divertido, mas confome se chega no terço final, a coisa toda descamba. Mas, pelo estilo, é recomendável. É boa diversão, mas esquecível. Abraço.

  11. Tem selo pra vc lá no meu blog:

    http://thecinemaniaco.wordpress.com/

    Abs!!!

  12. Oi Wally! Não pude ver esse , pois a cada ano aumenta a safra de animações. Não dá pra ver todas. E olha que ainda falta Up. abs.

  13. Não vi esse do ratinho, mas gosteu da crítica e dos posts abaixo. Concordo com a crítica de STAR TREK (um dos meus favoritos do ano) e ANJOS E DEMÔNIOS e as escolhas de Melhor Animação e Documentário.

    Abs! Bom final de semana!

  14. Achei razoável essa animação dos ratinhos, serviu como passatempo!
    Abs! Diego!

  15. Wally, desculpa vir aqui e nem ser para comentar filmes (aliás, nem vi ainda esse daí), vim para pedir para que você reenvie o e-mail que mandou (imagino eu para participar da promoção, rs) com seu nome e endereço… ocara@ocaradalocadora.com.br

    Estamos esperando, abraços…

  16. Ratos sempre os ratos dominando os cinema animações etc rssss, mas ainda prefiro o numero um deles Mickey Mouse heheheh e mais recentemente Ratatuile. abraço!!!

  17. É, a animação parece mesmo ser apenas mais uma que se perde na história. Há um s´rio problema com os roteiros das animações, que, como você disse, perdem tempo com banalidades em vez de se preocupar com o que realmente faz um bom filme ser um bom filme. Isso vem diminuindo, mas ainda existe muito.

    Abração!

  18. lendo o seu review parece ser algo que tinha potencial pra ser bem melhor do que é… um dia vou conferir, mas não é prioridade!

    Abraçoss


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