Publicado por: Wally | Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Banquete do Amor

Harry Stevenson, casado há longos anos e sofrendo a perda de um filho, observa atentamente os casos e descasos de amor contínuos que presencia dia após dia. Uma paixão lésbica, um amor infortúnio, um caso ardente e loucos simplesmente amando, os casos vão sendo contados.

Os contos de amor em “Banquete de Amor” são histórias que, intimamente, soam reais e autênticas, verdadeiras e comoventes. Os personagens são todos acreditáveis e sua análise sobre os fatores que vem ligados à presença do amor é sempre bem introspectiva. O filme foi roteirizado por Allison Bunnet (O Resgate de um Campeão), baseado em romance de Charles Baxter e ronda intrigantemente as teias que movem o sentimento tão cobiçado chamado amor. Dirigido por Robert Benton (Kramer vs. Kramer), temos diversamente o sentimento de que o máximo não foi tirado das várias subtramas, mas Benton carrega uma certa aura mistériosa quanto á forma que aborda o sentimento, e a carrega até seus últimos minutos belíssimos com bastante presença. O caminho até lá, porém, não é tão suntuoso quanto sugerido pelos toques de beleza do roteiro ou a câmera muitas vezes íntima de Benton. A jornada pela vida de tantas pessoas diversamente se desencontra, sai das trilhas ou encontra barreiras incontestáveis.

O trabalho é, no todo, uma obra de elenco. Como são todos os filmes que abordam várias subtramas, um único núcleo e diversos sentimentos. Como “Simplesmente Amor”, que era bem mais otimista quanto ao amor, temos personagens dos variados típos e um elenco bastante experiente e recompensador, que carregam o filme quando este falha. Morgan Freeman (Batman – O Cavaleiro das Trevas), já conhecido (e satirizado) pela sua presença como narrador em tantos filmes, aqui é o olho do espectador, e tece os meios com quais vamos conhecendo os personagens (um artifício não muito bem utilizado pelo diretor ou o roteiro nada sutil). Além do talento sempre recompensador do ator, temos em Greg Kinnear (Uma Mãe para Meu Bebê) aquele carisma estupendo, em Radha Mitchell (Terror em Silent Hill) uma certa intensidade admirável e uma química amável entre Alexa Davalos (O Nevoeiro, ótima) e Toby Hemingway (O Pacto), que formam o melhor casal de todos no filme. O resto do elenco inclui nome dos mais conhecidos como Billy Burke (Sem Vestígios), Selma Blair (Hellboy II – O Exército Dourado), Jane Alexander (A Pele), entre outros todos bem satisfatórios.

Um belo elenco para compôr personagens que no geral são interessantíssimos, mas nem todos dissecados da forma mais experiente ou necessária por artifícios de roteiro ou direção. O filme oscila constantemente entre momentos de beleza natural (a discussão nua entre Radha Mitchell e Billy Burke, metafórica e espetacularmente iluminada) e outros completamente mecânicos, como um certo diálogo entre o personagem de Freeman e Alexander, um casal que simplesmente não bolou química. Talvez por acharem que não precisava, mas sente-se um deseqüilibrio quando este casal é focado sem muita emoção genuína, apesar dos esforços individuais dos atores. O filme é construído como uma torre e, quando uma peça falta, parece que todo o conjunto insinua desmoronar-se. Benton, porém, carrega a sensibilidade adequada para manter seu filme espirituoso, e nunca perdemos o envolvimento com os personagens.

Então, apesar de muitas escolhas errôneas por parte de alguns diálogos, de uma edição nem sempre conveniente e de uma direção com certos dilemas, o trabalho em sí é recomendável pelo elenco competente, suas boas intenções, suas belas e conquistadoras histórias de amor e a mensagem sufocante que envia a seu fim, empoderada pela ótima coleção de canções no filme, sendo os destaques “Hallelujah” e “Falling Slowly”. O filme não se restringe a seguir conceitos ou fábulas e abraça o sentimento do amor com o devido realismo. Não é otimista, mas sincero. Não se surpreenda, então, quando o fim te emocionar. Sente-se que o melhor não foi feito, mas é óbvio que estamos diante de um trabalho que não deve ser solenemente ignorado mas sim, conferido de braços abertos.

Nota: 6,5

Feast of Love (2007)
Direção:
Robert Benton
Roteiro: Allison Burnett, baseado em livro de Charles Baxter
Elenco: Morgan Freeman, Greg Kinnear, Radha Mitchell, Billy Burke, Selma Blair, Alexa Davalos, Toby Hemingway, Stana Katic, Erika Marozsán, Jane Alexander
(Romance, 101 minutos)

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Responses

  1. Puxa, até peguei esse filme na locadora, mas de tão agitada que está minha semana acho que terei que devolver sem assistir (e ainda pagar uma bela multa, hahahaha). Enfim, fica para a próxima ;)

  2. Drama é meu preferido… Romance até gosto mas o nome conta pra mim… hehehehe Banquete de Amor é tão brega o nome… é Wally, sou preconceituoso mesmo!! ha ha ha

  3. Pelo menos o elenco se sai bem no filme, e a historia parece simpatica, deve ser perfeito pra ver em casa numa sessao da tarde.

  4. Robert Benton?? O mesmo de Kramer vs Kramer??

    Vou dar uma conferida só por causa dele. Mentira… pelo Freeman tb.

    Abração, Wally!

  5. Opitei por não assistir esse filme no cinema. Tive um certo receio. Você me fez acreditar que o filme parece ser original. Quando surgir a oportunidade verei, mas no momento ficarei um pouco distante do cinema e da locadora…

    Abraço!

  6. Desde “Revelações” que Robert Benton não acerta. Os filmes dele, desde então, parecem marcados mesmo por essa irregularidade no relato da história. Uma pena!!!

  7. Esse filme é bastante caricato e repetitivo. Uma chatice, para ser mais direto.

    Abraço!

  8. […] Martin (A Pântera Cor de Rosa), que tenta demais ser cômico e nunca consegue. Mas Greg Kinnear (Banquete do Amor), por outro lado, compensa, em mais uma daqueles suas atuações leves, soltas e simplesmente boas. […]


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