Publicado por: Wally | Domingo, Julho 12, 2009

Cidade das Sombras

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No precipício de um iminente apocalipse, cientistas e intelectuais constroem uma cidade subterrânea, iniciando-se uma nova geração de pessoas a residir sob a terra, longe dos catástrofes. Depois de 200 anos, um dispositivo alertará os habitantes de como voltar ao subsolo. Mas as gerações se passam e a verdade (e o dispositivo) se perdem. Agora, com sua energia falhando e prestes a encarar a total escuridão, a cidade (e a humanidade) terão seus destinos nas mãos de dois curiosos adolescentes.

O que houve com “Cidade das Sombras” foi um caso no mínimo lastimável. Quando Tom Hanks adquiriu os direitos do projeto – que por sinal é baseado em um homônimo livro de Jeanne DuPrau, o primeiro de uma série – ele provavelmente não esperava o fracasso da fita que, de um orçamento de $55 milhões, não conseguiu recuperar nem metade em lucros internacionais. Após o fracasso nos cinemas gringos, o filme foi rebaixado e lançado diretamente em DVD no Brasil. Uma pena. “Cidade das Sombras” não tem ação de início ao fim ou a aventura mágica do sucesso da mesma produtora: “As Crônicas de Nárnia”, mas o filme tem idéias, criatividade e uma estética formidável. Qualidades o suficiente que o amparam a se transformar numa sessão ao menos recomendável e totalmente assistível. Mas o pequeno filme vai um pouco além. Dirigido por Gil Kenan (A Casa Monstro), que é cheio de visões e atributos técnicos interessantes, o filme pode não ter o desenvolvimento que esperaríamos, mas é difícil reclamar de um longa que parece bater nas notas certas mesmo quando tende a perder o fôlego.

Chegando aqui com uma tradução equivocada (o título original é “Cidade de Brasa”, ou “City of Ember” em inglês – que por sua vez tem significado simbólico já que a cidade do título é a esperança da humanidade, o lampejo de fogo em meio à escuridão) o filme tem qualidades dignas que o transformam em um digno escapismo, começando pelo seu visual cheio de detalhes e finalizando com seu desfecho singelo e mágico. Alias, o enredo é dos mais instigantes. Traçando um mundo pós-apocalíptico que sobrevive numa pequena vila subterrânea cuja fonte de energia está se esgotando, o filme joga idéias e conceitos para todos os lados, e vez ou outra ele se perde, cai em redundâncias e perde o ritmo. Mas o interesse que depositamos na história e, principalmente, nos personagens, nos carrega bem além das irregularidades da fita para um clímax que homenageia o clima nostálgico de longas dos anos 80 do gênero que sobreviviam por idéias e magia, e não efeitos caros. Além disso, o filme trata seus personagens com dignidade e desenvoltura, mesmo que não profundidade. Mas talvez aí seria ser muito exigente.

Na verdade, o sentimento de que “Cidade das Sombras” poderia ter sido melhor é inegável. Kenan fez um admirável trabalho em clima, artifícios narrativos interessantes e na estética geral do filme, que realmente encanta pela composição. Ainda assim, o longa demora um pouco para decolar e mais ainda para fisgar, vez ou outra se perdendo diante de seu visual intimidante. Dito isso, o humor também não funciona como deveria e alguns personagens poderiam ter sido mais bem desenvolvidos, como o próprio prefeito da cidade, que ganha um tratamento bastante divertido de Bill Murray (Agente 86). Apesar de ter importância à história, é do típo de personagem que, se dissecado ao extremo, poderia ter resultado naquelas alegorias ácidas e em um vilão bastante memorável. Murray é acompanhado pela participação bastante nula de Tim Robbins (Passando dos Limites), mas a presença ilustre da sempre competente Saoirse Ronan (Atos que Desafiam a Morte), uma talentosa atriz juvenil que não cessa em encantar.

No geral, “Cidade das Sombras” é um bom e admirável filme que, cheio de acertos, não merece ser reprovado pelos seus ocasionais tropeços narrativos. De estética deslumbrante e contando com elenco consistente, o filme mantém sua atenção mesmo quando o roteiro parece se tornar muito vago e desequilibrado. Mas é o seu desfecho tocante e poético que realmente lhe acompanha para fora da sessão. Bem intencionado, o filme faz um ode à inocência e entretem a audiência ao entregar uma aventura que coloca jovens salvando o mundo da escuridão. Além de um bom passatempo, com certeza sua atmosfera anos 80 cativará o jovem que existe nos adultos. Se a sessão da tarde fosse ambiciosa, “Cidade das Sombras” seria sua principal atração. Então delicie-se pelos cenários extravagantes, e se deixe levar pelo escapismo virtuoso que o filme pode vir a se tornar em detrimento de seus erros meramente esquecíveis.

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City of Ember (2008)
Direção:
Gil Kenan
Roteiro: Caroline Thompson, baseado em livro de Jeanne DuPrau
Elenco: Harry Treadaway, Saoirse Ronan, Tim Robbins, Bill Murray, Toby Jones, Lucinda Dryzek, Lorraine Hilton, Mary Kay Place, Martin Landau, Amy Quinn, Catherine Quinn
(Aventura, 95 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.

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Publicado por: Wally | Sexta-feira, Julho 10, 2009

Um Faz de Conta que Acontece

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Quando o pai de Skeeter vendeu seu modesto hotel – que se transformaria em um bastante famoso – pediu ao novo proprietário que transformasse Skeeter, quando adulto, no gerente. Skeeter, porém, já na idade adulta, não passa de um empregado e ajudante. Quando ele precisa cuidar de seus sobrinhos por uma semana, descobre que, ao contar histórias de ninar, tudo que seus sobrinhos adicionam à história magicamente torna-se real.

Ano passado, o “queridíssimo” Adam Sandler (Eu os Declaro Marido e… Larry!) – comediante que nunca me convenceu, mas que já teve boas experiências no drama – lançou o degradante e vergonhoso “Zohan – O Agente Bom de Corte”, um filme tão rude e lotado de insinuações sexuais que incomodava ao invés de trazer a tona o humor. Pois bem, Sandler parece ter se dado conta do quanto seu último filme havia sido sujo, e decidiu abraçar – agora – uma afável e ordinária comédia da Disney. Um pedido de desculpas, talvez? De uma forma ou de outra, não funcionou. Seu filme infantil é quase tão descartável quanto o seu excessivamente adulto. “Um Faz de Conta que Acontece” tem os ingredientes certos para agradar o seu público alvo – e talvez o fará. Infelizmente, porém, ele limita-se ao óbvio e aos elementos cansados do gênero, repelindo qualquer audiência que não seja a totalmente alienada por Sandler. “Um Faz de Conta que Acontece” é o primeiro filme de sua produtora – Happy Madison – a ter uma censura livre. O longa é, de fato, uma fita infantil. E precisa ser encarada como tal. Mesmo com essa leve percepção, é difícil engolir boa parte do que nos é apresentado ao longo da metragem.

O roteiro do filme investe um pouco na idéia que havia sido utilizada no também fraco “Coração de Tinta” – que conta com realidade surgindo da fantasia. Em “Um Faz de Conta que Acontece” – em boa sacada – a fantasia nunca é exatamente fantasiosa. O que nasce das histórias contadas não foge do nosso mundo, e nasce em cima de coincidências e elementos verídicos. É uma pena que o limitado diretor – Adam Shankman (Hairspray – Em Busca da Fama) – não consiga fazer com que esta idéia ressoe. Shankman, alias, foi uma imensa decepção. Tudo bem que o cara havia feito os medíocres “Operação Babá” e “Doze é Demais 2”, mas vindo do exercício contundente que foi o musical energético de “Hairspray”, esperava-se mais. Shankman, porém, nunca parece fazer mais do que o necessário, assumindo o tom simplista e não quebrando o clima simplório da obra.

A película está recheada dos momentos “mágicos”, mas o único que realmente pode se adequar justificadamente ao termo é um comicamente inspirado que traz o personagem sendo inundado por uma chuva de balas coloridas. Nesta cena, o sorriso foi inevitável. Em quase todas as outras, porém, é o rangido dos dentes que parece assumir presença total. Tal rangido normalmente vem acompanhado das cenas que trazem Sandler em seu mais caricato e forçado – ele simplesmente não percebe o quanto ele é artificial. O coadjuvante, Russell Brand (hilário em “Ressaca de Amor”) é quem rouba todas as cenas em que surge. Pena que seus diálogos sejam tão mal escritos. Guy Pearce (Guerra ao Terror) e Keri Russell (O Som do Coração) não conseguem fazer muito com seus estereótipos. Mas, por outro lado, eles nem parecem tentar muito.

“Um Faz de Conta que Acontece” possui charme para a criançada, e um visual que cativa. E, se tivesse mantido a inocência e a pura simplicidade na sua abordagem com o público infantil, talvez teria sido eficiente. Isto, porém, nunca ocorre. Sandler almeja sujar quase todas as cenas que surge – ou com piadas forçadas, ou com sentimentalismo exacerbado. O filme, alias, tem todos os atos, cenas e clichês obrigatórios que poderíamos esperar. É uma obra em fórmula, e o tédio é um sentimento muito perigoso de ser extraído da tola experiência. Chame de implicância, criticismo ou ignorância. Mas no final, não tem como dar outro nome ao filme a não ser o de uma fracassada tentativa de Sandler em alienar os pequenos. Levando em conta o sucesso de seu filme, porém, ele parece ter conseguido. Lastimável, não?

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Bedtime Stories (2008)
Direção:
Adam Shankman
Roteiro: Matt Lopez, Tim Herlihy
Elenco: Adam Sandler, Keri Russell, Guy Pearce, Russell Brand, Richard Griffiths, Teresa Palmer, Lucy Lawless, Courtney Cox, Jonathan Morgan Heit, Laura Ann Kesling
(Comédia, 99 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.

Publicado por: Wally | Quinta-feira, Julho 9, 2009

Últimas Críticas

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Publicado por: Wally | Quarta-feira, Julho 8, 2009

Expresso Transiberiano

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Quando Roy e Jessie partem numa viagem de trem de China à Moscou no famoso Expresso Transiberiano, nada os preparam para o encontro inicialmente inofensivo com um casal que, pouco a pouco, carrega o casal abaixo num espiral violento pelas friezas da Rússia, indo de encontro com Grinko, um perigoso agente da polícia.

O cinema vem nos ensinando, ao longo dos anos, que os melhores suspenses são aqueles que oferecem três atos: construção de clima, desenvolvimento da tensão e clímax surpreendente. Com “Expresso Transiberiano” – lamentavelmente subjugado à lançamento direto nas locadoras no Brasil – o diretor Brad Anderson (do ótimo “O Operário”), mostra ter aprendido a lição. Seu filme não tem um fim inesperado, mas seus dois primeiros atos são um primor em técnica e virtuosidade cinematográfica. O acerto já começa logo de início, quando reconhecemos a escolha acertada dos roteiristas Anderson e Will Conroy (em sua estréia) em primeiro estabelecer um clima e as caracterizações importantes de seus personagens (que ganham um tratamento proveitoso do elenco). Ainda que o filme demore um pouco para realmente engatar no seu segundo ato, o caminho até ali se mostra necessário pelas claras implicações psicológicas e mesmos dramáticas diante dos acontecimentos que viriam adiante. Tendo isso em vista, é válido ressaltar que é de importância singular se identificar com o primeiro ato do filme – e com os personagens – para se infiltrar totalmente no clima de tensão que toma conta a seguir.

Visto isso, não tem como negar o talento do diretor em manipular emoções e criar uma atmosfera densa de imensa bravura. E o fato de ter como local um trem deixa tudo ainda mais claustrofóbico, servindo com dignidade em prol da eficiência do filme como um suspense psicológico, já que além de ter uma trama climática recheada de angústia, está repleto das emoções gritantes de personagens tão humanos. O filme então te envolve com imensa dignidade e te carrega lentamente e tortuosamente (no bom sentido, claro) por uma narrativa bem estruturado e construída em cima de diálogos admiráveis e personagens verossímeis. A própria situação na qual eles se encontram poderia ter tomado rumos implausíveis, mas ao manter o realismo e nunca subestimar a inteligência do espectador, o filme apenas ganha mais validez.

Existem alguns aspectos discutíveis, tais como o personagem misterioso interpretado com competência por Bin Kingsley (Guru do Amor), que nunca ganha os contornos mais interessantes que esperaríamos. Talvez culpa do último ato do filme que, ainda que guarde seus deleites, soa um pouco anti-climático e corrido. De qualquer forma, o filme termina e te deixa com a válida sensação de que você acabou de testemunhar um digno filme de suspense como pouco se vê. Construído completamente em cima de emoções humanas e nossas reações à elas, o filme não só ganha sua atenção, mas sua imediata admiração. Principalmente quando podemos nos beneficiar por um desempenho tão ressonante como o de Emily Mortimer (A Pantera Cor-de-Rosa 2), que carrega grande parte do filme em suas costas, ao se transformar nos olhos e nas emoções da audiência diante da situação na qual ela se encontra ao lado de seu marido, interpretado de forma descompromissada por Woody Harrelson (Onde os Fracos Não Tem Vez). O fato da dupla interpretar um casal comum como qualquer outro apenas adiciona à autenticidade imposta no filme. Virtude esta que, no plano geral, denota um diferencial expressivo ao filme em si.

Então “Expresso Transiberiano”, que é uma vigorosa descida ao inferno diante de circunstâncias nada agradáveis impostas sobre seus bem construídos personagens, é do típo de filme americano raro do gênero que não só entretem e envolve, mas almeja fazer isto sem cair em normas comuns e estradas habituais. Apesar de seus defeitos ora frustrantes, o diretor faz um hábil trabalho em condensar o que houve de errado ao submergir a audiência num mundo tão frio quanto a própria Russa, local mais do que apropriado para servir de cena para a densa e nervosa trama que se segue a partir de encontros nada casuais numa viagem de trem pouco convencional. O resultado não poderia ser mais empolgante. O filme é um gracioso (ou seria  tenebroso?) acerto.

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Transsiberian (2008)
Direção:
Brad Anderson
Roteiro: Brad Anderson, Will Conroy
Elenco: Emily Mortimer, Woody Harrelson, Ben Kingsley, Kate Mara, Eduardo Noriega, Thomas Kretschmann, Etienne Chicot, Mac McDonald
(Suspense, 111 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.

Publicado por: Wally | Segunda-feira, Julho 6, 2009

Força Policial

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A saga culminante de uma família de policiais de Nova Iorque. Quando dois policiais são mortos inexplicavelmente no que parece um crime de narcóticos, Ray Tierney começa a investigar o caso, esbarrando em feridas de corrupção que podem acabar incriminando sua própria família, quando seu irmão e cunhado surgem como peças principais em um jogo de corrupção e violência que resultou em mortes desnecessárias.

A trama de policiais corruptos, famílias metidas no mundo do crime e irmãos em impasse não é nada de novo. O enredo de Força Policial é, de fato, já um clichê. E o filme dirigido por Gavin O’ Connor é – além de excessivamente longo – cheio de inconsistências, passagens previsíveis, estereótipos já cansados e muitos elementos fora de lugar. O que evita que ele se torne um filme totalmente descartável é a segurança com a qual ele é dirigido por O’ Connor, que faz o possível para condensar os defeitos do roteiro o máximo possível. Além disso, o filme entrega um elenco consistente que consegue injetar intensidade e dramaticidade plausível ao território manjado de policiais e ladrões, culpa e redenção e a desestruturação de uma família diante das implicações criminosas dos homens que a compõe. E, neste aspecto, o filme ganha uma autenticidade ao trazer a tona os conflitos morais dos personagens de forma que convença. E, não só isso, mas consiga ecoar através dos desequilíbrios narrativos da fita, que acaba sendo recomendável.

O filme inicia-se com uma longa cena de créditos num jogo de futebol americano sendo jogado por times do departamento de polícia – um deles de Nova Iorque e que serão o foco do filme. No jogo, os familiares estão lá na arquibancada. É uma tentativa bem realizada de já denotar um tom para o filme, mesmo que não seja em nada original. Os policiais em embate e os familiares como testemunhas. Alegoria competente ao que ocorre pelo resto do filme. Depois disso, já somos introduzidos ao conflito e seguimos uma cena primorosa em forma de plano-sequência. Seguindo um dos personagens até a cena do crime, a direção é nervosa, a fotografia realista e a longa tomada é admirável. Os grandes elogios, portanto, param por aqui. O resto do filme não passa do correto e aceitável.

Os personagens são interessantes e na maior parte das vezes a trama consegue envolver, o problema é quando ela começa a se arrastar, grande parte graças à banalidade da história, que luta para encontrar uma personalidade e uma ressonância maior. As restrições da abordagem muito convencional também podem atrapalhar em momentos que pedem um nervosismo tão intenso quanto aquele demonstrado no plano-sequência. E é com essa falta de urgência e constante passagem por elementos batidos que o filme vai perdendo sua força e, se não fossem pelas boas atuações e os personagens, o interesse estaria completamente perdido. Além de uma decente atuação de Colin Farrell (O Sonho de Cassandra), o destaque é o desempenho do sempre inspirado e talentoso Edward Norton (O Incrível Hulk), que injeta uma humanidade essencial ao personagem, o tornando a peça central da trama e no foco dramático do filme. Jon Voight (24 Horas – A Redenção) surge de uma forma bem pretensiosa, mas não compromete. Já Noah Emmerich (Pecados Íntimos) está muito bem como o irmão que luta com seus demônios interiores e exteriores, lidando com a culpa e o câncer de sua esposa.

A trama previsível foi roteirizada pelo já “expert” do gênero, Joe Carnahan, que escreveu e dirigiu filmes como “A Última Cartada” e “Narc”, sendo o foco deste último o mundo criminal. O’ Connor co-escreveu. O texto alça vôo quando foca nas intimidades morais dos personagens, mas perde o fôlego ao se ligar demais nas engrenagens corruptas da polícia sempre cansativas. Como um filme do gênero, também era de se esperar mais cenas de ação. Quando as tem, ao menos são bem realizadas. Apesar de possuir certa cena no clímax que beira o ridículo pela condução desastrosa e por ser muito implausível, numa luta patética dentro de um bar. Mas a parte técnica não decepciona, incluindo boa edição e uma trilha sonora exemplar de Mark Isham. Elementos primordiais para deixar o ritmo do filme vivo mesmo quando a trama parece morta. Na sua totalidade, é um filme cheio dos equívocos, mas suas virtudes não devem ser totalmente ignoradas e elas garantem uma sessão digna, ao menos que seja abordada sem maiores compromissos. Afinal de contas, não é exatamente Scorsese.

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Pride and Glory (2008)
Direção:
Gavin O’Connor
Roteiro: Joe Carnahan, Gavin O’Connor, Robert Hopes
Elenco: Edward Norton, Colin Farrell, Jon Voight, Noah Emmerich, Jennifer Ehle, John Ortiz, Frank Grilo, Shea Whigham, Lake Bell, Manny Perez, Wayne Duvall
(Policial, 130 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.

Publicado por: Wally | Domingo, Julho 5, 2009

O Justiceiro – Em Zona de Guerra

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Após testemunhar o assassinato de sua mulher e filhos num piquenique, Frank Castle, ex-agente do FBI, se transforma no “Justiceiro”, um homem que não seguirá regras ou leis, correndo atrás e matando todos que não são punidos pelo sistema judiciário. Depois de exterminar uma família de mafiosos, ele precisará enfrentar o único sobrevivente que, retalhado, vai atrás do anti-herói a todo custo.

“O Justiceiro – Em Zona de Guerra” é a terceira aventura de Frank Castle, anti-herói da Marvel, nos cinemas. Desde 1989, com “O Justiceiro” com Dolph Lundgren como o protagonista, o cinema vem tentando fazer do personagem um nome consistente o bastante para uma franquia. Mas até agora todas as três tentativas foram isoladas e apresentavam diferentes versões do personagem da HQ famosa. E, apesar de desconhecer a primeira versão com Lundgren, posso bem imaginar pela simples natureza de seu fracasso. Em 2004, tentaram novamente com grande orçamento e Thomas Jane protagonizando, ao lado de John Travolta, como vilão. O resultado foi uma espécie de Supercine um tanto descartável. Apesar do inegável estilo e válido elenco, nada justificava o suficiente o início de uma série. E não é com este novo filme do personagem, decepcionantemente dirigido por Lexi Alexander (Hooligans) que os estúdios terão em mãos sucesso. Considerando a estréia da fita direto nas locadoras, aconteceu o oposto.

O filme cheira à lançamento direto no mercado de DVD desde seu início e, apesar deste ter sido seu feliz destino no Brasil, a fraquíssima adaptação chegou a ir aos cinemas estadunidenses. Praticamente tudo aqui, porém, dá errado. O filme é o resultado de uma bizarra junção de “o exército de um homem só” e um vilão chamado Jigsaw (em inglês). Em outras palavras, é o encontro pavoroso entre a ação descerebrada de um “Rambo” e a violência gratuita de um “Jogos Mortais”. Isso tudo acompanhado por um senso de humor psicótico. O que deve ter ocorrido aqui é uma clara tentativa de deixar o filme mais no espírito do material original possível. E não falo de fidelidade narrativa, mas de estilo. “O Justiceiro – Em Zona de Guerra” merece sua censura 18 anos com louvor. Extremamente violento e sanguinário, o filme é constantemente sombrio e turbinado com uma ação estilizada, chegando a ser incansável. O consenso é que Lexi Alexander criou um filme muito para quadrinho e pouco para cinema. A linguagem cinematográfica aqui é das mais limitadas, e isso é de surpreender quando se vê o eficiente trabalho da diretora em “Hooligans”, competente filme de ação.

No todo, porém, é preciso analisar a influência artística dos produtores, já que foi feito pública a indignação da diretora com a produção do filme. Alexander chegou a ser demitida a certa altura. Toda essa bagunça nos bastidores se refletiu no próprio filme, que não encontra uma identidade a não ser a tola característica de um filme de ação “brucutu”, incansável, bobo e completamente descartável. O roteiro estúpido cria um personagem principal vazio e unidimensional, não o elevando a nenhuma simpatia diante da audiência –mesmo quando eles forçam a barra do melodrama com a entrada de uma garotinha que parece amolecer o coração do brutamonte. Lamentável. Ainda pior é o ator escalado. Ray Stevenson não traz absolutamente nada a não ser presença de força (não “força de presença”) ao papel. O resto do elenco é igualmente triste. Dominic West, interpretando o vilão, até tenta, mas cai na canastrice óbvia. Culpa de sua maquiagem excessivamente superficial, talvez. O resto é resto.

O filme tem uma única virtude: estilo. Amparado no espírito da HQ, o filme faz jus ao não ter piedade em questões de violência gráfica, morbidez estética e excessiva pancadaria. E, se você procura um filme de ação neste molde, sem uma trama coerente, com um personagem tolo praticamente sem diálogos e uma violência contínua e forte, então é um ótimo perdido. Mas se existe qualquer atenção à validez narrativa, diálogos, personagens e cenas que se sobrepõem à simples ação, então fuja, pois o exemplar de ação aqui é exatamente daquele tipo que deveria ser protagonizado por “atores” como Dolph Lundgren. É pura inércia dramática e plena incansável ação. Um filme assumidamente de gênero. “O Justiceiro – Em Zona de Guerra” quase nunca se preocupa em ser mais que isso. E quando sentimos a preocupação, a coisa só piora.

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Punisher: War Zone (2008)
Direção:
Lexi Alexander
Roteiro: Nick Santora, Art Marcum, Matt Holloway
Elenco: Ray Stevenson, Dominic West, Doug Hutchison, Colin Salmon, Wayne Knight, Dash Mihok, Julie Benz, Mark Camacho
(Ação, 103 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.

Publicado por: Wally | Sábado, Julho 4, 2009

Brilhos Eternos #8

 tema: BIOGRAFIAS

001
BONNIE E CLYDE (Matheus R.)

002
MARIA ANTONIETA (Marcel)

003
OS BONS COMPANHEIROS (Marcel)

004
A QUEDA – AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER (Matheus R.)

005
A PAIXÃO DE CRISTO (Vinícius P.)

006
2 FILHOS DE FRANCISCO (Jeff)

007
CHAPLIN (Marcel)

008
O AVIADOR (Marcel)

009
RAY (Helio)

010
ALEXANDRE (Matheus R.)

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