Publicado por: Wally | Domingo, Julho 5, 2009

O Justiceiro – Em Zona de Guerra

punisher

Após testemunhar o assassinato de sua mulher e filhos num piquenique, Frank Castle, ex-agente do FBI, se transforma no “Justiceiro”, um homem que não seguirá regras ou leis, correndo atrás e matando todos que não são punidos pelo sistema judiciário. Depois de exterminar uma família de mafiosos, ele precisará enfrentar o único sobrevivente que, retalhado, vai atrás do anti-herói a todo custo.

“O Justiceiro – Em Zona de Guerra” é a terceira aventura de Frank Castle, anti-herói da Marvel, nos cinemas. Desde 1989, com “O Justiceiro” com Dolph Lundgren como o protagonista, o cinema vem tentando fazer do personagem um nome consistente o bastante para uma franquia. Mas até agora todas as três tentativas foram isoladas e apresentavam diferentes versões do personagem da HQ famosa. E, apesar de desconhecer a primeira versão com Lundgren, posso bem imaginar pela simples natureza de seu fracasso. Em 2004, tentaram novamente com grande orçamento e Thomas Jane protagonizando, ao lado de John Travolta, como vilão. O resultado foi uma espécie de Supercine um tanto descartável. Apesar do inegável estilo e válido elenco, nada justificava o suficiente o início de uma série. E não é com este novo filme do personagem, decepcionantemente dirigido por Lexi Alexander (Hooligans) que os estúdios terão em mãos sucesso. Considerando a estréia da fita direto nas locadoras, aconteceu o oposto.

O filme cheira à lançamento direto no mercado de DVD desde seu início e, apesar deste ter sido seu feliz destino no Brasil, a fraquíssima adaptação chegou a ir aos cinemas estadunidenses. Praticamente tudo aqui, porém, dá errado. O filme é o resultado de uma bizarra junção de “o exército de um homem só” e um vilão chamado Jigsaw (em inglês). Em outras palavras, é o encontro pavoroso entre a ação descerebrada de um “Rambo” e a violência gratuita de um “Jogos Mortais”. Isso tudo acompanhado por um senso de humor psicótico. O que deve ter ocorrido aqui é uma clara tentativa de deixar o filme mais no espírito do material original possível. E não falo de fidelidade narrativa, mas de estilo. “O Justiceiro – Em Zona de Guerra” merece sua censura 18 anos com louvor. Extremamente violento e sanguinário, o filme é constantemente sombrio e turbinado com uma ação estilizada, chegando a ser incansável. O consenso é que Lexi Alexander criou um filme muito para quadrinho e pouco para cinema. A linguagem cinematográfica aqui é das mais limitadas, e isso é de surpreender quando se vê o eficiente trabalho da diretora em “Hooligans”, competente filme de ação.

No todo, porém, é preciso analisar a influência artística dos produtores, já que foi feito pública a indignação da diretora com a produção do filme. Alexander chegou a ser demitida a certa altura. Toda essa bagunça nos bastidores se refletiu no próprio filme, que não encontra uma identidade a não ser a tola característica de um filme de ação “brucutu”, incansável, bobo e completamente descartável. O roteiro estúpido cria um personagem principal vazio e unidimensional, não o elevando a nenhuma simpatia diante da audiência –mesmo quando eles forçam a barra do melodrama com a entrada de uma garotinha que parece amolecer o coração do brutamonte. Lamentável. Ainda pior é o ator escalado. Ray Stevenson não traz absolutamente nada a não ser presença de força (não “força de presença”) ao papel. O resto do elenco é igualmente triste. Dominic West, interpretando o vilão, até tenta, mas cai na canastrice óbvia. Culpa de sua maquiagem excessivamente superficial, talvez. O resto é resto.

O filme tem uma única virtude: estilo. Amparado no espírito da HQ, o filme faz jus ao não ter piedade em questões de violência gráfica, morbidez estética e excessiva pancadaria. E, se você procura um filme de ação neste molde, sem uma trama coerente, com um personagem tolo praticamente sem diálogos e uma violência contínua e forte, então é um ótimo perdido. Mas se existe qualquer atenção à validez narrativa, diálogos, personagens e cenas que se sobrepõem à simples ação, então fuja, pois o exemplar de ação aqui é exatamente daquele tipo que deveria ser protagonizado por “atores” como Dolph Lundgren. É pura inércia dramática e plena incansável ação. Um filme assumidamente de gênero. “O Justiceiro – Em Zona de Guerra” quase nunca se preocupa em ser mais que isso. E quando sentimos a preocupação, a coisa só piora.

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Punisher: War Zone (2008)
Direção:
Lexi Alexander
Roteiro: Nick Santora, Art Marcum, Matt Holloway
Elenco: Ray Stevenson, Dominic West, Doug Hutchison, Colin Salmon, Wayne Knight, Dash Mihok, Julie Benz, Mark Camacho
(Ação, 103 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.


Responses

  1. Também não gostei desse novo Justiceiro. Uma pena, pois prometia ser um filmaço. Os vilões são fracos, os diálogos são fracos, as atuações são fracas, as cenas de ação são fracas, só se salva a violência mesmo, digna das HQs. Eu prefiro o filme com o Thomas Jane, sinceramente. Até as cenas de ação deste são bem melhores, como aquela luta com o russo.

  2. Tem selo p/ vc no meu blog!!!

    Eu gostei do filme! Bem sangrento, no estilo Justiceiro! Hehehehe tem suas besteiras sabe, mas destraiu e me deixou em contato com O justiceiro hehehe que eu adoro! tem psoter dele e do Wolv em meu quarto ;]

  3. Eis um filme que nunca me deu vontade de ver. Nem sequer o primeiro conferi. rsrsrs. ;)

  4. Não vou ver tão cedo, uma vez que não vi nehum da franquia!

  5. Sinceramente, ando tão ocupado, que pouco posso ver de filmes. Wally, pra você ter uma ideia, mes passado assisti apenas 5 filmes!!!!!! Portanto, seus comentários me deixaram mais certo do que nunca a respeito do seguinte: priorizar produções de qualidade garantida (para não perder tempo, hehehehe).
    Grande abraço! ;)

  6. Já vi as duas primeiras versões do personagem. A primeira é trash até a medula, mas tem uma vilã que eu amo, a Lady Tanaka. RSRSRSRSRSRS. Já o filme com Thomas Jane eu acho ótimo. O primeiro ato da narrativa é fraquíssimo, mas vai obtendo êxito quando a ação começa para valer. Já este terceiro “Punisher” verei em breve. Não gosto de “Hooligans”, mas ver uma mulher no comando de um filme de ação para mim é sempre uma novidade!

  7. Olá, como vai?
    Você ganhou um Selo pelo seu blog.

    Acesse para ver: http://100enrolacao.wordpress.com/2009/07/06/selo-e-reconhecimento/

    Abraço e parabéns! ;-)

    Eric

  8. Não vou ver tão cedo, uma vez que não vi nenhum da franquia! [2]

  9. Eu sou o pior de todos: mal sabia da existencia da franquia. rs

  10. Eu até curti o de 2004, é um filme ‘futebol-força’, assim digamos, tem lá os defeitos mas vale uma alugada. Eu quero assistir War Zone, mesmo não esperando muita coisa. Tendo uma pancadaria já estará de bom tamanho, hehe.

    Absss!

  11. Pior q eu ñ achei tão ruim, gostei da violencia do filme, o kra mete bala e porrada na bandidagem sem cermônias, bem melhor q o primeiro filme com o tosco do Dolph Lundgren, mas inferior ao anterior com Thomas Jane, porém, bem assistível e divertido nos momentos de ação, como passatempo me serviu. nota 6.0!
    Abs! Diego!

  12. “O resultado foi uma espécie de Supercine um tanto descartável” hahahahaha. Por isso mesmo que eu nem quis conferir esse filme, quanto mais essa ‘continuação’ que parece terrível…

  13. Coitado do Justiceiro! É um personagem maldito no cinema mesmo… mas, ainda assim, quero muito ver esse filme. Quem sabe nas férias…

  14. è um filme para quem gosta de filme de ação, é pancadaria o tempo todo, eu gostei! principalmente no final do jeito que Frank Castle matou o Jingsaw e o irmão dele, filme bem psicótico.


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