Publicado por: Wally | Sexta-feira, Junho 5, 2009

O Último Trem

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Leon é um fotógrafo que busca o reconhecimento e, quando surge uma chance, é obrigado a mudar os tons de suas fotografias para focos mais realistas e crus. É quando parte para as ruas de Los Angeles, onde começa a ficar obcecado por um misterioso sujeito que surge a toda noite do metrô. Ambicioso e curioso, Leon começa a investigar quando percebe que existe algo suspeito por trás do homem.

O sinistro é fascinante. Quando a realidade torna-se sem graça, recorremos continuamente à ficção e muitas vezes podemos ser fascinados, entretidos e até aterrorizados por ela. Apesar de “O Último Trem” não chegar ao ponto de aterrorizar (a não ser que você seja mesmo vulnerável ao gênero), sua história é das mais sinistras e, por isso, tão intrigante. É preciso admitir, claro, que o filme baseado em um conto do “aterrorizador” Clive Barker (Hellraiser) termina tão surpreendente quanto implausível, num desfecho perturbador pelas implicações mas consequentemente sinistro demais para a mera plausibilidade. E a verdade revelada ao fim pode ser absurda demais para uns, tosca demais para outros ou excitante demais para os seguidores mais hardcore de Barker e até mesmo Stephen King, do qual consigo ver um pouco nas particularidades da história de Barker, roteirizada por Jeff Buhler (Insanatório) com equívocos, enrolação e clichês do gênero, mas amortecida por uma direção inspiradíssima de Ryûhei Kitamura (Azumi), japonês com filmografia assumidamente “terror”.

O Último Trem” segue a jornada curiosa de Leon, um fotógrafo, pelas ruas de Los Angeles que, ambicioso para retratar fatos e pessoas com maior crueza, torna-se curioso por uma figura emergente da estação de trem que logo o desperta mais que apenas a curiosidade, mas a suspeita. Essa curiosidade o levará para uma reveladora e aterrorizante experiência, que o deixará literalmente marcado. E as telas também ficam muito marcadas. A quantidade de sangue jorrado não deve em nada à “O Albergue“, mas nunca é apresentada de forma gratuita. Afinal de contas, estamos em um filme de terror gore e o diretor – de forma inspirada –  faz o melhor utilizo de sangue. Inclusive, filma as cenas mais brutais, estilizadas e sanguinárias de assassinato que vi em muito tempo. Como uma especial onde, ao prender a câmera na cabeça da vítima, leva a audiência rodopiando com a cabeça quando esta é decapitada.

O filme então ganha com essa virtuosidade técnica, uma direção que anseia sair dos padrões, mesmo quando o roteiro não. E o roteiro oscila continuamente entre o interessante e o desgastante. É fato que certas cenas estão ali para enrolar, não adicionar. O roteiro também peca ao esquivar de tentar nos revelar emoções mais fortes de Leon quando algo trágico acontece a ele. É irreal que ele não questione ou mesmo saiba o que de fato houve com ele em certa passagem do filme. Além disso, a trama “policial” do filme soa deslocada e desnecessária. De início ao fim, porém, o filme é forte nas suas implicações. Vinnie Jones (Os Condenados), que faz o “açougueiro”, vítima das fotografias de Leon, tem uma forte presença e envia o temor quando o roteiro está ocupado em convenções e em apimentar mais o absurdo e o sangrento. Por isso Kitamura oferece tanto equilíbrio. Ele filma bem, caracteriza bem os momentos e não desgasta seus personagens da forma como acontece na maior parte das vezes. Então se os diálogos soam tolos, ao menos o clima não, e nem os atores, que não prejudicam em nada. Mas também, não possuem muito a oferecer. Bradley Cooper (Sim Senhor) é competente até certo ponto apenas, não convencendo na transição fora do gênero de comédias.

Apoiado então nas vertigens do cinema B, tendo na sua história central um segredo dos mais horripilantes e sinistros, o filme assume sua identidade trash e a trabalha de forma uniforme. Bem conceituado, brutalizado e eficiente na proposta. O clímax não poupa ninguém e te manda num espiral de morte, sangue e tensão. Mas é o desfecho que perturba, quando descobrimos o que realmente havia de tão importante por trás dos atos do açougueiro, e é interessante aprendermos as implicações deste segredo e o efeito dele no destino de Leon. Algo que é mastigado para a audiência de forma vergonhosa na cena final, que nos subestima a inteligência. Certas coisas deveriam ser mais sutis. Mas “O Último Trem” é descaradamente ancorado no absurdo. E, na maior parte das vezes, é o que lhe dá sua força. Pena que essa força não o torna mais memorável.

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The Midnight Meat Train (2008)
Direção:
Ryûhei Kitamura
Roteiro: Jeff Buhler, baseado em um conto de Clive Barker
Elenco: Bradley Cooper, Leslie Bibb, Brooke Shields, Vinnie Jones, Roger Bart, Tony Curran, Barbara Eve Harris, Peter Jacobson
(Terror, 103 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.

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Responses

  1. Ultimamente tehno baixando mais coisas de terror, tanto novas quanto clássicas, e sempre deixo esse filme para mais tarde, apesar das boas críticas. Mas já que é bem sangrento vou colocar no torrent já, hehe.
    Abraçosss!

  2. Assisti há poucos dias e pensava que seria péssimo em virtude das críticas e dos problemas da produção, mas até que saiu um suspense razoável e bem sanguinário. Apenas a explicação final me pareceu um pouco forçada.
    E Vinnie Jones nasceu para este tipo de papel.

    Abraço

    • Marcus, é sem dúvida uma fita “gore” recomendada.

      Hugo, o fim é mesmo implausível, mas acaba funcionando como uma nota sinistra. E realmente Jones tem aqui o papel definitivo.

  3. Estou querendo ver esse filme desde que assisti um vídeo com o ator protagonista divulgando a película de uma forma bastante sarcástica. A história me intrigou muito. É o tipo de narrativa sórdida que eu gosto.

    Uma boa indicação!

  4. Essas fitas assim assumidas, sem grandes pretensões artísticas, às vezes se saem melhor que a encomenda. Francamente, nunca tinha ouvido falar, mas conseguiu despertar o interesse!

    • Roberto, não sabia deste vídeo. E é mesmo sórdido…e divertido.

      Gustavo, realmente isso ocorre às vezes. Não é nada memorável, mas é um bom filme do gênero.

  5. cara, mais um filme q vc comenta e eu não conhecia e que me chamou bastante a atenção. com certeza vou conferir quando puder.

    nada como tensão e um gore de vez em quando… hehe

    Brainz!!!

  6. Vários fatores me deixam curioso em relação a esse filme: além do Bradley Cooper ser um intérprete interessante e do material de divulgação ser ótimo, o argumento parece ser bom o suficiente para manter a tensão. Pena que ninguém está falando muito bem sobre o filme…

    • Shaun, e o filme é um bom pedido. Tensão e gore de vez em quando é bom mesmo, rsrsrs.

      Vinícius, veja no descompromisso. É uma boa fita do gênero.

  7. Não conhecia o filme e seu texto nem me deixou curiosa para conferir ‘O Último Trem’.

  8. Me interessei primeiramente por esse filme num preview da revista SET, há mais de um ano … nunca mais tinha ouvido falar dele, até vê-lo já em dvd nas locadoras, mas como não ouvi comentários a respeito, acabei esquecendo-o. Depois desse seu texto, mesmo que as falhas do filme tenham sido apontadas, não pude deixar de novamente me interessar por ele. Do próximo feriado não passa!

    • Kamila, mas o filme vale uma conferida. A menos que não goste do gênero.

      Wallace, procure ver sim. Tem suas falhas, mas é um bom filme.

  9. Estilo “O albergue”..Valeu muito ver… as cenas são muito marcantes .
    O finalzinho não precisava, exagerou! Mas não invalidou a pelicula.


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