Publicado por: Wally | Quarta-feira, Junho 3, 2009

24 Horas – A Redenção

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Posterior aos acontecimentos que ocorreram na final da sexta temporada da série televisiva “24 Horas“, a história toma conta 18 meses após com Jack Bauer em exílio na África, fugindo do governo americano e tentando redimir de seu passado ao tentar ajudar crianças órfãs. É quando Bauer precisa desafiar um grupo de rebeldes que cruzam atrás de garotos para os forçarem a fazer parte da resistência.

Produzido especialmente para a televisão, “24 Horas – A Redenção” foi uma tentativa de cobrir o atraso do seriado de Jack Bauer, “24 Horas“, que a esse ponto havia corrido por seis temporadas. Com a má recepção da subestimada sexta temporada e a greve dos roteiristas, a sétima temporada foi adiada e estreou apenas neste início de ano. E, para redimir a falta do seriado em 2008 – lançaram “A Redenção”, o pequeno filme que serve de ponte entre o término da sexta e o início da sétima. No seu formato convencional e em nada ousando como “cinema”, o diretor Jon Cassar se entrega aos padrões dos filmes televisivos e ao formato já conhecido da série (sendo ele um diretor regular do seriado) transformando “24 Horas – A Redenção” em um filme exclusivo para os seguidores de Jack Bauer e adeptos ao mundo no qual ele pertence. De qualquer outra forma, o filme deixa a desejar.

Como ponte, ele é útil. Focado em parte no personagem fragmentado de Jack Bauer, o filme soa plausível ao conduzi-lo após o que houve no final da última temporada. Ainda assim, o personagem tem também momentos superficiais que atrapalham na composição de seu personagem. Kiefer Sutherland (Espelhos do Medo) está bem no papel, mas não faz mais do que o necessário e se apega (como o resto do filme) ao que foi construído durante o seriado. Talvez esta seja a principal falha. É totalmente compreensível que queiram manter a fidelidade, mas existe uma diferença entre a linguagem de um seriado que tem 24 horas para contar sua história e um filme que possui apenas duas (que são na verdade uma hora e meia quando se exclui os intervalos comerciais). Cassar não compreende isso e não consegue fazer seu filme ultrapassar nenhuma fronteira. É competente, mas ficamos sempre à espreita de que ele se transforme em algo mais.

A trama paralela aos acontecimentos na África com Bauer, situado nos Estados Unidos em pleno dia de inauguração, é bastante intrigante. Mas mais por deixar várias pontas soltas. Os mesmos roteiristas do seriado entram aqui para jogar os mesmos diálogos espertos, personagens interessantes e tramas instigantes. Mas, mais uma vez, são deleites a serem desfrutados apenas pelos seguidores. A trama em si termina completamente sem resolução. Obviamente porque será concluída com a próxima temporada. Então talvez não seja este o forte do filme, apesar deste segmento ter boas atuações e levantar questões já intrigantes. O forte talvez seja, de fato, a redenção do personagem de Bauer, e como este acaba na missão reveladora de salvar crianças africanas. Diálogos e situações melodramáticas à parte, é uma parte do filme que funciona pela composição e importância, culminando numa escolha final do personagem que será decisiva no que ocorrerá na sétima temporada.´

A equipe técnica aqui também reflete muito o que foi feito na série. Edição ríspida, ágil e eficiente, boa fotografia e ambientes bem construídos. A condução é rítmica e o filme não perde o fôlego. Tem pouca ação, mas entretem com a própria agilidade da histórias e a apresentação de bons personagens, como o bem interpretado por Robert Carlyle (Extermínio 2). No todo, é um filme recomendável. Isto é, para todos que seguem a série. Para quem desconheça e quer vê-lo pelo simples fato de ter sido lançado em DVD no Brasil, dispense, pois a frustração diante do inexplicável e o formato nada cinematográfico pode incomodar. Caso contrário, é um filme que funciona dentro de suas próprias limitações e defeitos narrativos. É só não pedir muito. Afinal, tudo soa mais como se dois episódios do seriado simplesmente tivessem sido colados um no outro. A desculpa para te-lo feito é burocrática e sua existência como filme é fútil. Mas já que existe, e foi relativamente bem feito, recomendo.

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24: Redemption (2008)
Direção: Jon Cassar
Roteiro: Joel Surnow, Robert Cochran, Howard Gordon
Elenco: Kiefer Sutherland, Cherry Jones, Robert Carlyle, Bob Gunton, Colm Feore, Powers Boothe, Jon Voight, Peter MacNicol, Gil Bellows, Eric Lively, Kris Lemche
(Ação, 87 minutos)

Disponibilidade | Já nas locadoras.


Responses

  1. Não goso da série, por isso não tenho a mínima vontade de ver.

  2. Não comecei a ver a série ainda, então …

  3. Não comecei a ver a série ainda, então … 2

    • Cleber e Gustavo, procurem ver, é excelente!

  4. Como não assisto à série, nem me interessei em assistir ao telefilme…

    • Brenno, se não gosta da série não sugiro mesmo.

      Kamila, não perca tempo mesmo já que não viu a série.

  5. Eu roubei a primeira temporada completa de um imbecil que conversava, mas nem comecei a assistir. Preciso de muito tempo livre para acompanhar seriados decentemente e por isto não ando vendo nada. Eu queria ver este “24 Horas – A Redenção”, mas já que você disse que é um filme exclusivamente para o público que acompanha a ação televisiva então vou passar batido.

    • Alex, só confira depois de ter visto todas as seis primeiras temporadas. Só assim.

  6. Realmente o filme não tem nada de mais quando comparado à série, mas acho que preparou de uma excelente forma o espectador para a sétima temporada, sem falar que tem alguns momentos muito especiais. O discurso da presidente já mostrava que a Cherry Jones seria o grande destaque desse ano.

    • Vinícius, como uma ponte entre as temporadas, é sim muito bom. Só não é tão valioso quando visto como cinema. E Jones me intrigou mesmo com o discurso.


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