Publicado por: Wally | Domingo, Abril 19, 2009

Bolt – Supercão

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Bolt é um astro. E não sabe disso. Um cachorro treinado e inteligente, Bolt faz parte de um programa televisivo de ação e ficção que o tem como um cachorro com poderes. Mas, ao não saber que vivencia uma mentira, acredita quando sua dona, uma adolescente que o adora, é capturada. Ele vai então à sua busca no mundo real, fora do cenário construído para ele, acreditando em seus falsos poderes.

É uma pena ter que revelar o enredo de “Bolt – Supercão” – para quem não o tenha visto –  na sinopse acima, tendo em vista o quanto eu mesmo fui gratificantemente surpreendido logo ao início da animação caprichada. De forma inspiradíssima e visualmente vertiginosa, “Bolt – Supercão” começa com a filmagem de um dos episódios do programa de Bolt e, por isso, inicia-se cheio de ação, tensão e com caçadas prazerosas. Entretenimento muito adequado e que cativa sua atenção de imediato. De repente, você está interessado. Curioso pelo cachorro e pelo que está acontecendo de forma tão abrupta. Mas não é até que percebemos que trata-se de um filme dentro de um filme que percebemos o quanto “Bolt – Supercão” está muito bem equilibrado entre as convenções da Disney e a refrescante originalidade com a qual nos cativa logo de cara. E isso é raro em se tratando de um gênero que muitas vezes se deixa levar por enredos simplistas, personagens previsíveis e tramas desinteressantes. “Bolt – Supercão” não tem nada disso.

E, depois da vertigem de sua sequência inicial, “Bolt – Supercão” prova que, além de seu visual fantástico e enredo promissor, é muito bem humorado, com um timing cômico ótimo e um núcleo adorável que tem na amizade do cachorro com a garota algo com o qual a audiência possa se identificar. Quando Bolt parte em sua aventura, o seguimos com prazer, e a jornada é das mais divertidas. Ágil, colorido e sempre interessante, a animação denota para si um estilo próprio ao passo que trabalha com elementos usuais. O diferencial é que os utiliza de uma forma consistente e não de forma trivial. Nós conhecemos a maioria dos maneirismos dos personagens, algumas sacadas são previsíveis e os diálogos, idem. Ainda assim, há algo de refrescante na forma com que tudo é conduzido e o roteiro abre espaço, sim, para novidade, com várias piadas hilariantes e personagens coadjuvantes (eles sempre estão sob os holofotes) divertidíssimos.

Bolt é adorável, claro. Desde que é comprado, filhotinho, ao início, criamos certa afeição por ele. E a dublagem de John Travolta (Hairspray – Em Busca da Fama) caiu bem. Mas Bolt não é o personagem chave aqui, e nem mesmo sua dona, apesar de serem o foco e garantirem o núcleo emocional da obra. A animação atinge seu ápice quando entra a gatinha Mittens – maravilhosamente dublada e extremamente engraçada com seu seco sarcasmo – o hamster Rhino – loucamente idiota e genialmente bobo – e os pombos, que são de matar qualquer um – criança ou adulto – do coração. São esses elementos, ao lado da textura visual e a trama cativante, que tornam “Bolt – Supercão” em uma animação Disney contemporânea quase tão competente quanto aqueles feito em parceria com a Pixar.

“Bolt – Supercão” é por isso uma das animações mais agradáveis e exemplares a serem lançadas, que nunca subestima sua inteligência, o envolve em um mundo espertamente desenhado e controla ritmos e tiradas com uma fluidez incontestável – e essencial. É dublada com muita competência – ao menos a versão original, e é muito bem delineado quanto a seu foco, abrangendo temas acerca da mídia ou de assuntos mais simples e contundentes como amizade e companheirismo. Tem os valores no lugar certo e não precisa cair no clichê para emoldurá-los. Com um pouco de vertigem e muita vivacidade, constrói-se charme e desenvoltura o suficiente para se situar no versátil e conveniente. Mas mais que apenas “conveniente”, “Bolt – Supercão” é altamente recomendável como uma animação de primeira categoria.

Nota: 8.0

Bolt (2008)
Diretor:
Byron Howard, Chris Williams
Roteiro: Dan Fogelman, Chris Williams
Elenco: John Travolta, Miley Cyrus, Susie Essman, Mark Walton, Malcolm McDowell, James Lipton, Greg Germann
(Animação, 96 minutos)


Responses

  1. Olha, eu gostei bastante esse filme. Tive a oportunidade de vê-lo em 3D quando fui a São Paulo, foi ai o diferencial. Se eu tivesse numa sala normal, talvez tivesse dado um pouco menos, apesar de ter sido uma boa fita. Achei melhor, inclusive, do que Madagascar 2!

  2. Também acho que “Bolt” foi uma grande surpresa – esperava um filme fraquinho e de pouca personalidade. Ainda bem que me enganei. Como amante de animações, sou extremamente rígido ao avaliá-las (bem como musicais), mas “Bolt” é mesmo um ótimo filme do gênero.
    Nota: 8,0
    Abs!

  3. Gostei muito de Bolt, um filme super bem feito com uma história bem clássica que revive o que a Disney tem de melhor. Fiquei muito satisfeito ao vê-lo entre os finalistas do Oscar de Melhor Animação. Abraço!

  4. Gostei bastante. Embora o estilo “Pixar” apareça em diversos momentos, Bolt é sem dúvida um legítimo filme Disney, atualizando diversas das “convenções” que aprendemos a amar no decorrer dos anos!!! Abração!

  5. Que bom que voltaste! =)
    Ótimo filme, o Bolt é muito legal mas o Rhino é impagável.

    Abrass!

  6. Wally, ainda não vi “Bolt”, mas estou lendo ótimos textos sobre ele, principalmente o seu. Espero que chegue logo em DVD para conferí-lo logo, gosto de animações bem simpáticas, rsrsrs.

    Beijos e tenha um ótimo feriado! ;)

  7. Gostei também, não esperava muita coisa e me surpreendi. Bom filme animado!

    Abs!

  8. EU AINDA NÃO VI, ESTOU BASTANTE CURIOSO E CREIO QUE SERÁ AGRADÁVEL.

    GOSTO MUITO DA CANÇÃO “I Thought I Lost You”

    ABRAÇOS

  9. Sabe que adoro “Bolt”. Acho uma diversão muito boa. Seria legal ver mais animações assim no cinema do que essas bobagens de “Madagascar”, “O Bicho Vai Pegar” e afins…

  10. “Bolt” parecia ser uma animação extremamente convencional pelo material de divulgação, mas felizmente isso não passava de uma impressão equivocada. Realmente encanta pela originalidade e também por não subestimar o público infantil, até tramas com bichinhos falantes já não são bem aceitas se não tiverem algum diferencial.

  11. Deve ser bom este longa, quero ver.


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