Publicado por: Wally | Sábado, Abril 18, 2009

Sexta-Feira 13

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À procura de erva, vários adolescentes partem para uma parte desconhecida de uma floresta que acaba os levando para o cenário de Camp Crystal Lake, onde são violentamente interrompidos por Jason Vorhees. Com o desaparecimento de uma das adolescentes, seu irmão vai até a floresta à sua procura, envolvendo novas pessas no caminho.

Não há alma viva que desconheça o nome icônico de Jason Vorhees e o legado sanguinário que deixou nos anos 80, se prolongando ridiculamente pelos anos 90 e sendo resgatado no novo século por um pateticamente trash “Jason X” e o embate infame entre ele e outro ícone do terror: Freddy Krueger, que rendeu uma fita divertida, ainda que completamente descartável. É por esse lado que esta nova ressurreição do personagem pesa. O novo “Sexta-Feira 13” ganha pontos por não se dar à ambição infundada de refilmar o primeiro filme (algo que era previsto levando em conta o título sem algarismos a mais que ‘13’), mas sim, construir uma sequência (a décima – primeira) que seja passada no século XXI. Ainda assim, são poucos os prós para que este novo massacre se distancie e se revele realmente necessário. Acaba soando mais como aquele caça-níquel que tanto temíamos, mesmo que o diretor Marcus Nispel (do horroroso “Desbravadores) surpreenda pela alta dose de violência e sustos até bastante eficientes. É uma pena então que tudo soe nocivo e descartável, reciclado e até bastante implausível.

O roteiro se adéqua bem ao novo século na composição dos personagens e em suas caracterizações, que nesse tipo de filme se limitam ao óbvio. O filme abre com jovens à procura de maconha e mantém se até o fim provando a futilidade da adolescência americana. E é até sinicamente prazeroso ver como alguns chegam ao seu fim. Prazeroso e nojento, a julgar pela morte, já que Nispel não poupa a audiência com uma violência gráfica intensa e mortes realmente pesadas, algumas fazendo muito jus ao primeiro filme da série. “Sexta-Feira 13”, em termos, entrega o que deveria. Tem suspense, cenas de terror pesadas, sustos fáceis e outros eficientes e, claro, muito sangue. Mas como cinema deixa a desejar ao se tornar gratuito e irrelevante, sem consistência, desenvoltura ou sequer alguma agenda que vai além da mera satisfação ilusória de “apenas” jorrar sangue. A certo ponto, cansa.

Trazendo consigo a única virtude da tragédia de “Desbravadores”, Nispel imprime em “Sexta-Feira 13” um ótimo e maduro visual. Apesar da fotografia convencional, esta se torna exemplar em diversas cenas, aplicando o sombrio de forma sempre adequada. Mas se a estética prevalece, o mesmo não se pode ser dito pelo elenco, que afunda o filme numa artificialidade incômoda. Sem salvação alguma, todos os atores são inexperientes, ocos e inexpressivos, fazendo nada mais do que correr, gritar e arrumar briga uns com outros. E sim, fazer sexo ocasionalmente. Ou seja, o obrigatório. Mas talvez o que incomode mais é a postura de Jason Vorhees e a composição de seu personagem. Afinal de contas, convenhamos que o assassino não deveria ter uma composição sequer. Por todos seus 11 filmes ele se manteve na estupidez e na escravidão dos desejos de tua falecida mãe. Jason não pensa, ele age. Ele anda, mas pega quem ta correndo. É isso que ele faz. Não limpar evidências, mover corpos de lugar e se transformar em um serial killer contemporâneo. Tudo bem revitalizar a trama e os adolescentes ao novo século, mas não tem como revitalizar um doente mental com nada na cabeça e assassinato nas veias.

Então o novo “Sexta-Feira 13” é uma adequada fita de terror que não passa de entretenimento nulo e barato. Seu efeito não dura nem uma noite e diverte enquanto pode – da mesma forma que provoca dores de cabeça. Afinal, mesmo com um final divertidamente cínico como aquele, não tem como esquecer os tropeços imperdoáveis de um roteiro pedestre e uma direção esteticamente preocupada mas narrativamente estilhaçada por desafios altos demais para um diretor como Nispel. O filme então torna-se uma sequência descartável e apenas “mais um” filme de terror no pedaço, ainda que injete um tipo de sangue mais forte na veia do gênero, o sangue não é novo, e pode provocar reações alérgicas dependendo da audiência.

Nota: 5.0

Friday the 13th (2009)
Direção:
Marcus Nispel
Roteiro: Damian Shannon, Mark Swift, Mark Wheaton, baseado em personagens de Victor Miller
Elenco: Jared Padalecki, Danielle Panabaker, Amanda Righetti, Travis Van Winkle, Aaron Yoo, Derek Mears, Jonathan Sadowski, Julianna Guill
(Terror, 97 minutos)


Responses

  1. Uau! Maior nota que eu já vi pra esse filme … ^^

  2. Essa onda de remakes caça-níqueis serve para pelo menos uma coisa: as pessoas que não viram o original irem atrás dele, antes de ter o conceito da obra arruinado pela provável ruindade da “reimaginação”.

  3. Nem me dou muito ao trabalho de ver esses filmes… hjehehehe

  4. Assisti recentemente à “Desbravadores” e, realmente, o Nispel é um diretor que, no que diz respeito à concepção visual de suas obras, é muito bom. Tinha lido até bons comentários sobre este novo “Sexta-Feira 13”, mas logo as opiniões voltaram à normalidade. O seu texto mostra justamente aquilo que eu imagino que esta obra seja.

  5. Vou discordar de você, Wally. Dei ao filme um 8 com louvor. É tosco, pobre, sem originalidade, dirigido e atuado displicentemente. Mas são justamente esses elementos, bem definidos e assumidos, que definiram a série. Este aqui, por ser o mais tosco e sem originalidade entre os mais recentes, é o meu preferido! ;)

    Abraço!

  6. Filme terrível, não consegui sequer achar alguns pontos positivos para dar um 5. Sinceramente, eu acho o Jason risível (desde o início da série lá pelos meados de 1980) e já esperava repetir a dose, neste que conseguiu ser o pior de todos.
    Nota:1,0
    Abraço, Wally!

  7. […] Vilão Derek Mears (Sexta-Feira 13) Dwayne Johnson (Agente 86) Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)* Jonathan Schaech (A […]


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