Publicado por: Wally | Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Viagem ao Centro da Terra – O Filme

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Depois de algum tempo seguindo a morte de seu irmão, Trevor Anderson decide, em certo fim de semana com seu sobrinho, que irá atrás de onde seu irmão foi quando morreu. Isso o leva à uma descoberta inimaginável de um mundo subterrâneo que o leva ao centro da Terra, um lugar de elementos fantásticos e criaturas perigosas.

A recepção da crítica quanto à “Viagem ao Centro da Terra” nos Estados Unidos foi surpreendentemente positiva, levando em conta a tendência de filmes levianos como este de serem massacrados. Ao assistir ao filme, não entendi a recepção. Fraquíssimo, o filme de estréia de Eric Brevig não empolga. Brevig, por sua vez, já foi indicado duas vezes ao Oscar por suas colaborações técnicas nas áreas de efeitos especiais, o que instantaneamente explica sua presença por trás das câmeras nesta adaptação demasiadamente ingênua do livro de um visionário Julio Verne. “Viagem ao Centro da Terra” foi, na verdade, concebido para ser uma atração, e não exatamente para ser cinema. O filme foi lançado na terra dos gringos em formato tridimensional, para ser rodado em cinemas que possuíam o artifício de apóio aos “revolucionários” filmes em três dimensões. Em 3-D, o filme deve ser uma atração bastante divertida, e nota-se durante a sessão como alguns objetos são inclinados a serem “jogados” no rosto do espectador. Mas ao contrário de outro filme lançado no formato 3-D nos Estados Unidos, o ótimo “A Lenda de Beowulf“, o filme de Brevig falta um roteiro que empolgue, confiando demais nos atributos de “atração”, e confiando pouco demais nos elementos básicos que compõem cinema de verdade.

No formato definitivo em 3-D, o filme chegou a pouquíssimos lugares no Brasil e, obviamente, em DVD ninguém terá a oportunidade de conferir a experiência verdadeira da “atração”. Por isso, não o recomendo, tendo o conferido no formato caseiro e terminado a sessão bastante insatisfeito. O filme não é de todo um fracasso. Possui um senso de aventura (ainda que falte um de magia), e algumas cenas descompromissadamente divertidas. É, no entanto, muito pouco para um filme que falhe em tantos outros aspectos. Temos os habituais estereótipos acompanhando o roteiro, seja o adolescente revoltado que logo começa a se divertir, ou o protagonista desajustado que vai se revelando mais competente ao longo da jornada. E ainda temos, claro, os clichês românticos (tinham que beijar no final!) e aquele humor incrivelmente forçado.

No elenco, encontramos pouca colaboração. Quem protagoniza é Brendan Fraser (Ligados pelo Crime), que já oficializou sua pinta de herói brutamonte depois de três aventuras de “A Múmia” e a mantém nesta nova aventura, ainda que esteja nada expressivo e caindo nos exageros. Já o ótimo Josh Hutcherson, que se revelou como um talento a ser confiado depois de “ABC do Amor” e “Ponte para Terabítia”, pouco envolve com seu personagem típico. Mas ainda revela ter um carisma incontestável de bom ator, a ser compensado futuramente, pelo bem do nome dos atores adolescentes, que caem em desgraça depois de projetos talentosos (vide Haley Joel Osment). Anita Briem, a personagem feminina, tem pouco a oferecer.

O filme vai funcionar para os menos exigentes ou então, para quem tiver a oportunidade para conferi-lo em seu formato tridimensional (o que, a esse ponto, é bem improvável). E de pensar que, há alguns anos, um cineasta independente chamado Paul Chart, apaixonado pela obra de Julio Verne, escreveu um roteiro e ficou cotado à cadeira do diretor. Mas a maldição bateu à porta, ou seria… Hollywood bateu à porta. O desejo por um filme em 3-D afastou Chart do projeto, que temia que o artifício condensasse a obra de Verne. E, com o roteiro de Chart em mãos, o reescreveram dando ênfase nos atributos que funcionariam na experiência tridimensional. E temos, portanto, o filme hollywoodiano, falho, bobo e descartável de agora. E de pensar em como poderia ter sido uma adaptação fiel e empolgante das idéias de Verne. Impossibilitado, claro, pela habilidade execrável de Hollywood em destruir conceitos à invenção de outros. Invenções essas cujos intuitos se revelam meramente comerciais. Então, ainda que “Viagem ao Centro da Terra” tenha algumas virtudes na parte técnica e momentos divertidos isolados, falha como cinema, oferecendo um exercício em tolice para quem entra numa sala de cinema não para conferir a última atração, mas o último filme.

Nota: 5.0

Journey to the Center of the Earth (2008)
Direção:
Eric Brevig
Roteiro: Michael D. Weiss, Jennifer Flackett, Mark Levin, baseado em romance de Jules Verne
Elenco: Brendan Fraser, Josh Hutcherson, Anita Briem, Seth Meyers
(Ficção, 93 minutos)

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Responses

  1. O filme funcionou bem como passatempo, mas é óbvio que este tipo de película está cada vez mais gasta e pode ser considerada altamente dispensável. Os efeitos visuais são horríveis, o que eu achei de melhor foi mesmo o roteiro, adaptado de uma obra admirável de Julio Verne. Acabei conferindo apenas no DVD, não quis arriscar no cinema, já que a grande atração na tela grande era a possibilidade de ver em 3D e aqui onde moro não dispuseram deste recurso.
    Nota: 5,0 (a mesma)
    Abraço!

  2. Nunca me interessou e agora menos ainda…^^
    Obrigado!

    Abraços!

  3. Caraca, nota 5.0 – ! 0.0 é muito ?

  4. Nota 5.0 ?
    Achei muito !
    ahauahuahuaha*
    0.0 é muito ?

  5. queria mto te-lo visto em 3D, mas vi no cinema uma copia tradicional 2D. nao achei mt graça pq o roteiro nao é nda interessante, mas nao chega a ser pessimo. acho q vale a pena mais pelos recursos tecnologicos sem contar q o fraser é um pessimo ator. em compensao o hutcherson é mto fofo, principalmente em little manhattan.

  6. Esse eu só gostaria de ver nos cinemas por causa do 3D. Sua magia deve se perder por completo no meu monitor de 14″

  7. Pena que nem todas as salas do Brasil seja de sessões em 3D, porque assistir o filme com isso já é desagradável e sem é uma merda…

  8. O melhor elemento deste filme, sem dúvida, são os efeitos visuais. Mas, acredito que a visita ao filme perde muito se a gente não o assiste em formato 3D.

  9. Se no DVD tivesse o efeito 3D no DVD, com os ôculos e tudo, talvez veria e seria um filme bem interessante! ;)

  10. Tinha essa impressão que você confirmou no último parágrafo, ou seja, que “Viagem ao Centro da Terra” deve falhar como cinema, apesar do espetáculo visual – e meu único interesse é justamente esse, visto que os efeitos foram pré-selecionados para o Oscar.

  11. achei muito bom o filme nota 1.000


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