Publicado por: Wally | Sábado, Fevereiro 7, 2009

Hancock

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Desleixado e despreocupado, Hancock é um super-herói com habilidades infinitas, mas gera estrago sempre que tenta ser heróico. Álcoolatra e preguiçoso, sua imagem com o público está queimada. É quando surge Ray, um relações públicas que tenta levar Hancock de volta ao topo, vencendo o público novamente. Mas a conexão que este estabelece com a mulher de Ray inicia um dilema cuja repercusão abalará a todos.

Em “Hancock”, somos apresentados a uma premissa das mais absurdas – e por isso mesmo se apresente com um teor cômico mais elevado – sobre um super-herói que, indiferente às suas habilidades especiais, salva a cidade do perigo ao mesmo tempo em que espalha seu próprio caos e estrago, graças à sua preguiça mortificante e seu consumo nada moderado de álcool. O filme então poderia seguir por dois rumos. Um deles seria a total descontração, levando a premissa a pretensões apenas cômicas. O outro seria de realmente capturar a catarse que teria um super-herói como este no nosso mundo. Os roteiristas optaram por embarcar em ambos os rumos, e talvez por isso tenha resultado – muitas vezes – em resultados irregulares. Enquanto o clima cômico persiste, vemos que os roteiristas movem com uma necessidade de empregar seriedade à história e, se não fosse pelo balanço atmosférico do diretor Peter Berg (O Reino), que consegue estabelecer uma espécie de equilíbrio, o filme não teria tido algum êxito narrativo. Felizmente, porém, apesar das falhas, “Hancock” é divertido – e interessante – o suficiente, para funcionar, mesmo que seje apenas como entretenimento.

Em sua primeira metade, o filme foca mesmo o lado cômico a ser extraído da premissa, com cenas de humor cercando as irresponsabilidades do personagem título e seu efeito desastroso sob a sociedade. É até divertido, principalmente com o apoio de Jason Bateman (Juno), cujo personagem nos conquista rapidamente e com uma maior facilidade que Will Smith (Eu Sou a Lenda), ao começar compondo seu Hancock como um ser extremamente irritante. E assistir à transformação do personagem é também bastante proveitoso, ao passo que apresente pequenas e leves reflexões sobre a necessidade de um herói e o papel deste na sociedade. A partir deste momento, porém, de total leveza cômica, o filme muda de foco – e de clima – se tornando um filme bem menos humorado e mais sério, quando entra em cena uma personagem que traz a tona um perigo imprevisível diante de Hancock. A transição pode assustar e a irregularidade torna-se inevitável.

Ainda assim, o filme mantém-se com uma energia especial e uma sofisticação visual e estilizada que é um deleite. Berg, que até hoje falta fazer um filme que chegue aos pés do seu excepcional “Tudo pela Vitória”, mantém o filme ávido meso quando o roteito se perde e iniciam-se nossos questionamentos nervosos e, obviamente, infundados, diante da falta de respostas. O elenco também consegue manter as coisas mais vivas. Além do ótimo Bateman, temos uma competente (e quase irreconhecível) Charlize Theron (No Vale das Sombras), que só não brilha mais porque tem em mãos uma personagem um tanto falha. Will Smith, com todo seu poder estrelar, não tem muito o que fazer, mas é um ator de presença, e não compromete. A válida química entre estes atores autentica diversamente o tom em vezes superficial deixado por Berg, que decide, ao fim, plastificar demais suas cenas. Tudo, porém, em pról da emoção, e o clímax é um espetáculo em manipulação e grandiosidade. Um espetáculo que, contradizendo as forças errôneas alí em desenvolvimento, acaba por funcionar estilizadamente.

Então, por mais que “Hancock” seja, na verdade, um amontoado de gêneros, pretensões e idéias extraviadas, Berg ainda consegue deixar a produção com ares de válido entretenimento, inserindo doses de adrenalina, força visual e charme humano na batalha de seus personagens que são tudo menos isso. Você sai questionando detalhes infinitos, perdido entre vários buracos. Mas o filme é bem isso – um pedaço de entretenimento imperfeito e cheio de neuras. Mas o fato é que “Hancock”, que apontava para todas as direções errradas, acabou me surpreendendo com as virtudes que em vezes sobressaiam às suas falhas. Seja na trilha genuína, nos atores muito bem escalados ou na direção energética de Berg, existe um bom filme aqui a ser encontrado, basta entreolhar suas derrapadas indignas.

Nota: 6.5

Hancock (2008)
Direção:
Peter Berg
Roteiro: Vincent Ngo, Vince Gilligan
Elenco: Will Smith, Jason Bateman, Charlize Theron, Jae Head, Eddie Marsan
(Ação, 92 minutos)


Responses

  1. Para mim este filme foi um engano na carreira de Will Smith, ainda que ele consiga passar um pouco da simpatia de sempre. Acho que você tocou num ótimo ponto ao comentar sobre a transição abrupta de gênero, pois “Hancock” começa num tom leve para terminar de maneira mais “compromissada”, tentando passar dramas que só mesmo o roteirista conseguiu enxergar.
    Um abraço!

  2. Não vi esse filme e nem pretendo. Só passei aki pra dizer q o seu heading de LITTLE CHILDREN está um arraso de lindo.Abs!

  3. recomendação pessoal minha: veja The Wrestler/O Lutador com o Mickey Rourke.

  4. O filme poderia ser bem menhor, mas despenca de uma vez na metade da projeção. O erro é a personagem de Theron. Will Smith não deveria fazer parte desse projeto arriscado. Só conseguiu perder se carisma conquistado por uma extensa filmografia… Abraço!

  5. É um filme interessante! Apesar de não parecer num primeiro momento…

  6. Wally, sei lá, esse filme parece meio “bipolar”, e nem sempre obras assim acertam o tom. Foi um grande sucesso, mas não parece muito interessante!

  7. Eu acho que “Hancock” só funcionou na sua primeira metade, especialmente por causa da ótima interação entre Will Smith e Jason Bateman. A partir do momento em que a personagem de Charlize Theron se revela, na minha opinião, o longa perde seu foco e vira uma obra regular.

  8. Acho que o maior destaque de “Hancock” é seu elenco, especialmente a Charlize Theron como você comentou. Mas achei muito falho na maioria de suas soluções, inclusive pela segunda parte totalmente desconexa da primeira. Para mim entrava entre os 20 piores do ano passado…

  9. Não gostei nem um pouco do filme. Nem sei pq assisti.

    Abraços!

  10. O filme é legal, gostei da sua opinião e concordo com ela.

  11. Acho um dos piores filmes do ano passado, uma boa idéia desperdiçada no meio de uma imensa pretensão em ser sério, quando bastava ser divertido.

  12. Wally, acho “Hancock” um bom passatempo, e só.

  13. Eu gostei bastante de “Hancock”. Mas esperava-se um filme ainda mais criativo vendo o grande investimento dos produtores na obra.


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