Publicado por: Wally | Terça-feira, Janeiro 27, 2009

1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer: 2007

Como leitor assíduo e cinéfilo de coração, fiquei automáticamente vibrando quando soube do livro1001 Filmes para Ver Antes de Morrer”, construído por colaboradores e críticos ao redor do mundo. Fiz a compra do livro neste mês e a leitura têm sido muito boa. Serve para relembrar de queridas obras e ainda introduzir aquelas desconhecidas por mim (e das quais preciso lutar muito para conferir, dadas as suas indisponibilidades). A questão é que o livro é muito eclético e decidi realizar, aqui no Cine Vita, um especial acerca dele. Visto como o livro é organizado em ordem cronológica, farei uma lembranças de todos os filmes mencionados por ele, abrangendo um ano por post, a ser publicado por semana. Começamos, portanto, com 2007: (em ordem de minha preferência)

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SANGUE NEGRO ” Give me the blood, Lord, and let me get away!”

♦ O épico “sanguinário” de Paul Thomas Anderson, fazem todos sangrar. Ao retratar a perversão de um homem, Anderson traça toda uma extraordinária viagem aos confins humanos, numa definição estarrecedora de maldade, no caminho trazendo subversão na imagem refletida da igreja e da própria nação estadunidense. Arquitetado com verdadeiro tour de force, o filme é uma mescla de virtuosidade. Uma fotografia densa com movimentos de câmera ousados, uma trilha sonora vibrante e audaz, e uma edição ágil e sofisticada se unem para construir uma atmosfera continuamente sombria. O filme reluz de sobriedade. Particularmente quando podemos testemunhar a ferocidade das atuações do elenco fenômenal. Daniel Day-Lewis reina como Daniel Plainview, o personificando com uma atenção à detalhes e uma furor incrível. Mas Paul Dano ainda arruma lugar para brilhar, e está quase tão soberbo. Sua atuação como um pastor é de cair o queixo. Alias, toda a experiência de testemunhar uma obra tão única como “Sangue Negro” faz seu queixo cair. O filme de Anderson é digno do cinema clássico, trazendo consigo todas as virtudes que tanto fazem da sétima arte um verdadeiro primor. Então depois de pouco mais de duas horas e meia de puro êxtase em celulóide, reserve um tempo para a ponderação, porque “Sangue Negro” te manda para fora transtornado e sim, transformado, com suas implicações psicológicas e suas visões sobre nossa sociedade, sobre a fé e sobre a capacidade do homem quanto ao mal. Fantástico!

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There Will Be Blood, de Paul Thomas Anderson
Roteiro de Paul Thomas Anderson, baseado em romance de Upton Sinclair
Elenco com Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Dillon Freasier, Ciarán Hinds, Russell Harvard, Kevin J. O’Connor, Kevin Breznahan
8 indicações ao Oscar (vitórias sublinhadas):
Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Ator (Daniel Day-Lewis), Fotografia, Edição, Direção de Arte, Edição de Som. (2)

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♦ DESEJO E REPARAÇÃO “Yes. I saw him. I saw him with my own eyes.”

♦ Os extraordinários feitos técnicos e artísticos do filme de Joe Wright, em sua tamanha contribuição e imensa articulação da história, não seriam nada sem que sentimentos verdadeiramente genuínos tivessem sido depositados. E o conto de paixão, perdão e guerra retratado é um tratado com uma sofisticação maravilhosa não só pelo meticuloso roteiro, ardente em emoções e construções fiéis de personagens, mas pela apaixonante e apaixonada direção de Wright, que dirige com um gosto de poesia e um olhar único à emoções. Com belíssimos cenários e figurinos, uma atmosfera de suntuosidade maravilhosa e uma fotografia das mais deslumbrantes, toda a expierência é um colírio para os olhos. O casamento então entre visual e trilha, com composições brilhantes e carregado ainda por uma montagem genial faz da sessão cinema impecável. Uma perfeição repleta de sentimento, poesia e paixão, como refletido no soberbo plano-sequência na praia de Dunkirk. Ainda com um extenso e magnífico elenco, contando com uma dupla cheia de química nos ótimos Keira Knightley e James McAvoy, e atuações monstruosas de Saoirse Ronan, Romola Garai e finalmente, Vanessa Redgrave, numa participação das mais tocantes que pontua o momento crucial (e final) do filme. No fim de tudo, “Desejo e Reparação” é um ode ao amor da mesma forma que é um ode à beleza do cinema. Impossível conter as lágrimas.

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Atonement, de Joe Wright
Roteiro de Christopher Hampton, baseado em romance de Ian McEwan
Elenco com James McAvoy, Keira Knightley, Saoirse Ronan, Romola Garai, Vanessa Redgrave, Brenda Blethlyn
7 indicações ao Oscar (vitória sublinhada):
Filme, Roteiro Adaptado, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Figurino. (1)

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♦ ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ 
“And then I woke up.”

♦ Uma espécie de redefinição de faroeste, o novo e sombrio filme dos irmãos Coen é um denso retrato de um mundo consumido pelo pessimismo. É um ode à um velho tempo perdido (caracterizado pelo estilo de faroeste) e um lamento mortificante pela perda de valores da qual o tempo se tornou vítima. Meticulosamente construído, com uma edição incrível e uma fotografia genuínamente expressiva, a direção dos Coen é intensamente sincronizada, específica e articulam com uma extrema desenvoltura sequências de um primor exuberantemente irresistível. O roteiro, cheio de diálogos magníficos e impulsionado por uma caçada nada convencional tem no personagem assombroso e calculista de Anton Chigurh seu núcleo, que por sua vez é magistralmente interpretado por Javier Bardem, como um homem misterioso, frio e representativo de tudo que é o pessimismo, a chance e o destino. Ainda incluindo outros diversos personagens altamente fascinantes, o filme é interminávelmente impressionante, de suas implicações psicológicas à sua releitura dramáticamente sutil e metafórica da sociedade contemporânea. É uma obra inesquecívelmente forte e magistralmente realizada. Além de seus aspectos técnicos perfeitos, ainda encontra no elenco um forte inestimável. Um filme caracterizado pela sua reunião de virtudes das mais significativas.

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No Country for Old Men, de Ethan Coen e Joel Coen
Roteiro de Joel Coen e Ethan Coen, baseado em romance de Cormac McCarthy
Elenco com Josh Brolin, Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Woody Harrelson, Kelly Macdonald, Garret Dillahunt
8 indicações ao Oscar (vitórias sublinhadas):
Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Fotografia, Edição, Mixagem de Som, Edição de Som. (4)

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♦ NA NATUREZA SELVAGEM “What if I were smiling and running into your arms? Would you see then what I see now?”

♦ A poesia lírica, íntima e sensacional moldada por imagens extraordinárias e um texto dos mais fascinantes é o que marca neste filme belíssimo de Sean Penn. Baseado em uma história verídica, o conto de Christopher McCandless é do típo que marca e que toca, mas que nada seria sem um elo extremamente expressivo. E Penn e companhia oferecem este elo com uma desenvoltura sublime. Narrado sempre com atenção e nunca excesso, fotografado com um olho emocional magistral e composto por Eddie Vedder com uma densidade verdadeiramente impecável, ao imprimir em canções sentimentos e a verdadeira batalha interior do personagem principal. Personagem este que ganha um tratamento ótimo de Emile Hirsch, realmente submerso nas emoções de Chris, seguido de perto pelo extenso e igualmente incrível elenco, cheio de prazeres e pequenas emoções genuínas. O filme é todo um glorioso retrato de um garoto que desafiou a sociedade, partiu para a natureza e nos ensionou, no caminho, sobre o que é exatamente a vida, e onde reside a verdadeira beleza desta. A emoção ao fim é inevitável, o choro, contagioso.

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Into the Wild, de Sean Penn
Roteiro de Sean Penn, baseado em livro de Jon Krakauer
Elenco com Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Brian H. Dierker, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook
2 indicações ao Oscar:
Ator Coadjuvante (Hal Holbrook), Edição.

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♦ O ESCAFANDRO E A BORBOLETA 
“I decided to stop pitying myself. Other than my eye, two things aren’t paralyzed, my imagination and my memory.”

♦ A forma surpreendentemente inusitada com a qual “O Escafandro e a Borboleta” foi construído, com uma criatividade única e uma percepção cinematográfica quase surreal, quase torna-se a principal virtude desta obra que é uma espécie de revitalização do cinema. A direção emblemática de Julian Schnabel é extremamente meticulosa, repleta de nuances incríveis e minimalismos maravilhosos, e une-se à uma idéia fotográfica brilhante para contar uma histórias das mais belas de uma forma completamente atípica. A fotografia do filme é um elemento tão primoroso que só nos poderia ter sido presenteado pelos deuses da sétima arte, sincronizada impecávelmente na estrutura do filme por meio de uma montagem esperta e uma adaptação inteligente, fazendo fluir as palavras de Bauby sem que nenhuma delas perca o significado. O filme de Schnabel é uma viagem por emoções e sentimentos, lírico, subjetivo e altamente fascinante. Nos faz lembrar do poder do cinema mas também da força da vida, ao trazer consigo uma lição de vida que quebra qualquer paradigma, nos surpreendendo com a suntuosidade com a qual é retratada. Um filme para os séculos, mesmo que sua aura um tanto difícil demore um pouco a travar no coração de alguns. Mas assim travado, não tem como se desvincular da magia que é este filme magnífico.

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Le Scaphandre et le Papillon, de Julian Schnabel
Roteiro de Ronald Hardwood, baseado em livro de Jean-Dominique Bauby
Elenco com Mathieu Almaric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Marina Hands, Max von Sydow, Jean-Pierre Cassel
4 indicações ao Oscar:
Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição.

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♦ PIAF – UM HINO AO AMOR 
“You are my champion. I want you to be mine for life. Nothing existed before you. It’s all gone.”

♦ Uma inserção duvidosa tendo em vista outros filmes “maiores” de 2007, “Piaf – Um Hino ao Amor” têm suas falhas, mas não deixa de ser belo cinema. Sua gratificante e honrosa homenagem à pessoa de Edith Piaf, sua carreira e suas dores, é uma bastante especial, e movida com especial paixão pelo diretor, que desenha quadros do filme com uma desenvoltura bastante aplicada. Apesar da infortúnia mistura de épocas, uma montagem desequilibrada e um roteiro nem sempre dos mais bem estruturados, o filme é um espetáculo de fotografia, um verdadeiro colírio para os olhos. Não só isso, mas belos figurinos, maquiagem extraordinária e uma reconstrução de época excelente. Mas o maior triunfo de toda a obra, e o que a consagra como um evento inesquecível é a performance tour de force de Marion Cottilard, que traz a alma de Piaf às telas, ecoando paixão, amor e intensidade, numa atuação que é a mais pura definição de talento, submersão e assimilação. O feito de Cottilard é incontestável e seu efeito inevitável. Ela move o filme, e o cineasta, Dahan passa por cima das falhas para contar sua derradeiramente linda história biográfica de amor e pesar. Ainda que convencional e falho, o filme merece a reconhecida pelas suas virtudes sinceras e oportunas, mas mais ainda por Cottilard, que como Edith Piaf, agora nunca será esquecida.

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La Môme, de Olivier Dahan
Roteiro de Olivier Dahan e Isabelle Sobelman
Elenco com Marion Cottilard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Gérard Depardieu, Pauline Burlet
3 indicações ao Oscar (vitórias sublinhadas):
Atriz (Marion Cottilard), Figurino, Maquiagem. (2)

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Meu top 10 do ano:

1) Sangue Negro
2) Desejo e Reparação
3) Zodíaco
4) Onde os Fracos Não Têm Vez
5) Na Natureza Selvagem
6) O Escafandro e a Borboleta
7) Ratatouille
8) O Ultimato Bourne
9) 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
10) Juno


Responses

  1. Que baita lista, hein!
    Perfeita!
    Alguns só não estão na minha pois coloquei no ano passado.

    Abs!

  2. Ficou bom o TOP. Sangue Negro é uma obra-prima. A terceira do PTA.

  3. Também tenho esse livro, comprado ano passado. Muito bom mesmo, mas acho que será dificilimo ver alguns dos filmes mencionados. Aliás, a lista de 2008 é realmente um primor, filmes muito bons mesmo. Acho que desses eu só tiraria Piaf, já que não gostei tanto do filme, mais da atuação da marion. Aliás, seu top 10 é MUITO bom, muito parecido com o meu.

    Abraços cara!

  4. Bem, já comentamos sobre isso e adorei sua idéia, penso até em copiar (brincadeirinha, hehehehe). O ano de 2007 foi muito bom para o cinema (muito mais que 2008, já que vários candidatos oscarizáveis vem se revelando como pequenas decepções). Dos filmes que foram citados, estão por minha ordem de preferência:

    SANGUE NEGRO [10 ou 5/5]
    O ESCAFANDRO E A BORBOLETA [9.0 ou 5/5]
    DESEJO E REPARAÇÃO [9.0 ou 5/5]
    ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ [8.0 ou 4/5]
    NA NATUREZA SELVAGEM [8.0 ou 4/5]
    PIAF – UM HINO AO AMOR [8.0 ou 4/5]

    “Sangue Negro” é uma obra-prima do cinema, não hás dúvida, mas acho que faltou “Ratatouille”, o filme que realmente amei de 2007 – mas gostei de ver você dando destaque a “Zodíaco”. Meu top 10 ficaria: 1) Ratatouille; 2) Sangue Negro; 3) Zodíaco; 4) Conduta de Risco; 5) O Escafandro e a Borboleta; 6) Desejo e Reparação; 7) O Nevoeiro; 8) Zona do Crime; 9) Juno; 10) Tropa de Elite.

    alt. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias / Possuídos / Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

  5. Wally, minha mãe me deu o livro e passei minha viagem toda lendo. É, sem dúvida, um material magnífico com comentários de grandes pessoas.

    Mas algumas ausências e algumas inclusões chegam a ser ridículas! Tem As Patricinhas de Beverly Hills e não tem Dogville?? MEDO!

    Dos que vc citou:
    Sangue Negro: 10,0
    Onde os Fracos…: 9,0
    Desejo e Reparação: 8,0
    O Escafandro…: 9,5
    Piaf – Um Hino…: 6,5

    Abração!

  6. Bom, eu fiquei furioso por esse livro não ter “As Horas” em sua lista… Lamentável. Ainda assim é uma excelente leitura e muito bem estruturada em suas escolhas, mesmo que com falhas. Acho que o grande acerto do livro é fazer as suas escolhas baseadas no porquê de os filmes estarem ali. Não é porque eles gostam ou não, é porque cada um dos longas tem características que se sobressaem e que todo cinéfilo deve conhecer. Então, é um livro técnico e não de gosto pessoa. E isso é um grande acerto!

    Sua lista está impecável e mesmo que eu não goste tanto de “O Escafandro e a Borboleta”, acredito que ele seja um filme indispensável de 2007, especialmente por causa da belíssima técnica envolvendo direção, montagem e fotografia. Tirando ele, gosto muito de todos os outros que você citou!

  7. Muito boa a idéia desse especial e, para começar, tivemos uma lista excelente de filmes. Você só selecionou ótimas obras, as quais representam mesmo o que de melhor foi produzido em 2007, e que merecem mesmo ser vistas por qualquer pessoa, ainda mais pelos cinéfilos. :-)

  8. Sangue Negro é, realmente, uma obra-prima, e o melhor filme do ano. PTA se supera novamente, e Daniel Day Lewis simplesmente dá uma aula de atuação – na minha opinião, não tem pra A. Hopkins, nem pra Marlon Brando, ou Pacino, De Niro, Nicholson… a interpretação deste excêntrico, porém fabuloso ator (provavelmente o melhor atualmente) representou o limite máximo. Acima disso, só o próprio Daniel Plainview.

  9. Só não vi ainda o tão elogiado 4 Meses, 3 Semanas e 2 dias.
    O mais fraco dessa lista, na minha opinião, é Piaf, sustentado apenas pela atuação de Marion Cottilard e pelos aspectos técnicos, já que a montagem do filme não é das melhores e esperava bem mais desse trabalho.
    Sangue Negro e os que você destacou são impecáveis. 2007 foi um bom ano para o cinema.

  10. Que interessante essa idéia Wally… me diga uma coisa… vale a pena comprar o livro? Achei mega interessante!

  11. Wally, adorei seu especial. Aliás, já vi em livrarias este livro. E achei interessante, acho que irei conferir. Só quero dizer que tem muito filme que gosto bastante nesta lista bem caprichada.

    Beijos! ;)

  12. O livro está bem comentado, mas não vi ainda. Dos que vc selecionou, realmente tem ótimos filmes e concordo com Vinicius, 2007 está com melhores filme do que 2008 …

  13. O livro é uma grande Bíblia do cinema. Tenho que ver quase todos os filmes desse especial ainda…

  14. […] Ano anterior: 2007 […]


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