Publicado por: Wally | Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Amor e Inocência

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Uma biografia de Jane Austen, famosa romancista, retratando os tempos anteriores à sua reconhecida como escritora, quando batalhava o preconceito, lidava com as formalidades de família e negócios, e ainda se apaixonava secretamente por um jovem Irlandês.

“Amor e Inocência”, do competente Julian Jarrold (Kinky Boots – Fábrica de Sonhos), é do típo de filme que possui duas abordagens diferentes. A mais vantajosa é a de abordar o filme de uma forma descomprometida, visto que Jarrold e os roteiristas Kevin Hood e Sarah Williams (em seus trabalhos de estréia em longa-metragem) baseiam-se nas cartas de Jane Austen apenas para narrar, com muita leveza (ainda que com ocasional esperteza) sua transformação na Jane Austen como a conhecemos (como o próprio título original aponta). Em outras palavras, Hood e Williams não querem se aprofundar demais ou fazer um filme dramáticamente mais forte. O filme é um flerte com todos os temas que marcaram as adaptações das próprias obras de Austen ao cinema (vide “Orgulho e Preconceito” e “Razão e Sensibilidade”), mas nunca se liberta das limitações que vão sendo construídas. É bonito, bem feito, atuado com bastante competência e ressaltando ótimos pontos biográficos, mas nunca atinge um resultado obrigatório.

A segunda forma de abordar o filme seria a forma errônea, ao requerir peso, complexidade e mais ambição. O filme com certeza não é “As Horas”, e nem pretende ser. É inevitável lamentar que “Amor e Inocência” talvez pudesse ser mais gratificante, com um formato mais abrangente e libertário. Ainda assim, é uma obra virtuosa que merece sua própria atenção, dentro de suas próprias limitações. Jarrold fez um trabalho bastante admirável ao transpor à audiência diretamente os sentimentos específicos de Austen, algo bem delineado pelo próprio roteiro. Além disso, se sai vitorioso ao realçar a angústia particular da jovem que sofre ao não poder ter seu talento reconhecido como escritora, sendo subjugada aos padrões da sociedade em ser dona de casa, casando por status e dinheiro. É algo batido, mas no filme ganha um tratamento bastante plausível e genuíno.

Dois aspectos extremamente respeitáveis e incontestáveis neste filme são a parte técnica e, claro, o elenco. A fotografia luminosa é especialmente primorosa ao retratar planos, paisagens e a beleza natural dos locais. A direção de arte e o figurino, por sua vez, podem parecerem batidos e lembrarem demais o próprio “Orgulho e Preconceito” (possuindo até mesmo três peças do figurino literalmente idênticas), mas são bem realizados o suficiente para encantar. O elenco por sua vez, encontra na sempre promissora Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada) uma protagonista de peso e confiança. Hathaway tem carisma, charme e um talento em amadurecimento gostoso de se assistir. Ela faz sua Austen com uma segurança esplêndida. E ainda consegue construir ótima química com o igualmente talentoso James McAvoy (O Procurado). O trabalho ainda é pontuado por um elenco coadjuvante de bastante desenvoltura e presença, sendo o destaque Julie Walters (Mamma Mia! – O Filme), ótima. Ainda temos James Cromwell (Homem-Aranha 3) e Maggie Smith (Harry Potter e a Ordem da Fênix), sempre de grande peso.

“Amor e Inocência” não tem, portanto, uma força maior que poderia ter sido rendida tendo em vista a magnitude da personagem que retrata, mas é particularmente um bom e arrojado filme, com virtudes de sobra e um conjunto formulaico que se é compensado pelos atributos claramente engrandecedores da fotografia ao elenco. A chave é só não assisti-lo com grandes pretensões. O filme é sobre a transformação de Jane Austen, sua paixão, sua decepção e sua renúncia. E nisso ele é belo. Então é perceptível que não tenha sido tão reconhecido e tenha tido, por consequência, um lançamento direto em DVD no Brasil. Mas isso não quer dizer que o filme mereça ser esquecido. É falho, mas um filme de valores. Na mesmice atual, não é algo que se pode ser descartado.

Nota: 7.5

Becoming Jane (2007)
Direção:
Julian Jarrold
Roteiro: Kevin Hood, Sarah Williams, baseado nas cartas de Jane Austen
Elenco: Anne Hathaway, James McAvoy, Julie Walters, James Cromwell, Maggie Smith, Anna Maxwell Martin, Lucy Cohu, Laurence Fox, Ian Richardson, Joe Anderson, Leo Bill, Jessica Ashworth
(Drama, 120 minutos)

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Responses

  1. Às vezes fico um tanto decepcionado quando produções que tinham um grande potencial acabam se limitando ao lugar comum. Contudo, esse “Amor e Inocência” certamente não parece ser um filme a ser descartado, até pelo elenco de alto nível e contar uma bela história sem maiores pretensões. Espero ver em breve! =)

  2. Esse eu não vi no cinema, mas queria ter visto. Agora é ver em DVD.

  3. Tenho certa vontade em assistir este filme, mas não o fiz ainda. Seu texto me desanimou um pouco, mas ainda vou assisti-lo hehehe.

    abraços!

  4. Wally, gostei muito de “Amor e Inocência”. Não só por ser admiradora de Jane Austen. Aliás, o filme contou coisas que nem sabia sobre ela! A Anne está muito bem no filme, lembro que quando o filme foi lançado nos E.U.A., estavam cotando-a ao OSCAR. O James também está muito bem, acho-o um ator irresistível. rsrs. Minha nota para o filme é a mesma que você deu.

    Beijos! ;)

  5. Eu AMO a Jane Austen e eu AMO a Anne Hathaway. Mas eu NÃO AMO o filme, hahahahahaha. É uma delícia, bem articulado, doce… mas tem lá seus furos bem evidentes.

    E quero saber, em detalhes, o que achou de [REC]!!!

    Abraços, Wally!

  6. Nunca vi, mas tornei-me um grande admirador de Jane Austen. Já vi nas prateleiras da locadora e como antes não tenho muito interesse e conferir a fita. Assim que puder não deixarei passar, até porque romances de época.

    Abraço!

  7. Bonito, mas sem render vôos maiores – pelo que entendi da sua opinião, em resumo, é isso. Para se ver um filme assim, a pergunta é: tenho algum sábado chuvoso para aproveitar ou não? ;)

    Cumps.

  8. vi o trailer desse filme esses dias por um acaso qdo peguei um dvd pra assistir.. parece interessante e eu gostei mto do mcavoy em atonement…

  9. […] maior deleite seja, talvez, Anne Hathaway (Amor e Inocência) que, desde “O Diabo Veste Prada” vem demonstrando ser boa atriz. Aqui, porém, ela nos […]


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