Publicado por: Wally | Sábado, Janeiro 17, 2009

007 – Quantum of Solace

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Com o intuito de vingar a morte de sua amada, James Bond passa a tomar medidas extremas na sua busca pelos culpados, passando por cima de pessoas cujos intuitos maiores revelam um próprio desejo por uma fonte de energia importantíssima para o mundo.

Para deixar minha posição completamente clara, é necessário afirmar que não tive a oportunidade de conhecer o James Bond de antigamente, e tive que conhecê-lo por meio de Pierce Brosnan (Encurralados), cujos dois últimos filmes não me deixaram impressões boas. Isso sem mencionar como Brosnan encarava o agente com uma caricatura execrável. Foi surpreendente, então, encarar “Cassino Royale” com completo descomprometimento e sair da sessão em completo estado de extâse ao contemplar que o visto ali era um filme de ação complexo, inteligente e incrívelmente maduro. A abordagem de Daniel Craig (Renaissance), emotiva e intensa, do personagem, trouxe à ele uma humanidade incontestável, e sua paixão com Vesper Lynd um diferencial grandioso, sem contar meios para não só criar uma trama ainda mais elaborada e única, mas moldar o próprio destino do herói que, como o título americano intraduzível acusa, viverá agora sem o elemento do qual é necessário para fazer um relacionamento funcionar. Bond se deixou apaixonar e viveu a maior amargura de sua vida. Como revelado aqui, ele é agora um homem que não se deixará envolver, a não ser até caçar os culpados pela morte de sua paixão.

“Quantum of Solace” começa então com essa caçada fria por vingança. James Bond é agora um homem que comete erros por falta de julgamento em sua busca emotiva, não cerebral, pelos vilões. É mais um elemento humano muito bem empregado pelo hábil roteiro de Paul Haggis (No Vale das Sombras) e companhia, que ainda coloca em pauta uma questão socio-ambiental bastante interessante que nos marcará indefinitivamente no futuro. Então, o vilão principal não é dos mais interessantes, apesar da atuação competente empregada por Mathieu Almaric (O Escafandro e a Borboleta), mas seus planos soam não só interessantes, mas urgentes. Escritos com uma colocação admirável e uma originalidade bem importante. Então, apesar da aventura bater em ocasionais teclas repetidas, encontrar alguns buracos no caminho e apostar muito mais na ação do que na emoção (algo que não ocorreu no filme anterior), ainda se revela um filme de ação extremamente admirável não só ao cumprir sua promessa e entregar boas doses de ação e aventura, mas por ter em Bond um personagem bem escrito e nos conflitos centrais um alicerce perfeito com nossa própria sociedade.

Marc Forster (O Caçador de Pipas), por sua vez, tem que ser um dos mais ecléticos cineastas da atualidade. Um diretor com filmes dos mais variados gêneros na sua filmografia, passou por drama, suspense, comédia e chega agora em ação. Nunca estabelecendo-se na mesmice e tentando ser o mais provocador possível (veja “A Passagem”), Forster é um diretor bastante competente e que construiu aqui uma boa fita de ação. Tem momentos em que percebemos que sua compatibilidade com o gênero não é das melhores, como uma ou duas cena de ação não tão bem dirigidas quanto poderiam ter sido (claramente ajudada pelo diretor secundário que veio da série de Bourne), mas em outros momentos Forster usa sua criatividade para moldar algo que vai além da simples ação, exemplo da maravilhosa cena que se passa numa ópera. A sequência de ação ali, extremamente bem dirigida, fotografada e editada, é muito bela, e insere um espírito um tanto diferenciado à veia do filme.

O novo capítulo da longa série de James Bond (o número 22 para ser exato) segue então a revitalizada dada pelo capítulo anterior excelente. Apesar de ter caído em qualidade, ainda se mantém como entretenimento de primeira e, mais importante, bom cinema. Visualmente muito bem arrojado e contando com uma parte sonora impecável (incluindo ótima trilha sonora), tem todos os atributos necessários para se moldar um filme de ação competente. E consegue mesmo entreter. Olhamos, por isso, além da decepção do capítulo não se revelar tão emocionalmente forte como o anterior, e o abraçamos pela obra de entretenimento valiosa que é, repleto de boas idéias, personagens interessantes, trama inteligente e ainda um elenco muito experiente. Além de um ótimo Almaric e um Craig sempre no topo, temos participações mais do que especiais de Judi Dench (Notas Sobre um Escândalo), Olga Kurylenko (que não é só bonita) e Jeffrey Wright (Invasores). Todos os ingredientes para moldar então, um bom filme, e “Quantum of Solace” me convenceu plenamente. Além disso, mostra que a técnica de ação revolucionária da série de Bourne veio pra ficar no mundo da ação, mas não se prende somente à isso. O filme vale muito a pena, e tudo graças à coragem dos roteiristas e do próprio estúdio em sair da mesmice e dar uma nova cara ao personagem. Se não é o mesmo James Bond de antigamente, ainda é um James Bond bom e digno de nota.

Nota: 8,0

Quantum of Solace (2008)
Direção:
Marc Forster
Roteiro: Paul Haggis, Neal Purvis, Robert Wade
Elenco: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Almaric, Judi Dench, Giancarlo Giannini, Gemma Arteton, Jeffrey Wright, David Harbour
(Ação, 106 minutos)

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Responses

  1. Friendo, achei “Quantum Of Solace” bem decepcionante. E já digo logo de cara o maior problema: o roteiro. A história não é interessante, o desenvolvimento é confuso e nada empolga. Se não fosse por isso, o novo longa de 007 seria um ótimo filme, já que gostei bastante da ação e da trilha original do David Arnold.

  2. SORO: Trilha sonora boa. Locações e produção excelente como sempre na franquia. Sequências muito bem boladas e efeitos especiais de primeira.

    VENENO: Atuações medianas. Roteiro eclético, mas que não teve um grande final.

    Daniel Craig é sinônimo de “007 Le Parkur”. O anterior foi melhor.

    NOTA (0 a 5): 3,5
    ****

  3. Em comparação com seu antecessor Quantum of Solace é muito fraco, decepcionou demais. O roteiro é forçado, clichê e bestinha demais pra tantas locações.

    Abraços!

  4. QoS (apelido carinhoso) é considerado um filme de transição, onde só teremos a força do que é a saga de Daniel Craig no futuro. Mas por enquanto me agrada e muito e nem se esforçou muito para ser para minha pessoa, um dos melhores filmes do ano.

    Abraços

  5. Certamente é um bom entretenimento, Wally, pena que não vai muito além disso. Se no capítulo anterior a trama foi totalmente envolvente, o mesmo não ocorreu em “Quantum of Solace”, que impressionou apenas pelas cenas de ação. Abraço!

  6. Sou fã da séria mas ainda não assisti este último filme. A estréia de Craig no papel foi ótima.

    Abraço

  7. Para mim, “Quantum of Solace” é um trabalho inferior à “Cassino Royale”. O Marc Forster faz uma direção burocrática e o filme funciona mesmo somente em uma única cena: aquela em que Bond assiste a uma ópera e desbarata toda a organização do seu inimigo.

  8. Eu não gosto do 007. E assim como a Kamila, prafiro Cassino Royale. Algo é inegável: as cenas de ação deste ”Quantum” são maravilhosas…

    Abraços!

  9. Wally, faço minhas palavras as de Kamila e Kau, gosto mais de “Cassino Royale”. Mas este ficará em DVD.

    Beijos! ;)

  10. Um filme bom na ação e mediano no resultado final!

  11. Também achei o roteiro de “Quantum of Solace” confuso. Considero “Cassino Royale” um filme muito melhor.
    Não gostei de Daniel Craig no papel. Acho que James Bond virou um personagem frio demais, calculista, sem improvisação, sem charme nem humor. Prefiro Pierce Brosnan, na minha opinião o melhor Bond desde Sean Connery.

  12. os outros 007 foram uma merda,muito mentira o James Bond do Pierce Brosnan,no ultimo filme dele o carro fica invisivel….que merdaaaaaaaaaa…….O James Bond de Daniel Crag é o melhor,bem mais real,bem mais humano,e tem muito mais personalidade.No Casino Royale ele prova isso,o objetivo do filme foi mostrar um lado mais humano,ja no Quantum of solace é a continuação,mostra o que Bond quer fazer,o objetivo dele é casar os canalhas,e por isso não a razão para ter um sentimento no filme a não ser o que o proprio bond senti e a propria vingança…..Quantum of solace é um fim de um ciclo……É continuação do Casino royale….Por isso não tem tanta objetividade,o objetivo do filme é esse mesmo,por isso é tâo bom quanto o Casino royale….O casino royale é o sentimento e o quantum of solace é o desabafo desse sentimento.

  13. Daniel Craig cimenta o seu estatuto como 007. As sequências de acção estão muito realistas e bem feitas. Pontos menos: um argumento pouco trabalhado e a falta de um vilão à altura da saga.

    7/10.

    Abraço.


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