Publicado por: Wally | Terça-feira, Dezembro 30, 2008

Guru do Amor

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Pitka é um americano que, criado por gurus fora do país, retorna aos Estados Unidos com uma empresa de auto-ajuda, onde leciona, realiza palestras e espalha seu karma. Mas quando sua popularidade é ameaçada, se vê na obrigação de ajudar um jogador de hockey cuja vida amorosa anda ameaçada quando sua mulher o deixa por um outro atleta rival.

Mike Myers (Shrek Terceiro) é um ator que, aos poucos, foi conquistando seu espaço respeitável como comediante em Hollywood. E, em meio a série boba, mas ocasionalmente divertida de “O Agente Bond Cama”, criou um personagem inspirado com caras e bocas. Mas o comediante nunca conseguiu se consagrar como “ator”. Ou ao menos, não um “bom ator”. A série de “Shrek” deve grande parte do sucesso à sua voz do protagonista simplesmente incontestável, mas fora isso, como ator, não trouxe grandes exemplos. Seu novo projeto, o execrável “Guru do Amor”, coloca seu nome a sete palmos de vez, com o feliz fracasso de bilheteria e crítica, e prova que não, Myers ainda não é um ator, continua apenas um comediante. E, em seu mais novo personagem, um extremamente fraco e batido, incorpora alguém que é simplesmente uma junção de todos que já personificou na série do agente, só que dessa vez, aumentando as piadas sobre pênis e jogando insinuações sexuais para todos os lados. Deve ter aproveitado a oportunidade de ser um “guru do amor” para explorar ao máximo sua capacidade acefálica de fazer piadas sexuais. Nenhuma, porém, funcional.

Aqui ele faz uma figura cômica de um guru (com todos os exageros), adverso ao politicamente correto, mas sempre tentando enviar trocadilhos infames com suas lições de vida. Myers acerta na caracterização visual, e as caras e bocas, claro, estão todas lá. O problema de seu personagem é que lhe falta carisma autêntico e piadas genuínas. É tudo tão sujo e sexual que se torna tão irrelevante quanto desnecessário e, entre indiretas, insinuações e analogias, vamos aos poucos nos cansando tanto dele quanto do filme, cujo espírito de vivacidade vai dando lugar à morbidez fria de uma mediocridade sendo projetada. O visual do filme é muito colorido, cheio de vida e visivelmente bem orçado. Mas o utilizo deste como inspiração para realizar cenas boas de verdade são raros, para não dizer inexistente. Destaco o tapete mecânico e a viagem ao terceiro olho como os únicos momentos ao menos plausíveis de todo o filme, que brinca incansavelmente com a cultura indiana, mas pouco tem a dizer de verdadeiramente original e, como deveria pelo menos, de engraçado. Piadas são tacadas como os tomates deveriam ser tacados no filme, sem uma lógica certa e o enredo vai se desenvolvendo porcamente e cheio de inconsistências. Ainda que não seja o intuito do filme ser “plausível”, “coerente” ou “bem construído”, é preciso ter certa desconfiança de que piadas sexuais não são o suficiente para se construir um filme. É preciso, obviamente, certa noção.

Mas ninguém parece ter muita consciência do que está acontecendo. Myers brinca a todo tempo com a audiência com o mesmo tipo de humor cansado e seu personagem realmente não decola, tirando um ou outro tique, enquanto Justin Timberlake (Southland Tales – O Fim do Mundo) passa uma tremenda de uma vergonha como um francês com, aparentemente, um pênis gigante (que original…). Para fechar o elenco conhecido, a sempre inssosa Jessica Alba (Awake – A Vida por um Fio) já está construindo sua marca registrada na filmografia: filmes horríveis, e Ben Kingsley (Guerra S.A. – Faturando Alto) mais uma vez nos mostra o quanto caiu ou na desgraça ou na brincadeira de mau gosto, fazendo graça de Gandhi (e de si mesmo) com seu personagem besta. O elenco é todo culpado do crime. E, mais importante, nenhum deles se eleva à ocasião para tentar construir ao menos um momento do filme movido a talento.

Então, preparem-se para um pênis gigante, uma comida que se transforma, ridiculamente, no saco do órgão genital e uma transa repugnante de dois elefantes no meio de um jogo de ‘hockey’ (esqueçam a lógica). São os níveis ao qual o filme precisa se rebaixar para garantir o riso fácil. E talvez o único humor existente seja o proveniente de Mike Myers e, ainda assim, não de seu personagem, mas das cinzas que sobraram do agente atrapalhado que personificou três vezes já. Mas nem isso, o visual colorido e a trilha sonora divertida conseguem salvar o filme de si mesmo, que é um exemplo de contemporaneidade em Hollywood tão triste e repugnante que causa vergonha. Assistir ao filme garante paciência e, para apreciá-lo, falta de massa cefálica. Talvez sejam o que os roteiristas e o diretor estavam pensando quando tiveram a genial idéia de realmente lançar a porcaria que conceberam. Se eu tivesse um pingo de respeito, sentiria é repúdio.

Nota: 2,5

The Love Guru (2008)
Direção:
Marco Schnabel
Roteiro: Mike Myers, Graham Gordy
Elenco: Mike Myers, Jessica Alba, Justin Timberlake, Romany Malco, Meagan Good, Verne Troyer, Ben Kingsley, Omid Djalili, Jessica Simpson, Kanye West
(Comédia, 87 minutos)


Responses

  1. Wally, não há dúvida que “Guru do Amor” foi um enorme fracasso comercial e artístico para a carreira do Mike Myers, até porque muitos esperavam o retorno do grande comediante da década passada. Esse aspecto de apelar somente para piadas sujas e sexuais fez sua fama, mas parece que o público não está mais “comprando” essa idéia como antes – vide fracasso do “Zohan” do Adam Sandler (ainda que em menor proporção). E nem gosto de sequer imaginar essas situações que você citou no último parágrafo ;)

  2. O q mais me surpreende eh a presenca de Ben Kingsley no filme, q horror!!! Feliz 2009, Wally!

  3. Feliz Ano Novo, Wall-y!

    Grande abraço!

  4. Nem tinha ouvido direito nesse filme….

    feliz 2009 pra vc cara!

    Abraço!

  5. Esse eu não tive nem vontade de ver também!

    Um ano maravilhoso para você, Wally! Tudo de bom em 2009!

    Beijocas

  6. Nota 0 para esta porcaria e 9.6 para o Beleza Americana. E tenho dito…

  7. Opa,
    o ano nem acabou e eu já entrei em cena de novo! Depois passe lá no Eco, tem coisa atualizada…

    Bom Wally, teu fim de ano não parece ter sido muito bom em termos de filmes…
    rsrsrs
    Não sabia desse Guri do amor, mas que bobeirinha mesmo isso…
    Abraço, Feliz Ano Novo!

  8. Nunca achei graça em Mike Myers… acho que seu melhor papel foi no drama “Studio 54”.

    Um grande 2009 para você e sua família.

    Abraço

  9. É mais um daqueles nada … E tome rolo de fita!

  10. Este filme tem BOMBA escrito por todos os lados. Acho que é o grande favorito para o Razzies 2009!!!!

  11. Assino o que Vinícius comentou.
    Myers cometeu suicídio artístico, e o filme é tão obviamente sem graça que é incrível ter arrecadado o miserê que arrecadou.

    Os Razzies virão!

    Cumps.

  12. Wally, para ser sincera, não gosto de Mike Myers, nem do jeito que ele faz comédia. Pelo que vi em pesquisas, trailers e fotos. Passo longe deste filme. Que venham os Framboesas de Ouro!

    Beijos!

  13. Até simpatizo com “Quanto mais idiota melhor” e “Austin Powers”, mas acho esse cara muito tosco.

    Feliz 2009 amigo, tudo de bueno nesse ano que recém nasceu!

    Abraços!

  14. Wally, eu gosto bastante do Mike Myers como “Austin Powers”, morro de rir com os três filmes da série e seria muito bom se Myers conseguisse investir em mais um novo capítulo. Mas não o considero um grande comediante de cinema ou intérprete, ainda que muitos o elogiem em demasia com “Studio 54”. Desse filme devo manter uma grande distância.

  15. Eu gosto do Mike Myers, mas nesse filme ele tá totalmente caricato, forçado, o filme fica muito ruim. É totalmente apelativo! Justin Timberlake e Jessica Alba estão ali pra chamar o público, um pelo lado feminino e outro masculino, piadas horrorosas, me decepcionou demais.

  16. Não encarei esse ainda também.

    Feliz 2009 pra você!

  17. Boa tarde,

    Estou tentando montar um blog revista e por sorte encontrei a sua critica.
    Tomei a liberdade de montar um layout com a sua critica do filme “O assassinato de jesse james pelo covarde Robert Ford”, da uma olhada.

    Abraço,
    http://www.dvinci.blogspot.com

  18. Ah Wally, achei isso aí sofrível. Fui arrastado ao cinema para vê-lo e quase tive um infarto de raiva… CREDO!

    Abração!

  19. Wally, nem preciso ver pra saber que é trágico. Desses filmes eu passo longe… hehehe

  20. Myers já era …

  21. É incrível a capacidade que o ator Mike Myers tem de desperdiçar o tempo de sua platéia. Ate hoje a única coisa digna de nota que vi com ele foi Studio 54. No mais, é o tipo de bobalhão dispensável para qualquer indústria cinematográfica (seja nos EUA ou não). Ver O Guru do Sexo? Nem pensar! Eu não vi Borat (e olha que o Sacha Cohen sabe fazer rir!)

  22. Baixei esse filme porque Jessica Alba já está me dando nos nervos, não suporto mais ver bombas suas. Acabei nem assistindo, agora é que não assisto mesmo. Abraço!

  23. Morreu, foi?

  24. Wally, já li tanta coisa ruim sobre esse filme que nem me surpreendo, uahuah. E nem tenho mais vontade de assitir, acho que vou deixar passar.

  25. Eu sou corajoso, mas vc é um exemplo de bravura, de ser destemido! Não consigo achar graça nesse tipo de filme apelativo, acho que o meio termo é sempre a melhor opção quando uma trama tende pro lado cômico-erótico, vide Judd Appatow.

    Abraço!

  26. […] da carreira de Mike Myers foi o grande “vencedor” dessa edição do Framboesa de Ouro. Guru do Amor faturou os prêmios de pior filme, ator e roteiro. Paris Hilton também foi uma das maiores […]

  27. Gostei do comentário , bem construído , bom uso de vocabulários… mas o que tem de erro de portugues, meu chapa. Melhore isso e seus comentarios serão excelentes. É crítica construtiva, tá ?


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