Publicado por: Wally | Sábado, Dezembro 27, 2008

Sem Medo de Morrer

Diana McFee é casada e com filha. Mas quando encara o aniversário de 20 anos de uma tragédia de seu passado, é então obrigada a revisitar o momento que a marcou, a causando grandes transtornos na sua vida atual, seja com sua filha ou com seu marido, ao passo que seu passado começa a se misturar com seu presente.

Vindo de uma estréia simplesmente fenômenal atrás das câmeras, Vadim Perelman (Casa de Areia e Névoa) mostrou-se, há 5 anos, um diretor incrívelmente talentoso e excepcional ao articular emoções e sentimentos. No seu mais novo trabalho, ele infelizmente não repete aquele brilhantismo, mas ainda mantém algumas das virtudes que o consagrou. Trabalhando com um roteirista estreante, adapta de um livro um conto incrívelmente interessante que pode muito bem deixar perplexos a audiência menos atenciosa. A oscilação entre o passado e o presente da personagem não é sempre bem editado ou mesmo administrado pelo cineasta, mas ainda assim é compreensível. Ainda que, verdadeiramente, só descobrimos a verdade de tudo no belo ato final da obra que, apesar de ter um certo grau de absurdo, é poético e lírico nas suas sinceras intenções.

O filme inicialmente já chama atenção pelo belo visual, e nisso o destaque vai para a linda fotografia, que garante alguns momentos maravilhosamente bem filmados e retocados. Então entre cenas suntuosamente belas e outras trágicamente cativantes, vamos sendo envolvidos pouco a pouco pelo filme. A certo ponto porém, incertos sobre a direção de todo o roteiro e embaralhados entre o passado e o presente, a tendência é que acabamos por nos distanciar gradativamente da obra, criando uma sensação não muito morna entre espectador e personagem. Isso se agrava quando vemos como alguns acontecimentos no presente da personagem parecem acontecer sem muita relevância. São equívocos do roteiro que danificam um pouco nossa conexão com a obra, mas Vadim tenta tirar o máximo possível de poesia do filme, e atinge alguns momentos dignos e admiráveis.

O elenco do filme, por sua vez, faz um competente trabalho. Uma Thurman (Minha Super Ex-Namorada) está bem como protagonista, apesar de nunca realmente brilhar como esperaríamos. Quem brilha diversamente é a versátil Evan Rachel Wood (O Rei da Califórnia), encantadora e verdadeiramente talentosa, principalmente em um momento maravilhoso se passado numa cozinha. A dupla de atrizes nos convecem plenamente de poderem ser, respectivamente, o presente e o passado de uma mesma mulher. Além das duas, também gostei bastante de Eva Amurri (Galera do Mal), além de conter desempenhos razoáveis de Brett Cullen (Motoqueiro Fantasma) e uma pequena Gabrielle Brenna que não conseguiu me convencer muito, principalmente visto que suas atitudes desenhados pelo roteito soam sempre implausíveis.

A essência de “Sem Medo de Morrer” é uma belíssima, e o filme atinge uma certa esperteza inconfundível à seu fim, pegando uma tragédia a ala Columbine e transformando tal momento no ponto decisivo na vida de suas pessoas. Analisado como um todo, porém, essa essência se corrompe por algumas escolhas não muito perspicazes do roteiro, ou mesmo da direção de Vadim, que nem sempre consegue administrar a melhor oscilação entre passado e presente. Ainda assim, existe muito proveito a ser tirado daqui. Possui um bom elenco, uma estética maravilhosa, uma trilha muito oportuna de James Horner (As Crônicas de Spiderwick), além de ter inúmeras cenas gratificantemente intimistas, em contraponto àqueles momentos frios onde não entendemos muito bem as verdadeiras intenções da obra. Ocorre, ainda assim, um eqüilibrio entre os fortes e os fracos do filme, conseguindo garantir assim uma boa e admirável sessão. É recomendável por suas boas intenções e sua poesia lírica, que prevalece em meio à equívocos e escolhas errôneas. Merece ser encontrado.

Nota: 6,5

The Life Before Her Eyes (2007)
Direção:
Vadim Perelman
Roteiro: Emil Stern, baseado em romance de Laura Kasischke
Elenco: Uma Thurman, Evan Rachel Wood, Eva Amurri, Gabrielle Brennan, Brett Cullen, Oscar Isaacs, Jack Gilpin
(Drama, 90 minutos)

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Responses

  1. Pelo seu texto, pensava que darias uma nota maior ao longa. Gostei muito do que o Vadim Perelman mostrou no seu trabalho anterior e tenho curiosidade em conferir este novo filme. E incrível como a Evan Rachel Wood é sempre consistente nos filmes que faz.

  2. Eu gosto de “Casa de Areia e Névoa”, Wally, mas o filme não chegou a me impressionar tanto assim – acho que basicamente é uma fita de “elenco”, mas não admiro o trabalho do Perelman. Em relação a esse “Life Before Her Eyes”, tenho maior curiosidade por causa do elenco mesmo – pena que a Thurman não está tão bem. Abraço!

  3. Kamila, o filme agrada bastante, mas tem seus problemas. E Vadim fez muito melhor no seu trabalho anterior, não vá com muita fome ao pote. E, sim, Wood é sempre consistente!

    Vinícius, “Casa de Areia e Névoa” mecheu muito comigo. Acho o trabalho de Vadim nele poderoso e sutil. Mas, claro, o elenco é o destaque. Veja “Sem Medo de Morrer”, mas sem muita expectátiva. Talvez se surpreenda. Thurman está bem, só não brilha.

  4. Wally, ainda não vi este, só sei que ele teve uma recepção não muito boa nos E.U.A., mas se o achar logo na locadora que freqüento, verei.

    Beijos!

  5. Mayara, realmente o filme não foi bem aceito, e tem mesmo bastante defeitos. Mas me agradou com suas virtudes que, a meu ver, foram esquecidas pela crítica. Procure sim.

  6. [...] coadjuvantes majestosos de ambas Marisa Tomei (Guerra S.A. – Faturando Alto) e Evan Rachel Wood (Sem Medo de Morrer), que demonstram grande emoção e profundidade para caracterizações muito reais. São, em suma, [...]

  7. Oi Wallysson, eu vi o filme inteiro esperando que o final explicasse o que realmente aconteceu com a Diana. Acabou o filme e nao tive certeza do que realmente aconteceu com ela.
    Poderia me mandar por e-mail uma explicação lógica ?
    Não descrevi a minha duvida detalhadamente para evitar exploits.
    abraço

  8. Olá, tb não entendi o filme, o que realmente aconteceu com a Diana ? Achei que ela se culpava por ter dito pra matar a amiga, mas ao mesmo tempo ela sobreviveria a 4 ou 5 tiros no peito ?


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