Publicado por: Wally | Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Hellboy II – O Exército Dourado

Hellboy e companhia precisam voltar à ação quando, numa virada inesperada de eventos, o príncipe de uma antiga e longa legião de criaturas míticas rebela-se contra o acordo travado entre sua espécie e a humanidade, ameaçando reviver o Exército Dourado, uma linhagem de maquinas guerreiras mortais, lançando o exército contra a humanidade. Então, entre a reprovação do povo contra sua imagem, relacionamento instável e problemas emocionais, Hellboy se vê preso à obrigação de salvar o mundo novamente.

Num exemplo raro de seqüência, “Hellboy II – O Exército Dourado”, dirigido pelo visionário Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno), é um exercício imaginativo de cinema e um complemento formidável a todos os temas sugeridos tão bem no filme original. No primeiro arrojado filme sobre a criatura aparentemente demoníaca mas cheia de coração denonimada Hellboy, del Toro põe em mesa muitos dos temas dos quais se aprofunda com uma maior desenvoltura nessa sua continuação. Se no primeiro filme tínhamos ligeiros e tímidos encontros de Hellboy com o público, aqui sua imagem é finalmente lançada sobre a humanidade (provocando um caos esperado e também muito bem armado pelo roteiro). E se pressentiamos o grande amor entre Hellboy e Liz, neste filme tal relacionamento torna-se um dos grandes focos. Com o sucesso do primeiro filme, del Toro pôde também exercitar sua imaginação espetacular à uma escala muito mais grandiosa, e o que constrói com sua especial criatividade aqui é nada menos que merecedor de aplausos.

A escala do filme é, portanto, excepcional. Os aspectos técnicos nunca decepcionam e apenas impressionam, como numa seqüência sensacional que se passa num mercado cheio das criaturas mais bizarras que já se viu no cinema. Tudo fruto da mente de del Toro, que não conhece limites na sua especial construção de mitos, imagens e personagens. A maquiagem se torna, com isso, uma das grandes virtudes do filme. Meticulosa, original e em vezes até assustadora, lembra o maravilhoso trabalho feito no filme anterior do cineasta, o magistral “O Labirinto do Fauno”. E se estamos comparando técnicas, a direção de arte aqui é tão boa quanto, numa construção incrível de locais misteriosamente instigantes e fantásticamente imaginados. Ainda com alguns figurinos especiais, uma boa fotografia e um senso de humor estupendo, todo o clima de “Hellboy II” é de pura descontração, divertimento e muita adrenalina quando del Toro decide aumentar o volume da ação, e neste sentido, tanto os efeitos sonoros quanto os magníficos efeitos visuais merecem especial menção.

Del Toro cria, portanto, algumas cenas de ação muito interessantes do ponto de vista técnico e verdadeiros exemplos de entretenimento tendo em vista o impacto sob a audiência. O fantasioso aqui é elevado ao máximo e a criatividade não conhece limites. A composição de personagens, cenários, criaturas e desafios é sempre um deleite. Para eqüilibrar tudo isso, e mostrar o quanto é também um diretor apaixonado, del Toro trabalha muito em cima de seus personagens e suas relações. Aqui, não é só Hellboy e Liz apaixonados e sofrendo com os lances amorosos de um casal, mas um sentimento realmente divertido que brota de Abe Sapien (ótimo) à Princesa Nuada. Isso mergulho o filme diversamente num clima muito melancólico romantizado. Pode estranhar de início e causar até certa irregularidade, mas em síntese é um ótimo meio de descontração e no favorecimento de personagem à ação descerebrada. E é ótimo ver que alguns blockbusters ainda possuem a cabeça no lugar a ponto de não esquecer que precisa-se ter um roteiro também. E aqui o roteiro é bem trabalhado e bastante genuíno em seu sentimento, ainda que tenha defeitos superficiais.

“Hellboy II – O Exército Dourado” é por isso cinema de uma qualidade incontestável e um conto de fantasia da mesma forma que é uma história de amor, uma comédia eficiente e uma alegoria de moralidade e urgência global. O filme te faz rir, te emociona e te empolga. E é muito raro vermos tanto sentimento ser exalado de um único filme, ainda mais um que, na fábrica de Hollywood, tem como natureza esquecer dos elementos básicos que movem uma narrativa de verdade. Mas não esquecemos que del Toro é um diretor diversamente genial e primordial com sua imaginação para o cinema. E, ao lado do seu elenco bastante competente, que incluem Ron Perlman (Colapso no Ártico) impagável como Hellboy e Doug Jones (Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado) brilhante nos seus personagens diversos, temos uma obra em completa sincronia que pode em vezes cair no irregular ou no excesso, mas nunca esquece que cinema é muito mais que uma atração e puro efeitos especiais. A viagem aqui é sobre muito mais do que isso. Então, ao sair da sessão, ao contrário do que ocorre tantas vezes com blockbusters, desejamos que tenha sim mais uma continuação, apenas para vermos a mesma eficiência ser empregada novamente. E isso é refrescante.

Nota: 8,0

Hellboy II: The Golden Army (2008)
Direção:
Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro, baseado em série de HQs de Mike Mignola
Elenco: Ron Perlman, Selma Blair, Doug Jones, James Dodd, Jeffrey Tambor, John Alexander, Luke Goss, Anna Walton, John Hurt, Brian Steele
(Aventura, 120 minutos)


Responses

  1. Acredito que maior força de “Hellboy II” resida em sua produção técnica, uma vez que decepciona um pouco em matéria de cinema. Talvez minha opinião seja isolada uma vez que odiei o primeiro longa da série (esse é bem melhor, ainda que tenha suas falhas)…

  2. Ainda não assisti nem o primeiro, mas tenho um certo interesse…

    Feliz natal!

    abraços!

  3. Wally, dá para notar que essa sequência, assim como no longa original, tem uma parte técnica simplesmente impecável. E confesso que gosto demais do primeiro filme do personagem, uma das melhores adaptações de quadrinhos já realizada. Estou com “O Exército Dourado” e tentarei ver o mais breve possível.

  4. Ah, tenha um ótimo natal! Abraços!

  5. Adoro o primeiro filme.
    Esse ainda não vi, mas tenho muita vontade, se for divertido igual ao primeiro já vale a pena.

  6. Wally, inevitavelmente acabo preferindo o primeiro filme. Mas também, inevitavelmente, digo que este segundo é sensacional! Um espetáculo visual…

    Feliz Natal e ótimo 2009!

    Abração.

  7. Este 2º capítulo do Hellboy ainda não vi, mas passei, essencialmente, para te desejar um feliz Natal. Espero que cheio de alegrias, Wally.

    Abraço.

  8. Feliz Natal, Wally!! ;)

  9. Postagens a mil, hein?

    O filme é muito bom, a imaginação de Del Toro parece nao ter limites, mas sem esquecer de investir nas relações “humanas” dos personagens. Um filme de ação, recheado de monstros fantásticos, e que tem como uma das suas melhores sequencias, dois seres de outro mundo sentados, tomando cerveja e ouvindo uma música romantica, cheios de dor-de-cotovelo? Ja basta pra me conquistar.

    Abraços!

  10. Onde assino?

  11. Concord com você quando se refere ao frescor que este tipo de filme traz, “Hellboy 2” é bem isso: um belo passatempo para os momentos em que procuramos descontração. Mas, se pensarmos bem, o filme nem é tão bom assim… Eu reparei principalmente na maquagem e no efeitos visuais – a primeira categoria é primorosa. Como Kau disse, um filme espetáculo que capricha no visual, chegando à quase perfeição enquanto desempenha ete papel.
    Nota: 6,5
    Abraço!

  12. Nao gostei desse filme. Sou fa de quadrinhos e adorei o hellboy 1, mas o roteiro é muito bobo e previsivel, o filme apresenta situaçoes que é dificil de engolir, totalmente irreais e sem sentido. O proprio exercito dourado, nao exercia risco real nenhum para a humanidade. O filme foi uma grande decepçao para mim, estava esperando algo melhor que Hellboy I, e no fim é muito pior.

  13. Cinema fantástico, Del toro tem o poder.

  14. […] Melhor Vilão Derek Mears (Sexta-Feira 13) Dwayne Johnson (Agente 86) Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)* Jonathan Schaech (A Morte Convida para Dançar) Luke Goss (Hellboy II – O Exército Dourado) […]

  15. […] Melhor Vilão Derek Mears (Sexta-Feira 13) Dwayne Johnson (Agente 86) Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)* Jonathan Schaech (A Morte Convida para Dançar) Luke Goss (Hellboy II – O Exército Dourado) […]

  16. […] a eficiente direção de arte, a bela fotografia e uma trilha sonora belíssima de Danny Elfman (Hellboy II – O Exército Dourado). Mas, além de tudo isso, "Milk – A Voz da Igualdade" ganha especial força por […]

  17. […] a eficiente direção de arte, a bela fotografia e uma trilha sonora belíssima de Danny Elfman (Hellboy II – O Exército Dourado). Mas, além de tudo isso, “Milk – A Voz da Igualdade” ganha especial força por […]

  18. […] Guillermo Del Toro (Hellboy II – O Exército Dourado) falou um pouco sobre a adaptação de O Hobbit: "Andy Serkis, Ian McKellen e Hugo Weaving […]

  19. […] Guillermo Del Toro (Hellboy II – O Exército Dourado) falou um pouco sobre a adaptação de O Hobbit: “Andy Serkis, Ian McKellen e Hugo Weaving […]


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: