Publicado por: Wally | Sábado, Dezembro 20, 2008

Tudo por Ela

Mandy Lane é bela e a mais desejada de sua escola. Sua mistura de olhares inocentes, beleza esmagadora e virgindade aparente a deixa como uma deusa. É quando é convidada para uma festa de fim de semana em uma fazendo afastada com uma turma de adolescentes. Enquanto as festividades rolam, porém, pouco a pouco a turma começa a diminuir quando assassinatos tomam conta do divertimento, um pretendente à Mandy por vez.

Assumidamente um filme B, esta pequena surpresa de um slasher é uma refrescante inserção deste que é um dos gêneros mais desgastados e acabados com a overdose de títulos burocráticos e enfadonhos. “Tudo por Ela” não possui nenhum brilhantismo (à parte de seu comentário crítico delicioso ao fim), mas se distancia imensamente de filmes “comuns” do gênero, sejam estes filmes de fantasma ou de slashers. Na sua interessante estréia em um longa-metragem, o diretor Jonathan Levine emprega em “Tudo por Ela” uma aura que nos remete instantâneamente à filmes B do gênero, muito parecido com aqueles homenageados pela dupla Tarantino/Rodriguez em “Grindhouse”. Então, com seu estilo e ritmo “trash”, sua fotografia engenhosamente desbotada e rebuscada e sua edição corriqueira, “Tudo por Ela” nos lança num estilo de cinema esquecido mas bastante divertido levando em conta seu enredo. É a preparação da arena para um suspense realmente interessante e divertido de se assistir.

E, apesar de nunca realmente nos deixar tensos (tirando alguns valiosos momentos perto do fim), “Tudo por Ela” tem alguns méritos particulares que o torna único que decidem vir à tona em seu último ato. Até esse momento chegar, porém, temos poucos atrativos de verdade. Na verdade, as intenções verdadeiras do filme só se tornam claras finalmente perto de seu fim, onde entendemos claramente tudo que ocorreu com um clímax surpreendente e deliciosamente ácido. O comentário do filme acerca da juventude descerebrada de hoje é estupendo e implícito. Ao fim, porém, captamos um clima que só faltou mesmo alguém gritar “foda-se a juventude” para imortalizar a mensagem. E tudo isso é divertidamente irreverente, original e ácido demais para ser passável. É o que faz do filme a sessão interessante que é.

A sessão (curtíssima, por sinal) encontra no roteiro do também estreante Jacob Morgan inúmeros problemas de ritmo, plausibilidade e de diálogos, mas no todo o roteirista quer apenas mostrar a juventude a mais peversa, suja e descerebrada possível. Lembrando que, antes que qualquer ataque seja feito, as intenções aqui não são de generalizar, mas de criticar um certo típo de juventude que tem crescido revoltantemente ao longo dos anos. E nisso surge algumas camadas interessantes na obra que não podem ser mencionadas sem que o fim seja revelado. A personagem interessantíssima de Mandy Lane é uma das melhores que têm surgido no gênero e redefine o conceito de “vítima”, quase que como uma irônica atribuição dos danos provocados pela juventude retratada.

O elenco do filme é constituído de muitos inexperientes e eles em nada adicionam ao filme, fazendo até mesmo alguns momentos soarem artificiais demais. Mas a protagonista belíssima, Amber Heard (Alpha Dog), retrata bem sua Mandy Lane com as devidas emoções e expressões, sempre conferindo à ela o ar necessário. O resto, porém, é resto. Mas o que seria de um filme B sem um elenco trash, uma premissa estranha, uma execução louca e absurdas revira-voltas ao fim? E “Tudo por Ela” é exatamente isso. Tem suas exuberantes falhas e nota-se que, com uma idéia como essas, o roteirista poderia ter feito um trabalho bem melhor sem que sacrificasse a aura de filme trash, enquanto o diretor tenta, com ótima escolha de música, enquadramentos e estílo, entregar sempre grande personalidade à obra. E ele conseguiu. “Tudo por Ela” pode não ser um pedido certeiro, mas é uma recomendação válida. Principalmente em contra-ponto aos outros filmes do gênero pintando por aí.

Nota: 6,0

All the Boys Love Mandy Lane (2006)
Direção:
Jonathan Levine
Roteiro: Jacob Forman
Elenco: Amber Heard, Anson Mount, Whitney Able, Michael Welch, Edwin Hodge, Aaron Himelstein, Luke Grimes, Melissa Price, Adam Powell
(Suspense, 90 minutos)


Responses

  1. Fiquei bem curioso após sua crítica, Wally! Como já comentei outras vezes, ultimamente estou evitando produções do gênero, especialmente aquelas lançadas diretamente em DVD, mas a trama desse “Tudo por Ela” parece ser interessante. Enfim, quem sabe em breve eu confira…

  2. Wally, assisti 3/4 deste filmes, hahahahahaha. Não gostei nada do que vi e, pior, largeuei bem no último ato o qual, como vc disse, deve ser bom.

    Devo terminá-lo de ver… rs

    Abraços!

  3. Não conheço nenhum dos nomes envolvidos no projeto e isso já me deixa curiosa para conferir este “Tudo Por Ela”, apesar de não ser uma grande fã do formato em que o filme se encontra.

  4. Puxa, você tem escolhido filmes que eu nem sabia da existência! ;) Gozado. Mas acho este tipo de comportamento essencial, pois tomamos conhecimeto de obras pouco “visadas” pelo grande público – e ficamos vacinados delas ou não, hehehe. Eu tenho um sério problema com filmes assim, se ouço falar que sãruins ou mesmo razoáveis passo longe.

  5. GOSTEI MUITO DESSE FILME!!!O LUKE GRIMES TÀ UM GATO!!!!!

  6. O filme é ruim, um ritmo lento, não deixa o espectador em expectativa em momento nenhum. O final, que poderia ser interessante pela reviravolta, frusta pela maneira como foi conduzida, deixando-o sem sentido prático. Enfim, não aconselho a perder tempo assistindo.

  7. O filme foi bem legal.
    achei um pouco cedo para revelar o assassino,
    mas o final foi surpreendente!


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