Publicado por: Wally | Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Encurralados

Neil e Abby são um casal feliz, com empregos bem sucedidos e uma ótima vida familiar com suas pequena filha. Quando Neil parte, um dia, para uma reunião de trabalho, levando consigo sua eposa para outro destino, ambos são surpreendidos pelo surgimento de Tom, um homem misterioso que, ao seqüestrar o casal, parece querer muito mais que apenas dinheiro.

Quando “Encurralados” tem início, demonstra-se uma estrutura extramente típica, acopalada à diálogos batidos e personagens bastante superficiais. Não é até entrarmos no carro com seus dois protagonistas (o casal Neil e Abby) até percebermos que não se trata de um mero filme de seqüestro. O personagem de Tom, sério e intenso, surge escondido no carro e obriga o casal a fazerem coisas não comuns, nada usuais e que não nos remetem nem um pouco à fitas do gênero de mesmo teor. Entendemos o desespero do casal e, mais importante, somos sugados pela instigação proveniente do misterioso personagem de Tom, que não revela suas intenções (que por sua vez não parecem ser nada ortodoxas). Somos deixados uma alternativa única que é a de constatar que o vilão seria apenas um homem com sérios problemas de cabeça, enlouquecendo-se de vez (só isso para explicar o caso do dinheiro).

Mas em toda sua estrutura, que por sinal esconde algumas feias derrapadas, o filme não dá dicas e acabamos por nos manter ligados à sessão até seu fim que, satisfatóriamente, é incrívelmente inesperado. Não só isso, mas o roteirista William Morrissey guarda ainda uma outra surpresa (ótima!) nos últimos segundos de projeção, nos enviando para fora contentes, surpreendidos e reflexivos sobre assuntos dos quais não posso indicar sem dar dicas sobre a resolução da obra. Passada essa reflexão, porém, não podemos deixar nossa mente voltar a contemplar o filme, que começa a se revelar extremamente falho e cheio de pequenos (mas ultrajantes) furos. Problemas bem típicos em obras que, querendo tanto surpreender seu espectador, acabam deixando pontas soltas no meio do caminho. Ainda assim, não é nada como “A Estranha Perfeita”, filme de suspense que teve um final tão surpreendente que foi absurdo, incoerente e em nada plausível. O final de “Encurralados” satisfaz imensamente, só não podemos voltar atrás e contemplar o que foi feito. Ao invés de ser como obras do nipe de “O Sexto Sentido” e “Os Outros”, filmes dos quais revemos e apenas enriquecem em nossa mente, pela meticulosidade com a qual foram concebidos, o filme dirigido por Mike Barker (A Falsária) não é tão “perfeito” quando gostaríamos de pensar.

Até chegarmos ao desfecho, momento onde enxergamos os personagens plenamente, o caminho traz a tona alguns defeitos comprometedores, como certas superficialidades cercando momentos em especiais e atos de alguns personagens que, nem quando contemplados tendo em vista a verdade descoberta ao fim, soam plausíveis. Tais falhas nem sempre transparecem graças ao talento do trio principal de atores, todos competentes (e astros de alto nível que simplesmente não explicam a decisão do estúdio em enviar o filme direto para DVD nos EUA). Enquanto Pierce Brosnan (À Procura da Vingança) continua a me surpreender como ator (ainda que em menor grau, aqui), construindo seu personagem com certa intensidade e misteriosidade necessária. Gerard Butler (P.S. Eu Te Amo) captura todo o desespero de seu personagem dignamente e Maria Bello (A Múmia – Tumba do Imperador Dragão) consegue fazer sua personagem merecidamente complexa. Existe uma química entre eles palpável.

“Encurralados” é, no fim das contas, um suspense incomum, bem atuado e de fim surpreendente. Mas nada mais que isso. É o resultado satisfatório e plausível de nossas expectátivas ao adentrarmos o clima proposto pelo enredo, mas Barker falha grandiosamente ao deixar de usar o final para adequadamente enaltecer seu filme, apenas o servindo de surpresa obrigatória. O comentário ao fim sobre as fraturas do ser humano e a fragilidade de relações humanas é ótimo, mas não é carregado adequadamente, nem trabalhado com a devida atenção. Como se deixado à segundo plano, dando lugar ao entretenimento óbvio, que por sua vez tem na trilha sonora impotente e na edição desinteressante barreiras incontestáveis para nosso envolvimento completo com personagens e tramas. E, por isso, lamentamos as falhas  das quais “Encurralados” parece possuir em overdose, visto que seus elementos isolados ótimos o moviam a um potêncial bem maior. Infelizmente, porém, como o próprio roteiro, o diretor se limita. No todo, é um pedaço de cinema regular, que entretem, instiga e surpreende. E isso é o bastante.

Nota: 6,0

Butterfly on a Wheel (2007)
Direção: Mike Barker
Roteiro: William Morrissey
Elenco: Pierce Brosnan, Maria Bello, Gerard Butler, Claudette Mink, Emma Karwandy, Desiree Zurowski, Nicholas Lea
(Suspense, 95 minutos)


Responses

  1. Vi ao trailer desses filme, não me interessou muito não, mas confesso aqui que tenho certo preconceito com qualquer trabalho que tenha Pierce Brosnan no elenco, um baita canastrão …

    Até mais!!!

  2. Não tenho muito interesse neste filme, quem sabe furutamente…

  3. Gosto deste tipo de filme, que mesmo não sendo brilhante é um bom passatempo.
    E o elenco vale a conferida.

    Abraço

  4. Gostei do tema e acho interessante poder ver Maria e Gerald juntos… Ouvi comentários destruíndo o desfecho do filme, mas acho que deve ser coerente.

    Ótimo fds, Wally!

  5. Wally, meu único interesse nesse elenco é seu elenco, especialmente em relação à Maria Bello – se bem que ela vem errando no cinema ultimamente, basta lembrar de “A Múmia 3”. Não parece ser grande coisa por seus comentários, mas pelo menos elogiou o desempenho da atriz.

  6. Este filme parece ser a cara do “SuperCine” ou da “Tela Quente”. Vou deixar, portanto, para assistir quando eles passarem na TV. :-)

    Mas, o elenco é até interessante!!!! Gostei dos nomes envolvidos no projeto.

    Bom final de semana!

  7. Eu detesto coisas que envolvam Pierce Brosnan em papéis centrais – eu tinha uma raiva substancial da série 007 até o Daniel Craig surgir (já deu pra imaginar porque). Eu já o vi nas prateleiras da videolocadora que frequento, mas coragem que é bom pra alugar, nada. Também estou saturado de Maria Bello (pós Múmia) e Butler (pós P.S Eu te Amo).
    Abraço!

  8. Eficiente entretenimento este Encurralados. Aquele tipo de filme de suspense que vai prendendo a atenção e o final apesar de um tanto simplório não estragou toda a tensão criada.

  9. […] de conhecer o James Bond de antigamente, e tive que conhecê-lo por meio de Pierce Brosnan (Encurralados), cujos dois últimos filmes não me deixaram impressões boas. Isso sem mencionar como Brosnan […]


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