Publicado por: Wally | Terça-feira, Dezembro 9, 2008

Ensinando a Viver

David sempre foi um imaginário e solitário ser, desde sua infância. E, hoje adulto, é um bem sucedido escritor graças a sua imaginação. Após alguns anos seguindo a trágica morte de sua noiva, ele decide finalmente adotar o filho que sempre quis. David encontra em Dennis, um garoto que acredita realmente ser um marciano enviado à Terra, certa identificação.

O leve (talvez até demais) filme de Menno Meyjes (Max) sobre o encontro entre duas pessoas distintas e ao mesmo tempo tão semelhantes toca em notas certas e, em síntese, possui uma bela mensagem. A história sobre um homem sozinho que encontra em um garoto recluso e distante uma escolha de adoção certeira possui ótimo sentido, e versa muito sobre nossa capacidade de sermos estranhos em nosso próprio mundo quanto à nossas relações com outras pessoas, ainda tocando muito bem no fator paternidade. “Ensinando a Viver” possui tais virtudes reconhecíveis em sua história simpática e em momentos até mesmo bonita. O problema de tudo é o quanto Meyjes restringe toda a força da história a cenas que beiram o simplista, limitando assim a própria força dramática do filme, que falha tanto ao decolar quanto em nos afetar.

O que salva muito do fator “emocional” no filme é o elenco experiente e talentoso. John Cusack (Guerra S.A. – Faturando Alto), mais uma vez emplacando uma performance paterna (teve uma elogiadíssima atuação em “Nossa Vida Sem Grace”, previsto para lançamento exclusivo para locação ainda neste mês), está muito confortável no papel e traz bastante autenticidade à figura retalhada de David, que anseia por uma ligação afetuosa ao mesmo tempo que a teme. Ao seu lado, o pequeno Dennis, personificado por um limitado ainda que convincente Bobby Coleman (Amigas com Dinheiro). Ainda no elenco temos admiráveis desempenhos de Joan Cusack (Guerra S.A. – Faturando Alto), Amanda Peet (Arquivo X – Eu Quero Acreditar), Sophie Okonedo (Alex Rider Contra o Tempo), Oliver Platt (Casanova) e Anjelica Huston (À Procura da Vingança), mas todas atuações contidas e de papéis limitados. Cusack e Coleman, por sua vez, conseguem bolar uma boa química entre si, o que ajuda consideravelmente a estabilidade dramática do filme, principalmente no clímax da obra, momento que deveria ser o pique emocional do filme, mas que se limita a apenas abraçar valores impostos e concretizar um desfecho bastante previsível.

Então por mais que guarde grandes e boas intenções, o projeto é tímido demais para abraçar a audiência completamente. Haverá quem se envolverá fácil com os bons personagens, mas falta um recheio a mais ou pitada mais picante de emoção para realmente afetar. Cusack e Coleman entregam algo à mais ao núcleo, mas o roteiro (que tem seus próprios tropeços de narrativa) nunca é completamente dissecado por Meyjes, que realmente limita o trabalho a emoções fáceis e previsíveis, contundentes mas ainda assim insatisfatórias.

A trilha sonora encontra alguns deleites no meio do caminho, como a brilhante “Don’t Be Shy” de Cat Stevens, mas no geral as composições beiram o comum. Como o próprio visual, que não utiliza do conceito “marciano” para criar algo mais criativo, caindo na mesmice. Para quem não pede muito, porém, “Ensinando a Viver” pode ser um deleite, e uma sessão leve e divertida. Não vi nada dinâmico o suficiente para me divertir e no geral, apenas a dupla principal que me cativou, mas as intenções são sim honrosas e filme mereceria uma recomendação simplesmente pelos temas dos quais são versados pelo simpático roteiro. Mas nem tudo é bem direcionado e o resultado final não permanece. A impressão que fica é de que a intenção do diretor em deixar seu filme leve foi aos extremos e deixou um resultado um tanto nulo. Ainda assim, “Ensinando a Viver” possui qualidades que não devem ser descartadas. Uma pena que a sessão não vive à expectativa que acabamos criando.

Nota: 5,5

Martian Child (2007)
Direção:
Menno Meyjes
Roteiro: Seth Bass, Jonathan Tolins, baseado em livro de David Gerrold
Elenco: John Cusack, Bobby Coleman, Amanda Peet, Sophie Okonedo, Joan Cusack, Oliver Platt, Anjelica Huston, Richard Schiff
[Drama, 106 minutos]


Responses

  1. Acho que esse “Ensinando a Viver” até tem boas intenções, mas não é apenas disso que um grande filme é feito. A trama tinha tudo para dar certo, mas acaba um tanto irritante. Enfim, só gostei do John Cusick, que sempre vai muito bem até em filmes ruins como esse.

  2. Num me agradei não pelo que falou!! hehehe

  3. O filme tem uma história interessante… nunca assisti, talvez deixe pra próxima…

  4. Depois que vi a bruta atuação de Cusack em Grace is Gone, ano passado, resolvi arriscar neste. Achei legal, bem legal… tem uma mensagem bonitinha. Mas não passa de 6,5.

    Inclusive, se encontrar Grace is Gone, dê uma conferida! Muito bom…

    Abraços, Wally!

  5. Não assisti ainda, Wally. E mesmo com o seu texto sempre tive um pequena curiosidade de vê-lo. Adoro o trabalho de Cusak. E até imaginava que esse não seria grande coisa…

    Abraço!

  6. Gosto muito dos filmes e dos personagens de John Cusack.
    Mesmo não sendo memorável, vou procurar assistir este.

    Abraço

  7. Parece que o John Cusack teve um ótimo ano de 2007, no que diz respeito à atuação. Suas duas performances, tanto em “Grace is Gone”, como neste “Ensinando a Viver” foram bem elogiadas. Apesar de suas considerações finais, este é um longa que quero assistir.

  8. Opa, mas que elenco caprichado! Não sabia que esse pessoal tava junto nesse filminho e aparentemente simpático.
    A ver, mesmo que seja inofensivo demais, pelos atores, e pelo diretor, roteirista de COR PÚRPURA.

    Cumps.

  9. […] Fracos Não Tem Vez) e, claro, com sua mãe, digna numa performance imperdível de Anjelica Huston (Ensinando a Viver). "Choke – No Sufoco" é, portanto, um filme de muitas virtudes. O problema maior, e o […]

  10. […] Fracos Não Tem Vez) e, claro, com sua mãe, digna numa performance imperdível de Anjelica Huston (Ensinando a Viver). “Choke – No Sufoco” é, portanto, um filme de muitas virtudes. O problema maior, e […]

  11. […] pelo Crime) e coadjuvantes de peso como Matthew Macfadyen (Morte no Funeral), Oliver Platt (Ensinando a Viver) e Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona). Eles adicionam vida ao trabalho muito bem editado, e […]


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