Publicado por: Wally | Quinta-feira, Dezembro 4, 2008

Três Vezes Amor

Quando surgem curiosidades relacionadas à amor e sexo, a esperta Maya de 11 anos questiona ao seu pai sobre o seu relacionamento com sua mãe, da qual está se divorciando. Will então conta a história de seus três amores e como elas marcaram sua vida, desafiando Maya a adivinhar qual foi sua mãe.

Ao lado do gênero do terror, as comédias românticas podem muito bem ser as mais saturadas no quadro atual do cinema. O novo “Três Vezes Amor” de Adam Brooks, que assina o roteiro e a direção, é um filme que chega para realmente nos informar de como o gênero está desgastado, mas também oferece um novo sopro às fórmulas, entregando uma charmosa história proveniente de uma premissa até bastante original. Na trama, Will Hayes (Renolds) é um consultor político que se vê na obrigação de contar à sua filha de 11 anos a história dos três amores da vida dele, e qual delas acabou se tornando a mãe dela. O filme já começa com uma acidez valiosa ao retratar a jovem de 11 anos, interpretada com carisma e talento estupendo por Abigail Breslin (provando que ainda tem muito a entregar para o cinema), saindo da escola indignada com sua aula de educação sexual, e as coisas absurdas que aprendeu (ou não). É nisso que Will percebe que chegou a hora. Inicia-se, com isso, uma narrativa fragmentada (e bem editada) retratando a vida de Will antes de se tornar um profissional sólido e seus encontros e desencontros com três beldades que, de uma forma ou de outra, modificaram sua vida. Interessante também que o filme nunca subestima nossa inteligência, como parece sempre acontecer com estas fitas, mas nos deixa suspensos no descompromisso até o fim não exatamente inesperado, mas gratificante, de formas inexplicavelmente doces.

O motriz é a atuação sincera e simples de Ryan Renolds, que da canastrice de “Blade Trinity” veio se revelando um ator com carisma e bagagem suficiente para atingir o estrelato. Esse ano, ele nos brindou com um surpreendente desempenho em “Número 9”, e agora volta com uma maior simplicidade e um maior descompromisso. Ele torna seu personagem automaticamente identificável e simpático, vencendo a audiência. O resto do elenco igüalmente não decepciona. Depois da já mencionada Breslin (ótima) temos uma Isla Fisher recompensadora, uma Rachel Weisz como sempre excelente e uma Elizabeth Banks que falha ao não nivelar com suas outras conterrâneas, mas ainda assim não compromete. Destaque merece ir mesmo à um inspirado e talentoso Kevin Kline. Todos os atores possuem o trabalho essêncial de tornarem toda a trama o mais genuíno possível, e saem bem sucedidos ao nos fazer acreditar neles. O desenvolvimento em si da estrutura do filme pode não reservar grandes atrativos e é evidente que a duração poderia ter sido menor, com a exclusão de detalhes irrelevantes, mas Brooks sabe conduzir sua história para que ela soe acreditável, e nisso o filme se saiu vitorioso.

O filme ainda ousa fazer um comentário eficiente sobre o realismo do amor e as situações diversas de relacionamentos ora imaturos, ora apaixonantes ou em vezes até mesmo dúbios. O que o filme atinge mesmo é retratar a sensação do amor como algo ambíguo e nada simplista, tornando-o muito mais interessante e, conseqüentemente, a realidade que cerca o protagonista. Todos elementos primordiais para tornar a história a mais agradável possível. Juntando-se isso ao estilo próprio designado pelo diretor e o bom editor, valiosa fotografia e identidade na trilha sonora ótima de Clint Mansell, e temos um filme que pode encontrar tons incertos, cenas inerentes e diálogos descartáveis, mas difícilmente falha ao nos agradar em simples questões de divertimento, identificação e prazer no descompromisso.

O longa, portanto, atinge o recomendável mais que muitos outros incansáveis longas presenteados pelo gênero. Alguns acusaram o filme de ser pretensioso e, abrindo um pouco os olhos, é notado mesmo certa confidência para todo o trabalho, refletido na longa duração. Mas estranhamente nunca prejudica. Nunca ficamos com a sensação de que o que está diante de nós está tentando demais nos fazer rir ou tentando demais ser inteligente. Quando rimos, é porque soou engraçado mesmo. E quando nos encantamos, é porque realmente o impulso romântico funcionou. Pode não ser o melhor do gênero, mas é um agrado bem louvável e admirável. Ele flui bem, ora com esperteza e ora com o já mencionado descompromisso primoroso e essencial. Não é um novo “Simplesmente Amor”, mas é uma boa história do amor, de suas vítimas, de suas conseqüências e, claro, de seus aliados. No caso, nós caros amantes do cinema.

Nota: 7,5

Definetly, Maybe (2008)
Direção:
Adam Brooks
Roteiro: Adam Brooks
Elenco: Ryan Reynolds, Abigail Breslin, Elizabeth Banks, Isla Fisher, Rachel Weisz, Kevin Kline, Derek Luke
[Comédia, 112 minutos]


Responses

  1. Achei um filme água com açúcar, mas divertido. Não é nada fantástico mas serve como um bom passatempo ao lado da amada.
    Abs!

  2. Eu achei super-mega chato! Além de jogar fora o elenco que tem. Me lembrei de “O Diário de uma Babá”!

    Abs!

  3. O seu blog é muito bonito e seus textos são muito bons, considerando-se a sua idade. Mas sabe o que lhe falta, Wallysson? Assistir aos clássicos. A ausência de resenhas de filmes antigos (30’s, 40’s, …, 90’s) é a maior (e talvez a única) imperfeição deste blog.

    O motivo é claro: as locadoras de hoje estão repletas de filmes que, perdõe-me, nem cinema são. Administre melhor o seu tempo, assista ao que realmente vale a pena. O cinema das décadas que precederam a virada do século é um grande, um infinito universo a ser descoberto.
    Peck, Grant, Helston, Clift, Brando, Stewart, De Niro, Voight, Pacino, Gable, Mastroianni; Bergman, Leigh, Davis, Gardner, Goddard, Novak, Hepburn’s, Garbo, Liz Taylor, Havilland, Kelly, Lamarr….

    Expanda seus horizontes. Cinefilia também é ter curiosidade, ir atrás.

    De resto, parabéns pelo blog. Abraço.

  4. Eu sempre estou pra ver esse filme, mas acabo deixando de lado. Preciso ver. Gostei do texto, e a história parece ser bem cativante.
    abraço

  5. Achei bem irregular, principalmente no tedioso roteiro. O filme tenta ser original e um pouco mais adulto e não consegue. Destaque mesmo só para o elenco feminino.

  6. Tem seus erros, perde o ritmo e é fraquinho… Mas mesmo assim, me diverti! O elenco, que não necessitava ser tão talentoso, está super à vontade.

    Abraços, Wally!

  7. Meu, esse filme é muitooooo ruim . ao extreeemo !

  8. Não esperava nada de “Três Vezes Amor” e acabou sendo uma das melhores surpresas do ano. Claro que não chega a ser um grande filme, mas o elenco compensa – e muito, até. Abraço!

  9. […] a criançada, será fácil se identificar com a adorável Abigail Breslin (Três Vezes Amor), sempre talentosa. Protagonizando todo o escapismo do filme, ela esbanja carisma e nos faz […]

  10. […] bem interpretado por Danny Huston (30 Dias de Noite) e a ridícula participação de Ryan Reynolds (Três Vezes Amor), num personagem […]


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: