Publicado por: Wally | Terça-feira, Dezembro 2, 2008

Uma Chamada Perdida

“Será que essa onda de ligações mortais possui uma mesma fonte? Existe algo em comum entre as vítimas?” Ou então a sinopse da contra-capa do filme nos questiona. As repostas são simples: A fonte é Hollywood. As vítimas, nós pobres amantes da sétima arte. A chamada infelizmente não está perdida, mas o cinema atual que se põe em grande risco quando tais chamadas mortais são indevidamente encarregadas à abordarem as salas de exibição mais próximas. O vírus da ruindade então se espalha. Lançado quase que simultaneamente que outras duas refilmagens de filmes de terror orientais: os também péssimos irmãos “O Olho do Mal” e “Imagens do Além”, o filme aqui conduzido por um francês é um sofrível exercício em suspense e uma tremenda abundância de tiques hollywoodianos do gênero, sejam estes os incontáveis esteriótipos, os sustos fáceis, a falta de atmosfera e uma pobre fantasma assassina de menos de 10 anos.

Se o filme japonês de Takashi Miike é bom, não posso dizer, mas é notado um potêncial formidável quanto à premissa do filme, que por sua vez entra com conflito direto à decepção quando constatamos que ao ter começado a assistir nos metemos em mais uma enrascada trágica. O filme é sobre uma maldição telefónica que vai se espalhando de cecular em celular, deixando chamadas mortais com os dados de sua morte e matando aos poucos jovens desmiolados. Incrível como o filme aborda superficialmente e de forma tão rasa as providências tomadas pela comunidade para evitar uma morte quase certeira. Uma cena mostra vários retirando o nome deles do celular da outra para evitar serem os próximos chamados. Porém, nenhum dos já afetados pela chamada possuem conciência para deletarem por conta própria. Chama-se péssima construção de personagem e zero conciência lógica.

A trama então começa, diálogos tolos submergem e personagens batidos são interpretados toscamente por atores imaturos. A questão é que o filme nunca engata, envolve ou mistifica. O mistério ta sempre na cara e mesmo quando começam a desvender os segredos, percebemos que a resolução é da mais típica possível. Para agravar ainda mais a situação, o filme é tão confidente em sí mesmo que termina com um nota totalmente em aberta e bem implausível, indicando a possibilidade de uma continuação. Seria, no caso, a próxima chamada perdida enviada pela cidade dos sonhos. Minha sugestão é não atender e esperar que desistem logo de continuar chamando na mesma tecla mórbida, chata e tediante. É hora da reciclagem parar. Uma maquiagem bem feita e medonha funciona apenas até certo ponto. As criaturas toscas e supostamente horripilantes do filme são a exemplificação perfeita de uma falta de criatividade narrativa, compensada por atributos técnicos competentes. O que importa, porém, o filme não tem: atmosfera, clima e conteúdo.

Ainda contando com um olhar terrívelmente simplista da conciência humana e pretensões mal sucedidas em realizar uma crítica à Igreja, o que meramente poderíamos requerir da sessão é o divertimento e, por isso, suspense eficiente. Mas mesmo com menos de 90 minutos o filme consegue entediar e se tornar incansávelmente bobo e carregado. A trilha sonora sobe, o toquinho de cecular domina e aquele “boom!” toma conta da tela, mas mesmo assim o medo está à milhas de distância e nada consegue oferecer nenhum clima de tensão ou suspense. É cinema falhando em seu pior. O visual pode ser arrojado, uma ou outra morte pode ser divertida, mas nos momentos sérios você se pega rindo, e testemunhar as vítimas cuspirem balas gigantes vermelhas logo te deixa impossibilitado de conter o olhar crítico de absurdo e revolta. Não é a pior refilmagem do gênero e nem por isso a última, mas é altamente recomedável uma distância considerável a ser mantida. Hollywood pode não saber produzir bons filmes de terror, mas que sabe promover o medo, isso já está mais do que certo.

Nota: 3,5

One Missed Call (2008)
Direção:
Eric Valette
Roteiro: Andrew Klavan, baseado no livro de Yasushi Akimoto e no roteiro de Minako Daira
Elenco: Shannyn Sossamon, Edward Burns, Ana Claudia Talacón, Ray Wise, Azura Skye, Johnny Lewis, Jason Beghe, Meagan Good
[Terror, 87 minutos]


Responses

  1. Isso que é coragem, rs…

  2. Não me lembro onde, mas li que era O Chamado só que com celulares. E concordei quando vi o filme!

  3. O Original é uma sátira do Miike em relação aos demais filmes orientais com temáticas sobrenaturais. Takashi parece dar risada desses tipos de filme, ja que os seus sempre demonstram “naturalidade” em filmes de terror. Devemos ter medo dos Seres Humanos e não de fantasmas, é o que parece querer dizer o diretor japonês.

    E a versão japonesa não quer ser levada a sério e isso faz o filme ganhar pontos, mas o remake quis levar a mesma história de uma maneira séria e é ai (além das péssimas atuações) que o filme vira a bomba que é.

    O diretor desse remake é francês, e eu , antes desse, vi um filme dele chamado “Malefique” (Sinais do Mal) e gostei bastante! Principalmente do seu jogo de câmeras em um espaço tão limitado como uma prisão. Mas, nesta refilmagem, é dificil encontrarmos algo bom.

    Abraços!

  4. Muita coragem em ver esse filme, mas se achasse em DVD até que daria uma chance – se bem que ultimamente não estou com muita paciência para esse tipo de fita. O elenco tem alguns nomes interessantes… Abraço!

  5. É, vamos ver quando vejo em DVD. No cinema? NO WAY!!!

    Abração, Wally!

  6. Pelo texto, pensava que você daria uma nota menor para “Uma Chamada Perdida”. Me enganei! Só sei de uma coisa: vou ficar longe deste filme!!!!

  7. Deveriam fazer uma lei para não deixar hollywood fazer refilmagens …

  8. Nem chegarei perto… já estava suspeito de uma bomba, agora então!

  9. Ai está uma chamada que não vou atender…

  10. Mais uma pasteurização tosca de um horror nipônico… Passo!
    E a carreira de Ed Burns, um dia promissora, foi para o ralo!


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