Publicado por: Wally | Sábado, Novembro 29, 2008

Imagens do Além

A linha tênue que um dia separava filmes de suas respectivas refilmagens está deixando de existir. Alguns clássicos são hoje teimosamente cotados para serem readaptados para o novo povo, mas duvido muito que teriam o mesmo êxito de um “King Kong”, realizado não com o intuito financeiro, mas com uma paixão extrema do cineasta. Portanto, ao se deparar com “Imagens do Além”, refilmagem de um terror oriental de apenas quatro anos atrás e lançado no Brasil há apenas dois, ficamos com a impressão ainda maior que a criatividade do cinema atual está realmente se esgotando (não generalizando, claro). Mas é realmente desesperador quanto estamos diante de tantas e tantas refilmagens, todas seguindo a mesma fórmula e pior: não acrescentando em nada aos originais. Caso contrário de “Os Infiltrados” que, refilmagem de um filme mais atual, o melhorou em diversos aspectos. Mas em “Imagens do Além” tudo chega a ser quase quadro por quadro. E por esse motivo, entre tantos outros que revelarei abaixo, se revela um filme tão descartável.

Na trama, sofrendo mudanças apenas superficiais ao do original “Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado”, temos um casal de recém casados que se muda para o Japão para a carreira de fotógrafo de Benjamin, apenas a ser interrompida por um acidente de carro misterioso. Após isso, começam a se deparar com aparições fantasmagóricas em fotografias. E tal premissa fraca vai se carregando pelo filme seco, frio e ineficiente. Toda a atmosfera competente do primeiro filme aqui é substituída por cenários bem feitos e uma fotografia competente, mas nunca hábil no que o filme deveria exprimir. O medo, portanto, é nulo. A sensação não existe e você passa a maior parte da sessão apenas desejando que os míseros oitenta e poucos minutos passem um pouco mais rápido. Além do mais, o grande motriz do filme original era seu surpreendente e estarrecedor fim, cuja revelação foi angustiante e assombrosa, enaltecendo-o completamente. Aqui, o impacto já não existe. Já se sabe o fim e os roteiristas não se dão ao trabalho de apimentar a coisa. E nem sequer o diretor em conduzir de uma forma mais refrescante. Acontece exatamente da mesma forma, com a diferença de que não existe impressão mais em quem assiste.

Levo-me a acreditar, por isso, que o filme possa funcionar apenas àqueles que não conferiram o original. E apenas a eles. Portanto, quem não teve a sorte de assistir primeiro o tal “Espíritos” de 2004, dê uma chance a essa refilmagem. Mas, ainda assim, é um filme tão imperfeito, lotado de inconsistências e nada exemplar no que faz compromisso com a audiência que ele acaba se tornando nem um pouco recomendável. Nisso, encontramos apenas uma seqüência capaz de realmente apresentar algum valor, e esta é uma não só copiada quadro a quadro do original, mas uma cuja impressão possa residir apenas em quem a verá no escuro de uma sala de cinema. Os pontos, com isso, vão apenas caindo. Os créditos de “Imagens do Além”, no final das contas, são míseros, pobres e te deixam com a terrível sensação de que se trata de mais um mero produto e um filme tão bobo, desnecessário (com grande ênfase nessa palavra) e inconseqüente que nunca deveria ter sido idealizado.

E assim se segue nosso ódio e conseqüente medo à Hollywood, tão incansável em suas “idéias” de refilmar, reproduzir e copiar. Piorando a situação, pegam dois atores fraquíssimos e os colocam diante de algo já completamente inflamado, os deixando completamente incapazes em todos os sentidos da palavra. O terror, portanto, é interno. Como “Uma Chamada Perdida” já veio para nos fazer refletir, os filmes de terror atuais são na verdade apenas o duto por onde se carrega o medo que nos inflama, ao percebemos o quanto um filme pode ser ruim e o quanto o cinema atual pode ser desgastante. Não temem, por isso, fantasmas em fotos, mas produtores acéfalos.

Nota: 3,0

Shutter (2008)
Direção:
Masayuki Ochiai
Roteiro: Luke Dawson, baseado em roteiro de Banjong Pisanthanakun, Sopon Sukdapisit, Parkpoom Wongpoom
Elenco: Joshua Jackson, Rachel Taylor, Megumi Okina, David Denman, Jon Hensley, Maya Hazen, James Kyson Lee
[Terror, 85 minutos]

Anúncios

Responses

  1. Wally, vc não faz idéia de como ramakes me irritam. Onde está a criatividade e VONTADE de fazer coisas novas??? Parfece que os roteiristas e diretores estão acomodados demais e só pensam em quanto o filme vai arrecadar em bilheteria. Mas onde está a preocupação em fazer arte??

    Não vi nem o original, mas devo admitir que o cinema horror oriental é extraordinário. Os norte-americanos os estragam, infelizmente.

    Abraços!

  2. O filme original é competente, mas longe de ter algo inovador para o gênero (apesar do ótimo desfecho). Por isso mesmo não esperava nada desse remake, assim não chega a ser uma decepção, apenas confirma que essa idéia de refilmagens de fitas de terror orientais está mais do que ultrapassada. Exatamente, só deve ter alguma graça para quem não conferiu o “Espíritos”. Ainda bem que o Joshua Jackson foi para “Fringe”…

  3. Não entendo o motivo da produção desse filme…
    Sério, eu até gostei “Espíritos”, mas “Imagens do Além” é trágico. Há um certo ‘vício’ em adaptar obras de terror oriental? A ambição dos produtores não tem limite!

    ♦ Bomba.

    Abraço!

  4. Eu já não gostei de “Espíritos”, então a tendência
    é que este remake não me agrade… Mas, quando eu penso que considero alguns desses remakes melhores que os filmes originais, já fico pensando em conferir “Imagens do Além”. Confuso, né? rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

  5. Esse eu passo, Wally!

    Abs!

  6. Êêêêêêêê. Vamos ter texto de Um Beijo Roubado!
    Esse que vc criticou eu nem sabia da existência, mas seu primeiro parágrafo é bem o que está acontecendo hj em dia. Arrepio só de pensar no que vão fazer com Os Pássaros…

    Abraço! o/

    PS: Os seus DVDs voltaram =(
    Preciso que vc reenvie o mais rápido possível pra mim o seu endereço para asalacine@gmail.com. Pq semana que vem mando de novo e junto mando o do chato do Alex.

  7. Como assim Wally? 3,0?
    Que generoso você foi… ;)
    Um abraço!

  8. Eu não vi esse remake, pelo grande respeito que tenho com a versão original, cujo eu sou fã e fica melhor a cada vez que assisto. Ainda mais ao saber que o roteiro da versão tailandesa é uma analogia ao acasalamento do louva-Deus. Fantástico, não?

    Abraços!


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: