Publicado por: Wally | Sexta-feira, Novembro 28, 2008

Guerra S.A. – Faturando Alto

Um assassino de aluguel psicologicamente instável, Brand Hauser parte em uma missão secreta localizada numa corporação americana situada no Turaquistão, liderada por certo vice-presidente dos EUA. Com a tarefa de assassinar um ministro do Oriente Média de petróleo, Hauser acabará encontrando problemas pessoais no meio do caminho, depois que tenta posar como coordenador de um casamento famoso de uma cantora pop oriental.

A irreverência, a acidez e um tom satírico ótimo transformam “Guerra S.A. – Faturando Alto” em uma paródia política das mais modernas. Na mesma linha, “Jogos do Poder” foi um filme admirável cujo roteiro genial empregou sutis críticas e paralelos com o estado atual do governo americano, ao focar certo momento da Guerra Fria. A diferença de “Guerra S.A.” é que o diretor Joshua Seftel não sabe o que é ser sutil e, pelo espírito constante do filme, nem parece querer saber. O filme é, portanto, extremamente extravagante, atirando para todos os lados e não economizando na irreverência ao atacar o estado atual das coisas no mundo, sendo o foco o imperialismo americano e a polêmica do petróleo, não esquecendo de escândalos das celebridades, claro. O espírito do filme é incrivelmente crítico (e admirável), escancarando a realidade da forma mais ultrajante possível. Infelizmente, os roteiristas deixaram escapar inúmeras vezes questões de esperteza, ao focar demais o literal e o extravaso, esquecendo que podem existir tiradas inteligentes no meio dos tiroteios ao governo americano.

Dessas tiradas, algumas funcionam e, ótimas, permanecem na cabeça. A personagem que mais possui os diálogos irreverentemente críticos é a interpretada pela genial Joan Cusack. A ótima atriz, como as próprias naturezas cinematográficas do filme, bate de frente com o exagero diversamente. Mas os diálogos dela são os mais representativos. E até quando não tem nada importante a dizer, vemos o quanto a atriz se diverte, berrando ou até mesmo surtando. Uma vez ou outra, acabamos por nos divertir também ao seu lado. Uma outra sacada genial que merece ser lembrada é uma que cerca um grupo de “terroristas” que seqüestram a personagem de Marisa Tomei apenas para se revelarem cineastas. A crítica ácida aos diretores adoradores de sangue e tortura atuais, que se dizem fazer poesia, não poderia deixar uma impressão melhor. São elementos que, no todo, enaltecem o filme cujos defeitos diversamente se sobrepõem às virtudes escassas.

Além do exagero, “Guerra S.A.” também possui diversas piadas inúteis, idéias em vezes estúpidas e um desenvolvimento nem sempre coerente. Sua visão pessimista (e altamente cômica) sobre o futuro é ótima e idéias possui de sobra, mas é difícil ver tais idéias em execução, principalmente quando o filme parece se embolar entre suas próprias pretensões. Nesse meio, a verossimilhança de tudo acaba afetada e, nem mesmo funcionando como alegorias, certos momentos do filme soam simplesmente tolos demais e genéricos em excesso. Ao menos é um filme que se postura quanto à algo a dizer. Não é original e o que tem a dizer já foi dito. Mesmo assim, é satisfatório levando em conta suas intenções e, como já dito, encontra a esperteza em alguns momentos que são os melhores do filme.

Ainda contando com uma parte técnica surpreendente (as cenas de guerra ao fundo impressionaram), o trabalho do filme em nos situar no momento merece elogios. Mas o elenco em si é a força principal do filme. Além da já mencionada louca Joan, John Cusack surge com um de seus papéis recentes mais bem compostos (não exatamente pelo roteiro, mas pela competência do ator em administrar sua personalidade e suas emoções). Fora isso, temos uma adorável Marisa Tomei em cena, um Ben Kingsley exagerado bem longe de seus dias e, claro, Hilary Duff, tentando fugir de seus habituais rótulos. Duff tenta, coitada, mas não enxerguei muita coisa na sua fraca presença e na sua caricatura óbvia de sí mesma. “Guerra S.A. – Faturando Alto” é, portanto, uma sátira política que tem suas boas sacadas, além de virtudes existentes no elenco e na estética que o salva drasticamente da perdição. Mas, tirando isso, vemos uma confusão em cena, pretensões deslocadas, gêneros mistos, extravaso substituindo espeteza e uma completa falta de dominio quanto à autenticidade. A certo ponto, o irreal toma conta mesmo quanto o urgente bate à porta. E aí já se torna tarde demais. Felizmente o filme pode entreter com suas peripécias energéticas e, por isso, torna-se recomendável.

Nota: 6,0

War, Inc. (2008)
Direção:
Joshua Seftel
Roteiro: Mark Leyner, Jeremy Pikser, John Cusack
Elenco: John Cusack, Hilary Duff, Marisa Tomei, Joan Cusack, Dan Aykroyd, Ben Kingsley
[Comédia, 107 minutos]

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Responses

  1. É sempre bom ver um filme com um tema actual e sem medo de denunciar os responsáveis pelo caos mundial em troca de lucro fácil.
    Acho que vou gostar de ver este filme, que em Portugal só deve sair em DVD… por isso tenho que praticar paciência…

  2. Vale pela Hilary Duff

  3. Não sabia da existência desse filme. Gosto do trabalho de John Cusack, mas na boa… Hilary Duff não pf. Deve ser daquele tipo de filme que você assiste e dias depois esquece completamente!

    Abraço!

  4. A Duff soh pode ser uma celeb nesse filme ne? O q ela estaria fazendo ao lado de nomes como Ben Kingsley e Joan Cusack, afinal? Eu nao amei “Jogos do Poder”, mas concordo que ao menos o filme eh sutil no seu sarcasmo, ja esse, nao parece… Soh veria pela Cusack, q tem um otimo timing comico. Abs!

  5. O filme tem um ótimo elenco, mas a impressão que eu tive, ao ler sua resenha, era a de que o longa tem uma excelente premissa, mas que é muito mal trabalhada pelo diretor.

  6. John Cusack no roteiro? Bom, acho o cara um excelente ator e espero me surpreender com este filme. Mas depois de ler seu texto, parece que a fita é bem discutível…

    Abraços e bom fds!

  7. Mesmo que seus comentários não sejam dos mais animadores, acho que foi uma das poucas opiniões relativamente positivas que vi a respeito desse “War, Inc.”. Acho que verei somente pelo John Cusack mesmo, ma que ninguém merece a Hilary Duff…

  8. Outra sátira de cunho político? Como nem mesmo JOGOS DO PODER me empolgou muito, provavelmente vou deixar essa fita passar em branco, apesar de Marisa Tomei e Ben Kingsey no elenco.

    Cumps.

  9. Não tenho muita vontade em assistir, mesmo com Cusack no elenco…

  10. eaee

    esse filme eh uma puta critica cara…eu axei algumas coisas sem graças….mas eh legalzinhu ateh….

    cara eu tenhu um blog q tbm tem coisas sobre cinema….

    http://publicando.blogspot.com

  11. […] muito do fator “emocional” no filme é o elenco experiente e talentoso. John Cusack (Guerra S.A. – Faturando Alto), mais uma vez emplacando uma performance paterna (teve uma elogiadíssima atuação em […]

  12. […] Fio) já está construindo sua marca registrada na filmografia: filmes horríveis, e Ben Kingsley (Guerra S.A. – Faturando Alto) mais uma vez nos mostra o quanto caiu ou na desgraça ou na brincadeira de mau gosto, fazendo […]

  13. eu acho que hilary duff .. é boa en
    tudo o que faz ………..

  14. […] é inpensável não lembrar sobre os desempenhos coadjuvantes majestosos de ambas Marisa Tomei (Guerra S.A. – Faturando Alto) e Evan Rachel Wood (Sem Medo de Morrer), que demonstram grande emoção e profundidade para […]


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