Publicado por: Wally | Terça-feira, Novembro 25, 2008

As Crônicas de Spiderwick

Após cairem no descomforto de uma casa antiga no meio da floresta, os irmãos Grace, lidando com o divórcio dos pais, se veêm em constante confronto, graças ao humor rebelde de Jared. Mas, quando Jared se depara com os segredinhos mágicos da casa e do possível reino que a encobre, inicia-se uma feroz busca pela sobrevivência aos irmãos confrontarem os perigos existentes.

Quando surgem fantasias infantis tão competentes e arrojadas como este “As Crônicas de Spiderwick”, é preciso deixar toda a timidez de lado e reconhece-lo como uma daquelas espécies raras de cinema admirável e, claro, de exercício contundente em um gênero não só desgastado, mas ultimamente sem vida. Do sempre competente Mark Waters (E Se Fosse Verdade), que se mostrou introspectivo quanto à adolescência em ambos “Sexta-Feira Muito Louca” e especialmente “Meninas Malvadas”, “As Crônicas de Spiderwick” é um sopro no gênero, já deslocando-se do lugar comum logo de início, quando nos deparamos com uma família que finalmente soa como uma família de verdade: com problemas reais, sentimentos autênticos e rivalidades que fazem o possível para se esquivar de clichés (ainda que os contenha uma vez ou outra). Waters, criativo a cada quadro, confia na sua parte técnica para guiar o espectador pelas várias fantasias que vão surgindo e encantando no caminho mas, mais especialmente, confia no seu elenco que, não decepcionando, dá uma vida a mais ao filme já repleto de virtudes.

Assistir três adolescentes entrando em um inesperado confronto com um mundo fantásticamente irreal ganha realçes na narrativa decentemente construída aqui, não apelando e se desenvolvendo não em cima de efeitos especiais grandiosos, mas da própria relação entre seus personagens, um grande acerto. Por isso, antes de vê-los aventurarem por um mundo assustadoramente próximo, os conhecemos muito bem. E, falando nisso, “As Crônicas de Spiderwick” não teme em trazer as armas grandes quando precisa. O perigo fantasioso é real, e é divertidíssimo ponderar sobre suas implicações no mundo real. Tal elemento, com o passar do tempo, foi se perdendo no gênero. E é bom vê-lo resgatado aqui com sucesso (ainda que a própria série “Harry Potter” já tenha em planos algo parecido e muito mais grandioso para seu próximo capítulo). Portanto, não só nos identificamos logo de início com toda a trama e personagens, mas nos vemos nos importando por cada um deles em meio à aventura, que a partir do momento que engata, não mais perde nossa atenção.

Durante isso, impossível não elogiar os atributos técnicos. E, antes mesmo de reconhece-los, nos surpreender com a quantidade de nomes talentosos por trás de cada departamento. Cortesia de Caleb Deschanel (A Paixão de Cristo), a fotografia é belíssima e, ágil ao mesmo tempo que minuciosa, temos a certeira montagem de Michael Kahn (Munique), aquele grande colaborador de Steven Spielberg. Mais especialmente, elogios não se limitam à trilha primorosa de James Horner (Apocalypto), que pontua cada momento dramático com a devida suntuosidade e cada um de aventura com a merecida voltagem. Ainda contando com efeitos especiais sempre adequados e em vezes até excepcionais, podemos ter aquele déjà vu incômodo ao nos deparar com o que parece ser o ‘Bicuço’ de “Harry Potter” surgindo como personagem importante à trama, mas, fora isso, tudo soa refrescante quanto ao filme. E nesse aspecto, nada mais refrescante do que ver o sempre excelente Freddie Highmore (O Som do Coração) cumprir com grande êxito o desafio de personificar irmãos gêmeos. Highmore constrói ambos com contrastes bem realizados, e o bom ator que é, nunca perde a atenção da audiência.

Além de Highmore, uma ponta pequena mas adorável de Mary-Louise Parker (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford), uma heroina divertida em Sarah Bolger (Alex Rider Contra o Tempo), divertidíssimas vozes tanto de Seth Rogen (Kung Fu Panda) quanto de Nick Nolte (Poder Além da Vida) e, claro, um ótimo David Strathairn (O Ultimato Bourne), que dá nome ao filme e pontua, dignamente, o momento mais especial de todos. É recomfortante ver em “As Crônicas de Spiderwick” um bom filme de aventura familiar e, mais ainda, um drama refinado. Movido por um núcleo comovente, nos conectamos a dois personagens tão surpreendentemente que não seria inesperado se ver emocionado ao fim da sessão, com um desfecho derradeiramente comovente, após um clímax de alto entretenimento. O que dá força a todo o filme é esse seu senso de humanidade quanto aos seus personagens que soam sempre reais e, obviamente, seu grande senso de magia, necessário para a história que quer contar. A obra tem extremos, defeitos, buracos e, claro, é previsível. Ainda assim, você se vê rindo a toa ao fim e mais importante, provavelmente lembrará do filme por algum tempo. Por não ser esquecível e cumpir com bastante desenvoltura todos os fatores que lhe são presentes, “As Crônicas de Spiderwick” precisa ser visto.

Nota: 8,0

The Spiderwick Chronicles (2008)
Direção:
Mark Waters
Roteiro: Karey Kirkpatrick, David Berenbaum, John Sayles, baseado em livros de Tony DiTerlizzi, Holly Black
Elenco: Freddie Highmore, Mary-Louise Parker, Nick Nolte, Sarah Bolger, Andrew McCarthy, Joan Plowright, David Strathairn, Seth Rogen, Martin Short
[Aventura, 96 minutos]


Responses

  1. Ressalte que é o um dos raros papeis de Rogen sem puxar erva … ehehehe

    Tava brincando, vamos falar sobre Spiderwick. Eu me surpreendi quando eu vi no cinema e nunca imaginaria que o longa de cunho infantil consegue carregar elementos de suspense/horror tão incrivel e melhor do que um filme do gênero. Além disso, a direção segura e ótimas atuações fazem com que ele seja uma pequena joia que o publico precisa descobrir …

    Abraços!

  2. Realmente nota merecida..

    Quando vi o trailer do filme fiquei super ansioso na sua chegava, não tirava o olho, só foi o filme chega que fui assistilo e realmente não me arrependo…

    Assim com Jão Paulo se supreendeu eu também me supreende, ate comprei original… ahahha, um mundo mágico alias fantastico não.

    Parabens…. Em “tão pouca” coisa fez um filme muito bom…

    Abraços…

  3. Ahh! Uma coisinha, gostaria de conversar com você sobre algo…

    Se puder me envie um e-mail para : contato@conquistadoresde.info

    Abraços e otima Critica…

  4. Fato: Freddie Highmore é uma promessa! O garoto sempre me surpreende em tudo. E neste filme, visualmente deslumbrante, ele não faz diferente. Assim como vc, também gostei bastante… achei uma fantasia que não cai em babaquices e criancices.

    Abraços, Wally!

  5. Gostei do filme, bons efeitos especiais e boa historia. Simples, mais boa. Gosto muito da Sarah Bolger e da Mary-Louise Parker também.

  6. Pelo jeito vou ter que arranjar um tempo pra ver esse filme mesmo! Todos elogiam! Impressionante!
    Abraços!

  7. Não gosto de fazer comparações, mas nesse universo “fantasia” prefiro “As Crônicas de Spiderwick”. Aquelas outras crônicas do guarda-roupa não me agradam…

    Abs!

  8. Olá, Wally!

    Devo dizer que quando vi o trailer desse filme fiquei com tanta vontade de assistir quanto com medo de ser mais um filme de fantasia chato.
    Apesar de gostar muito do gênero (livros como Senhor dos Anéis, Narnia, Bússola de Ouro e os outros dois das Fronteiras do Universo, além do próprio Harry Potter), como você mesmo falou, esses filmes tendem a ser ruins ultimamente.
    Não sei se você assistiu ao Mimzy, mas é um baita filme ruim, sem muito sentido, sem explicações e tudo o mais.
    Estou exagerando no tamanho do comentário hehe, mas é bom destacar que boas franquias de livros são constantemente destruídas nos cinemas. Meu exemplo aqui é A Bússola de Ouro, que é um livro pra lá de fantástico mas, para quem leu, o filme não é coerente nem cronologicamente, porque acontecimentos acontecem em horas diferentes, até nome de personagem é alterado no meio de tudo.
    Eu gosto, por exemplo, de Ponte Para Terabítia que, apesar de ser um pouco típico, segue à risca o livro e diverte ao espectador.

    Apesar de ter falado isso tudo, não assisti ainda ao Spiderwick! Haha! Mas o que quis dizer com isso tudo é que esses filmes tem que continuar saindo, porque o segredo está na fantasia. Nada melhor do que encontrar, no seu mundo típico, algo extraordinário.

    Abraços!

  9. Ah, sim “Spiderwick” é formidável… Simples! E não é muito forçado como Nárnia. Mas só estou comparando os dois por causa do nome rsrs!

    4 estrelas.

    Abraço!

  10. “As Crônicas de Spiderwick”, provavelmente, foi a grande surpresa cinematográfica do primeiro semestre de 2008. Um filme infantil maravilhoso, com uma técnica apurada e um elenco excelente! Adorei!

  11. Ainda não vi este filme, mas , de fato, esta sendo elogiado mais do que eu esperava. Tenho que ver.

    Abraços!

  12. Filmes do gênero fantasia eu sempre deixo para assistir depois…. mas a história deste parece muito boa e tenho a curiosidade de ver Seth Rogen num papel diferente das comédias que ele costuma estrelar.

    Abraço

  13. […] daqui. Possui um bom elenco, uma estética maravilhosa, uma trilha muito oportuna de James Horner (As Crônicas de Spiderwick), além de ter inúmeras cenas gratificantemente intimistas, em contraponto àqueles momentos frios […]

  14. e palha pra caramba num gostei nao
    Muita mentira

  15. […] estrelando os astros Matthew McConaughey e Jennifer Garner. O filme é de Mark Waters, dos ótimos As Crônicas de Spiderwick e Meninas Malvadas. O cinema nacional também teve vez com Apenas o Fim, de Matheus Souza e A Festa […]

  16. Não me interessei quando vi que estava nos cinemas (tambem,nem ia mais ao cinema),mas eu vi em dvd e adorei!Muito legal este filme,recomendo para qualquer pessoa.


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