Publicado por: Wally | Sábado, Novembro 22, 2008

Awake – A Vida por um Fio

Clay Beresford tem o talento e o sucesso mas, sofrendo com sua paixão proibida e problemas cardíacos, acaba se vendo (literalmente) na mesa de cirurgia quando, inexplicavelmente, começa a sentir e assistir à sua prória cirurgia. Do outro lado, sua paixão secreta e sua mãe tentam desvendar os possíveis segredos que possam cercar os trágicos acontecimentos.

Difícil de se avaliar quando observado por dois pontos de vistas diferentes, “Awake” marca a estréia de Joby Harold no roteiro e na direção e, evidentemente, nota-se uma certa inexperiência ao desenrolar da história. Tanto em questões narrativas quanto em questões lógicas. Iniciando-se como um romance previsível (casal esconde seu amor um por outro pela suposta reprovação da mãe), o longa de Harold é interessante por ir desencadeando certas idéias boas ao longo do caminho, tentando entregar um passado mais consistente ao seu personagem principal. Um dos grandes problemas aqui, porém, é a falta de fixação em uma idéia. Harold pula de uma premissa para outra abruptamente. O desenvolvimento do filme, portanto, é um que deixa a desejar. Com 84 minutos de duração apenas, é perceptível como a desenvoltura de toda a sessão poderia ter atingido um grau de excelência maior se os fatores externos e internos do roteiro fossem mais bem tratados. Por isso, ao pularmos do romance para o suspense e deste para o melodrama, nos sentimos mal situados na condução. Principalmente quando nem tudo soa verrosímil o suficiente.

O filme toma como base um fato conhecido (e errôneamente divulgado para promover o filme) de pacientes que acabam não dormindo durante a cirurgia quando anestesiados. Depois de toda a preparação, entramos nesse ambiente hospitalar e vemos tal fato acontecer com nosso protagonista. Nesse meio tempo, aspectos referentes à verrosimilhança do hospital soam em vezes deslocados e fica uma incerteza tremenda ao constatarmos que o personagem não só parece assistir a cirurgia, mas senti-la. Um tanto mal explicado durante a projeção. De repente ele está gritando (e muito mal) de uma dor que teria que ter sido agonizante e insuportável. Mas a tensão é mínima (mesmo que existente) e o diretor falhou ao entregar à audiência a angústia do personagem. A partir dessa idéia mal utilizada, a trama toma rumos inesperados. Nesse sentido, confesso ter sido enganado e pego de surpresa. Os reviravoltas apresentados são os mais divertidos possíveis. Mas a surpresa dá lugar ao absurdo. Em filmes absurdos como esse, onde acontecem fatos e situações elevados ao extremo, é necessária uma autênticidade para fazermos acreditar neles. “Awake”, por sua vez, aspira quase sempre um ar de artificialidade debilitante.

Nesse aspecto, o elenco foi fundamental para a tal superficialidade. O protagonista Hayden Christensen (Jumper) faz de seu personagem uma caricatura desprovida de emoção verdadeira e parece intalado, sem vida. Ao seu lado, a sempre bela Jessica Alba (Maldita Sorte) continua mostrando um talento bem frívolo, também não adicionando em nada à sua personagem. Surpreendente é ver o sempre excelente Terrence Howard (Homem de Ferro) em um papel também bastante fraco em expressividade. Pode ser que apenas Lena Olin (Casanova) consiga se salvar, em uma atuação até certo ponto autêntica. Olin conseguiu nos fazer acreditar na sua personagem até quando nós sabíamos do absurdo por trás de seus atos. Nesse aspecto, os furos do roteiro vêem à tona, como se irritados pelas constantes reviravoltas malucas. O ato da personagem de Olin ao fim revela uma falta de inteligência quanto à cuidados médicos e biológicos, que não ajuda quando nem ao menos os elementos presentes dentro da sala de cirugia soam reais, como o próprio ato da cirurgia.

Em outras palavras, parece um trabalho feito ás pressas. Falta de pesquisa, técnicamente falho e detalhadamente errôneo. Para quem não possui o intuito de analisar tais elementos durante a sessão, se deliciem com a curta duração cheia de surpresas e divertimento. Pouca criatividade foi adicionada, sendo um bom exemplo apenas uma cena cercando o subconciente do personagem, a pessoa onde ele encontra submerso nesse subconciente e os aspectos teatrais que aqui foram bem filmados. Dadas as surpresas, portanto, o desfecho é praticamente o que prevíamos desde o início e somos deixados com uma impressão bem fraca da sessão. O filme é logo esquecido. Perceber, portanto, o potêncial do roteiro é entristecedor quando o filme em sí é analisado. Certas idéias tinham tudo para serem geniais, mas Harold estava ocupado demais entregando reviravoltas para perceber isso. O longa é, por isso, recomendável para quem não leva mais para o lado técnico, cujo intuito é apenas se divertir e não mais lembrar do que acabou de ver. O entretenimento existe claramente, a maturidade cinematográfica, não.

Nota: 5,5

Awake (2007)
Direção:
Joby Harold
Roteiro: Joby Harold
Elenco: Hayden Christensen, Jessica Alba, Terrence Howard, Lena Olin
[Suspense, 84 minutos]


Responses

  1. Ultimamente tenho evitado qualquer fita na qual a Jessica Alba esteja no elenco, pois é praticamente um sinal claro que o filme não é bom. Pelo jeito esse “Awake” até apresenta uma idéia interessante, só não sabe desenvolvê-la. Abraço!

  2. Eu fiquei meio intrigado com o trailer. Achei que fosse até algo meio tenso… rsrsrsrs. Mas vejo que não tem nada de tão interessante!

    Boa semana, Wally!

  3. Você bem generoso com o filme!!! Uma pena ver Terrence Howard e Lena Olin participando disso.

    Abraço, Wally!

  4. Todos que escreveram sobre este filme foram quase idênticos. Boa premissa, realização confusa e uma dupla de protagonistas de fraca.
    Tb acho difícil segurar um filme com Hayden Christensen e Jessica Alba nos papéis principais.

    Abraço

  5. Eu acho que você foi certeiro ao dizer que o filme se perde quando o diretor começa a apostar nas reviravoltas desta história. Se se limitasse a abordar a alucinação pela qual o personagem do Hayden Christensen passa, durante a anestesia, “Awake” poderia até ser um longa interessante.

  6. O filme realmente divulgado com um propósito diferente do que realmente é. Como falou prejudica bem o fato de ser romance e pular pra suspense. Em pouco tempo foi feito muita coisa que prejudicou. Você sintetizou bem tudo! Fantástico texto!

  7. “Awake” tem uma história que poderia ser bom, uma fotografia invejável. Mas sem dúvida o maior defeito do longa é o casal que protagoniza. Acho também que foi um projeto realizado às pressas. Ótimo texto!

    Abraço!

  8. A unica q se salva nesse filme eh a Lena Olin, coitada, q merecia estar em filmes bons de verdade… Atuacoes ruins, roteiro pessimo, ridiculo (vide as cenas dele sentindo dores durante a cirurgia tsssk).

  9. Bem fraco mesmo…

    Roteiro fraco, direção fraca e elenco fraco – não que todos sejam maus atores, mas ficaram todos devendo no filme.

  10. Esse filme parece ser muito ruim.
    Já tenho trauma do Hayden Christensen por Jumper e aliada com a Jessica Alba então, deve ser uma maravilha de se ver hehehehehe
    A trama também me pareceu fraca.

  11. 5,5 ??? Nossa até acabou com minha vontade de ver o filme! HAHahah!

    Vi o trailer e gosteii. estava procurando o DVD pra ver. sei lá. me pareceu interessante, mas depois da sua notaa! desanimeii!

  12. […] gigante (que original…). Para fechar o elenco conhecido, a sempre inssosa Jessica Alba (Awake – A Vida por um Fio) já está construindo sua marca registrada na filmografia: filmes horríveis, e Ben Kingsley […]

  13. o filme pra mim foi horivel.não por elenco mais pq foi assustador.eu esperava outra historia e não uma historia aguniante e idiota.ridiculo ele andar pela memoria dos outros.
    enfim.só assistir pq minha professora de biologia achou ele o maximo.


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