Publicado por: Wally | Quarta-feira, Outubro 29, 2008

Em Pé de Guerra

Vítima do passado

Mr. Woodcock (2007)
Direção:
Craig Gillespie
Roteiro: Michael Carnes, Josh Gilbert
Elenco: Sean William Scott, Billy Bob Thornton, Susan Sarandon, Amy Poehler, Melissa Sagemiller, Ethan Suplee, Jacob Davich, Kyley Baldridge
[Comédia, 87 minutos]

Prestes a lançar um bem sucedido livro de auto-ajuda, o jovem e promissor John Farley volta para sua cidade natal apenas para descobrir uma cidade idêntica em sua simplicidade e cafonice mas surpreendente quando se diz o noivado repentino de sua mãe com seu pior pesadelo: seu antigo professor de educação física do ginásio, um cara que traumatizou a vida dele e de muitos outros jovens.

Na comédia de nome infâme (o nome nacional fica devendo ao original quanto à insinuação sexual) um jovem adulto precisa resolver os problemas de seu passado que se apoderaram de seu futuro. Vítima deste passado, sofre com suas assediações. No filme de Gillespie (que dirigiu o elogiadíssimo “Lars and the Real Girl”) acontece o mesmo. Sempre assombrado pelo passado, “Em Pé de Guerra” é impossibilitado de se mover graças à sua overdose de fórmulas, clichés e previsibilidade, quase que sempre alçado no sucesso do passado. Mas, infelizmente, chega a um ponto que saturamos e torna-se extremamente complicado enfrentar diretamente mais uma comédia como esta. A premissa é diferente mas, no fim, é tudo a mesma coisa. E, como o passado não perdoa, nem deveríamos nós. É do típo de filme condenado pela sua “paixão” desgastante de tentar reutilizar elementos já reciclados excessivamente pelo cinema. Cansa, demais.

O elenco do filme seria, incontestávelmente, seu diferencial. Ainda que, mesmo que seja cômicamente admirável em momentos, as caras e bocas de Sean William Scott simplesmente não conseguem mais entreter, graças à incansável reutilização desde os tempos de “American Pie”. O talento que revelou recentemente em “Southland Tales – O Fim do Mundo” é, logo, traído. Em compensação, temos os ótimos Billy Bob Thornton e Susan Sarandon para tirarem o clima da completa mesmice. Mesmo assim, por mais que sejam bons no que fazem, existe muito a pouco a ser realizado com seus personagens incrívelmente fracos. E, notando isso, é deplorável a medida com que Sarandon está se afundando em projetos descartáveis quando, na realidade, vale muito mais do que insiste em propor. Porém, logo vem Amy Poehler e, com toda sua vivacidade, energia e bom humor estupendo, dá vida ao filme. É triste constatar, porém, que o filme não é dela, ainda que ela o tenha roubado nos poucos momentos que foi presenteada. Poehler é o bolo da festa, engraçadíssima sempre que pode e soltando a todo momento diálogos afiadinhos (aposto que não pertencem ao roteiro). Pelo menos dois deles garantirão gargalhadas.

No mais, a satisfação a ser resgatada da sessão extremamente descartável de “Em Pé de Guerra” é tristemente nula. Poehler é a maior (e provavelmente única verdadeira) virtude do filme, apenas ela atingindo o efeito humorístico desejado no espectador. Não há muito o que se fazer com um filme que se limita a ser drásticamente formuláico ao criar situações “cômicas” para personagens ao mesmo tempo em que se torna extremamente previsível ao selar seus destinos (e aquela feliz, politicamente correta resolução dos problemas). Por se desgastar facilmente antes mesmo de chegar à metade (e o filme é terrívelmente curto), a sessão fica ainda menos charmosa. Se houve humor, não fui atingido e, se teve algo interessante, provavelmente estava ocupado revirando meus olhos diante do humor deslocado, as piadas de mal gosto e, claro, os personagens inconvenientemente chatos.

Ainda com aspectos técnicos fraquíssimos, nem mesmo o aspecto normalmente certeiro do gênero o filme cumpre, introduzindo uma trilha sonora sem inspiração e bem tolinha. De roteiro ainda mais danificado, pega seu enredo inicialmente interessante e extrai dele personagens secundários deploráveis e situações sempre bobas. Existem “momentos” no filme, mas seus limites o limitam, o tornando comicamente vazio, fora seu espírito moralmente insatisfatório, que talvez chega até mesmo a ser cruel. No mais, se o motivo para se ver um filme se limita à uma atriz e seus pouquíssimos minutos em tela, com certeza estamos falando de uma sessão bastante descartável. Talvez por Poehler valeria, mas o filme é quebrado demais para ser exigido uma exibição sólida. Passável, sem sombra de dúvida.

Nota: 4,5

SINDICATO DOS CINÉFILOS: 18% (-)


Responses

  1. Não suporto o Billy Bob Thornton, para mim ele é um dos piores atores de todos os tempos – sem falar que é extremamente arrogante nas entrevistas. Mas, enfim, se tem a Amy Poehler e a Susan Sarandon (por que ela participa de bobagens como essa?) não deve ser tão ruim. Abraço!

  2. é uma pena que, Susan Sarandon tenha se metido em uma fria dessas…gosto de Billy Bob mas (muitas) vezes ele se perde nos seus papéis.
    Bjokas!

  3. Já cá em Portugal a maioria das pessoas torceu o nariz ao filme. Fica na lista da televisão… :)

    Abraço.

  4. É do diretor de Lars and The Real Girl, merece meu respeito.

  5. Wally, nem vi. Mas já fiquei com pena de Billy Bob (que esteve espetacular naquele filme dos Coen), Susan Sarandon (uma das minhas atrizes preferidas) e Amy Poehler (extraordinária em Saturday Night Live).

    Abraços.

  6. A minha maior curiosidade em relação a este filme é justamente o elenco. Pelo seu texto, dá para ver que ele é o ponto alto deste longa. Adorei os elogios para a Amy Poehler, uma das melhores comediantes da atualidade.

  7. Eu só lamento por Susan Sarandon, pra que fazer uma coisa dessas né. Aff.

  8. Por esse eu não teho muito interesse não Wally…

    Abraço!

  9. Há a impressão – fática, pode-se arriscar dizer – de que tanto Sarandon quanto Thornton já viram dias (e papéis) muito melhores em suas carreiras…

  10. Não tenho interesse nenhum em assistir esse filme… hehe

    vlws

  11. Eai pessoal!
    Nossa nao me lembro onde eu vii algo sobre esse filme, nao sei c foi algum trailer na net ou algum cartaz nos cinemas!

    Mas euu nao tive a chance de assistir não e confesso que nem estou com muita vontadee! estou super sem tempo ultimamente!

  12. Fico triste em saber que a Susan Sarandon anda topando qualquer coisa hoje em dia.

    Abs!

  13. Como eu sempre digo por ai: Comédias são as que eu menos assisto, pois se é para rir tem que ser o tempo todo (Borat, por exemplo) e com esse texto, é ai mesmo que eu não vou ver.

    Abraços, Wally!

  14. Vinícius acho Bob um bom ator cômico, mas é Poehler quem rouba o show. O filme é muito fraquinho, não é recomendado.

    Viviana está certíssima. E coitada da Susan…

    Red Dust só na televisão mesmo.

    Luis espero que “Lars and the Real Girl” corresponda aos elogios.

    Kau o elenco é muito superior ao filme e, de certa forma, não entregam o melhor de sí.

    Kamila o elenco é mesmo o destaque e Poehler rouba o show sempre que pode. Se vale a pena assistir ao filme, é por eles.

    Xarão ela ta numa tendência em se meter nessas enrascadas.

    Pedro faz bem!

    Gustavo e a impressão é mais do que certa.

    Sérgio que bom!

    Lucas se está sem tempo, não joge fora com este filme descartável.

    Otavio triste verdade.

    Alyson comédias são difíceis mesmo, mas essa é completamente descartável.


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