Publicado por: Wally | Domingo, Outubro 12, 2008

10.000 a.C.

Artifícios sem fogos

10,000 BC (2008)
Direção:
Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser
Elenco: Steven Strait, Camilla Belle, Cliff Curtis, Joel Virgel, Affif Ben Badra, Mo Zinal, Nathanael Baring
[Aventura, 109 min.]

Num tempo pré-histórico, o jovem caçador de mamutes D’Leh parte em uma jornada perigosa pelas terras desconhecidas da terra para garantir um futuro seguro para sua tribo. Encarando lendas e novas sabedorias, inicía uma rivalidade ferenha com um povo recém descoberto, lidando com próprios dilemas de crenças e moldando um novo mundo.

Todos estão lembrados de “Apocalypto”, não? Afinal, como esquecer daquele grande épico visceralmente concebido por Mel Gibson? Pois é, Gibson arquitetou um filme sobre os Maias tratando de temas como mudanças no tempo, busca por sobrevivência e um herói como poucos. Ainda resgatando autênticidade mantendo o dialeto original e atores desconhecidos, cenários verdadeiros e muita violência. Agora, pensem em um filme que, ao contrário de “Apocalypto”, erra em todos esses aspectos listados acima e temos “10,000 a.C.”, uma das grandes atrocidades do ano, e a nova mediocridade na carreira cheia de poucos altos e muitos baixos de Roland Emmerich, conhecido como o grande destruidor pela quantidade de filmes seus que rondaram a destruição da terra. “10,000 a.C.” pode não se tratar de algum apocalipse, mas ele ainda será conhecido como “o destruidor”. Mas dessa vez, do cinema.

Como “Apocalypto”, “10,000 a.C.” também fala de uma mudança no tempo e sobre um herói que, supostamente, teria sido o primeiro da história. O problema disso tudo, inicialmente, é que somos inseridos muito porcamento no cenário retratado do filme. Talvez por tudo soar extremamente mecânico. Efeitos especiais e cenários digitais existem a todo quadro mas, todos se caracterizando como artifícios sem muita textura e, principalmente, magia. Faltam faíscas e, com isso, uma fluidez. Já adentramos o filme como estranhos, encarando irregularidade e, de cara, sendo inundados por conceitos forçados de lendas. E eu achando que seria um filme de visceralidade e realismo. Não faz mal apimentar a trama com toques de fantasia, mas Emmerich exagera na dose, não oferece suporte ou contexto e, pior ainda, escreve seu roteiro com o maior dos descuidados, tanto com os personagens quanto para a audiência, que sai subestimada, humilhada e com sérias dores de cabeça.

Como um blockbuster escapista (que era, no todo, a intenção do filme) o longa rende alguns raros e ralos momentos. Até mesmo quando se deixa escapar alguns risos involuntários. Mas, ao invés dos efeitos especiais bombásticos ajudarem, entregam é uma certa inconsistência, visto sua artificialidade. A diversão, portanto, é extremamente limitada e aberta apenas àqueles que se deixam ignorar por completo aspectos narrativos, como a bendita autênticidade, inexistente. Desde o dialeto em inglês até o figurino tolo, passando pelas atuações ocas, é tudo muito superficial, soando falso e não nos convidando para adentrar à história e nos divertirmos, por mais que seja bobagem. Então, já que não podemos levar o filme a sério, o que é uma lástima visto as intenções do cineasta, é preciso abordá-lo com total cinismo para que tudo não termine por ser torturante. Ao lado do cinismo, ao menos podemos nos divertir rindo de tanta bobagem, das lendas estapafúrdias, dos personagens ridículos e dos diálogos execráveis.

É, em sí, um exercício em futilidade e mediocridade, escapando da tragédia total pelos efeitos sonoros ótimos e um ou outro aspecto visual construtivo, além de ser involutariamente divertido no setor cômico, tornando tudo, de uma certa maneira, mais aceitável, ainda que inexorávelmente condenado à maldição. Emmerich agora destrói é o cinema. Fez seu pior filme (sim, pior que Godzilla) ao tentar pegar na onda e copiar os diversos filmes do gênero surgidos ultimamente. Até uma genial cena de “300” Emmerich ousou copiar descaradamente. E ainda nem levei em conta as inconsistências históricas, que são, no mínimo, gritantes. Enfim, não se pode extrair muito de filme tão bobo, chato, oco e nulo quanto esse que, seja em seu pálido roteiro, parte técnica problemática ou na implausibilidade de seus mitos, falha como cinema, não conseguindo nem ao menos oferecer divertimento culposo. A vergonha aqui é de Emmerich, e não seremos nós cinéfilos que iremos deixar ser corrompidos por tamanha atrocidade.

Nota: 4,0


Responses

  1. Eis um dos piores filmes do ano na minha opinião. Por ser do Roland Emmerich, até esperava algo no mínimo divertido, mas foi praticamente uma tortura ver esse filme do começo ao fim – e olha que vi em DVD, por diversas vezes quis passar logo a cena. Realmente uma vergonha para a carreira do diretor.

  2. Eu até que gosto do Roland Emmerich. Mas esse parece ser uma bela porcaria haha

  3. Vo ser sincero, quando vi as noticias, os trailer pensei que esse serie um filme entanto, não que ganhasse aquele monte de premio, oscar e etc.. mais que pelo menos fizesse aquele sucesso admiraval..

    Porém o que mostra no trailer, não chega perto no que o filme nãos faz sentir, o trailer engana você..

    Não quero fazer com que o filme fica lá em baixo, mais mi decepcionei com ele, e muito… Vamus dizer que perdi o tempo nesse filme, sendo que tinha outros muitos melhores pra ver..

    Infelizmente, =/

  4. Este filme é terrível. Nem os efeitos especiais, que são um forte de Roland Emmerich, funcionaram neste longa, que não é nada menos que uma cópia fajuta de “Apocalypto” – um filme que, por si só, é cheio de falhas.

  5. Jura que é ruim, Wally? Nunca vi, mas me parecia ser tããão legal =)

    Hahahahaha. Não gostei muito de Apocalypto anyway…

    Abs.

  6. Cara, eu tive os desprazer de assistir esse filme no Cinema, achando que ia prestar. Eles deturparam a nossa história de uma forma grotesca. Pode-se falar de “300” porém o que fizeram nesse filme era algo que tinha a ver com o mito grego dizia. Em 10000 a.C. eles colocam Tigres dente de sabre com Mamute e egípcios numa mesma época, algo inaceit´vael. Sem contar que a produção é fraquíssima e o elenco pior ainda…

    O pior filme do ano, ou entre os piores, melhor dizendo! E ainda houve quem me condenou por isso… ô mau gosto!

  7. PO naum gostei desse filme também vi muitos cliches e as vezes ate pareciam cópias de cenas de outros filmes, otikos efietos mas histórias e personagens fracos.

  8. Uoli … o filme é uma merda e pronto … 4,0 ainda é uma nota alta para uma atrocidade que é esse filme … limpe os zoio amigo …

    abraços

  9. O filme não acrescenta muita coisa, salvo os efeitos especiais, que são de qualidade e que já estão se tornando comum.Um abraço,Armando(fetichedecinefilo.blogspot.com)

  10. Wally, desse filme eu passo longe. Pelo trailer e pelos comentarios q li e ouvi ja deu pra perceber q nao vale a pena nem o aluguel do dvd. Depois desse seu texto, eh que nao quero ver mesmo hehe

  11. Wally, esqueci! Tem MEME pra vc no Cinefilando!

    Abs!!

  12. Pelo jeito eu fui a única pessoa que não achou o filme tão ruim, mas vou rever pra poder reavaliar de verdade.

    Abraço
    Mateus

  13. Será que o Emmerich consegue sair na rua sem que ninguém atire tomates nele?

    Abraço!!!

  14. Rapaz, você até que foi bonzinho com o Emmerich. Esse é o pior filme do ano!

    Abs!

  15. Entretenimento garantido.

  16. Ah! Depois das experiencias desagradáveis com Emmerich, não tenho mais ânimo para dar uma chance a ele.

    Abraços, “Quase chará” rsrs!

  17. Nossa;. eu lembro que quando esse filme estreou eu ainda estava fazendo curso. meus AMIGOS foram todos ver e eu fikei estudandoo. dai depoiis tive a noticia que nao era bom, então fikei ainda mais contente de nao ter gastado pra ver “isso’ HASUDHASUDHUASHDUHASDH

  18. Vinícius realmente foi, um dos piores do ano, uma fita verdadeiramente desagradável de se assistir em aspectos.

    Matheus tirando o fraquíssimo “Godzilla”, também gostava de Emmerich, mas este aqui é o fim da picada, o destruidor da carreira do destruidor do cinema.

    Conquistadores pior que é isso mesmo. Pura enganação de ínicio ao fim. Eu, por outro lado, nunca esparei nada do filme e desde o trailer sentia cheiro de bomba.

    Kamila eu acho “Apocalypto” um exercício soberbo em cinema, mas esse “10,000 a.C.” é mesmo uma cópia, errando em tudo que o filme de Gibson acertou.

    Kau é ruim assim mesmo, quase trágico. Mas eu adorei “Apocalypto”.

    Robson que o condenador seja condenado. O filme é um dos piores do ano mesmo, realmente fraco e muito embolado, como você bem colocou.

    Ygor pior que nem dos efeitos consegui gostar (raras exceções). Fraco demais este filme.

    João Paulo concordo, fui generoso demais. Mas na próxima gafe de Emmerich eu não serei tão misericordioso.

    Armando realmente muito comuns e até mesmo falhos. O filme é nulo.

    Romeika passe o quanto longe puder. Fuja!

    Mateus tem certeza que gostou? Muito ruim, mas cuidade na hora de rever…

    Pedro o meu já estaria em mãos se eu morasse perto do sujeito.

    Otavio fui bonzinho mesmo, generoso demais. Um dos piores, sem dúvida!

    Hypado não para mim. No meu caso, desagrado garantido.

    Alyson é a segunda atrocidade de Emmerich, na minha opinião, ao lado de “Godzilla”. Fora isso ele tem alguns bons divertimentos.

    Lucas a melhor coisa que fez foi ter ficado em casa! O filme queima os neurônios. :s

  19. Olá! Te adicionei no meu blog. Sobre o filme, segue a minha crítica.

    O épico “10.000 A.C.” é um projeto que o diretor Roland Emmerich (“O Dia Depois de Amanhã”) idealizou há mais de dez anos. A superprodução marca a parceria entre a Warner Bros. e o alemão Emmerich, famoso por vários blockbusters, entre eles, “Godzilla” e “Independence Day”.

    O roteiro, assinado pelo próprio diretor junto a Harald Kloser (“Alien Vs. Predador”), é cheio de falhas de continuidade e engraçado além da conta, confundido o público diante do que foi proposto. Ou seja, um filme que se autodenomina como aventura e drama, mas que acaba tornando-se bizarro pelas piadinhas além da conta e fora de hora.

    A história é fraca devido a argumentos rasos e ainda conta com um desfecho ridículo. Sem citar o esdrúxulo fato de que a maioria dos personagens nativos falam inglês fluentemente. Será que o diretor alemão não aprendeu nada com o recente e mísero “Apocalypto”, de Mel Gibson (“Maquina Mortífera”)?! Mesmo sendo muito ruim, “Apocalypto” teve um ótimo trabalho de produção com personagens-nativos falando a língua da tribo local, dando maior veracidade ao longa.

    Mas voltando a “10.000 A.C.”, as atuações de Steven Strait (“O Pacto”), Camilla Belle (“O Mundo de Jack e Rose”) e Cliff Curtis (“Duro de Matar 4.0”) são sofríveis. Não pelo fato de serem maus atores, mas pelo roteiro ruim, acabaram afundaram junto ao mesmo. Camila Belle nasceu na Califórnia, mas é filha de uma brasileira, Deborah, natural de Santos.

    Já a técnica da película é boa. Os efeitos visuais são medianos e não chegam a decepcionar. A produção do longa-metragem contou com nomes como Roland Emmerich (“Desaparecidos”), Mark Gordon (“O Vigarista do Ano”) e Michael Wimer. Com um orçamento de cerca de US$ 75 milhões, “10.000 A.C.” foi rodado na África do Sul, Namíbia e Nova Zelândia.

    Já que citei o filme de Mel Gibson anteriormente, uso-o para finalizar a minha opinião: “10.000 A.C.” e “Apocalypto” são filmes semelhantes que se equilavem na mediocridade de seus projetos e desperdício de tempo. Mas ainda assim, “10.000 A.C.” é um pouco superior, graças ao carisma de seu protagonista.

    NOTA (0 a 5): 3,5
    ***

  20. […] 21.10.000 a.C. (Roland Emmerich) ♦ […]


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