Publicado por: Wally | Domingo, Outubro 5, 2008

Velocidade Sem Limites

Desaceleração tendenciosa

A bela música e fanática por carros Natasha se vê metida numa encruzilhada ao se adentrar acidentalmente no mundo corrompido de corridas de carro, onde egos se desafiam e tragédias são tão comuns a ponto de reviver o passado sombrio de Natasha e provocar reações em muitos outros igüalmente vivendo em torno do jogo de corridas.

Um completo acidente de carro, este lixo metálico de filme misteriosamente conseguiu ser distribuído nos cinemas brasileiros (quando tantos filmes infinitamente superiores definham para o lançamento injusto direto nas locadoras) e marca, de uma forma devastadoramente triste e frustrante, o cúmulo não só do rídiculo e da extrema tragédia, mas a quais limites a Hollywood tendenciosa consegue ultrapassar quando se diz copiar e colar de filmes que iniciaram uma linhagem acerca de um tema. O pai da vez é a série manjada “Velozes e Furiosos” que, com um segundo capítulo estúpido, até que me divertiu no primeiro e, principalmente, no inspirado (ainda que falho) terceiro. Se ficasse apenas naquela série, tudo bem. Mas o sucesso contagiou e poluiu mentes a ponto de filhos bastardos como este “Velocidade Sem Limites” surgirem para avacalhar com a ordem natural das coisas e te mandar para fora da sessão com a cabeça prestes a explodir de tantos neurônios danificados. A sessão é, acima de qualquer suspeita, torturante.

O máximo que os meus elogios podem alcançar ao analisar um filme desse porte é em relação aos belos carros que possui. Cada um mais fantástico que o outro. Mas é o mínimo que poderíamos requerir, principalmente em um filme cujos carros são tratados bem melhor do que as mulheres, causando reações terrívelmente vergonhosas e inapropriadas. Não só isso, mas os personagens em sí não poderiam ser mais unidimensionais, estúpidos e revoltantes. O filme simplesmente te insere, sem estilo ou consistência, em uma trama acerca de corrupção, dinheiro, família e, claro, corridas automobilísticas. O filme se sai bem sucedido (talvez) apenas neste último quesito. Ainda assim, é triste como o inexperiente diretor (que é, na verdade, coordenador de dublês) dirige as cenas de corrida, com ângulos sempre manjados e sem nenhuma personalidade. O filme é um tremendo de um déjà vu. Nos remetendo a todos os filmes imagináveis, mas não consegue suprir as virtudes (se é que existem) dos mesmos.

O próprio nome original da fita já entrega de mandeja o crime. “Redline” foi o nome de produção de “Velozes e Furiosos” e, conseqüentemente, o nome alternativo do filme. Nem no título tiveram a decência de criar, copiando descaradamente o filme que tanto tentem repetir o sucesso. Não ajuda o lastimável superficialismo que ronda cena após cena. Seja a ação forçada, com cenas de luta toscas e tristes, ou os momentos dramáticos terríveis (a cena em que um personagem ajoelha-se diante da explosão de um carro é, de longe, a pior cena que já vi em muito tempo) que conseguem absorver da audiência apenas gargalhadas. Em compensação, as tentativas de humor são tão flácidas que nos deixam apenas com ainda mais raiva de toda a falta de noção do roteirista e a direção demasiadamente burocrática e irregular. Nesse caso, os diálogos que já eram terríveis ganham um realçe ainda mais agravante em um clima de superficialismo exagerado e nenhuma satisfação sequer, seja em termos de diversão ou compensação cinematográfica.

Os tais diálogos ainda são reproduzidos pelo mais porco de elencos. Da oca Nadia Bjorlin, linda e óbvia, passando pela canastrice irritante de Angus Macfadyen e a idiotice babaca de Eddie Griffin, contamos apenas com gente inexperiente e/ou fracassada, cujos intuitos mínimos se perdem e defeitos óbvios de saberem se expressar criam apenas mais ódio no pobre espectador que, coitado, não fez nada para machucar ninguém ali da produção. Eles, em compensação, se esforçam ao máximo para danificar neurônios, subestimar inteligência, cansar olhos e adormecer ouvidos. Um hora e meia desperdiçadas frente à uma tragédia sem precedentes e cruelmente vulgar em sua ruindade desesperadora. De estereótipos, à clichês, à simples mediocridade, é um depósito de lixo dos mais fedorentos.

Nota: 2,0

Redline (2007)
Direção:
Andy Cheng
Roteiro: Robert Foreman; Daniel Sadek (estória)
Elenco: Nadia Bjorlin, Nathan Phillips, Angus Macfadyen, Eddie Griffin, Tim Matheson, Jesse Johnson, Denyce Lawton, Barbara Niven
[Ação, 95 minutos]


Responses

  1. Tenho que abrir uma nova lista. A lista dos filmes que não se devem ver nem sob tortura!!!!! :)

    Abraço.

  2. Bomba detected!! Vou anotar pra não passar nem perto!

    Abraço.

  3. Nossa, Wally. Depois dessa sua nota não vou arriscar tãããão cedo, hahahahaha.

    Abs.

  4. Eu adoraria saber quem tem o poder de decisão para saber quais filmes serão lançados em cinema e quais serão lançados em DVD…. Vou deixar para assistir “Velocidade Sem Limites” quando ele passar na Tela Quente! :-)

  5. Eu não verei essa coisa de jeito nenhum! Mas fazer o quê? Eu, por exemplo, estou cercado de sujeitos que trabalham na mesma empresa que a minha que babam por qualquer porcaria de carro. Daí os sujeitos que sustentam a vida de fitas cujos argumentos são os mesmos, com exceção dos carros. Pena para Nathan Phillips, que mostrou talento em “Wolf Creek”.

  6. Que é isso, Wally? Nunca tinha ouvido falar nessa aparente joça, e, graças à sua fundamentada opinião, nunca a verei… Isso que é bom serviço público! ;)

  7. Méu Déus! Mas isso aí deve ser um lixo!

  8. Onde é que se vomita?

  9. Infelizmente o sucesso do até legal “Velozes e Furiosos” deu início a um enorme lista de cópias desbotadas.

    Abraço

  10. Olha, “Velozes e Furiosos” nem é um grande filme para gerar uma cópia, então os produtores deviam estar malucos ao pensar que alguma coisa do tipo faria sucesso. Muita coragem sua em ver esse filme, mas agradeço pelo aviso ;)

  11. Red Dust este aparecerá no topo!

    Louis faça isso mesmo…

    Kau missão cumprida.

    Kamila idem. E, nunca (!) veja esse filme.

    Alex esse povão é mesmo medíocre. Agora, Nathan mostrava mesmo potêncial, coitado.

    Gustavo nada melhor do que saber que você fez alguma diferença, não?

    Fabiana lixo ao cubo, sim senhora.

    Pedro no mesmo lugar de sempre. Na cara do diretor.

    Vinícius pior que chegou à esse nível. Até os filmes fracos são copiados. O que gera ainda maiores merdas. E por nada. ;)


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