Publicado por: Wally | Terça-feira, Setembro 23, 2008

Sem Vestígios


No rastro da violência

A agente especial do FBI Jennifer Marsh é especializada em desvendar casos de homicídios e afins realizando investigações por redes de internet. Mas ela e sua equipe levam uma surpresa quando um assassino cria um site onde grava a morte das pessoas, que por sua vez morrem conforme a audiência do site. Sem vestígios ou ligações, Jennifer é obrigada a ir ao limite para caça-lo assim que tudo torna-se mais pessoal.

Um thriller tecnológico interessante, “Sem Vestígios” abre nos introduzindo à um forma de investigação explorada escassamente pelo cinema atual, automáticamente, com isso, ganhando nossa súbita atenção. A instigação, portanto, ao desenrolar da narrativa é evidente e nos vemos interessados para saber como tudo vai terminar, até porque o assassino soa como um ser interessante. Todas essas impressões, porém, são possíveis de serem extraídas apenas até certo ponto. O cineasta Gregory Hoblit (do ótimo “Um Crime de Meste”), deixa seu filme sempre visualmente arrojado, mas o interesse do seu filme vai se desaparecendo conforme a narrativa começa a apelar para respostas fáceis, previsibilidade incômoda e claro, aqueles tiques nervosos sempre comuns à este típo de cinema de serial killer. Pode ser o fato de que descobrimos quem é o assassino pela metade (reduzindo drásticamente toda a tensão) ou então que tudo não passou mesmo de uma boa idéia. Aquele típo de idéia sem um planejamento inteiramente concreto e poderoso para o que acaba prometendo á audiência em seu início.

O filme, por isso, vai perdendo a força conforme vai seguindo mais e mais fórmulas. Até porque surpresas não mais existem a certo ponto de duração. Em uma escolha errônea, o roteiro nos entrega de bandeja o assassino, em uma medida de certa forma necessária para o que ocorre a seguir, mas ainda assim possível de ter sido driblada, pelo bom senso em poder manter a audiência realmente suspensa em um filme em outro caso aborrecedor. O assassino, por sua vez, tem sua natureza inicialmente fascinante investigada puerilmente pelo cineasta, que deixa as respostas fáceis de uma forma sensacionalista e nada impressionante ou introspectiva. Não ajuda, claro, as mortes terríveis cederem ao gratuito, uma vez que o mostrado em tela diversas vezes soa não só desnecessário, mas desafiando filmes como “Jogos Mortais” em aspectos de violência e impressões nauseantes. Isso tudo apenas enfraquece o roteiro do filme, que possui o intuito de alertar as pessoas sobre a violência e o uso cada vez mais errôneo de internet e meios de entretenimento. A mensagem enfraquece assim que nota-se uma certa hipocrisia presenta na aura do longa sensacionalista e nada sutil.

Os personagens do filme, por sua vez, se limitam ao simplista. Diane Lane talvez seja a única que tenha conseguido trazer ao menos algo autêntico à sua personagem e mantém, ao longo de toda duração, nossa atenção por menos que interessemos no filme, Lane está lá para nos lembrarmos onde estamos. Fora ela, apenas guardo certa admiração por Joseph Cross, que retrata o serial killer de uma forma inquietante mas, infelizmente, explorada de uma forma irritantemente rasa pelo diretor e, sim, pelo roteiro mais preocupado em transmitir os rastros de violência e realizar um conto de denúncia do que um estudo da violência em sí e suas causas/consequências. Tudo segue aquela habitual fórmula. O filme torna-se mais digerível mesmo pela estética em momentos vibrante, como numa cena localizada numa ponte, se passando em uma atmosfera pesada e bem fotografada. São os méritos desesperadores de um filme bom perdido entre rios e rios de intenções ingênuas e falta de ambição.

Se tem algo que realmente gostei do roteiro é a forma com que este decide terminar. Alias, achei um desfecho altamente satisfatório após um clímax razoável por ter sido demasiadamente previsível. Sem rodeios ou floreios, após todo aquele stress e aquela ação do clímax, o filme acaba. Adorei não ter recorrido àqueles velhos clichés de policais se congratulando, reuniões famialiares e, claro, aqueles malditos ganchos que permeiam tantos filmes do gênero. Por essas e outras, “Sem Vestígios” pode até se classificar como entretenimento assistível. É uma pena, portanto, que seja necessário reconhecer tantas falhas e tantos defeitos em um filme que pegou a estrada certa mas entrou em atalhos equívocados. Provavelmente com melhor polimento de personagens, situações de tensão e desenvoltura de narrativa, teria sido um filme bem mais admirável. Mas não foi. E fica aqui meu lamento.

Nota 5,5

Untraceable (2008)
Direção:
Gregory Hoblit
Roteiro: Robert Fyvolent, Mark Brinker, Allison Burnett
Elenco: Diane Lane, Billy Burke, Colin Hanks, Joseph Cross, Mary Beth Hurt, Peter Lewis, Tyrone Giordano, Perla Haney-Jardine
[Thriller, 101 minutos]


Responses

  1. Pensei em ver este filme esses dias, mas acho que vou esperar.
    Mas realmente sei como é um filme ser apenas bom, quando poderia ir bem mais além.

  2. Como você bem disse, Wally, este filme segue à risca a fórmula de filmes neste estilo. Eu acho que o Gregory Hoblit é um bom diretor de filmes neste gênero e acho que o que eu mais gostei em “Sem Vestígios” foi do fato de que o roteiro, mesmo formulaico, me fez ficar preocupada com o destino dos personagens.

  3. Não tenho muito interesse em ver este filme… acho que passará despercebido por mim..

    vlws

  4. Estou trabalhando num projeto de TCC para rádio, que envolve cinema e trilhas sonoras.
    Gostei de seus textos, e gostaria de saber em que cidade você está, pois, em meu projeto há a participação de um crítico/fã de cinema.
    Entre em contato, que te passo mais detalhes sobre o projeto, OK
    Thais
    (thaishsol@gmail.com)

  5. Wally, acho que o roteiro se dá muito bem quando aborda essa questão dos internautas serem seduzidos por sites com conteúdos de extrema violência, tornando-se cúmplices de cada ato cometido. Tanto que neste suspense de Gregory Hoblit vemos que muito é informado em rede nacional sobre os acontecimentos trágicos que um clique pode ocasionar, só que isto acaba por envolver um número maior de curiosos e pouco é feito pelas autoridades – algo que de certa forma se encaixa em nossa realidade.

    Mas o trunfo aqui é mesmo Diane Lane, uma atriz que vem se mostrando perfeita para encarar qualquer tipo de desafio nos cinemas.

  6. Bahhh! nao curto o estlo.! Agente do FBI? Uma coisa meio que ultrapassada pra mim! nem perco muito meu tempo vendo coisas assim! HASUDHSAUHDH! !

    AtéH!

  7. Cara nunca vi esse filme… seu texto não me ajudou a querer vê-lo!!

    =D

  8. Eu, particularmente achei este filme meio aborrecido – talvez pela insistência em usar e abusar de tramas clichês e terrivelmente mal conduzidas. O Hobblit merece respeito, sim, mas este “Sem Vestígios” é um daqueles projetos que poderiam claramente ter ficado na gaveta.
    Abraço!

  9. Não vi “Sem Vestígios” ainda, mas até imagino um filme descartável. Pelo que tu disse, tem suas virtudes.

    Abraço, Wally!

  10. Estou com um certo receio em ver esse filme, afinal gosto da Diane Lane mas seus comentários não foram muito animadores. Ao menos o desfecho da trama não parece ser equivocado como geralmente é nesse tipo de produção. O diretor Gregory Hoblit é competente quando quer, talvez veja esse “Sem Vestígios” em breve…

  11. Arthur e o filme te deixa com essa impressão mesmo. Mas veja, é até assistível.

    Kamila esse Hoblit segue mesmo fórmulas, mas tem estilo como cineasta. O filme tem algumas virtudes, mas não senti essa sua conexão com os personagens.

    Sérgio pois não está perdendo muito.

    Alex a denúncia do filme funcionou para mim até chegar ao ponto de soar hipócrita e irritar por soar como um objetivo único do filme, que não se aprofunda em nada mais. Já Lane é mesmo uma virtude!

    Lucas esse você pode passar.

    Robson talvez você goste. Mas não boto fé.

    Weiner também achei meio aborrecido, mas mais por nos decepcionar no meio do caminho. Talvez não merecia ter ficado na gaveta mas, sim, uma polida brava no roteiro e uma direção mais segura.

    Pedro tem suas virtudes mesmo, mas é completamente descartável.

    Vinicius não sei se irá gostar. Lane está bem e Hoblit salva alguns momentos, mas tirando o fim do filme e algumas detalhes, não há muito do que se tirar proveito do roteiro.

  12. […] melhor casal de todos no filme. O resto do elenco inclui nome dos mais conhecidos como Billy Burke (Sem Vestígios), Selma Blair (Hellboy II – O Exército Dourado), Jane Alexander (A Pele), entre outros todos bem […]

  13. […] dizer ainda que Colin Hanks (Sem Vestígios), é o verdadeiro protagonista. E ele tenta segurar a onda, possui carisma e charme, mas ele não […]


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