Publicado por: Wally | Domingo, Agosto 31, 2008

Super-Herói – O Filme


Brincando de fazer cinema

Rick Riker é um jovem estudante do colegial excluído e adotado que se vê frente à poderes inexplicáveis após ser picado por uma libélula. Seu mundo vira de ponta a cabeça ao ter que lidar com sua nova vida, seu novo amor e um vilão excêntrico.

A nova comédia dos caras que fizeram a série cheia de baixos e poucos altos de “Todo Mundo em Pânico” pertence à nova era das paródias: aquelas em que os roteiristas não referenciam, homenageiam e criticam, mas sim, pegam algo que já existia e esmiuça para se tornar algo ridicularizado. Era uma vez quando a paródia era fundamentada no senso crítico e na esperteza, como “Chumbo Grosso” nos lembrou há pouco tempo. Com “Super-Herói – O Filme”, só não atingem o fundo do poço na baixaria e no sem graça porque ainda existem dois capangas do crime organizado em Hollywood chamados Friedberg e Seltzer. Donos, claro, das atrocidades chamadas “Uma Comédia Nada Romântica”, “Deu a Louca em Hollywood” e o pior filme de todos os tempos, “Espartalhões”. É um filme composto de idéias batidas, humor perverso e nenhuma originalidade. É realmente a coisa mais fácil de se fazer: fazer graça de outro filme, simplesmente se baseando na maldade, na grosseria e claro, nas insinuações sexuais, típicas e exageradamente propostas ao longo da projeção desgastante de menos de 90 minutos.

A coisa é bem simples, pense em um filme famoso (no caso filmes de super-heróis) e depois pense em como colocar algo extravagente, sujo e engraçado em cena, só para agradar aos adolescentes desmiolados. O problema do filme é justamente esse. Não que não exista graça e tudo seja uma inércia, alguns gags são tão ridículos que provocam o riso (mesmo que este seja vergonhoso), mas basta assistir ao trailer para testemunhar os únicos momentos ao menos digeríveis. O resto é menos que resto: é lixo. Se tem um momento que funcionou foi um que uniu adequadamente uma crítica à Tom Cruise, ao Youtube e fez uma ligação admirável com o personagem principal do filme. Uma única cena realmente funcional que, admito, me fez rir. É de se estressar, porém, perceber depois disso que qualquer esperança levantada é logo esmagada por cena após cena ridícula (o pique deve ser uma do Tocha Humana, simplesmente tola demais para existir). E a cavalgada simplesmente não para. Esmagando filme após filme, deteriorando cérebro após cérebro e simplesmente não possuindo a conciência adequada para perceber o quão não possui nexo, sentido ou relevância. O pior é perceber que tudo é realizado mesmo com a pretensão de divertir. Talvez se as pretensões fossem de tortura nós entenderíamos melhor os pobres cineastas.

Como sempre nessas novas “paródias”, encontramos a presença de Leslie Nielsen, cada vez mais vergonhoso. O herói dos realmente engraçados filmes paródicos dos anos 80 e 90, parece se contentar com piadas de mal gosto acerca de sexo (“Eu transei com sua mãe da mesma forma que seu pai.” e “Eu ia falar piranhas, mas se você quer ser virgem pelo resto da vida…”). É o grau de “esperteza” da nova era da comédia, cujo significado é não nos fazer rir e desanimar ou invés de levantar o astral. Assistir filmes como esse batem um terrível desânimo quanto ao cinema atual, principalmente quando se leva em conta os gêneros mais saturados e ridicularizados, como esse. A comédia parece não possui mais propósito a não ser copiar e ser mais sexualmente ativa possível.

Esqueçam coerência, lógica e narrativa. Tudo aqui é jogado em tela. Começamos com linhas copiadas diretas de “Homem-Aranha” e a própria “paródia” de X-Men é tão sem idéias e idiota que não dura nem 5 minutos, contendo atores que não passam de um segundo em tela (graças a Deus). Se for para fazerem filmes como essa, que lançem descompromissadamente direto na tevê ou mesmo em DVD. O cinema foi feito para os sonhos e o prazer, não o desastre e a arrogância. “Super-Herói – O Filme” é tolice pura. Pode fazer rir os mais desavisados e com certeza vai (eu sei disso), mas tanto revela vergonha quanto a provoca. É sem dúvida a mediocridade em seu estado completo e mais ininteligível. Mazin não fez cinema, ele brincou de fazer cinema.

Nota: 3,5

Superhero Movie (2008)
Direção:
Craig Mazin
Roteiro: Craig Mazin
Elenco: Drake Bell, Sara Paxton, Christopher McDonald, Leslie Nielsen, Kevin Hart, Marion Ross, Ryan Hansen
[Comédia, 85 minutos]

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Responses

  1. Claro que um filme SUPER forçado com um roteiro ridículo, mas ah … eu posso dizer que me diverti até.

    Abraço
    Mateus

  2. Você foi direto ao ponto: simplesmente não sabem mais como fazer esse tipo de comédia. Há alguns ótimos resultados, como o citado “Chumbo Grosso”, mas no geral esses filmes como “Super-Herói” não passam de cópias das produções nas quais supostamente deveriam apenas fazer graça. E lá bem “Disaster Movie” por aí… sai de baixo.

    Abraço!

  3. Existe o ruim, o péssimo, o ridículo, depois vem Super-Herói – O Filme!!!

    Abraço!

  4. Wally, eu nem precisei ver o filme pra saber que seria trágico, já bastava o trailer. Não sou adepto da questão de que porque sou ‘crítico’ tenho que ver todo tipo de filme, procuro selecioná-los pra evitar desastres como esses!! hehehe

  5. A única coisa positiva em “Super-Herói: O Filme” é que ele consegue ser levemente melhor que pérolas como “Uma Comédia Nada Romântica” e “Os Espartalhões”. O lado negativo é que, mesmo assim, ainda pode ser considerado trágico (para usar sua cotação).

  6. Quanta coragem em ver esse filmes.
    Parei com essas paródias faz tempo.

  7. Tô com essa bomba para ver aqui em casa… pior que esse ano não é mesmo da comédia americana, seja paródia, seja “original”. Só vou ver porque não dá para falar mal de algo que não vi, certo? =P
    E depois de Espartalhões qualquer filme que vier é lucro…

  8. Wally, gostei de algumas piadas do filme. Seja essa mencionado no seu texto envolvendo o Tom Cruise sejam aquelas piadas de fundo, um costume nessas paródias. E Leslie Nielsen, mesmo não interpretando mais o Frank Drebin, ainda é Leslie Nielsen – um sujeito que faz rir somente pelo fato de estar em cena. O grande problema do filme é justamente por tudo ser jogado na tela, não tendo exatamente um texto esperto para sustentar com harminia todas as piadas do filme.

  9. “Super-herói – O Filme” pede até ser 300 vezes melhor que “Espartalhões” (trocadilho infame proposital). Esses tipos de filme, só serve para arrancar umas boas gargualhadas, às vezes nem isso! O longa não chega a ser uma ofença por completa ao londo de seus 90 minutos, é apenas fraco! O pior é que vem outro por aí: “Super-heróis e a Liga da injustiça”, tenha santa paciência.

    Wally, foi mal minha ausência no teu espaço. Há um tempo eu não entrava nem no meu!

    Abraço!

  10. Wally, esse filme tem muita cara de bomba e é um dos que eu vou passar longe, beem longe. Essas paródias de hoje em dia são furada, cheio de piadas saturadas e de baixo calão.

    Abraço!

  11. Em casos como esse, podemos deixar a inibição de lado e atestar: não é cinema, não é arte. É pobreza pura, veiculada através do cinema. Essas paródias ralas já deram o que tinha que dar.

  12. Essas paródias recentes são idiotas demais.
    Quero nem ver!

  13. Comédias, são as que menos vejo, Wally. E cada vez que vejo uma e outra ( A ultima foi ”Loucas por amor, viciadas em dinheiro” que é bem ruinzinho também)percebo que existem gêneros em plena decadencia. Fujo disso, e de outras bombas que onde era para rir do engraçado, rimos do ”horrível”.

    Ab!

  14. Infelizmente este tipo de comédia passou do ponto, não assisti esta, mas os filmes atuais do gênero são cópia pálidas de sucessos dos anos 80, na maioria filmes do trio ZAZ (David Zucker, JIm Abrahams e Jerry Zucker).
    Dos novos diretores de comédia, Judd Apatow parece ser o que mais pode dar um fôlego ao gênero, depois dos bons “Superbad” e “O Virgem de 40 anos”.

    Abraço

  15. Uma comédia sem humor. Um pastelão nonsense com momentos medíocres. Eu sorri levemente em uma ou duas cenas, o resto é cansaço.

  16. Não vejo o porque de uma crítica tão bem elaborada por um filme que simplesmente de você olhar para a capa do DVD você ja sabe o que esta por vir, por mais que seja ridicula a atuação da maioria dos atores, para aqueles que tem um pouco de senso de humor, e não julga se o filme é uma super produção concorrente ao oscar ou se é um simples trash fundo de quintal, da para dar umas boas risadas no fim de semana, ainda mais quando se tem a super programação da TV aberta brasileira, onde não tem nada de novo e é até entediante, muitas vezes não tenho nem vontade de ligar minha televisão, prefiro ler um livro ou navegar na internet, mas isso não vem ao caso.

    Por mais que seja um filme fraco, tem um certo potencial para dar umas boas risadas, seja pelas piadas, seja pela má atuação dos atores ou pelos erros de gravação que existe em todo filme.

  17. Esse povinho riidicullo aew que disse que nem viu o filme , e ja acha ruim só pode ter o senso de humor afetado e é um baita de uma intepatia!!

    -Eu gosteii muito do filme , acheii ele comico, muito engraçado e sem falar que é o melhor filme de super-heróis de todos os tempos! (Sem contar todos os outros!).

    Aos outros que não gostaram so lamento por eles, pois não sabem reconhecer um filme engraçado !!

    Bejoss *

  18. esse filme tem muito peido mas eu amo

  19. Eh só um nerd metido a critico cult dizer que um filme é ruim que o bando das ovelhas concordam. Sequer viram o filme e ja sustem uma opinião? Isso sim é medíocre.

    Eu vi o filme com a minha namorada, e mesmo sendo uma comedia rasa, demos boas risadas, um filme legal de se ver depois daquele dia cansativo de trabalho que vc so quer relaxar, sem ter que pensar muito.


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