Publicado por: Wally | Sexta-feira, Julho 25, 2008

A Família Savage


Lado a lado

Wendy e Jon Savage encontram um ao outro com a imensa responsabilidade de cuidarem de seu pai que, acabando de perder sua mulher, se vê sem abrigo e na necessidade de tratamento, visto suas condições mentais.

Introspectivo, este pequeno, simples e belo filme marca mais uma tentativa bem sucedida do cinema independente em tocar em temas humanos e conquistar a audiência com a mais pura sensibilidade. O que difere bem o filme de uma leva de filmes sobre famílias disfuncionais é seu foco. Primeiramente, ao cercar o embate afetuoso entre dois irmãos iguais e distintos, ao enfrentar o que talvez seja o maior desafio de suas vidas e, mostrar, ao fim da jornada deles, como a vida pode ser recompensadora apesar das dificuldades. O filme quer provar que é preciso mesmo olhar para mais de um lado ao atravessar a estrada da vida. Às vezes ser otimisita ajuda. Abordando sentimentos com uma tremenda autênticidade e se mostrando realmente apaixonado pelos seus personagens, o filme possui então uma fluidez magnífica. Cativa, envolve e comove.

Os personagens principais são Wendy e Jon, super bem construídos pelo sensível roteiro, são pessoas que crescem ao nossos olhos e envoluem emocionalmente para que iniciamos nosso afeto por eles. Por isso, nos importamos com seus conflitos, que muitas vezes são tristes e duros. É fato que o filme é por vezes imensamente real e provavelmente tão forte por esse motivo. Tudo soa tão autêntico e verdadeiro que a conexão é abrupta, principalmente quando os diálogos se revelam tão resonantes e valiosos. A tristeza muita vezes presente no filme é uma que, também, pode te deixar um pouco vazio. Mas é compensado ao fim, momento onde percebemos por completo as intenções formidáveis do roteiro de Jenkins, que é um lembrete mais do que especial sobre o que pode existir de tão bom na vida. Viver lado a lado com alguém com que você se importa tanto pode ser muito recompensador. Melhor ainda quando pararmos de nos enxergamos sempre no lado pessimista da estrada e olharmos para o outro.

Nesse meio, encontramos duas sensacionais atuações. Laura Linney tem a melhor atuação da carreira na forte, vulnerável e apaixonante Wendy, que é um espelho de todas nossas inseguranças, mas ao mesmo tempo um comforto. O grande Philip Seymour Hoffman, que simplesmente não para de surpreender, está mais uma vez memorável, aqui no papel de Jon, um homem afetado pelos seus conflitos amorosos e pelo trabalho, retratando de uma forma crua uma pessoa que deixou a tristeza a levar a um outro ponto. São duas maravilhosas atuações, que encontram entre sí uma valiosa química. Ajuda assistirmos ao filme e realmente acreditarmos que essas duas pessoas são irmãos de verdade. Melhor ainda é ver que apesar da dupla monstruosa o também ótimo Philip Bosco consiga alguma ressonância. Sua atuação é simples, sincera e emocionante, talvez por ser tão particular e tão verdadeira.

Triste e finalmente contundente, brilhante e belo, profundo e comovente, “A Família Savage” pode representar aquela estrutura típica de filmes independentes, mas surpreende pelo seu roteiro eficaz ao traduzir magníficamente sentimentos intraduzíveis como a ligação afetuosa e turbulenta entre irmãos, e a linha tênue que liga de uma forma trágica e bela, os filhos dos pais. Contando com uma composição de trilha especial e um visual beneficiado claramente pela sua fotografia admirável, o filme possui textura e acima de tudo, alma. É fácil ouvir ecos do que foi apresentado durante a sessão bem depois que ela termina. O filme é sincero, a todo momento, e te vence de uma forma mais que genuína ao tocar tudo de formas tão sensíveis e continuamente originais, provavelmente por oferecer visões acerca de irmandade, paternidade e perdas com toques especiais de ironia, tragicomédia e humanismo simbólico.

The Savages (2007)
Direção:
Tamara Jenkins
Roteiro: Tamara Jenkins
Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Peter Friedman, David Zayas, Gbenga Akinnagbe, Cara Seymour
[Drama, 114 minutos]


Responses

  1. Hoenstamente, achei-o um tanto parado em alguns momentos – talvez eu que estivesse com muita pressa…rs… mas realmente vale todo o dinheiro gasto depois de ver uma atuação mais uma vez magistral de Philip Seymour Hoffman.
    Além da direção ser toda cuidadosa… muito bom mesmo!
    Abraços!!!

  2. Bom, “Blindness” tem tudo pra ser uma obra-prima, mas só esperando pra saber…

    “A Família Savage” infelizmente não consegui assistir, porque não chegou na locadora daqui, então vou procurar em breve em outros lugares. Parece ser um filme muito interessante!

  3. O elenco desse filme é maravilhoso. Sou suspeito para falar do Philip Seymour Hoffman, sou apaixonado pelo trabalho dele desde que vi Magnólia. Pra mim, em um filme de temática familiar, a boa química entre os atores é essencial, e aqui isso acontece. Muito bom.

  4. Agora sim, um filme de mais qualidade.

    Nota: 7.5

  5. Nossa! Quantos elogios em sua ótima crítica! Gostei particularmente da parte em que você diz que o filme aborda sentimentos de forma autêntica e revela um tratamento apaixonado por seus personagens.

    Esse filme parece ser o máximo, hein! Ainda não vi. Mas pretendo alugar o DVD durante a próxima semana. Assim espero.

    Abs!

  6. Drama minimalista, com bons atores e personagens convincentes.

    Abraço!

  7. Filme bom. Em suma, A Família Savage tem enredo consistente e verossímil, personagens carismáticos. É um ótimo drama familiar que, se mais ousado fosse, poderia ter rendido uma obra ainda mais sensível e singela.

    Abraço!!!

  8. Também gostei muito desse “A Família Savage”, que mesmo sendo uma típica fita independente, consegue apresentar diversas diferenças em relação a outros longas do tipo. Como você colocou, o filme comove com sua simplicidade graças à força do roteiro de Tamara Jenkins. Já Laura Linney, no melhor desempenho da carreira, emociona mais que tudo. Abraço!

  9. Wally, eu concordo com você. “A Família Savage” não é o típico filme sobre uma família disfuncional. É uma obra que fala sobre a nossa transformação, sobre a descoberta do senso de convivência familiar (com o lado bom e ruim que advém disso) e, principalmente, sobre o que nos faz mais fortes e preparados para encarar a vida.

    Bom final de semana!

  10. Lugar garantido entre os grandes filmes do ano de 2008, talvez “A Família Savage” tenha sido até um pouco subestimado. Suas palavras descrevem om perfeição este tocante filme de Tamara Jenkins, parabéns! É como dissecar a estrutura das famílias tradicionais, e colocar à tona toda a sentimentalidade que une os irmãos. Sem falar nas belas lições que o roteiro nos fornece.
    Nota: 8,5
    Um abraço!

  11. ♦Rodrigo o filme é parado mesmo, mas fiquei fisgado de início ao fim. Hoffman ta excelente, mas não se esqueça de Linney, soberba.

    ♦Mateus só podemos esperar, mesmo. E procure o filme, eu gostei muito.

    ♦Marcel realmente a química é essêncial e talvez a força motriz do filme, e as atuações são todas de altíssima qualidade. Hoffman sempre foi majestoso!

    ♦Luís finalmente né?

    ♦Otavio dentro de suas limitações de fita independente, o filme é muito bom mesmo, sendo o motriz o elenco e essa parte que você citou, do afeto do roteiro.

    ♦Wendell mais ou menos isso mesmo. ;)

    ♦Pedro acho que de sensiblidade o que filme tem muita, mas realmente faltou ousadia. Parece ficar limitado demais a “fita independente”. Minha única reclamação do belo longa.

    ♦Vinicius exatamente! E Linney ta mesmo emocionante.

    ♦Kamila excelente visão sobre o filme! Nossas opiniões ficaram bem parecidas.

    ♦Weiner não poderia ter colocado melhor. O filme é muito bom mesmo e só não me venceu mais por faltar ousadia.

  12. […] de detalhes e tons, ainda podemos nos deliciar pelo igualmente incrível Philip Seymour Hoffman (A Família Savage), cujo padre intriga por tamanha complexidade e vulnerabilidade emocional. As coadjuvantes Amy […]

  13. […] Ao início do filme, os créditos dão lugar para Lisa, uma Laura Linney (A Família Savage) sorridente e, pelo clima, apaixonada. Corta para Lisa e seu marido Peter, interpretado por Liam […]


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