Publicado por: Wally | Segunda-feira, Julho 14, 2008

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


De encontro com o passado

O famoso e supostamente aposentado arqueólogo e aventureiro Dr. Henry “Indiana” Jones se vê preso em uma aventura que o levará ao descobrimento dos mistérios por trás de artefatos intrigantes conhecidos como caveiras de cristal. Ao lado de seus companheiros, Indy tentará passar por cima dos Soviéticos e descobrir o que se esconde por trás da origem da vida.

Deixe Ben Gates para a nova geração. Quem gosta de bom cinema ou ainda gosta de viver no passado está destinado a encontrar na nova aventura de Steven Spielberg exatamente o entretenimento que faltava o ano todo. Resgatando um clima genuíno do passado, o longa é pura nostálgia, feito como um grande presente para os fãs do herói, mas ainda assim arquitetado para conectar-se com a nova geração. É onde encontra um de seus defeitos. Um aspecto sempre louvável na série era a predominança de efeitos visuais sobre os especiais. No novo filme, os efeitos digitais atingem o extremo e deixam certos momentos artificiais. Mas o que o longa perde nisso, ele ganha em dobro com a inventividade extensa proposta pelo diretor e que o rodeia a cada minuto do filme, que é simplesmente exhilirante. É um exemplo concreto do que é necessário para se fazer escapismo perfeito, contando não só com ação, aventura, suspense e mistério, mas um recheio delicioso de humor.

A cena inicial é impecável. Propondo exatamente o que está por vir, Spielberg, em meio a movimentos de câmera ousados e excepcionais, utiliza uma fotografia excelente, uma montagem ágil e uma trilha sonora incrível para ilustrar com dignidade não só a época na qual o filme se passará (e o mundo no qual estamos entrando) mas nos levando diretamente para um passado onde até os filmes mais caça-níques possuiam cenas extremamente bem arquitetadas. É divertido, energético e é impossível resistir. Principalmente quando somos introduzidos, de uma forma bem nostálgica e primorosa, ao Indiana Jones mais velho. Harrison Ford, mesmo sem aquela energia e aquele charme, demonstra habilidade com carisma e funciona muito bem na pele do herói, como se ainda o estivesse personificando 20 anos atrás. Ao seu lado, um elenco sensacional. Destaco Shia LaBeaouf, um ator que vem demonstrando talento a cada curva em Hollywood e com muito charme faz de seu personagem um dos triunfos no filme, como também Cate Blanchett, que com sua personagem fria pode incomodar bastante pessoas e ganhar até algumas críticas injustas, visto que, tão imersa na personagem, está extremamente calculista. O resto do elenco não decepciona, sejam eles os velhos da série ou as novas inclusões.

Talvez o que mais te cativa no filme seja o clima de escapismo interminável, que culmina em pelo menos duas seqüencias de ação grandiosas e estupendas. Ficou tudo bem eqüilibrado por uma trama plausível e bem trabalhada, mesmo que o roteiro em sí seja bem falho, salvam-se os diálogos geniais. Damos importância a isso, porém, até a metade. Após isso, somos tão imersos em ação e adrenalina que a diversão acaba falando (ou gritando, nesse caso) mais alta. Nesse meio, testemunhas a já comentada parte técnica perfeita, seja a fotografia sempre sublime ou a montagem sempre eficiente, a trilha sonora de John Williams completamente primorosa e os efeitos que, apesar de traírem um pouco o espírito da série, estão impecáveis. Não guardei muito rancor com essa traição porque acredito ter entendido as intenções de Spielberg que, ao criar a possívelmente última entrada definitiva na série, queria fechar da forma mais viva e ultrajante possível. O resultado é o filme mais exagerado, louco, selvagem e energético da série, possuindo uma exuberância gostosa além do comum.

Trata-se, na verdade, da junção perfeita de todos os três primeiros filmes da série. Temos o clima romântico do primeiro, com a volta recompensadora de Karen Allen (e um elemento esquecido pelas duas sequências), o humor acentuado e a o escapismo mágico elevado do segundo filme, e a relação ótima entre pai e filho que permeia todo o terceiro filme tão bem. A diferença aqui é que Indiana já está velho, não é mais o filho, mas o pai. Cinema grandioso e bem arquitetado, entretenimento audaz e impressionante, o filme é  pura aventura, imaginação e magia, sobrevivendo na Hollywood atual sem alma, conquistando o espectador com seu senso mágico e seu coração luminoso. O filme foi feito com diversão e paixão, e é exatamente isso que sentimos ao assistí-lo. Um esforço muito bem-vindo de todos, e um longa para se, felizmente, ser posto dignamente ao lado de todos os outros filmes tão bons da série tão maravilhosa.

Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull [2008]
Direção:
Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp, George Lucas e Jeff Nathanson, baseado nos personagens de Philip Kaufman
Elenco: Harrison Ford, Cate Blanchett, Karen Allen, Shia LaBeouf, Ray Winstone, John Hurt, Jim Broadbent, Igor Jijikine, Dimitri Diatchenko, Ilia Volokh
[Aventura, 122 minutos]

Outras opiniões…:

Amir (Spoiler) [84%]
João Paulo (Cine JP) [92%]
Rodrigo (20 e pouco…) [60%]
Wanderley (Espaço Lumière) [60%]
Luciano (A Sala) [80%]
Otavio (Hollywoodiano) [80%]
Red Dust (Os Filmes) [80%]
Ibertson (Cinema para Todos) [75%]
Hélio (Cinefilia)
Daniell (O Monolito) [40%]
Kamila (Cinéfila por Natureza) [70%]
André (Sombras Elétricas)
Vinicius (Blog do Vinicius) [80%]
Weiner (A Grande Arte) [80%]
Cecília (Cenas de Cinema) [80%]
Matheus (Cinema e Argumento) [80%]


Responses

  1. Um bom divertimento, com um ou outro exagero nas cenas de acção. Face à herança pesada que trazia, cumpriu e não desiludiu, além de que se confirma que temos um Indy / Harrison Ford em plena forma.

    8/10.

    Abraço.

  2. É aquilo que já comentei antes: não chega a ser melhor que nenhum dos filmes da série (talvez “O Templo da Perdição”, apenas), mas foi realizado com muita competência pelo Spielberg – e paixão, como você mesmo comentou. Certamente não foi um erro trazer o herói novamente aos cinemas. Abraço!

  3. Realmente magia é uma palavra boa para descrever esse projeto do Spielberg. Só achei que, acabada a sessão, pouca coisa fica na memória, ao contrário do que pra mim acontece com os filmes anteriores. Mas talvez iso tenha a ver com a época. Os primeiros “Indy” surgiram num tempo em que o público era menos cínico e ainda nao estava “anestesiado” com um cinema de ação cada vez mais frenético e com overdose de efeitos especiais. Acho que isso prejudica o novo filme, que chega a investir nesses efeitos e são os piores momentos (formigas e macacos digitais pra que?!)
    Mas eu gosto do exagero, do retrato da epoca e da nostalgia. Só não me empolguei tanto assim como você.

    Abraços!

  4. É claro que esta sequência não pode ser comparada aos três primeiros episódios da série – sobretudo “Os Caçadores da Arca Perdida”, porque Indiana Jones já não é mais novidade. Porém, é inegável admitir que Spielberg demonstra toda a sua desenvoltura como diretor de filmes deste gênero, e Ford está à vontade no papel que o consagrou. Destaque óbvio para Blanchett (sempre boa) e os efeitos especiais, magníficos.
    Como você mesmo disse no link, meu nível de satisfação foi de 80%…
    Um grande abraço!

  5. Não foi um retorno memorável ou sequer muito empolgante, mas a aventura é bem competente e cumpre com o seu papel de divertir nostalgicamente.
    NOTA: 8.0

  6. Quem não é fã da franquia, não vai gostar. Talvez ache até surreal demais. No entanto, como acompanho a carreira do Spielberg há bastante tempo e esperava esse retorno do velho Indy, valeu e pena! e como. É nostalgia pura.

    Discutir a imprensa?
    http://robertoqueiroz.wordpress.com

  7. Você apreciou este filme bem mais que eu. Por mais que eu concorde que o filme é um escapismo excelente, com boas cenas de ação; vou ter que assinar embaixo do que você escreveu quando disse que o roteiro é cheio de falhas. A impressão que eu tenho é a de que a história desse filme nunca chega a decolar de verdade.

  8. Ta na lista, até agora faltou tempo!

  9. Me decepcionei demais com essa nova “aventura”, infelizmente …
    Basicamente, não gostei da história.

    Parabéns pelo blog.
    Abraço

  10. Manteve o mesmo nível dos outros longas da franquia. O Spielberg sabe o que faz. É um bom blockbuster, mas não foi o suficiente ainda. Para quem gostou dos outros três filmes, vai gostar desse também. Mas o roteiro cheio de falhas, como você comentou, junto ao Shia Labeouf e a uma série de outros fatores, faria com que eu tirasse 2 estrelas da tua cotação. Ainda assim, é um filme divertido, mas inferior aos outros 3, apesar de pouco.

    Abração!

    p.s.: amanhã verei TDK! \õ/

  11. *corrigindo:

    p.s.: HOJE verei TDK! \õ/

    é a ansiedade… ^^

  12. Só eu e Gustavo (Imperio Cinefilo) achamos acima de 5 estrelas … é a onda … mas mesmo assim experiencia como poucas ver um grande heroi …

    Como disse em uma comuna … Tanto faz se vai ser ótimo ou não … QUERO VER INDY!

    Abraços

  13. Acho exatamente isso: o filme é uma junção dos outros da série. Muito bom, divertido e com aquele gostinho de saudade!

  14. “O Reino da Caveira de Cristal” só não é um filme realmente ruim porque, afinal de contas, um mestre está sentado na cadeira do diretor. Com certeza agrada qualqur fã.

    Abraço!!!

  15. Com certeza é um bom divertimento, mas inferior aos outros filmes, na minha opinião.
    Bem melhor que Lenda do Tesouro Perdido, vale-se dizer hehehehehe

  16. Honestamente, achei o filme bem bobo.. talvez por não ser tão fã do Indy o tenha visto com outros olhares.. porém existe cenas fantasticas como por exemplo aquela do ataque das formigas… mesmo assim, pra mim não passou apenas de uma diversão e nada mais…
    acho que para quem é fã foi o máximo, já que ver o ídolo decadas depois junto com a famosa musiquinha.. deve ser arrepiante…
    abraços!!!

  17. ♦Red Dust concordo plenamente! Só fui mais leniente com o exagero pois na minha opinião faz parte da série.

    ♦Vinicius exatamente. Foi muito válido o esforço e foi bem realizado, mesmo que não supere nenhum dos filmes anteriores.

    ♦Hélio eu me empolguei demais mesmo. O filme me entreteu bastante e achei os exageros (formigas, macacos) aceitável, visto que está na natureza da série e nesse tinham mais recursos. Mas realmente é o mais fraco dos filmes. Mesmo assim, achei memorável e divertido.

    ♦Weiner é isso aí mesmo que você disse. Um presente para os fãs.

    ♦Matheus
    achei empolgante e memorável, além de, claro, super divertido e nostálgico.

    ♦Roberto nostálgia pura mesmo. E concordo, muitos podem estranhar o feito no longa, eu já adorei.

    ♦Kamila falta uma desenvoltura melhor na história mesmo, mas é tudo compensado pelas cenas bem arquitetadas e toda aquela energia unida com a magia.

    ♦Isabela veja logo!

    ♦Mateus uma pena. Eu achei ótimo. E obrigado.

    ♦Alexsandro eu entendo quem não apreciar o filme tanto quanto eu, só acho que existem alguns valores aqui incontestáveis. E nossa, eu estou extremamente ansioso por “The Dark Knight”. Não vejo a hora!

    ♦João Paulo na hora acaba importando se é ótimo ou não, mas é um prazer único mesmo só de ver uma nova aventura do herói.

    ♦Cecília isso mesmo!

    ♦Pedro acho Spielberg o melhor diretor do cinema. Isso com certeza ajuda.

    ♦Ibertson vale dizer mesmo, rsrsrs. Mas sim, é inferior aos outros.

    ♦Rodrigo eu sou o fã recente. A nostálgia foi pouca, mas válida e eu consegui me apaixonar por toda aquela magia e aquele escapismo. O filme é um primor. Gostei bastante mesmo.

  18. Legal ver as 4 estrelas pro filme. Vi várias críticas negativas, mas eu adorei o filme. Ver a Marion de novo foi ótimo!

  19. ♦Laís que ótimo que gostou! Me diverti muito e rever Marion foi pura nostálgia.

  20. […] ainda, vencer nossa simpatia quando é preciso. Ajuda vem, claro, dos roteiristas David Koepp (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal) e John Camps (Zathura), que criam um personagem interessante e bem conduzido, com bons diálogos e […]


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