Publicado por: Wally | Quinta-feira, Julho 10, 2008

A Lenda do Tesouro Perdido – Livro dos Segredos


Jogos patrióticos

O caçador de tesouros Benjamin Franklin Gates, com o intuito de limpar o nome de seus ancestrais, culpados pela morte de Abraham Lincoln, vai atrás da verdade por trás da tragédia, desvendando a localidade das 18 páginas perdidas de um diário e se deparando com o infâme livro dos presidentes, escondendo segredos muito além da imaginação.

O meu maior rancor contra essa continuação (digamos, desnecessária) do divertido e descompromissado filme de 2004, é o fator burocrático. Extremamente rico em questões de produção técnica, efeitos especiais e afins, o filme foi obviamente caro e feito exatamente para ser um caça-níquel, mas o pior é que ele se esforça a todo a momento a esfregar na sua cara que ele é um filme burocrático. Supervalorizando até o fim os Estados Unidos, entregando ilusões após ilusões, tratando tudo da forma mais patriótica possível, o filme acaba por irritar ao invés de divertir.  Ele chega a ser até ingênuo em sua visão dos EUA, seu presidente e o atual governo. É risível. Os últimos minutos foram o cúmulo, incomodando extremamente. Ou seja, por mais que o filme consiga divertir, e isto ele consegue diversamente, a impressão que ele te deixa ao fim, ainda mais com aquele desfecho super feliz, correto e previsível, é de artificialidade e burocráticidade.

Mas o filme até cumpre sua promessa até certo ponto. Inicialmente me cativando bastante, muitas vezes me via não resistindo a agilidade, o bom humor e algumas piadas bem divertidas. Vale notar que ainda acho esse filme o definitivo resultado da influência de “Indina Jones”. Prova disso pode ser encontrado bem no ínicio da fita. Acho que qualquer fã de “Indiana Jones” se lembra vividamente de como o logo da Paramount Pictures sempre se transformava em um aspecto real da cena, dando início ao filme com aquele ponto de partida. Aqui acontece o mesmo, exatamente o mesmo! É uma homenagem à serie, ao selo da produtora se tornar parte do cenário. Isso dito, não ocorrem mais homenagens mas sim, apenas mais pontos bem reconhecíveis como influênciados. Diria até que, infelizmente, o longa parece repetir a mesma fórmula usada no longa anterior, diferenciando-se apenas a trama e as motivações, obviamente.

Um fator positivo é Nicolas Cage que, depois de muitas bombas, está bem confortável no papel. O mesmo não pode ser dito pelo resto do elenco, completamente inexpressivo, sendo a exceção uma divertida Helen Mirren pós-Oscar, provando mais uma vez sua naturalidade como atriz. O elenco ao menos entrega mais descompromisso à produção, que é charmosa, mesmo com uma trilha sonora fraquíssima e, apesar dos efeitos serem ótimos, ficamos com a impressão de que estão todos muito atolados e exagerados em certas cenas onde a grandiosidade manda, não o lógico. Mas a produção em sí é bem maior, com direito à história ainda mais absurda e ultrajante, algo bastante divertido até os reviravoltas bobos aparecerem no roteiro sem muita originalidade, que expressa engenhosidade em momentos ao mesmo tempo que o dobro de ingenuidade em outros.

O filme em sí é recomendável, como foi o primeiro. Possui quase que os mesmos defeitos e as mesmas virtudes frágeis. O foco é mesmo a diversão. O diferencial é que os últimos minutos broxantes desta seqüencia simplesmente assassinaram qualquer intuito que eu tinha de recomendá-lo. Vejam pelo humor, pela aventura e a criatividade ofegante desta, algumas piadas eficientes e um ritmo agilizado oportuno. Tentem ignorar ao máximo a ingenuidade extrema do filme, algo que acaba se tornando em estupidez e fragilizando demais todo o pacote, que, bem enfeitadinho, foi feito exatamente com o intuito de agradar e claro, gerar bastante money para os cofres. Eu não recomendaria, mas também não direi que o filme não vale ao menos uma espiada no conforto e no descompromisso de casa. O problema é que o DVD deveria vir com um bônus, uma espécie de extra que vinha avisando, durante a sessão, todos os momentos prejudiciais. Ai sim, seria ótimo! É Indy para a nova geração. Felizmente temos Steven Spielberg para mostrar como se faz algo à moda antiga de uma forma refrescante.

National Treasure: Book of Secrets (2007)
Direção:
Jon Turteltaub
Roteiro: Marianne Wibberley, Comarc Wibberley; estória de Gregory Poirier, Ted Elliot, Terry Rossio, baseado nos personagens de Jim Kouf, Oren Aviv e Charles Segars.
Elenco: Nicolas Cage, Justin Bartha, Diane Kruger, Jon Voight, Helen Mirren, Ed Harris, Harvey Keitel, Bruce Greenwood, Ty Burrell, Michael Maize
[Aventura, 124 minutos]

Outras opiniões..:

Cecilia (Cenas de Cinema)
Isabela (Movie Junkies)
Kamila (Cinéfila por Natureza) [65%]
Matheus (Cinema e Argumento) [60%]
Pedro (Tudo é Crítica) [30%]
Vinicius (Blog do Vinicius) [60%]

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Responses

  1. Certamente não tenho uma opinião muito diferente da sua, especialmente no que diz respeito a essa questão burocrática, mas acho que me diverti um pouco mais com essa fita. Nesse sentido, a série é um pouco desnecessária sim, mas melhor do que muita coisa que a gente vê no cinema, então… Abraço e obrigado pelo link!

  2. Tem certos filmes que nem precisvam sair do papel, é verdade, mas quando assisti “A Lenda do Tesouro Perdido 2” nos cinemas, admito que fui para casa com alguma satisfação. O filme é aquela salada de repetições do cinema americano, mas eficiente enquanto o propósito é apenas entreter.
    Cotação: ***
    E, se alguém tiver a ousadia de comparar este herói meia tigela do Cage com o Indiana Jones vai ouvir alguns desaforos… ;)
    Abraço!

  3. AChei o primeiro filme melhor que o Código da Vinci, por exemplo, dois filmes com temas semelhantes, porém é um tipo de série que não deveria existir, apenas o primeiro filme, uma diversão para a temporada de férias, só isso.

    Apesar de tudo, seu texto está ótimo, concordo quanto a artificialidade que tanto se espalha em hollywood.

  4. Este não vi, mas, coincidência, vou recebê-lo amanhã para ver em DVD. O primeiro filme foi um óptimo divertimento. Este, pelas várias opiniões que tenho lido, foi algo decepcionante, mas nada como o próprio (neste caso eu…) verificar… :)

    Abraço.

  5. Wally, mesmo apontando os fracos aspectos dessa continuação, você encarou o filme da maneira que ele deve ser tratado: com humor e como diversão. Só acho um desperdício o que fizeram com a Helen Mirren nesse filme. Obrigada pelo link!

  6. Comparado ao primeiro, sem duvida melhorou e muito. Mas falta algo mais no protagonista, tanto no personagem que não é dos mais agradaveis, como em Nicolas Cage à la Indiana Jones patriótico. Destaque mesmo para Justin Bartha, que ganhou mais espaço que o primeiro, e é sem duvida o unico personagem realmente agradavel.

    Quanto ao patriotismo exacerbado, sem comentarios. Reparo isso em 90% dos filmes, é algo que nem considero mais. É incrivel como os americanos adoram auto-promoção.

  7. Indiana Jones, James Bond, Sherlock Holmes? Nenhum chega perto de Ben Gates. A união dos três não forma um personagem tão inteligente e esperto como Gates. Nem a casa da Rainha e o presidente dos EUA escapam dele.

    O primeiro é bom, mas esse não ficou legal. Abraço!!!

  8. Que coragem, hein Wally? Filme caça-níquel com Nicolas Cage? Muito dedicado você!

  9. Depois de “motoqueiro fantasma” e “o vidente” não confio mais em nada que o Nicolas Cage faça.. pelo jeito só mesmo em filmes do tipo para não ser levado a sério.
    Os meus irmãos tão loucos para ver esse filme… eu devo assistir com eles… tomara que não seja uma tortura ver o Nicolas cage atuando como foi em tantos outros filmes… nem vi o primeiro ainda..
    abraços!!!

  10. O fato é que filmes com Nicolas Cage nem sempre me empolgam. Quem sabe um dia eu queira ver esse filme, mas vai pra rabeira da fila! hehe

  11. Também achei esse filme bem fraquinho, mas garante alguns bons momentos de diversão.
    Achei a trama exagerada e o patriotismo exacerbado incomoda um pouco. Eu achei Nicolas Cage o canastrão de sempre.

  12. ♦Vinicius concordo bastante, sendo a diferença que me irritei mais nesse do que me diverti, rsrsrs.

    ♦Weiner o filme tem tudo para divertir e consegue diversamente, mas tem certos elementos aqui que me incomodaram demais. E pode ter certeza que ouvirão desaforos!

    ♦Lucas nesse caso acho “O Código Da Vinci” melhor que ambos da série, mais bem dirigido e atuado. Mas como diversão os filmes são aprovados mesmo, a questão é justamente a artificialidade. E obrigado!

    ♦Red Dust se gostou tanto assim do primeiro vai achar esse no mesmo nível. Eu achei o primeiro apenas aceitável e esse apenas agravou o que já estava afundando.

    ♦Kamila realmente é a melhor forma de encará-lo e Mirren, coitada, fez de um papel limitado a personagem que rouba a cena.

    ♦Isabela acho que houve é desvirtuamento em relação ao primeiro e Cage realmente não é nenhum Indiana, mas ao menos ta mais confortável no papel. Bartha poderia divertir mais se não cansasse tanto. Quanto ao patriotismo, verdade que na maior parte existe, mas nesse filme ele vem MUITO EXACERBADO.

    ♦Pedro realmente Ben é o mais inteligente. Pena que não podemos dizer o mesmo quanto ao filme. E também acho que houve queda de qualidade.

    ♦Marco ossos do ofício de cinéfilo, rsrsrs. Quem dera se esse fosse o pior de meus pesadelos. Veja o próximo post. :(

    ♦Rodrigo Cage está em completa decadência, desde “O Sacrifício” só vem realizando bombas, por isso me surpreendi por estar confortável no papel aqui, visto que ultimamente têm se revelado bem incompetente. Aborde o filme com descompromisso e humor, talvez goste.

    ♦Robson era uma vez onde Cage era motivo para se assistir à um filme. Hoje é o contrário. O que Hollywood faz…

    ♦Ibertson concordo plenamente, só acho que Cage conseguiu ficar mais confortável no papel, visto suas recentes trágicas atuações.

  13. […] é de impressionar, e é fascinante vê-lo arrancando uma atuação decente de Nicolas Cage (A Lenda do Tesouro Perdido – Livro dos Segredos), que finalmente fez algo bacana depois de cinco desastrosos filmes. Cage tem suas falhas, mas […]


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