Publicado por: Wally | Segunda-feira, Julho 7, 2008

A Vida é Dura

Lançamento direto em DVD

Deslizando na linha

De uma infância terrívelmente problemática, incluindo uma morte arrasadora do irmão, Dewey Cox foge ainda novo para tentar carreira como músico, e aos poucos vai se infiltrando na conturbada indústria da música, ao criar sua família e ser tentado pelos demônios da carreira.

A sensação do gênero cômico do momento, Judd Apatow, que dirigiu e produziu ano passado os ótimos “Ligeiramente Grávidos” e “Superbad – É Hoje”, respectivamente, volta a produzir esta valiosa mesmo que menor entrada no gênero, uma paródia bem divertida às incansáveis cinebiografias que tanto explodem nas telas atualmente, como tambem aos próprios músicos. Apatow produz, e escreve ao lado de Jake Kasdan, que também dirige. A inexperiência do cineasta, que dirigiu poucos filmes e mais episódios é visível. O que ataca bastante essa comédia de acertos e erros é sua irregularidade. É bem fácil soltar algumas carregadas risadas pela produção, que consegue ser engraçadíssima sem precisar apelar, mas entre cada grande acerto existe uma furada, uma piada mal colocada completamente sem sentido.  O filme, portanto, não chega a decolar de verdade, mas diverte o suficiente para o deixar com um largo sorriso e ainda cria personagens com os quais torna-se surpreendentemente fácil de se envolver.

Assumidamente, é uma paródia completa de “Johnny & June” em sua metade inicial, onde arranca o maior número de risadas e possui as mais inspiradas piadas e referências. Exageros a parte, como a morte grotesca do irmão do futuro músico, é humor bem competente, incluindo uma tirada ótima à cena do filme onde Joaquin Phoenix destrói uma pia do banheiro. Aqui, o personagem de John C. Reilly destrói seis pias no total. Funcionam muito bem algumas tiradas como essa por realmente serem críticas e por parodiarem sem cair no mal gosto e no desnecessário. Para melhorar ainda, muitas existem para exemplificar o absurdo da indústria megalomaníaca da música, como também as fórmulas dos filmes cinebiográficos. Em outras palavras, não são futéis, e adicionam ao filme ao invés de prejudicar, como ocorre em “sátiras” como os recentes “Deu a Louca em Hollywood” e “Uma Comédia Nada Romântica”, que destroem a sí mesmos com apelações e pura mediocridade assassina. Os criadores por trás de “A Vida é Dura” possuem conciência, são espertos na maior parte do tempo e não zoam de sí mesmos, caindo na auto-crítica, mas sempre focalizando entreter em meios à referências precisamente cinematográficas e musicais.

O filme se limita mesmo justamente pelo existente deseqülibrio em certos aspectos do roteiro e principalmente da direção, onde o foco não é exatamente definido e algumas piadas bem sem graça entram em cena. Na maior parte do tempo, porém, são eficientes e arrancam o devido efeito na audiência. O filme ainda ganha pontos ao incluir de quebra canções originais escritas especialmente para o filme que realmente funcionam, como a faixa título “Walk Hard” que, mesmo longe da maestria, é realmente legal e até merecida de sua indicação ao Globo de Ouro. Ao lado disso, destaco o elenco exemplar que, além de incluir as participações coadjuvantes muito boas de Jenna Fischer, Margo Martindale, Jonah Hill, Jack Black, Justin Long, Paul Rudd e Jason Schwartzman (sendo que estes últimos quatro fazem o grupo dos Beatles numa excelente cena muito bem humorada e esperta), temos a formidável atuação de John C. Reilly no papel título, utilizando carisma e charme mas principalmente seu talento inconfundível, fazendo um memorável e consistente personagem que adiciona ao filme muito do que perde.

Seria certo dizer então que “A Vida é Dura” não anda na linha (ou melhor, “walks the line”), realmente não superando os filmes dos quais tanto satiriza, mas desliza na linha com um descompromisso invejável, de uma forma largada estilizada e sempre entretendo, mesmo nos escorregões de deseqüilibrio usuais dos quais acaba se acostumando durante a projeção curta e prazerosa. O filme nunca incomoda, e é bom, numa época com filmes como “Os Espartalhões” e “Superherói – O Filme” batendo na porta, assistir à uma paródia de bom gosto que entre acertos e erros, é mais lembrada pelos acertos do que pelos erros. Infelizmente, ao contrário das bombas listadas acima, o filme não ganhou o lançamento devido nos cinemas, sendo largadamente lançado diretamente em DVD. Realmente, nota-se o quanto brasileiro tem mal gosto, ao vermos que preferem mais a sátira escrachada e idiota do que a esperta e irreverente. Mais uma vez exemplifico: “A Vida é Dura” não está à altura dos irmãos “Todo Mundo Quase Morto” ou “Chumbo Grosso” no sentido de paródias, mas funciona, surpreendentemente bem, dependendo também bastante de seu humor e sua abordagem. Vale a pena a locação.

Walk Hard: The Dewey Cox Story (2007)
Direção:
Jake Kasdan
Roteiro: Judd Apatow, Jake Kasdan
Elenco: John C. Reilly, Raymond J. Barry, Margo Martindale, Jack White, Frankie Muniz, Jenna Fischer, Jack Black, Jonah Hill, Justin Long, Jason Schwartzman
[Comédia, 96 minutos]


Responses

  1. Wally, mesmo com os comentários positivos e a participação de Judd Apatow na produção, não tenho a mínima vontade de ver esse “A Vida é Dura”, parece ser o tipo de filme que eu reprovaria já pelos primeiros minutos – sem falar que achei terríveis boa parte das músicas de sua trilha sonora.

    – Ainda assim, seu argumento do último parágrafo é ótimo! Quem sabe um dia eu não veja por engano na locadora e levo para casa, hehehe.

  2. Mais um para a minha lista de filmes para assistir.

  3. Seu problema com “A Vida é Dura” foi o mesmo que eu senti: a irregularidade do roteiro. Acho que o roteiro não consegue colocar uma coerência no todo da vida de Dewey Cox, mas, mesmo assim, o filme funciona graças à atuação de John C. Reilly e das músicas – AMEI “Let’s Duet”.

  4. Já tinha lido algumas coisas sobre esse filme, mas dessa vez eu fiquei mesmo interessado em assistir. Apesar da irregularidades que aparenta ter.

  5. Bem, se tem Judd Apatow tem boas risadas. Quero ver o filme.

    Abraço!

  6. É bom mesmo você separar esse filme dessas sátiras recentes citadas. Quando vi a imagem, achei que fosse mais uma. Quando comecei a ler, quase tive certeza. ^^

    Mesmo assim, o único motivo que me levaria a locar um filme desse é o Judd Apatow.

    Abração!

  7. “bad trip bad trip!”
    “morreu o garoto errado!”
    “Eu nunca poderia realizar o seus sonhos, uma casa de doces é impossível construir, tem o sol e desmancha quando chover!”

    Esses e mais diálogos legais e divertidos junto com a impecável trilha sonora fazem com que esse filme seja uma parodia diferente das outras, onde algo irreal consegue transgredir a realidade … foda
    ehehehe
    abraços

  8. Nunca senti vontade de ver esse filme. Sou difícil pras comédias, bem difícil!

  9. Nunca tinha ouvido falar deste filme.. quem sabe agora depois de ter lido seu texo eu assista.. caso ache numa locadora..

    vlws

  10. já tinha ouvido falar desse filme com o titulo original, não sabia que havia ganahdo essa tradução, enfim… não fiqei empolgado com ele qdo o vi pela primeira vez… e não mudou mutio minha opinião depois de ler sua critica…apesar de vc escrever até bem dele…
    achoq eu talvez seja pelo fato mesmo de não conseguir ir com a cara do John C. Reilly.
    abraços!!!

  11. Esse filme so está na minha lista por conta do nome de Judd Apatow no projeto. Mas digamos que nao estou com tanta pressa assim de conferi-lo…

    Abraços!

  12. Também quero ver esse filme.
    Gostei de todos os filmes que assisti com produção do Judd Apatow: O âncora, Ricky Bobby, As Loucuras de Dick e Jane, Superbad…
    Também gostei dos que ele dirigiu: Ligeiramente Grávidos e O Virgem de 40 anos.
    Parece ser divertido.

  13. Bom, dado o nome dos envolvidos na produção do filme, sinto-me ligeiramente interessado na sessão. John C. Reilly e Judd Apatow juntos, chamam a atenção, não tem jeito. Como o Ibertson disse, deve ser divertido, pois uma paródia de “Johnny e June” é muito bem vinda. E se você recomenda a locação, vamos a ela.
    Abraço, Wally!

  14. Ainda não assisti, mas mesmo não sendo tão bom quanto outros trabalhos do diretor/produtor Apatow, vale dar um espiada, tb pelo bom elenco.

    Abraço

  15. ♦Vinicius eu sem dúvida recomendo, mesmo com os problemas. E eu gostei da trilha!

    ♦Isabela veja e me conte.

    ♦Kamila concordo plenamente.

    ♦Marcel o filme é bom apesar dos erros.

    ♦Pedro e não é que é verdade?

    ♦Alexsandro loca sim, vale a pena, está à anos luz das paródias mencionadas acima.

    ♦João realmente o filme tem ótimas tiradas.

    ♦Robson quando tiver um tempo sobrando, veja sim.

    ♦Sérgio se encontrar, pegue no descompromisso e se divirta.

    ♦Rodrigo eu gostei do filme e sempre achei Reilly ótimo ator. Veja sim.

    ♦Hélio o filme é bom e vale a pena ser visto, mas descompromissadamente.

    ♦Ibertson na minha opinião o selo Apatow é garantia de diversão.

    ♦Weiner quando você ver, me fale. ;)

    ♦Hugo realmente vale uma espiada, mesmo não sendo um grande filme.


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