Publicado por: Wally | Sexta-feira, Junho 13, 2008

Quebrando a Banca


Cartas marcadas

Baseado na história real de seis estudantes da MIT que, bem dotados, são treinados para contar cartas e, conseqüentemente, carregar milhões de Las Vegas, quebrando a banca de cassinos, liderados pelo veterano da trapaça Micky Rosa.

Nerds e gente fina de uma faculdade prestígiada de Boston quebram todas as regras e dominam os cassinos de Las Vegas. Nada mais cool não? E é exatamente essa palavra que posso utilizar para descrever este divertido e descompromissado 21 que, apesar de muito falho, consegue cativar a audiência, mantê-la atenciosa por mais ou menos duas horas e ainda manipular com revira-voltas ao final típicas do gênero, mas simplesmente irresistíveis. Esse é daquele filme onde as falhas são mais visíveis que buracos em queijo suiço, mas é prazeroso demais de se assitir e, portanto, jogamos a lógica pela janela na maioria dos momentos, ao lado do senso crítico, claro. Mas como não gosto (e não posso) desligar o cerébro, gostei do filme por causa do divertimento e alguns outros aspectos claramente louváveis ao longo da narrativa. O filme é um exercício competente em diversão e estilo, mas falha modestamento como exercício de cinema. Ainda assim, o filme é legal demais para ser descartado.

O roteiro linear e nada ousado apresenta ao longo da sessão típos, clichês, um romance obrigatório e claro, aqueles revira-voltas doidos ao final que, se forem bem analisados, se revelam extremamente podres. Superficialmente, porém, são tão divertidos como foram criados para ser. Ou seja, Quebrando a Banca cumpre o que promete, ele só não supera nenhuma expectátiva. O visual é charmoso demais, com cenários bem planejados, uma fotografia cativante e uma edição divertida que molda a estilizada estética para trabalhar a favor da história, nunca se extravagando. Ajuda a conquistar a audiência, ao lado da trilha sonora genuína, a energia sempre admirável e empolgante e, claro, um elenco em total sincronia. Pode ser que ninguém do elenco – com exceção de Jim Sturgess – esteja ótimo, mas todos funcionam bem, divertindo e cativando, fazendo o possível dentro dos limites de seus personagens manjados. Kevin Spacey surge podendo cair completamente na caricatura e odeio dizer que ele chega terrívelmente perto, mas eu consegui me diverti com ele, que faz um típo de personagem gostoso de ver personificado por um ator como Spacey, que já impressionou tanto durante sua carreira.

Mas uma das grandes virtudes do filme é Sturgess, ator nato revelado em Across the Universe, ele mostra aqui que sua habilidade excepcional de cantar não era usada como artifício para melhorar sua atuação. Ele não só sabe atuar, mas tem carisma, charme e conquista a audiência, mesmo que seu personagem (obviamente) caia em armadilhas do roteiro a todo momento, o que acaba irritando um pouco os mais exigentes. Um garoto estudioso e humilde tentando conquistar seu espaço se compromete no jogo de trapaças em Las Vegas para estudar e acaba extrapolando os seus limites. Foi apenas polido, mas é o mesmo personagem de muitos filmes por aí. Ele vence, ele desfruta, ele extrapola, ele sofre e no final, ele dá a virada. No meio de tudo isso, diversão, estilo, romance, um humor bem charmoso e no fim de tudo, satisfação. Afinal de contas, não iriamos querer um final infeliz não é mesmo? Mesmo que fosse atípico, o que seria um alívio depois da sessão bem típica, não teria feito sentido algum. O prazer é seguir a jornada de Ben Campbell, mesmo esta sendo conduzida sem novidades pelo diretor, o mesmo do fraco e igüalmente manjado A Sogra.

Resumindo, a melhor maneira de se assistir ao filme é descompromissadamente. O efeito é completamente passageiro e ele é bom enquanto dura. Você sai da sessão e ele evapora de sua mente. Apesar de seguir o poltiicamente correto ao final, o roteiro se restringe ao não forçar lições de moralidade e o filme fica conseqüentemente mais leve (e melhor). As duas horas são deliciosas. Você tem aquele sentimento de que tudo poderia ter sido mas enxuto, não precisando ter muitas cenas, mas eu achei impossível resistir. É aquela história contada com estilo e charme que não só convence mas entretem. Sturgess adiciona tanta autênticidade no personagem que ele funciona, e ainda consegue bolar plausível química com Spacey e Bosworth. Sem ele, talvez o filme não teria sido tão legal. Luketic precisa aprender que polimento não desmancha estragos profundos e os roteiristas precisam cair na real e esquecer de marcar suas cartas. O jogo aqui é um que empolga, mas com todos os jogadores de cartas marcadas e as apostas muito baixas, a qualidade simplesmente cai.

21 [2008]
Direção:
Robert Luketic
Roteiro: Peter Steinfield e Allan Loeb, baseado em livro de Ben Menzrich
Elenco: Jim Sturgess, Kevin Spacey, Kate Bosworth, Aaron Yoo, Liza Lapira, Jacob Pitts, Laurence Fishburne, Jack McGee
[Drama, 123 minutos]

Disponibilidade: em breve nas locadoras (em exibição em selecionados cinemas)


Responses

  1. Ahh! nao me interessei nao! essas historias meio Las Vegas, Cassinos! Sei lah! nunca me chamam a atenão. AHSUDHSHD!

  2. Eu achei a história bem interessante e estou com o filme aqui pra ver. Só me falta disposição!! Mas verei em breeve!

  3. Ainda não conferi o trabalho de Jim Sturgess. Mas, o seu texto reforça a impressão que eu já tinha deste “Quebrando a Banca”: a de que o filme é somente uma diversão descompromissada. E que bom que a obra cumpre seu propósito.

    Bom final de semana!

  4. Curti o filme …
    e só …
    depois você esquece gradativamente e depois se pergunta … como é mesmo esse filme …

    52%

  5. Esse filme teve uma trajetoria bem discreta (pra ser sincero nem me lembrava dele rs). Mas me interesso por ver agora que vc me relembrou!

  6. ♦Lucas eu já acho bem divertido. Esse aqui é um mais leve e bobinho, mas entretem!

    ♦Robson veja sem grandes expectátivas, acho que vai gostar.

    ♦Kamila o filme é isso mesmo, descompromisso e cumprimento de promessa. Entretem!

    ♦João realmente o filme tem um efeito muito passageiro, mas é bom enquanto dura.

    ♦Louis realmente foi discreto, enquanto nos EUA foi grande sucesso. E veja sim, é divertido.

  7. Outro que ainda não vi. Quero ler o que vc achou de CORAÇÃO SATÂNICO.

    Abs!

  8. Bem legal o topo do seu site, Laranja Mecânica é ótimo.

    Sobre, bem não assisti, mas tenho curiosidade.

  9. Esse filme estreou no nat film festival (nada a ver!), nao me despertou o interesse, e de diversao descompromissada, bastou o filme do Steve Carrell hehe Bom fds!

  10. Uma das críticas que lí sobre este filme, falavam que na realidade os estudantes que deram este golpe eram descendentes de orientais.

  11. tinha curtido os trailers que vi desse filme, mas nada para ficar ansioso em ver nos cienmas.. acabou que ele veio rpa cá na minha cidade e ficou so uma semana, nem deu para ve-lo…
    vou aguardar chegar nas locadoras, falaram que só chega m agosto.. tomara que venha antes… parecer ser um bom filme pra curtir nas ferias…
    abraços, Wally!!!

  12. Vou ver o filme amanha, volto aqui depois!!!

    Até mais!!!

  13. ♦Otavio será um bom pedido em DVD. Coração Satânico eu gostei muito. De início, não fui exatamente impressionado, mas pouco a pouco fiquei instigado pelo estilo e a habilidade do cineasta em narrar seu conto macabro.

    ♦Lucas obrigado ;) E o filme é sensacional mesmo! Agora, “21” é divertido, e basta.

    ♦Romeika descompromisso total realmente cansa se em overdose, rsrsrs. Agora, veja quando estiver leve e quiser apenas se divertir.

    ♦Hugo não sabia disso. Inicialmente achei que o livro era autobiográfico, mas não achei provas.

    ♦Rodrigo estranho que eu só vi ele nos cinemas porque continuou por um bom tempo nos cinemas aqui. Quando chegar nas locadoras, veja, é divertido.

    ♦Pedro depois me diz o que achou. ;)

  14. Queria muito assistir, mas final de semestre o tempo esta curtissimo!

  15. Gostei demais. Talvez seja exagerado de minha parte uma exaltação à Quebrando a Banca, mas, talvez pelo fato de ver Robert Luketic como um mero diretor de comédias – gênero do qual não rendo muito louvores – fiquei impressionado com essa produção. Não esperava que ele conseguisse dirigir algo fora do humor. E o Kavin Spacey está ótimo.

  16. ♦Isabela entendo plenamente. O meu já acabou mas também foi árduo até o fim dele.

    ♦Roberto entendo seu ponto vista. O filme tem muito problemas, mas é admirável o que Luketic consegue fazer com estilo e charme, tornando o filme sedutor e muito bacana. Spacey é sempre ótimo.

  17. Entra por um mundo fascinante dos jogos e cartas apostando em ser um filme para todos e não num momento tenso sobre as sortes e os azares. É uma abordagem interessante, apesar de lhe faltar uma maior intensidade dramática.

    Abraço.


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