Publicado por: Wally | Segunda-feira, Junho 9, 2008

Margot e o Casamento

Lançamento direto em DVD

Caindo na real

Margot e o seu filho Claude partem para passar um tempo na casa de sua irmã Pauline, que acaba de anunciar seu casamento com o nada impressionante Malcolm. A reunião das irmãs, porém, trará a tona sentimentos enterrados e a verdadeira faceta por trás dos relacionamentos disfuncionais.

No fantástico “A Lula e a Baleia”, o estreante Noah Baumbach roterizou e dirigiu uma sincera e belíssima história sobre o turbilhão em volta de uma família disfuncional no meio de um divórcio. Baumbach mais uma vez volta a maravilhar no seu realista retrato chamado Margot e o Casamento. O filme pode irritar muitos, desagradar e incomodar. Mas infelizmente, é o efeito da sinceridade. O real é explorado ao máximo por Baumbach ao compôr, com seu roteiro maravilhoso, personagens que não são flexionados para agradar a audiência e criar laços, mas construídos como realmente são, independente de serem simpáticos ou não. Ou seja, um grande defeito, visto que tal direcionamento faz com que a ligação entre personagem e espectador fique bem fina, torna-se uma virtude, visto que confere não só uma caída na real, mas elaborada genialidade por parte de Baumbach, que quer retratar justamente todos os defeitos e os pesares do ser humano, e como estes podem (ou não) serem contornados.

Sua direção é simplista e não oferece muita estrutura ou criatividade. Acredito que esse seja o principal defeito do filme, mas por outro lado, a direção sem muita vida reflete perfeitamente bem o sombrio estado de espírito dos personagens, que parecem sofrer não só baixa auto-estima e depressão, mas lutam interminávelmente com as pessoas ao redor de sí mesmos. O filme, portanto, é escuro, filmado de uma forma com que todo o ambiente soe frio. Essa é a tática do diretor, e uma muito arriscada. Ele deixa seu filme desagradável, mas esta é sua genialidade e o que torna seu retrato um tão cru e memorável, fazendo com que seus personagens soem não só como criaturas reais, mas pessoas que podem ser refletidas e encontradas em nós mesmos. Torna-se, a partir disso, um caso de identificação. Acredito eu que, sem que o espectador consiga se refletir com os personagens de Baumbach ou ao menos admirar seus riscos, é muito improvável que o filme consiga agradar.

Os diálogos me venceram por completo. Toda a autênticidade e o sentimento de que tudo ali na tela vibrava com honestidade me conquistou totalmente, mesmo com a irregular direção. Seus personagens são ora chatos, ora inconvenientes, bisbilhoteiros, frágeis, vulneráveis, mentirosos, traiçoeiros, amáveis e engraçados. Todas características humanas tão comuns no nosso cotidiano tão disfuncional. O longa, por isso, me venceu. A originalidade e esperteza do roteiro de Baumbach merece aplausos. Mas seus personagens não teriam a menor intensidade sem um elenco bom, e neste temos um excelente. A começar, claro, por Nicole Kidman. A atriz está tão bem que consegue nos fazer odiá-la, e mesmo assim simpatizarmos por ela e todos os seus defeitos arrasadores. Kidman entrega uma maravilhosa atuação, sendo a sua melhor desde “Dogville”. Ao seu lado a também ótima Jennifer Jason Leigh, uma atriz pouco vista mas sempre influente. Jack Black está tão estranho quanto seu personagem, atingindo bem o fundo emocional necessário para torná-lo realista.

Então os pontos mais fortes deste filme são o roteiro genial e o elenco primoroso, mas também destaco a excelente trilha sonora, o direcionamento ousado mesmo que corriqueiro e a ambientação, que cria um clima realista e fechado necessário para refletir todo o sentimento que envolve o filme, que é o de se estar preso em convenções e emoções. Como a bela mensagem ao final indica, às vezes precisamos seguir não os nosso tiques e suposições, mas o nosso coração, que é, de longe, a melhor bússola de todas. Então nesse filme aparentemente frio, meticuloso e simplista de Baumbach existe sentimento e um grande coração. Para encontrá-lo, basta prestar atenção nas intenções de Baumbach não só como roteirista, mas como diretor. Ele sabe o que faz, e o admiro pelo que conseguiu. Margot e o Casamento é simplismente um retrato de nós e todas as nossas ansiedades e defeitos. E, às vezes, é bom darmos uma risada de nós mesmos.

Margot at the Wedding (2007)
Direção:
Noah Baumbach
Roteiro: Noah Baumbach
Elenco: Nicole Kidman, Jennifer Jason Leigh, Jack Black, Zane Pais, Flora Cross, Ciarán Hinds
[Drama, 93 minutos]


Responses

  1. Não sei porque, mas não me interessei por esse filme, mesmo com essa boa crítica e de outros também. Mesmo assim, acho que o verei.

  2. Tudo que li até agora aponta para um filme interessante. Não um excelente filme, mas bom e interessante. Quero ver…

    Abraço!

  3. Um filme que apesar do elenco e de alguns comentários positivos, não me chamou a atenção por parecer ser iguala tantos outros daminhas misturados com comedias existentes por aí… enfim, nãoa dianta não tneho vontade de ve-lo.. mas irei.rs
    abraços, Wally!!!

  4. Eu acho que esse filme dialoga muito com alguns dos temas tratados em “A Lula e a Baleia”. Vou concordar com você que o elenco, em especial a dupla Nicole Kidman e Jennifer Jason Leigh, está muito bem. Mas, acho que o roteiro do filme é muito inconstante e, por isso, “Margot e o Casamento” não me conquistou por completo.

  5. Tenho muito filme pra assistir nessas férias, mas esse com certeza é um deles. Adoro a Nicole e também tenho uma leve tendência a gostar desse tipo de filme, adoro “A Lula e a Baleia”.

  6. Estou bem curiosa para ver este filme. Mas ainda não tive como.
    Vou linkar você também!
    ;)

  7. ♦Robson veja sim. Acho que muitos não irão conseguir entrar no clima do filme, mas ele possui qualidades incontestáveis.

    ♦Pedro realmente o filme não é excelente, e até inferior ao primeiro trabalho de Baumbach, mas é realmente ótimo e interessant. Veja sim.

    ♦Rodrigo vale a pena a conferida, principalmente em um momento onde filmes independentes estão mostrando seus valores mais e mais. Esse aqui é um exemplo válido dessas virtudes.

    ♦Kamila te entendo completamente. Não me incomdei tanto com as inconstâncias porque fazia parte de todo o clima e a inserção do espectador naquele mundo frio e ao mesmo tempo tão familiar. Mas as performances são mesmo os destaques.

    ♦Marcel prefiro ainda A Lula e a Baleia, mas gostei bastante desse seu novo. Mostra que Baumbach realmente é talentoso e não ficará na mesmice.

    ♦Cecilia o filme é ótimo, procure ver.

  8. Só de ter a Nicole Kidman e o Jack Black já vale a pena assistir a fita.

  9. Eu tolerei o filme. Em geral costumo ser bem simpatizante de filmes simplistas e de dramas, mas esse admito que estrapolou um pouco meu gosto. Jack Black e a Jenifer estavam maravilhosos, mas admito que não gostei muito da Nicole Kidman, apesar de ser o melhor personagem, o mais trabalhado, enfim. Simplesmente para mim não encaixou.

  10. Wally, tentei, mas não gostei do filme. Adoro A LULA E A BALEIA, mas esse MARGOT E O CASAMENTO me encheu de tédio. Não sei ainda o que é, mas fiquei frio diante do filme até o final.

    Abs!

  11. Achei o filme bem discutível. A começar pela personagem principal ser insuportavel e interpretada por uma Nicole no piloto automático. O diretor tb quis rodar td tao fora de padrao que tornou dificil que o publico se conectasse com a trama. Ganha um 6 da minha parte

  12. Não gostei do filme. Personagens distantes, trama mal conduzida (apesar de interessante) e direção pouco inspirada. O elenco salva.
    Nota: 6.5

  13. ♦Luis Nicole realmente é um primor, e Black ta muito competente.

    ♦Isabela de certa forma entendo quem não conseguir tolerar o filme, ele é um bem difícil e que precisa ser mais digerido. E mesmo assim, pode realmente ser bem frio para agradar alguns. Já eu adorei Nicole.

    ♦Otavio como disse acima, entendo quem não conseguir se simpatizar e achar o filme frio. Porém, tudo faz parte da narrativa e é tudo uma questão de identificação. Eu gostei bastante, mas A Lula e a Baleia realmente é melhor, mais bem dirigido.

    ♦Louis discordo quanto à Nicole, que mostra o quanto é extremamente talentosa justamente por conseguir deixar sua personagem tão irritante, que por sua vez só será admirada pelo espectador se houver identificação clara. Acho um trabalho de direção aquém dos outros elementos, mas ainda assim admirei muito ao filme.

    ♦Matheus a distância dos personagens me conquistou justamente porque eu me identifiquei muito com a narrativa e acredito ter entendido todas as intenções de seu diretor. Mas o elenco é o destaque mesmo.

  14. Assisti “margot…” esse final de semana e gostei muito. Não sei exatamente o porquê, para dizer a verdade, mas gostei. Às vezes a gente simpatiza com as coisas dessa forma…

  15. ♦Lais concordo. Conectei com o filme de uma forma sem igual. ;)

  16. […] quase idílico. Ele ainda ganha forma com o charme de seu elenco. Obviamente, Nicole Kidman (Margot e o Casamento) já esteve em dias melhores, mas ela entrega tudo de si e é divertido ver a dedicação dela pelo […]


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: