Publicado por: Wally | Terça-feira, Junho 3, 2008

Meu Monstro de Estimação


Lendário sentimento

Angus McMorrow é um jovem solitário que descobre um misterioso ovo, que acaba se transformando em uma criatura do mar vinda direta de uma lenda antiga e esquecida. A criatura cresce e é libertada à natureza, mas o jovem cria um sentimento com a criatura, que por sua vez, vive na fuga dos soldados de guerra, hospedados na casa de Angus e sua mãe.

Mesmo que as recentes comparações deste filme com a obra-prima clássica “E.T. – O Extraterrestre” sejam todas dispensáveis e até mesmo tolas, é visível o quanto de paixão foi investida neste longa. Narrando uma história envolvente, sobre um garoto que acha e cria uma criatura do mar – mais conhecida por todos como “o monstro do Lago Ness”, aquela lenda escocês antiga – o filme oferece momentos que divergem entre o descompromissado, o humor, o drama e o sombrio. Esta mudança de clima, que muda gradativamente ao longo da sessão, pode ser prejudicial no sentido de não conseguir definir ao certo qual o público alvo. O longa, que visa agrdar tanto as crianças quanto os pais, peca ao não definir seu foco. Este é, porém, um dos poucos erros do filme, que toca, instiga e diverte, na medida certa. Mas é recomendável que, ao ser visto por alguma criança, que um adulto esteja ao lado, visto que o filme pode ser maduro demais para alguns.

Se passando durante a guerra, o filme ronda assuntos como a ignorância militar, a carência paternal e o poder da inocência. Este último, um elemento importante que vem aparecendo bastante em vários filmes atuais ou até mesmo antigos, como o próprio “E.T.”. Por tratar de tantos assuntos, agrupados em uma trama madura, a discorrência entre público alvo ocorre. Em vezes é adulto em excesso, em outras, infantil demais. A longa duração também não ajuda nesse sentido. Mas ao saber construir tão bem seus personagens, nos tornando intímos deles ao longo da sessão e oferecendo sempre uma espécie de escapismo irresistível na maioria dos momentos, o filme satisfaz. Ele é simpático, criativo e claro, visualmente um espetáculo.

Acredito, porém, que o filme resgata certos valores perdidos no cinema Hollywoodiano atual. É um filme de aventura que possui algo a dizer, envia sua mensagem muito bem e acima de tudo, possui personagens muito memoráveis. No gênero atual, isso é cada vez mais precário. Portanto, mesmo com suas habituais falhas no roteiro ou na direção, fica considerávelmente impossível resistir ao filme e valorizá-lo, ao passo que oferece virtudes que em muito falta produções semelhantes. O filme é simbólico ao retratar as conseqüências da guerra e os danos emocionais que causa, ao mesmo tempo que cria um drama admirável sobre as relações familiares, mesmo que nesse quesito ele soe forçado em certos momentos. Ou seja, a criançada pode ficar amedrontada ao final tenso e sombrio, ou perplexas com certos diálogos, mas irão sair da sessão de certa forma contagiadas. O filme tem sentimento, magia, e é por isso que funciona.

O visual, como já mencionei, é um espetáculo. A fotografia é muito boa e a direção de arte melhor ainda. É uma produção britância louvável nesse quesito de estética, ao conseguir envolver-nos ao mundo que retrata e impressionar em cenas cujo visual engrandece bastante o sentimento de escapismo. Os efeitos especiais, por sua vez, também não decepcionam. O elenco do filme também é ótimo. O garotinho genial de “Caiu do Céu”, de Danny Boyle, tem mais uma atuação simples, carismática e admirável aqui. O nome é Alex Etel, e podemos esperar bastante dele. A presença de Emily Watson também não faz mal. Uma ótima atriz que consegue fazer de sua falha personagem algo mais. Os coadjuvantes como Brian Cox e Ben Chaplin também são contundentes em seus retratos. O filme, portanto, é não só visualmente recompensador, mas oferece bom escapismo, com magia e sentimento. Pena que seja ao mesmo tempo tão indefinido e frágil. Sua aceitação será relativa ao humor ou amadurecimento da audiência.

The Water Horse: Legend of the Deep (2007)
Direção:
Jay Russell
Roteiro: Robert Nelson Jacobs, baseado em livro de Dick King-Smith
Elenco: Alex Etel, Emily Watson, Ben Chaplin, Brian Cox, David Morrissey, Priyanka Xi, Craig Hall
[Aventura, 112 minutos]

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Responses

  1. Eu adorei esse filme, Wally. Acho que você conseguiu captar muito bem a essência da obra, que fala sobre um garotinho traumatizado pela perda do pai na guerra, e que encontra no monstro o amigo e a referência que tanto precisa.

    O elenco de “Meu Monstro de Estimação” foi o que mais me chamou a atenção. Todos estão muito bem!

  2. Deve ser o tipo de filme gostoso para assistir de tarde.

  3. Pelo trailer me pareceu ser um filme muito bonitinho! Até tenho interesse em ver…

  4. ♦Kamila obrigado! O filme é isso mesmo, e eu gostei, só não o adorei, rsrsrs.

    ♦Isabela exato. Um filme gostoso de se assistir.

    ♦Louis vale a pena. Não é um grande filme, mas é bom.

  5. Não tive muita curiosidade por esse filme, até porque não estou com muita paciência para essas produções infantis ultimamente. Ainda assim, seus comentários me animaram, não parece ser um projeto descartável. Abraço!

  6. Vi o trailer. Parece ser um filme, no mínimo, agradável. Nada mais!

  7. Quero ver esse filme, o trailer não me agradou tanto, o tema é meio cliche, tipo garoto solitario com alguma criatura fantástica, mas oras bolas esse tipo de filme sempre me pega de surpresa e sempre me emociona , sim! essa é a magia do cinema, ainda que artisticamente não seja algo grandioso, se o filme cumpre com aquilo que se propoe… ótimo, deixo exeplos dos quais gostei muito, Poderoso Joe e a animação Gigante de Ferro, esse ultimo é daqueles “filmes de cabeceira” rsss abraços.

  8. Puxa, eu perdi esse filme. Já está em DVD?

    Abs!

  9. ♦Vinicius não é um grande filme, mas também não é descartável. É simpático e bem divertido.

    ♦Robson é isso mesmo. O filme agrada.

    ♦Ygor às vezes me vejo emocionando mais com filmes simples do que com os grandiosos. Esse aqui é bem simpático e agradável, mesmo não sendo um grande filme. Agora, você listou um que marcou minha infância. Poderoso Joe sempre me emocionava. Só não sei se hoje pensaria o mesmo. Agora, Gigante de Ferro é genial.

    ♦Otavio por ser apenas bom, talvez seja ainda melhor visto no comforto e descompromisso de casa. E ele chega em DVD apenas em Julho.

  10. Vou dar uma chance a ela qdo aparecer por aqui na minha locadora, ahhehe… já que ficava feio eu ir aos cienmas ver filme infantil. pegava mal..rs
    abraços!!!

  11. ♦Rodrigo o vi nos cinemas mesmo, mas em DVD será mais agradável, mesmo que o visual seja bem recompensador.

  12. Já está em dvd?


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