Publicado por: Wally | Terça-feira, Maio 27, 2008

Ao Vivo!

Lançamento direto em DVD

Ingloriosa violência

Um falso documentário sobre a busca de uma ambiciosa executiva da televisão de um programa bom que fará reviver a emissora para qual trabalha. Ela vê na “Roleta Russa” uma idéia promissora e refrescante, a transformando em um reality show audaz que logo vira a sensação do país, cansando muita polêmica por todos os lados.

Passando completamente desperçebido por cinemas americanos e principalmente pelo Brasil, este pequeno filme conseguiu, ao menos, um lançamento em DVD não muito demorado. Com um tema controverso e idéia extremamente interessante (além de elenco conhecido) o filme tinha tudo para se tornar um pequeno sucesso. Isto com certeza não ocorreu. Ao vermos o filme, percebemos o porquê. Utilizando um estilo assumidamente de mockumentary, o longa é um falso documentário, filmado por um personagem, registrando a busca de Katy (Mendes, muito bem no papel) pelo sucesso. O longa de Bill Guttentag – mais conhecido por documentários – deseja ser crítico e dar um soco no estômago ao abordar a rede de televisão como ela é: corruptível, sensacionalista, violenta. Se sai bem nesse sentido. Mas é incoveniente com sí mesmo ao cair no vazio com suas críticas, visto que seu filme vai apenas decaindo com o passar do tempo.

O filme é, portanto, interessante com sua visão ácida de sobre o cosumismo, o poder da imprensa e claro, os limites aos quais os executivos estão dispostos a ir em busca de dinheiro. Mas pará por aí. Além de ser extremamente superficial, raramente soando realmente autêntico (mesmo com seu estilo documental), o longa proporciona uma linhagem de personagens clichés, entre eles os executivos manjados e mais especificamente, os integrantes da tal “Roleta Russa”, que representam todos um esteriótipo mais falho que o outro. O único personagem que se salva é Katy, que ganha uma atuação sincera, ora intensa, ora sutil de Eva Mendes, que saiu de “Os Donos da Noite” como uma atriz de verdade. Katy tem suas falhas, mas é dos poucos elementos do filme que realmente consegue funcionar e, mais importante, instigar a audiência. Mesmo que, com toda a vanglorização, a trama seja envolvente pela curiosidade em relação á como as coisas irão terminar. Pena que apenas encontramos decepção.

Depois de cenas forçadas e diálogos extremamente superficiais e batidos, chegamos à estréia do tal reality show. Confesso, me deixou tenso. Mas tudo serviu apenas para demonstrar a armadilha na qual o filme caiu. Ao contrário do que ocorreu no novo filme de Richard Kelly, “Southland Tales”, a violência não é utilizada aqui para soar estúpida e realçar o quanto é desnecessária. No filme de Guttentag, ele chega à um fim que reflete tudo que seu filme até então criticou tão arduamente (e superficialmente), ao se tornar exatamente o típo de entretenimento que tanto abomina. O resultado é tolo, previsível e maniqueísta, com uma boa surpresa no meio de tudo que evitou que eu tacasse pedra, num momento onde uma personagem foge completamente de seu esteriótipo. Não foi, porém, o suficiente.

O fato é que “Ao Vivo!” é um filme que tinha tudo para funcionar se tivesse uma direção mais inspirada e intensa, combinando com um roteiro que conseguisse polir mais seus personagens e seu clímax. É promissor, engata, envolve e desperta interesse, ainda terminando em uma nota interessante cercando o destino de sua personagem principal, que pode (ou não) despertar uma discussão acerca de sacrifício, e os limites que certas pessoas irão para a glória, e se estão, ou não, preparadas para serem infâmes. Um filme brilhante de Sidney Lumet, “Rede de Intrigas” conta essa história maravilhosamente. Sugiro que fiquem com ele, e deêm uma olhada nesse aqui apenas se de forma descompromissada. O filme, ao tentar realizar suas críticas e mergulhado em tanta ácidez, caiu no vazio por não saber finalmente evocar um impacto e surpeender a audiência. Alguns podem dizer que seu fim foi até uma apologia à violência, gratuita por sinal. Mas talvez essa seja sua intenção. Uma pena que o diretor não tenha sido experiente o suficiente para deixá-las claras e formidáveis.

Live! (2007)
Direção:
Bill Guttentag
Roteiro: Bill Guttentag
Elenco: Eva Mendes, David Krumholtz, Jay Hernandez, Jeffrey Dean Morgan, Katie Cassidy, Eric Lively, Rob Brown, Monet Mazur, Andre Braugher
[Drama, 96 minutos]


Responses

  1. Ah, esse aí vai ter que esperar, não gosto mais da Eva Mendes desde Por Um Fio. E eu prefiro Rede de Intrigas, hehehehe.

    Abraço, Wally!

  2. Não me interessou nem um pouco, com sua nota, então, nem se fala! hehe

    =)

  3. Nunca gostei da Eva e depois que vi Hitch gosto menos ainda. Mas por ser um mockumentary, fico interessado.

  4. Eu particularmente não gostei tanto do filme, mas tenho de admitir que as cenas da roleta russa me deixaram extremamente tensa. MUITO TENSA! Coisa dificil mesmo, eu me transportar para um filme e sentir a tensão. Porém, se uma direção um pouquinho melhor tivesse trabalhado o filme, ele poderia ter a qualidade que o roteiro, a atuação da Eva e algumas cenas (como as da roleta) mereciam.

  5. A Eva Mendes não é exatamente o que podemos chamar de boa atriz (apenas de atriz boa), mas quando tem um roteiro decente consegue entregar atuações corretas como em “Os Donos da Noite”. Gostei de saber que é um mockumentary, mas continuo sem muitas expectativas. Abraço!

  6. O engraçado é que lendo seus dois primeiros parágrafos, eu pensava que o filme seria até legal, mas você tira essa impressão nos parágrafos finais. Já não tinha vontade de conferir esse filme antes….

  7. Realmente, passou despercebido. Ainda não assisti e francamente, tb não tinha mt vontade. E tb imaginava que a sua opinião seria mais positiva rs

  8. Wally, o que aconteceu com seu comentário lá no blog? Isso não pode ficar assim, hehehe. Explique-me, se foi erro meu, perdoe-me.

    Abraço!!

  9. Então é o filme classico que poderia ter dado certo mas não deu apesar de ter alguns milagres e tal … entendo isso …

  10. já não sou muito fã de filmes que usam desse estilo de falso documentário.. mesmo assim fico curioso de ve-lo, quem sabe alguém aluga pra mim, rs…
    abraços!!!

  11. eu adoreiiiiiiii o filme
    na minha opiníão não comete excessos e todo o elenco está em sintonia

  12. […] lugar de sobra para o admirável Matthew Goode (O Vigia) e, principalmente, Jeffrey Dean Morgan (Ao Vivo!) exercitarem talento. E Morgan está eletrizante. O versátil elenco pinta um painel rico muito […]


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