Publicado por: Wally | Quinta-feira, Maio 22, 2008

Jornada pela Liberdade

Lançamento direto em DVD
O dia depois da noite

William Wilberforce, um honrável e inteligente homem, se manifesta como humanista e está sempre imerso nos debates políticos que movem sua época e seu mundo. Mas seu gosto ambicioso para fazer o bem torna-se uma jornada árdua à procura da liberdade do povo africano. Tem início a sua – e a de vários outros – tentativa de abolir a escravatura. Em especial, as trocas de escravos por transatlântico da Inglaterra.

Acadêmico e bem convencional, o filme de Michael Apted (Nunca Mais) é essêncialmente uma homenagem, acima de tudo. Realizando uma visão interessante do século XIX, o filme segue William Wilberforce (Gruffudd) até o fim de tudo. Todos os seus pesares, suas batalhas e sua dignidade, até sua consagração ao conseguir, com grande emoção, o que tanto veêmentemente busca por tantos longos anos. Uma trajetória escrita com dignidade por Steven Knight (Senhores do Crime) que convence, com bons argumentos, diálogos bem construídos e personagens plausíveis, mesmo que seja, enfim, extremamente convencional. Coloco a culpa, porém, na direção de Apted mesmo, que nada ousa e deixa muito a desejar, não permitindo ao filme maior autênticidade, salvo muitas vezes por causa da plausibilidade do roteiro de Knight, mesmo que nunca realmente surpreenda. O filme é mesmo bem histórico, mas inesperdamente nada monótono, carregado ou chato. A partir do momento que personagens e argumentos tonam se interessantes, somos envolvidos.

O resultado, portanto, é agradável. Mais agradável ainda é seguir toda a trajetória e luta de Wilberforce, que merecia não só uma homenagem, mas merecia ser lembrado. Poucos sabem quem é e menos ainda conhecem sua história. Eis aqui a chance. O filme singelo de Apted tem o potêncial de tocar a audiência – dependendo muito, claro – tendo seu coração sempre no lugar certo, o que explica a overdose de sentimentalismo de momentos, como os mais pertos do desfecho. Acadêmico, convencional, envolvente, sensível e importante. Realmente um filme de altos e baixos, mas que finalmente agrada, entretem e convence, pelo triunfo de suas virtudes na hora de manipular o espectador, desviando a atenção dos defeitos. Defeitos esses impossíveis de perceber em momentos.

O convencionalismo é fatal, mas ainda existem muitas pretensões cômicas fracassadas (com raras exceções) e acontecimentos finais apressados, onde tudo soa rápido demais. É justamente a falta de visão e lirismo que faz o filme perder pontos, culpa do diretor, que oscila sua câmera sem criatividade. Seu visual é arrojado e simpático por causa dos tons, da direção de arte ótima e o figurino, apenas por isso. O filme encontra suas virtudes mesmo no roteiro, que consegue o feito de tornar debates políticos não só convincentes e informativos, mas consistentes e divertidos. É bom de se ver. Além de ser bem relevante, visto sua importância e a de seu personagem. Personagem este que poderia ter sido mais marcante com uma performance arrasadora, mas Ioan Gruffudd (Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado) surpreendentemente chega perto. É a atuação de sua carreira e apesar disso não ser um elogio muito forte, ele está bem sim e convence, bastante. Oferece esperanças quanto ao astro, que depois de muitas papeis coadjuvantes decolou como o Lancelot em “Rei Arthur” e o principal nome do “Quarteto Fantástico”, sempre oferecendo atuações ocas e mediocres. Ele encontra, em William, sua salvação.

Mas Gruffudd está rodeado de muito mais talento. Ao seu lado, a bela Romola Garai (Desejo e Reparação) oferece desempenho bem agradável. Mas são os veteranos que se tornam as peças mais importantes e influentes do elenco: Michael Gambon (Harry Potter e a Ordem da Fênix) e Albert Finney (O Ultimato Bourne), ambos excelentes, em papéis completamente distintos. O elenco em sí, é imensamente satisfatório, igualmente ajudando a elevar o nível do filme. O fato é que, apesar das grandes falhas, é um bom filme, que além de bem intencionado, tem algo a dizer. Usa a bela música “Amazing Grace”, por exemplo, para falar sobre ignorância britânica (em retrato contundente) que sofrem uma espécie de cegueira. Uma doença que, na época, desolou muitos e embriagou ainda mais. Em contraste, entrega uma bela mensagem de que a perseverância e a crença move montanhas. Como William dizia: “O dia depois da noite”. Após cada turbulação, existe sempre redenção. Tudo a favor do fator “acadêmico”, eu sei. Mas o filme funciona. Wilberforce virou um personagem digno do cinema, mesmo que o filme em sí não faça o jus obrigatório.

Amazing Grace (2006)
Direção:
Michael Apted
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Ioan Gruffudd, Romola Garai, Benedict Cumberbatch, Albert Finney, Michael Gambon, Rufus Sewell, Youssou N’Dour, Ciarán Hinds
[Drama, 117 minutos]


Responses

  1. Esse eu realmente não assisti… E sinceramente, depois da sua opinião dividida, nem devo ver rs

  2. Interessante, aparenta ser uma ótima história a ser passada adiante.. mesmoa ssim aidna ão é o tipico filme que me atraí.. talvez o veja despretenciosamente…rs
    abraços!!!

  3. Não fiquei muito interessado nesse filme, desde o começo pensei que fosse uma produção de nível discutível. De qualquer forma fiquei um pouco mais animado ao ler seus comentários e assim devo ver em breve.

  4. Me lembro de ter lido uma excelente crítica desse filme escrita pela Isabela Boscov na revista Veja. Sua opinião não é tão arrasadora quanto a dela, mas, mesmo assim, me deixa muito curiosa para conferir “Amazing Grace”.

  5. Apesar da ótima análise que você fez, eu não sou muito chegado nesse tipo de filme. Gosto de vê-los quando “velhos”…passados anos de seu lançamento.

    Abraço!!

  6. Vi o trailer desse filme, agora a pouco enquanto assistia “Ninguém segura essa loira”, e admito que fiquei bastante interessada, afinal ele faz bem o estilo de filme que costumo gostar, sem falar que achei a fotografia muito bonita… enfim, espero que me agrade!

  7. Vou procurar este filme depois.

  8. Engraçado. Este aí me cativou pela grandeza do figurino e direção de arte, o resto especialmente o roteiro, me deu dor de dentes.
    Abs!

  9. Wally

    Eu achei ´´Ladrões de Bicicletas“ numa blockbuster… caso tenha aih na sua cidade eh bem possível de vc encontrá-lo..

    Mas se naum tiver eu jah achei num blog pra download.. se quiser q eu mande eh soh avisar..

    Quanto a esse filme vou procurar assisti-lo tb, pois ainda ñ o fiz

    vlwss abraço..

  10. Concordo integralmente com o seu texto.
    Fiel a todos os aspectos abordados. Diria apenas que a presença de Ioan Grudduff é muito boa.

  11. Assisti e adorei o filme! Narra as batalhas travadas em nome da abolição da escravatura. Aborda os aspectos políticos, sociais e religiosos da época e vale ressaltar que foi graças ao movimento abolicionista inglês que o abolicionismo se tornou uma causa a ser defendida por todos os povos. Serviu de inspiração para os EUA e o Brasil.

  12. Assisti ao filme! Gostei muito do que vi. Quando um filme retrata fatos reais, não é tão facil assim mundar o roteiro o mas importante é a historia do mesmo. Estudei história quando adolescente e nunca tinha ouvido falar o nome de WILLIAM WILBERFORCE. Sempre me foi dito que a poderosa Ingraterra teria proibido o tráfico de escravos, e não que teria sido ações de homem determinado pelo amor a Deus e a seus semelhantes, transformando sem duvida a história da humanidade. Graças a ele tivemos o prazer de ver: Mandela, Martin Luther king, Pelé e o novo paradigma da humanidade, Obama.
    Abraços,
    Gilmar Marques/ Uberaba-MG

  13. […] não completamente convencido. Tem bons diálogos e um elenco consistente. Eu destaco Romola Garai (Jornada pela Liberdade), simplesmente fantástica como a filha Abigail (e ela continua provando o quanto é a grande […]


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