Publicado por: Wally | Terça-feira, Maio 20, 2008

Por Trás das Câmeras

Lançamento direto em DVD

Holofotes e ilusionistas

Durante as filmagens de um novo e pequeno filme artístico chamado “Home for Purim”, três atores descobrem que, além do estúdio e por trás dos holofotes, está rolando previsões e muita conversa sobre possíveis indicações do elenco ao Oscar.

Conhecido como diretor de documentários falsos, mais conhecidos como “mockumentaries”, Christopher Guest deseja, com esse seu irreverente filme, realizar uma satírica comédia, criticando o mundo hollywoodiano onde o que importa às vezes não é nem a qualidade, mas o hype, e mais importante, todo o tumulto em cima da premiação do Oscar, que destrói sonhos ao mesmo tempo que transforma outros. A culpa, porém, é toda da mídia. O alvo de Guest é claro e o tiro, certeiro. Infelizmente, porém, Guest cai em diversas armadilhas ao realizar sua crítica tão ácida e relevante. Os buracos são variados e distribuídos aleatoriamente na sessão. Muitas vezes a obviedade de um diálogo e uma piada sem graça realmente irrita. São elementos que proibem com que o filme seja grande e completamente genuíno. Há muita coisa boa aqui, mas as falhas são impedoáveis. É compreensível, portanto, a falta de um recebimento mais amplo de crítica e público, além do lançamento direto em DVD no Brasil, bem atrasado por sinal.

Contando com cenas muito criativas e originais, o filme inicialmente cativa justamente pela irreverência e o olhar cômico, visando extrair o que há de mais vergonhoso no mundo político de Hollywood, dentro e fora de estúdios, perto dos holofotes ou perto dos astros. O forte do filme está aí. E é o que o move. Os personagens em sua maioria funcionam (com uma exceção ou outra, incluindo a figura ridicularmente tola de um diretor querendo parodiar David Lynch), e os diálogos em momentos revelam esperteza. Mas, instável. Esperteza muitas vezes dá lugar ao óbvio. Irreverência dá lugar ao tolo e críticas caem no vazio quando o roteiro investe inteiramente em esteriótipos sem acrescentar à narrativa, com apenas o intuito de ridicularizar. É sensato concluir, com isso, que o filme é mais uma colcha de retalhos, com várias valiosas cenas, impregando não só humor (apesar do efeito nunca ser realmente catalisador), mas crítica e acidez sensacional. Falte-lhe uma narrativa coesa. A irregularidade é um fardo tremendo que afeta o filme e desgasta a audiência.

Eu recomendo o filme porque decidi dar mais atenção aos seus altos do que aos baixos, e fui muitas vezes completamente conquistado pelo tom irônico genial de certos momentos, com diálogos afiados e ultrajantes. É notável também que, apesar de muitas vezes cair no vazio e no sem graça, lembrando vagamente paródias ridículas como “Deu a Louca em Hollywood” e afins, o filme se distancia dessas tragédias por não cair na baixaria. A qualidade das piadas despenca, mas não o nível. Guest sempre o mantém intacto e apenas a irreverência é destruidora. E nesse caso não somos nós os afetados. Os personagens do filme, porém, são os elementos mais essênciais e são a engrenagem principal do espetáculo. Alguns funcionam muito bem, outro não. Alguns ficaram horríveis, como o já mencionado diretor e um apresentador de programa nauseante, que irrita até dizer chega. O ator não poderia deixar de ser outro, que provavelmente já estrelou tudo que os criadores de “Deu a Louca em Hollywood” já fizeram de ruim. O nome é Fred Willard. Gravem o nome e mantenham distância.

Além dele, outras “pérolas” como Jennifer Coolidge, também na onda dessas paródias retardadas e Eugene Levy. Parker Posey e outros mantém o eqüilibrio, ao fazerem bem. Mas uma coisa pode ser dita sem pestanejar e sem hesitação. O que o filme de Guest muitas vezes perde em autênticidade e competência, visto a fragilidade do humor, ele ganha com Catherine O’Hara e sua personagem, que é a alma do filme. A personagem é o foco. Ela foi criado sobre os sonhos proporcionados por Hollywood até se iludir com uma certa premiação chamada Oscar. Os holofotes fizeram seus trabalhos infernais e os ilusionistas entraram em ação, até finalmente sonhos virarem pesadelos. A dor da personagem é sentido e O’Hara, engraçadíssima e tocante ao mesmo tempo, entrega uma performance inesquecívelmente certeira e perfeita, tocando em todas as notas certas e fazendo nada do que esperamos. Não só surpreendendo, mas entretendo. Ela salva muito do filme, que sem ela, não teria vida.

For Your Consideration (2006)
Direção:
Christopher Guest
Roteiro: Christopher Guest e Eugene Levy
Elenco: Catherine O’Hara, Eugene Levy, Harry Shearer, Christopher Guest, John Michaels Higgins, Jennifer Coolidge, Parker Posey, John Krasinski, Sandra Oh, Fred Willard, Ricky Gervais, Larry Miller, Jane Lynch.
[Comédia, 86 minutos]

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Responses

  1. Me lembro que a Catherine O’Hara foi até citada, na época do lançamento desse filme, como uma possível concorrente ao Oscar, mas acabou nem sendo lembrada.

    Gosto muito dos filmes do Christopher Guest e essa é uma obra que eu quero muito assistir.

  2. Também gostei desse filme! Não achega a ser tão bom quanto os anteriores do Christopher Guest (que é um mestre nesse tipo de fita), mas seu roteiro continua impecável. Destaque absoluto para a Catherine O’Hara, especialmente quando sua personagem começa a pensar na possibilidade de indicação ao Oscar. Abraço!

  3. Ainda não assisti =/
    Mas o seu texto me deixou empolgado para conferir logo, acho que vou fazer isso o mais rápido possível. =D
    vlw a dica.

  4. Isso mesmo, caro Wally. Bom é máximo que pode-se dizer desse filme. Até gentil demais…

    Abraço!!

  5. Ainda não vi nenhum filme desse diretor e nãos ei se gosto desse estilo de “falsos-documentários” que são inseridos nos filmes, já vi alguns e não gostei do resultado final… afgora qto aos bastidores de hollywood – apesar de um tanto batido – é sempre interessante e pelo jeito ele consegue fugir um pouco das mesmisses desses tipos de filmes… vou procura-lo…
    abraços!!!

  6. A trama parece ser interessante,apesar de alguns atores desse filme participarem freqüentemente de bombas, como Eugene Levy, por exemplo.

  7. Ah, eu já li sobre esse filme… Mas ainda não vi. Ainda estou alucinado na maratona INDIANA JONES. Prometo voltar ao normal na semana que vem…

    Porém, vc creditou muito do filme à atuação da Catherine O’ Hara… Seria um filme de atriz apesar de outras qualidades que vc citou?

    Abs!

  8. O filme é interessante, mas fraquinho. Porém, quero deixar meu comentario aqui em especial a Parker Posey, que ultimamente tem me agradado demais. Passei a simpatizar demais com a moça!

  9. Ola.. gostei bastande do seu blog.. te adicionei na minha lista e sempre que puder visitarei.. dew uma conferida no meu aih.. me ajude q tow tentando revitalizá-lo
    hehehehhehe

    Ainda não assisti a esse filme, mas vou procurar logo.. vlws pela dica

    vlws abraço !

  10. Deve ser bom este filme, que ver.

  11. Gostei bastante desse filme. Assim como a Kamile me recordo do buzz de indicação ao Oscar que O’Hara recebeu. De fato, ela dá show!!

  12. […] existe algo fundamental em "Ghost Town – Um Espírito Atrás de Mim", é Ricky Gervais (Por Trás das Câmeras), que vem direto do sucesso de "Extras", seriado cômico muito bem sucedido que o teve […]

  13. […] algo fundamental em “Ghost Town – Um Espírito Atrás de Mim”, é Ricky Gervais (Por Trás das Câmeras), que vem direto do sucesso de “Extras”, seriado cômico muito bem sucedido que o teve […]


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