Publicado por: Wally | Sexta-feira, Maio 16, 2008

Cativeiro

Lançamento direto em DVD
Doença macabra

Jennifer é uma modelo bem sucedida que, após uma festa, acorda na escuridão de uma cela. Obviamente ganhando a percepção de que foi capturada, Jennifer logo se vê obrigada a entrar nos jogos do sádico torturador, também se envolvendo com um homem que igualmente se encontra capturado.

“Cativeiro” é um filme doente. Infectado pela futilidade da Hollywood atual, que só fabrica filmes de terror e suspense fracos sem criatividade, funcionando apenas (e talvez) quando refilmam material anterior. Infectado também, infelizmente, pelos macabros nomes no comando. Algo sinceramente inexplicável. O diretor, Roland Joffé, é cultuado e dono de trabalhos bem sucedidos como “A Missão”, e ainda foi indicado duplamente ao Oscar como melhor diretor. O roteirista Larry Cohen havia escrito os divertidos roteiros de “Celular” e “Por um Fio”. Trata-se da estréia do outro roteirista. O que atingem com esse filme, porém, é completo desgosto e infelicidade. A conclusão final não poderia ser outra: eles se divertiram, nós não. O que nos leva a constatar outro fato: de que trata-se de mentes realmentes macabras, que ao possuírem o intuito de realizar um filme psicológico, cavam seus próprios buracos ao insistirem em cenas torturadoras nojentas e todas sem sentido.

Fica óbvio, com o passar do tempo, que a intenção é mesmo estudo psicológico. Mas nunca funciona. Eles pretendem realizar um estudo do medo, mas a caricatura dos personagens, as performances fracas e o clima nada autêntico faz com que tudo soe falso e conseqüentemene, nada funciona como deveria. Mas o pior de tudo é o rumo que o filme toma ao inserir cenas grotescas e gráficas de tortura. No final das contas, não são só eles, no filme, sendo torturados, mas nós, meros espectadores, sofrendo ao lado. É fácil chegar à conclusão, portanto, que a doença macabra do filme acaba por corroir quem o assiste. É sem dúvida uma sessão prejudicial, tanto por sua falta de limites quanto ao desnecessário, e seu efeito desgastante na audiência. O filme cansa, irrita, nausea. Não entretem e com certeza não adiciona em nada o nosso conhecimento do comportamento humano. Talvez apenas o de seus criadores.

O casting foi todo errôneo, para piorar a situação. Quando trata-se de um filme “psicológico”, é preciso atores competentes para entregarem autênticidade e realismo, visto que o filme será apoiado todo em cima deles e dos diálogos. É aí que o filme irrita mais ainda. A incapacidade de Elisha Cuthbert em transmitir angústia, medo e realismo em sí é completamente broxante. Cuthbert é charmosa em comédias e até aprendeu a funcionar como a filha atrapalhada de Jack Bauer, mas em um papel (já completamente falho) que requer certa intensidade de seu hospedeiro, ela falha estrondosamente. O elenco coadjuvante igüalmente não ajuda, com destaque ao canastrão Daniel Gillies e o tolo Pruitt Taylor Vince. Ou seja, personagens já falhos e futéis só pioram com as atuações, visto que já eram falhos tanto em sua previsibilidade constante, quanto em suas escolhas e seus diálogos sempre clichés.

Resta então, o clima para funcionar. Mas até aí é fracasso desde o início. A produção é pobre, e isso torna-se perceptível desde antes de entrarmos no cativeiro e sermos submetidos à sádicas torturas de nosso querido cineasta. O próprio cativeiro é pouco expressivo. A chave aqui seria tornar o local claustrofóbico e completamente escuro. Mas ao não conseguir construir esse clima angustiante, deixa tudo bem mecânico e irreal, facilitando o crescimento constante de nosso ódio com o filme, que atinge ponto máximo ao seu clímax, onde presenciamos furos, esteriótipos, o cúmulo da previsibilidade e finalmente, um desfecho nada recompensador. É uma tragédia total. “Cativeiro” foi feliz em não ter ido aos cinemas brasileiros. Alias, seria ainda mais feliz se nunca tivesse saído da gaveta. O terror está aí: na decadência do cinema atual. E Hitchcock se remexe em seu túmulo.

Captivity [2007]
Direção:
Roland Joffé
Roteiro: Larry Cohen (estória), Joseph Tura
Elenco: Elisha Cuthbert, Daniel Gillies, Pruitt Taylor Vince, Michael Harney
[Thriller, 96 minutos]


Responses

  1. A Bitch Bauer não acerta nunca! A única coisa que presta na carreira dela é 24 HORAS. Mas, ainda assim, ela é a pior coisa da série.

    E Rolland Joffé, hein… O cara faz A MISSÃO e, agora, isso?

    Abs! Bom fim de semana!

  2. Esse filme é dirigido por Roland Joffé??????????????????

    Concordo com o Otavio: a Elisha Cuthbert nunca acerta. Além de “24 Horas”, ela só acertou com “Show de Vizinha” e, mesmo assim, o filme só vale por causa do Emile Hirsch, do Paul Dano e do Chris Marquette.

    Bom final de semana!

  3. Pois é, o Roland Joffé vai de mal a pior… Devo passar longe desse “Cativeiro”, afinal não vi nenhum comentário positivo a respeito do filme até agora. Lamentável para alguém responsável por belíssimos trabalhos como “A Missão”…

    Abraço!

  4. Esse eu não vi, e pelo visto não perdi nada :)

  5. Taí um filme que passei longe por várias vezes que o vi na locadora e depois da sua critica e nota, wally.. continuarei passando longe, hehhe
    Na verdade vi vários com capinhas parecidas perto dele na locadora: gritos horriveis, torura não sei o que e bla bla bla…
    junta tudo e joga no lixo, a melhor coisa…
    taí a prova mais uma vez que concorrer ao Oscar não lhe dá meritos de bom diretor, mesmo ele tendo feito esse filme apenas para ganhar dinheiro, é um fato que Roland Joffé joga a sua carreira no ralo mesmo tendo feito “A missão”.. será uma missão apra ele agora reconquistar a confiança de ter seu nome envolvido em outro projeto…
    abraços,Wallly!!!

  6. É incrível…um ótimo diretor como Joffé dirigindo uma bomba destas…
    O roteirista Larry Cohen poderia ter ele mesmo dirigido, já que em seu currículo como diretor tem vários filmes de baixo orçamento até interessantes, como “A Ambulância” e “Nasce um Monstro”, mas não é um tipo de filme para Joffé.

    Abraç

  7. My Eyessssss …
    tá ardendo …

    ahahaha
    porra … é muito ruim …

  8. Ainda acho que Hitchcock vai ressucitar e acabar com essa palhaçada.

    Abraço!

  9. Desculpe descordar! Mas é o MELHOR FILME que eu já ví na minha vida. Caí aqui de paraquedas buscando mais notícias sobre o filme!
    Me apaixonei! =)


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